BS
Os Encantos da Filosofia Budista - Para Iniciantes
há 12 anos
Mudança de paradigma: otimismo em meio à realidade esmagadora
Conceito de hoje: mundo saha
18/04/2014

O que é “mundo Saha”?
Mundo saha [lê-se “sarra”] é este mundo em que vivemos caracterizado por egoísmo, ira, avareza, estupidez etc.
Resistir
Na versão chinesa dos escritos budistas, saha é traduzido como “resistência”. Mundo saha sugere que as pessoas que vivem neste mundo devem resistir aos sofrimentos.
Perseguem os justos
É também um mundo de injustiça no qual os valores são invertidos e os justos são perseguidos: “É uma terra habitada por pessoas de pouca capacidade, que não conseguem aceitar algo por seu verdadeiro valor. Ao contrário, no mundo saha as pessoas tendem a perseguir os justos” (BS, ed. 1.540, 22 jan. 2000, p. 3).
Século de tragédia
Sobre o século 20, por exemplo, o presidente Ikeda afirma que “talvez nenhum outro século tenha testemunhado tanta tragédia e tamanha insanidade humana. O meio ambiente global tem sido cruelmente degradado e a desigualdade entre ricos e pobres é maior do que nunca” (A Humanidade e o Novo Milênio: do Caos para o Cosmos, p. 43).
Mundo embrutecido
Vivemos num ambiente tão de cabeça para baixo que neste mundo saha, “aqueles que deixam os próprios interesses de lado e se dedicam a ajudar os outros a se tornarem felizes são caluniados e atacados. Vivemos num mundo realmente ‘embrutecido’” (BS, ed. 1.540, 22 jan. 2000, p. 3).
A natureza do mundo
Os noticiários diários completam o cenário com histórias de corrupção, violência, etc.
Impotência
Pior ainda são o medo e a sensação de impotência e inoperância diante de grandes instituições, de líderes poderosos que manipulam e usam as pessoas como coisas e mantêm-se impunes.
A pergunta é o que fazer? Fugir? Não!
A situação está caótica há muito tempo! Há 2.500 anos, por exemplo, o príncipe Sidarta Gautama se deparou com um cenário muito semelhante.Felicidade dentro da realidade
A busca dele foi intensa e resultou na sua iluminação sobre uma forma poderosa de entender o mundo: “O budismo não está separado da realidade mas sim está dentro dela, confrontando o sofrimento humano e ensinando como superá-lo” (Daisaku Ikeda).
Mudança de paradigma
Numa primeira etapa o buda ensinou provisoriamente que o mundo saha é um lugar indesejável, cheio de pessoas de extrema maldade. Mas no Sutra de Lótus tudo mudou.
Transformação
No capítulo “Revelação da Vida Eterna do Buda”, o mesmo que recitamos no Gongyo, ele afirma que este mundo saha é a terra pura onde o buda habita eternamente.
Nova forma de ver o mundo
No novo cenário apresentado no Sutra de Lótus, o mundo saha é a Terra da Luz Eternamente Tranquila, o local ideal para se manifestar o estado de Buda.
Por quê?
Isso quer dizer que os budistas são “anestesiados” e vivem neste mundo “cegos” para as mazelas? Não, absolutamente não.
Mudança do coração
A visão revolucionária do budismo ensina que no meio de um lamacento lago nasce a mais bela flor de lótus. O budismo ensina você a ser a “flor de lótus” da esperança, da coragem e do incentivo que se levanta no lamaçal do mundo atual e inicia com forte senso de responsabilidade a sua mudança — revolução humana —, da sua família e do mundo à sua volta.
Espírito de Chakubuku
“Não há ninguém neste mundo saha que não tenha preocupação ou dificuldade. Por essa razão, o Buda não fica sem incentivar as pessoas, e não deixa de salvá-las. Este é o espírito de Chakubuku”, nos diz Jossei Toda.
Compaixão
Qual o elemento capaz de mudar a forma de enxergar o mundo? A compaixão. Ao recitar o Nam-myoho-rengue-kyo diante do Gohonzon você se descobre vivo, entusiasmado, renascido para si mesmo e pronto para enfrentar as dificuldades. Olha ao redor e percebe as pessoas nadando no sofrimento — não há como ficar calado nem parado.
Estímulo
O fato de o mundo ser como é estimula quem pratica o budismo. Não é mais motivo de lamentação. Ele entende que se é noite, então haverá de amanhecer. É uma visão otimista. Ele reconhece o bem e o mal e age com vigor para mudar a realidade das coisas.
Opinião do presidente Ikeda:
— Um buda vai a lugares onde as pessoas mais sofrem — o mundo saha. Um buda de verdade compartilha os sofrimentos das pessoas. Se não agir assim, não é um buda verdadeiro.
— São realmente grandiosas as integrantes da Divisão Feminina que lutam na linha de frente, orando pela felicidade de todos e trabalhando incansavelmente pelo Chakubuku para propagar o ensinamento de Daishonin, mesmo sendo às vezes censuradas pelo marido ou sofrendo sua oposição, e apesar de serem mal faladas.
— Um sacerdote é digno de respeito por natureza? Não, com certeza não. O fato de ser político ou celebridade torna alguém grandioso? Claro que não. E ter um cargo elevado na Soka Gakkai também não confere à pessoa uma posição especial. Louváveis são as pessoas que se empenham junto com as que enfrentam muitas dificuldades. (BS, ed. 1.440, 6 dez. 1997, p. 3).
Pare de ser espectador
Karel Capek, romancista, ilustra bem esse senso de responsabilidade: “Quando alguém está se afogando, não basta ficar ao seu lado e dizer que ‘alguém deveria pular e salvá-lo’. A história necessita de pessoas que agem, não daquelas que apenas dizem o que os outros deveriam fazer”.
Começa com você
Este mundo é o local ideal para viver na mais elevada condição de vida. Comece com você. Revitalize cada indivíduo à sua volta compartilhando sua alegria de recitar Nam-myoho-rengue-kyo. A SGI é uma rede mundial de incentivos.
Compartilhe
