marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Estrada para a paz
há 16 anos

Arrumação

Estrada para a Paz — A vida de Daisaku Ikeda

05/03/2011

Arrumação
Era inverno, e Daisaku estava na 3ª série do ensino fundamental. Seu pai finalmente estava quase recuperado da doença. Depois de dois anos acamado, ele se levantou no dia do Ano-Novo e desfrutou o dia normalmente, como se já estivesse curado. Depois de dois anos, todos da família puderam se cumprimentar mutuamente pela chegada no Ano-Novo com sorriso no rosto. O menino Daisaku não se continha de tanta alegria. Eram dias radiantes que em fim chegaram também no lar dos Ikeda.

Contudo, esse momento feliz não durou por muito tempo. Era o ano de 1937 e Daisaku cursava a 4ª série. Quando a época das chuvas em que as flores de romã desabrocham estava chegando ao fim, o Japão atacou a China e deu-se início à Guerra Sino-japonesa. Seu irmão mais velho, Kiichi, foi convocado para servir o exército e teve de deixar a família para receber treinamento militar.

Esse fato fez com que as condições econômicas da família Ikeda ficassem ainda mais difíceis. Isso porque era Kiichi que trabalhava no lugar do pai e sustentava as despesas da família. Sua mãe e o irmão Masuo passaram a colher mariscos para vender de porta em porta.

Na 1ª e 2ª série, Daisaku teve aulas com uma professora, mas, na 3ª e 4ª série, seu professor era um jovem cheio de energia.

Ocorreu num dia em que o grupo de Daisaku estava encarregado de fazer a limpeza da sala, logo após o término da aula. Normalmente, assim que terminavam a limpeza, o professor vinha na sala para checar rigorosamente o serviço dos alunos. Quando o professor dizia: “Aqui continua sujo, limpem novamente”, era preciso limpar tudo de novo. Como todos queriam ir embora logo, acompanhavam com ansiedade e medo a checagem do professor. No entanto, nesse dia, talvez por estar atarefado, o professor dispensou-os dizendo: “Depois eu checo, podem ir para casa.”

Todos ficaram eufóricos e saíram correndo da sala de aula.

O professor bradou em voz alta:

— Não esqueçam de guardar os materiais de limpeza!

E ele se recolheu na sala dos professores.

O menino Daisaku, que estava no final do corredor, voltou para a sala de aula. Todo o material de limpeza como pano sujo e baldes estavam espalhados pela sala. Por alguns instantes ele achou que os colegas também retornariam, mas ninguém mais voltou para a sala. Como não tinha outro jeito, ele começou a lavar os panos sujos e guardar os materiais.

De repente, ele ouviu:

— Ué, todos acabaram indo embora?

Era o professor que estava parado na porta da sala.

— Só sobrou você, Daisaku? Ah, esses seus colegas não tem jeito mesmo... — dizendo isso, o professor se agachou e começou a lavar também os panos sujos.

Parecia que esse trabalho seria bastante árduo, mas ao fazer em dupla, terminou mais rápido do que o tempo que imaginou que levaria. Ao ver a sala toda arrumada com os panos de limpeza lavados e baldes empilhados, Daisaku se sentiu muito satisfeito e revigorado.

O professor lhe disse sorrindo:

— Então Daisaku, não é uma sensação gostosa após a limpeza?

O menino Daisaku também estava muito feliz e respondeu com toda a disposição:

— Sim! É uma sensação muito boa!

O professor pôs a mão sobre a cabeça de Daisaku e disse:

— Muito obrigado pelos seus esforços. Pode ir para sua casa agora.

Daisaku curvou-se em reverência ao professor e se despediu dizendo:

— Até amanhã!

Ele refletiu em seus pensamentos: “Mesmo que seja algo chato e trabalhoso, quando terminamos de fazê-lo direito, podemos experimentar uma sensação muito gostosa. Acho que todos que foram embora largando tudo daquele jeito devem estar com remorsos agora.”

Compartilhe

Copy to clipboard