marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Relato
há 11 anos

Brilho radiante da fé

Cíntia Maria de Campos Macedo, 41 anos, casada, engenheira ambiental, responsável pela Comunidade Alphaville, RM Barueri, CMSP. Pratica o budismo há 38 anos.

21/03/2015

Brilho radiante da fé
Naquele sábado, São Paulo amanheceu sob chuva intensa. Passava do meio-dia e o Sol apareceu, ainda encoberto pelas nuvens, iluminando o horizonte do Centro Cultural Campestre da BSGI. Cíntia chegou ao local animada e, junto com a família, posou para as fotos em meio aos lótus, que exibem as grandes folhas verdes nesta época do ano enquanto as flores não brotam.

A família é alegre e ela se mostra carinhosa. Conta que a filha Rubi, de 7 anos é mais alta de sua turma: “Ela é maravilhosa! Já faz parte da Nova Era Kotekitai (NEK) como Pompomtai. Meu marido (meu shakubuku) é um grande companheiro e não mede esforços para que eu possa participar com tranquilidade nas atividades da Gakkai”.

Quando perguntada sobre ter conquistado uma vida feliz, afirma: “Nunca desisti, mesmo quando as pessoas diziam que eu não conseguiria. Jamais decepcionaria meu mestre. Eu recito daimoku determinada a vencer! Sei que a revolução humana acontece todos os dias.”

OPTEI POR VENCER

Quando teve o primeiro contato com o budismo, Cíntia era criança e participava das atividades da BSGI junto com a mãe.

A infância foi uma fase difícil, pois, ainda pequena, enfrentava uma dura realidade. “Aos 5 anos sofria abuso sexual e ninguém sabia. A agressora é uma parente, o que fez com que me isolasse. Eu passei a ser agressiva, e sem querer fazia com que as pessoas se distanciassem mais e mais de mim.”

Na idade escolar, tinha muitas dificuldades de aprendizado decorrentes da dislexia, descoberta somente aos 35 anos. Ela não desanimou. “Levava quase 4 horas para fazer o gongyo. Na escola, não conseguia me concentrar nas lições e, quando a professora pedia para eu ler alguma coisa, virava alvo da gozação. Cheguei a fazer parte de uma classe com crianças portadoras de deficiência mental.”

Ao ingressar na Nova Era Kotekitai (NEK), ela conta que passou a compreender a unicidade de mestre e discípulo. “Lá, fiz uma conexão direta com Ikeda Sensei, passei a considerá-lo como um pai. Lia as orientações do Mestre e recitava daimoku. Isso me dava força para continuar!”

O tempo passou, veio a fase adulta e um novo desafio surgiu. “Eu fiquei ainda mais reclusa devido às más experiências que tive. O pior momento foi quando, mais uma vez entre tantas, fui ridicularizada por uma companheira de trabalho. Ainda não sabia, mas estava com depressão há muito tempo.”

A doença foi diagnosticada na Associação Brasileira de Dislexia (ABD) e junto com ela o quadro preciso do seu estado de saúde: “Tenho dislexia (transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica) e hiperatividade, que veio em decorrência da depressão”.

FIZ MINHA HISTÓRIA

Em meio aos sofrimentos, Cíntia encontrou na sincera fé um motivo para não desistir. “Aos 35 anos, decidi que abandonaria o meu aspecto provisório e revelaria o verdadeiro (hosshaku kenpom) e me tornaria uma pessoa valorosa para o kosen-rufu, lutando contra o preconceito e a maldade, comprovando a veracidade da Lei Mística às pessoas.”

Três anos se passaram e em seu coração ela renovou a determinação de viver pela verdade e justiça. “Revelei para minha família que sofria abuso sexual na infância e fui apoiada. Tive de ser forte para resistir a tudo e estar aqui hoje.”

Ela venceu a depressão e fez da dislexia o impulso para seu constante aprimoramento. Um significativo passo que deu foi a conclusão do curso de engenharia ambiental. “Amo o que faço! Os médicos não conseguem entender como fiz um curso superior, mas eu sei! Tenho os budas das dez direções me protegendo e um mestre da vida que não me abandona. Hoje, trabalho em uma multinacional francesa e sou gerente de meio ambiente e segurança do trabalho. Também sou coordenadora de um curso técnico em segurança do trabalho em Barueri.”

Nos momentos cruciais, cita que se inspirou no escrito de Nichiren Daishonin: “Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça”(CEND, v. I, p. 713)

VENCI PELO MESTRE

Em 2010, Cíntia comemorou mais um grande feito: “Terminei a pós-graduação em engenharia de segurança do trabalho, obtendo licença plena para exercício da profissão. E, em 2013, concluí a licenciatura em química, além da pós-graduação em docência do ensino superior. Escolhi profissões que têm relação direta com o budismo do Sol, pois sempre quis um ofício que fosse ao encontro dos ideais da Gakkai e senti isso como engenheira ambiental (esho funi / ichinen sanzen)”.

Quando perguntada a respeito do futuro, revela: “Quero fazer o meu mestrado! Mas meu grande ideal é continuar correspondendo ao Mestre”.

Na organização de base, Cíntia se dedica ainda mais pela felicidade das pessoas. “Sou muito feliz por fazer parte da história da BSGI e, sem medir esforços, dedico minha existência em prol do kosen-rufu”.

Ela segue encorajando as pessoas a vencerem seus próprios limites e bradando pela justiça. “Não julguem as pessoas pela cor, credo, opção sexual, nível social e pela rapidez na aprendizagem, mas admirem o bodisatva que existe dentro dela e a ajude a se transformar num valoroso ser humano”, conclui.

Compartilhe

Copy to clipboard