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Relato
há 3 meses
As escolhas que fazemos
De São Bento do Sul, SC, a jovem Julia reencontra-se na essência budista que a torna forte e vitoriosa
Redação
04/12/2025

Julia, ao centro, com os familiares, em São Bento do Sul: à esq., estão os pais, Aristeu e Mafalda. À dir., a irmã Dayane e seu filho Gustavo. Fotos: Arquivo pessoal
Uma vez que conhecemos o budismo e passamos a praticá-lo, nossa vida entra numa espiral de mudanças e de conquistas. Primeiro, cura nossas cicatrizes e, aos poucos, molda certezas indestrutíveis em nosso coração, sendo uma delas a de que nunca estamos sozinhos. Eu me chamo Julia Graciela Kiem e faço parte desta rede de companheirismo chamada Soka Gakkai, com muito orgulho. Compartilho parte da minha trajetória em São Bento do Sul, SC, junto com minha família.
Minha falecida irmã, Rosemari, foi a primeira a praticar o budismo para buscar a harmonia familiar. Falando em curar cicatrizes, após a perda da filha, minha mãe, Mafalda Kiem, buscou respostas em várias religiões para superar o sofrimento. E foi no budismo que encontrou um sentido, dedicando-se com sinceridade à recitação do Nam-myoho-renge-kyo; após alguns anos, meu pai se juntou à prática também.
Com relação à convicção que vamos criando aos poucos, trago à mente as memórias de infância. Participava com alegria das atividades, mesmo quando tínhamos de ir a pé por não ter dinheiro para o ônibus. Superamos tudo, com a prática da fé em primeiro lugar. A harmonia tão desejada pela minha falecida irmã se fez realidade.
Reencontrar a essência
Na adolescência, acabei me afastando das atividades da organização. Não cheguei a praticar nenhuma outra religião, apenas deixei de participar das reuniões e da rotina da prática. Ainda assim, sempre que alguém me perguntava, eu dizia com convicção que era budista. No fundo, eu sabia que minha fé permanecia, mesmo adormecida.
Com o tempo, notei que me distanciar aumentou minha insegurança e sensação de estar perdida. Tentava resolver tudo sozinha, sem a força do daimoku e sem o apoio dos companheiros, e isso me fazia sentir certo vazio, como se faltasse algo essencial na minha vida.
Em 2014, minha irmã mais nova, Dayane, me convidou para participar de uma reunião das jovens Soka, e senti como se estivesse retornando para casa. O ambiente reacendeu minha esperança e alegria, levando-me a perceber o valor do budismo em minha vida.
Ampliar horizontes
Voltar à órbita da Gakkai me fez enxergar caminhos e vencer desafios que enfrentava. Após me lançar na recitação do Nam-myoho-renge-kyo com renovada disposição, terminei um relacionamento conturbado e deixei meu emprego. Poucos meses mais tarde, em outubro de 2015, entrei na empresa em que estou até hoje e, em dezembro do mesmo ano, conheci meu marido, Giovane, uma pessoa maravilhosa que sempre me apoia. Ao longo desses anos, tive muitas conquistas, para uma jovem que estava perdida e limitada feito um elefante preso a uma cadeira. O daimoku é libertador e o ambiente da organização nos faz romper a pequena concha.
Nas atividades da BSGI, sempre ouvimos algo que faz nosso coração brilhar. Em 2023, participei de um curso de aprimoramento (Capri) em Curitiba, PR, que fortaleceu profundamente minha convicção. Saí de lá determinada a viver o espírito de mestre e discípulo e a dedicar minha vida à felicidade das pessoas. Após esse encontro, conquistei um benefício enorme: ingressar na universidade. Há dois anos, curso engenharia de produção em uma instituição gratuita, o que contribuirá para consolidar minha trajetória profissional na empresa. Também tive a chance de integrar a sexta edição da Academia Índigo, da Juventude Soka do Brasil, realizada de 19 a 21 de setembro de 2025, em São Paulo, SP, que se tornou um marco em minha vida. Essa experiência aprofundou minha convicção e me deu uma força imensa para seguir lutando, com coragem e alegria, junto com o legado dos mestres que dedicaram a vida para que chegássemos até aqui.
Numa atividade dos sucessores Ikeda de sua localidade
Logo depois da Academia Índigo, fui confiada para atuar como vice-responsável pela Juventude Soka da RM Jaraguá, CRE Sul, com foco nos Sucessores Ikeda. Com o coração decidido de que cada passo meu faz parte do sonho do sensei para o futuro, determinei honrar esse juramento todos os dias, avançando com coragem, esperança e compromisso. Talvez encontre pelo caminho adolescentes em condições de vida como um dia estive, mas, com a escuta ativa e o coração ligado ao mestre eterno, poderei retribuir com o carinho e companheirismo que são próprios da Soka Gakkai.
Este ano também inspirei uma querida amiga à prática budista. Foi uma emoção indescritível vê-la receber o Gohonzon justamente no dia 19 de julho, data tão significativa para a Juventude Soka.
Concluo meu relato compartilhando uma orientação do presidente Ikeda, que sempre me incentiva, falando da boa sorte que temos de praticar o budismo na juventude, época em que podemos fortalecer nosso coração e acumular imensurável boa sorte. Juventude não tem idade, e é uma fonte para a vitória. Ele nos encoraja:
Podemos dizer que a alegria, a coragem, a disciplina, a disposição de crescer, a sabedoria, a saúde, enfim, tudo é obtido com a energia vital. E a fonte dessa ilimitada energia é a recitação do daimoku. Por isso, uma pessoa que vive com base no daimoku não encontrará impasses na vida.1
Contem sempre comigo! Muito obrigada!
Julia Graciela Kiem, 33 anos. Graduanda em engenharia de produção. Na BSGI, atua como vice-responsável pela Juventude Soka da RM Jaraguá, CRE Sul.
Nota:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 11, p. 96, 2021.
Veja mais fotos do relato da Julia. Acesse aqui.
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