marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Caderno Nova Revolução Humana
há 11 anos

Capítulo: “Luz da Felicidade”

Volume 25, Partes 31 a 39

21/03/2015

Capítulo: “Luz da Felicidade”

Parte 31

Em junho de 1954, Tometaro Kanda associou-se à Soka Gakkai e recebeu o Gohonzon. Sua esposa, Utae, ficara indignada pelo fato de seu marido ter iniciado a prática. Em virtude de sua experiência anterior, pressupunha que todas as religiões eram fraudulentas.

Ela costumava ser muito educada, mas quando o marido realizava o gongyo, ela se colocava na mesma sala de costas para o Gohonzon e recitava em voz alta um sutra que havia aprendido em outra religião.

Tometaro, que havia sido alertado de que, se tivesse fé no ensinamento correto e o praticasse, as funções demoníacas surgiriam para se contrapor, permanecia intrépido, o que enfurecia Utae ainda mais.

Depois de ingressar na Soka Gakkai, a saúde de Tometaro melhorou a cada dia. Já Utae começou a sofrer de dores de cabeça terríveis, intensas e constantes que a impediam de dormir à noite. Não foi possível descobrir a causa nem mesmo depois de ir ao hospital. No caso de seu marido, contudo, apesar de os médicos terem declarado que seriam necessários dois ou três anos para que se recuperasse da tuberculose, ele conseguiu retornar ao trabalho em apenas seis meses após começar a praticar o Budismo de Nichiren Daishonin.

Diante dessa prova real irrefutável, Utae não pôde deixar de se impressionar. Ela iniciou a prática do budismo oito meses depois de Tometaro.

Tendo despertado para a fé, tornou-se uma campeã na propagação a ponto de até surpreender o marido. Por almejar que todos os seus amigos e conhecidos se tornassem, sem exceção, felizes, ela empreendeu diálogos budistas com eles.

A vida, com três filhos para criar, não era fácil, mas ela estava cheia de esperança, sua fé lhe proporcionava alegria e autoconfiança.Sentia-se tão radiante que não havia como deixar de compartilhar o budismo com outras pessoas.

Utae considerava maravilhoso o fato de, além de ser esposa e mãe, possuir uma missão no âmbito do kosen-rufu, um movimento para conduzir as pessoas à felicidade, criar uma sociedade próspera e concretizar a paz mundial. Um mundo novo parecia se abrir diante dela e sua vida transbordava de felicidade.

Ela até mesmo ia a Tóquio participar de reuniões do Distrito Bunkyo e da Comunidade Nihonbashi. Embarcando no trem na província de Fukushima pegava a linha Joban local, que cruza as províncias de Ibaraki e Chiba, para chegar ao local da reunião em Tóquio. Era uma viagem de cinco horas só de ida, mas ela não se importava.

Parte 32

Utae Kanda estava munida de abundante espírito de procura e determinação, fato que se evidenciava na seriedade de suas ações.

Ela pôde se encontrar com Shin’ichi Yamamoto em diversas reuniões do Distrito Bunkyo, onde ele estava exercendo a função de responsável interino concomitantemente à posição de coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens e à responsabilidade por todas as operações da Soka Gakkai. Participando das atividades, teve a oportunidade de receber orientações dele.

Certa vez, Shin’ichi estava incentivando e distribuindo pequenas lembranças que havia preparado para membros da Divisão Sênior (DS) e da Divisão Feminina (DF) que tinham percorrido longas distâncias para estar na reunião. Naquele ensejo, ele disse a Kanda:

— Muito obrigado por todos os seus esforços. Fukushima é muito importante e irá se tornar uma nova fronteira do kosen-rufu. Este é apenas um pequeno símbolo de gratidão pelo seu empenho diário. Espero que possa usá-lo.

Shin’ichi dera-lhe de presente um frasco de óleo de camélia.

— Oh! Muito obrigada pela gentileza — agradeceu.

Kanda aceitou o presente, profundamente comovida pela consideração de Shin’ichi.

Naquela dia, ela voltou para Fukushima depois que anoiteceu.

No trem, mirou seu reflexo na janela. Seu rosto brilhava de alegria, mas estava sem maquiagem e com o cabelo desarrumado. A blusa também estava amassada, pois não tivera tempo de passá-la.

Observando o pacote de óleo de camélia em seu colo, pensou: “O presidente Toda costumava dizer que é importante os membros da Divisão Feminina da Soka Gakkai se esforçarem para ter uma aparência distinta e bem-cuidada. Mas de algum modo deixei minhas atividades ocuparem todo o meu tempo e não tenho prestado muita atenção à minha aparência. O óleo de camélia que ganhei de presente do coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens, Shin’ichi Yamamoto, é um lembrete para eu cuidar melhor de mim como representante da Divisão Feminina”.

Quando as mulheres da Divisão Feminina são vibrantes e exuberantes, o exemplo delas contribui para uma compreensão mais ampla sobre a Soka Gakkai. Como cada membro é o “rosto da Soka Gakkai”, é importante prestar atenção à maneira que se apresenta.

Parte 33

Quando Ai Suzumura ingressou na Soka Gakkai, Utae Kanda, sempre a acompanhava nas atividades, pois ambas eram membros da Comunidade Nihonbashi, do Distrito Bunkyo.

Kanda esforçava-se ao máximo para apoiar Suzumura.

“Quero desenvolver em Fukushima pessoas capazes, que me superem. É o que desejo para a Sra. Suzumura”. Esse era o sentimento sincero de Kanda.

No fim de junho de 1957, pouco tempo depois de Suzumura ter se convertido, fora divulgada a meta de aumento de dez famílias em cada grupo do Distrito Bunkyo em julho. Na realidade, Shin’ichi Yamamoto, responsável de Distrito interino, é que havia proposto esse objetivo.

Na época, a Soka Gakkai totalizava aproximadamente 600 mil famílias associadas. A organização estava quase alcançando o objetivo de 750 mil famílias que o segundo presidente, Josei Toda, havia anunciado seis anos antes em sua cerimônia de posse. Se os membros se unissem e efetuassem esforços conjuntos, conseguiriam atingir o objetivo em menos de um ano.

Shin’ichi acalentava a forte convicção: “Tomar parte dessa grandiosa luta para alcançar 750 mil famílias representa uma conquista resplandecente na história da promoção do kosen-rufu. Será um feito de que nos orgulharemos no futuro. É muito significativo e nobre”.

Por causa disso, ele queria possibilitar que o maior número de membros se envolvessem. Esse era o motivo pelo qual ele sugeriu o objetivo de dez novas famílias associadas por grupo. Ele desejava especialmente que aqueles que nunca haviam conseguido levar alguém a ingressar na organização, ou que tinham acabado de se tornar membros, experimentassem a imensa alegria de uma vigorosa campanha de propagação.

Se somente os líderes de um seleto grupo de membros tentassem atingir os objetivos estabelecidos pela organização, não haveria capacitação de pessoas e o kosen-rufu não poderia se expandir. Todos os membros devem dividir a responsabilidade, tornar-se protagonistas e empenhar-se ao máximo nas atividades. É assim que se conquistam novos avanços repletos de vicejante vitalidade.

Todos os membros são bodisatvas da terra, são budas portadores de uma nobre missão. Uma das qualificações mais importantes de um líder é ser capaz de criar as condições para que todos possam exercer pleno potencial.

Parte 34

No fim de junho de 1957, Shin’ichi estava em Hokkaido. O sindicato de mineiros de carvão de Yubari tentava expulsar os associados da Soka Gakkai, e Shin’ichi havia ido a Hokkaido defender a liberdade de credo e os direitos humanos dos membros da organização.

No dia 29 de junho, o Distrito Bunkyo realizou uma reunião de líderes para planejar as atividades do mês seguinte. Um telegrama de Shin’ichi, responsável interino, foi entregue na reunião, e na mensagem solicitava a cada grupo que se empenhasse para alcançar o objetivo de dez novas famílias e denominava a campanha de “10 por grupo”.

Logo após essa atividade, a Comunidade Nihonbashi decidiu organizar uma reunião de partida em Onahama, na província de Fukushima, para membros que moravam em Hamadori. Taketo Shimadera, responsável de comunidade, compareceu. A reunião aconteceu na casa de Teruyo Fukumoto, que tinha uma mercearia e fora a primeira pessoa a ingressar na Soka Gakkai naquela região. No meio da reunião, o responsável do Distrito Bunkyo, Kin’ichi Taoka, telefonou para Shimadera para transmitir uma mensagem que Shin’ichi enviou aos membros da Comunidade Nihonbashi residentes em Hamadori.

Revelando profunda emoção e com voz trêmula, Shimadera procedeu a leitura da mensagem aos presentes:

— Vamos alcançar um sucesso estrondoso com a campanha “10 por grupo” e transformá-la na força propulsora para conquistar o objetivo do presidente Toda de 750 mil famílias associadas. Quando concluir meus esforços em Hokkaido, passarei em Iwaki, em Hamadori, no caminho de volta para Tóquio.

Os membros ficaram exultantes.

Em especial Shin’ichi desejava passar por Iwaki para poder encorajar os membros que trabalhavam nas minas de carvão da localidade. O sindicato de mineiros de carvão de Fukushima também estava importunando os membros da Gakkai, proibindo atividades de propagação e lhes impondo outras restrições injustas.

Enquanto viajava por Hokkaido, Shin’ichi pensava constantemente nos membros que trabalhavam nas minas de carvão, e orava por eles em seu coração: “Jamais sejam derrotados! Não desistam!”.

O escritor japonês Shugoro Yamamoto (1903–1967), que amava a Cordilheira de Abukuma, registrou: “Se o povo tiver um objetivo próprio, não será subjugado pela pobreza, insulto ou pela pior perseguição. Lutará para alcançar seu intento enquanto tiver um sopro de vida. Esse é o modo mais humano de viver”.1

Parte 35

Muito emocionado, Taketo Shimadera continuou falando:

— O coordenador de secretaria Yamamoto está vindo para Iwaki por estar preocupado com os membros empregados nas minas de carvão. Está vindo aqui para nos mostrar que sabe que está ocorrendo um tratamento injusto nas minas de carvão de Joban, assim como em Yubari, e que ele não tolerará isso. Entendem o que estou tentando dizer sobre a intenção dele ao vir nos visitar?

— Provavelmente permanecerá aqui três ou quatro dias. Vamos nos esforçar juntos para converter a campanha “10 por grupo” num sucesso retumbante, de modo que possamos afirmar a ele: “Deixe o kosen-rufu de Fukushima por nossa conta!”. Vamos tranquilizá-lo mostrando-lhe nossa determinação de fortificar Fukushima e conquistar uma vitória estrondosa nesse movimento!

— Deixei tudo acertado no trabalho para poder participar com vocês aqui em Fukushima o máximo possível. Quando tiver de trabalhar, viajarei durante a noite para retornar a Tóquio e, então, estarei de volta aqui novamente pelo trem noturno. Estou pronto a fazer desta uma luta jamais vista.

— Façamos deste esforço um feito inédito, que transforme nossa vida!

Os membros que trabalhavam nas minas de carvão e todos os outros participantes da reunião responderam concordando vigorosamente.

Shimadera era um homem franco e honesto. Observando a intensidade do empenho dele, todos os presentes sentiram-se inspirados. ( imagem na p.D6)

Nichiren Daishonin afirma: “Se o general perder a fé em si mesmo, seus soldados se acovardarão” (CEND, v. I, p. 642). A determinação e os atos dos líderes constituem um fator importante para o sucesso ou o fracasso de qualquer empreendimento. Quando o espírito de luta de líderes munidos de forte paixão, determinados a vencer, contagia os demais, todos se tornam heróis intrépidos e valorosos.

Preparando-se para a chegada de Shin’ichi, os membros do Distrito Bunkyo residentes em Hamadori, na província de Fukushima, engajaram-se ativamente na propagação a partir do dia seguinte, repletos de alegria e coragem.

Na noite de 12 de julho, o líder de distrito Kin’ichi Taoka ligou para Shimadera. Sua voz estava tensa: “Sr. Shimadera, acabamos de receber a notícia de que o coordenador de secretaria Yamamoto não poderá visitar Iwaki”.

— Aconteceu algo a ele?

Parte 36

Tentando manter a calma, Taoka respirou fundo e disse a Shimadera ao telefone:

— Não sei todos os detalhes, mas ele está se apresentando na sede da polícia da província de Osaka. Como era o responsável pelas atividades de apoio à eleição no pleito suplementar para a Casa dos Conselheiros (Câmara Alta) no distrito eleitoral de Osaka, e houve violações à lei eleitoral, pediram-lhe que fosse prestar alguns esclarecimentos.

— Parece que o promotor está mirando a Soka Gakkai como um todo. De fato, hoje, o diretor - geral Konishi também foi preso pelo mesmo motivo. Vários jornais estarão divulgando o assunto na edição noturna — informou.

— Eles ficarão bem? — perguntou Shimadera preocupado.

Para dissipar a inquietação de Shimadera, Taoka respondeu com uma voz animada:

— Eles ficarão bem. Todas as dúvidas serão esclarecidas. Eles não cometeram nenhum crime eleitoral.

— O coordenador de secretaria Yamamoto pediu-me que transmitisse a seguinte mensagem: “Sinto muito por não poder ir a Iwaki. Mesmo não podendo estar aí, meu coração sempre estará com vocês. Continuarei lutando. Por favor, empenhem-se ao máximo também”. Vamos dar tudo de nós.

Na manhã do dia seguinte, 3 de julho, Shimadera comunicou aos outros membros que a visita que Shin’ichi pretendia fazer a Iwaki havia sido cancelada. Passavam das 15 horas quando Haruko, esposa de Taoka e ex-líder do Distrito Bunkyo, telefonou para Shimadera:

— Hoje Yamamoto pegou o voo de Hokkaido para Osaka, passando pelo Aeroporto de Haneda no trajeto. Fui ao aeroporto e me encontrei com ele durante a escala. Quando perguntei se tinha algum recado para os membros, ele disse com uma voz vigorosa: “Diga-lhes que a alvorada raiou”.

Depois do sindicato de mineiros de carvão, um poder ainda maior, o governo nacional, tentava investir contra a Soka Gakkai.

“À medida que a prática avança e a compreensão aumenta, os três obstáculos e as quatro maldades surgem de forma desconcertante” (CEND, v. I p. 524), apontou o grande mestre Tiantai em Grande Concentração e Discernimento. Esse princípio se mantém verdadeiro. A tempestade de forças demoníacas obstruindo o kosen-rufu havia atacado a Soka Gakkai.

Parte 37

Tarde da noite do dia 3 de julho, Haruko Taoka ligou novamente para Taketo Shimadera. Dessa vez, suas palavras estavam carregadas de emoção.

– Quando o coordenador de secretaria Yamamoto se dirigiu à sede da polícia da província, conforme o solicitado, eles o prenderam. Apesar de não ter feito nada errado, ele foi preso injustamente! A instituição política japonesa revelou sua intenção enganadora.

– Esta tarde, quando nos encontramos no Aeroporto de Haneda, ele afirmou: “A alvorada raiou”, e fiquei refletindo sobre o que ele estava querendo dizer com isso – prosseguiu. (imagem da capa)

– Creio que os motivos do Incidente dos Mineiros de Carvão de Yubari e de sua prisão sejam consequências dos nossos esforços para propagar o budismo em prol da felicidade de todas as pessoas, e da tentativa de nos engajar na política japonesa para criar uma sociedade pacífica.

– O sindicato dos mineiros de carvão ficou furioso pelo fato de a Soka Gakkai ter lançado e apoiado candidatos próprios. Eles alegaram que, ao agir dessa forma, havíamos rompido os laços de solidariedade com a entidade e, consequentemente, tentaram tirar os membros da Soka Gakkai do sindicato.

– Além disso, os líderes políticos nacionais agora estão empenhados em reprimir a Soka Gakkai atribuindo a eleos erros cometidos por alguns membros.

– Em outras palavras, esses dois incidentes mostram que a instituição tem a intenção de destroçar a Soka Gakkai, que passou a exercer grande influência na sociedade, como uma organização que agrega o poder do povo. Se a Soka Gakkai conseguir suplantar essa opressão e demonstrar sua força invencível, esse fato significará o advento de uma nova era do povo. Acredito que seja isso que ele estava tentando nos dizer ao afirmar que “a alvorada raiou”.

Depois de comentar isso, Haruko Taoka declarou entusiasticamente:

– Sr. Shimadera, não importando o que aconteça, façamos da campanha para o aumento de dez famílias por grupo um grande sucesso! Trata-se de uma campanha proposta pelo coordenador Yamamoto depois de uma cuidadosa análise. Obtendo êxito na campanha, estaremos lutando juntamente com ele para assegurar que a alvorada chegue.

O apelo sincero daquele membro da Divisão Feminina acendeu a chama do espírito de luta de Shimadera. Palavras repletas de determinação ecoaram no coração das outras pessoas.

Parte 38

Shimadera disse a Taoka pelo telefone:

– Sra. Taoka, deixe por minha conta. A Comunidade Nihonbashi triunfará. E a área Hamadori, de Fukushima, abrirá o caminho para a conquista de uma vitória grandiosa!

A união genuína manifesta-se quando as pessoas se levantam com um propósito comum em uma época de crise, e aqueles capazes de agir assim são heróis legítimos.

Naquela noite, Shimadera orou por um longo tempo. Na manhã seguinte, informou aos membros que haviam se juntado no local da reunião onde Shin’ichi Yamamoto havia sido preso injustamente.

Todos emudeceram. Eles não conseguiam esconder a surpresa.

Tentavam imaginar por que ele poderia ter sido preso. Shimadera explicou:

– Com base nas violações eleitorais que ocorreram no pleito suplementar para a Casa dos Conselheiros (Câmara Alta) em abril último, a sede da polícia da província de Osaka e o Ministério Público Distrital aparentemente presumem que o coordenador Yamamoto, como o responsável geral da campanha, deva ter instruído os membros a transgredir a lei. Mas é claro que ele jamais fez isso.

– Julho passado, fui pessoalmente a Osaka com o coordenador Yamamoto apoiar a campanha eleitoral. Na ocasião, ele nos orientou continuamente com muita rigorosidade:

– É importante não causar nenhum incidente. Não façam nada ilegal.

– Não existe a possibilidade de o coordenador Yamamoto ter solicitado aos membros que violassem a lei eleitoral!

Todos concordaram enfaticamente. Como membros do Distrito Bunkyo, muitos deles haviam recebido orientações e incentivos diretamente de Shin’ichi em reuniões e em outras oportunidades. Portanto, conheciam o caráter sólido e honrado dele.

Intensificando a veemência, Shimadera manifestou:

– Acredito que a intenção maliciosa da classe política de suprimir a Soka Gakkai esteja por trás dessa prisão do coordenador Yamamoto. Estou certo de que se lembram do que o presidente Toda disse aos membros na Estação de Koriyama no ano passado, correto?

Parte 39

No dia 1º de abril de 1956, ano anterior àquele em que Shin’ichi foi preso, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, viajara a Sendai para conceder orientações aos membros daquela localidade. Ao tomarem conhecimento disso, cerca de 20 ou 30 membros da província de Fukushima aguardaram na Estação de Koriyama, na esperança de ter uma oportunidade de ver o presidente Toda quando o trem passasse por lá.

Depois que os passageiros desembarcaram, o presidente Toda subiu os degraus do vagão do trem e incentivou os membros que o estavam esperando.

– Gostaria de declarar aos presentes que, quando nossas ações provocam uma forte oposição, somos capazes de promover genuinamente o kosen-rufu. Não se intimidem. Permaneçam fiéis à sua fé!

Taketo Shimadera disse aos membros:

– Essa forte oposição a que se referiu o presidente Toda está acontecendo agora. O responsável interino do nosso Distrito Bunkyo é o alvo dessa perseguição e está na cadeia.

A voz de Shimadera estava embargada pela emoção. Os membros consideravam o fato intolerável. Tinham vontade de ir depressa para Osaka apoiar Shin’ichi. Shimadera percebeu o sentimento deles e tentou acalmá-los:

– Sei que vocês todos consideram a detenção dele um ultrajante abuso de poder, que vocês não podem permitir que isso aconteça sem ser contestado. Também sinto o mesmo.

– Mas se todos nós corrermos para a sede da polícia de Osaka, isso só causará confusão – alertou.

– Precisamos responder a esse ato injusto e perverso cometido pela classe política mostrando-lhes que a Soka Gakkai não será derrotada pela perseguição e que a força dos cidadãos comuns não pode ser desconsiderada. Uma maneira de fazer isso é demonstrar a prova deste ensinamento, expandindo significativamente o nosso movimento durante este tempo de crise. Devemos ser vitoriosos em nossa campanha para aumentar dez novas famílias por grupo – sugeriu.

– Nichiren Daishonin registrou: “Aquele que persevera diante de grandes perseguições e abraça o sutra do início ao fim é o emissário d’Aquele que Assim Chega” (WND, v.I, 942). Reconhecendo ser este um momento crucial, reunamos uma poderosa fé e tenhamos êxito em agregar o maior número possível de novos associados ao nosso movimento!

Os membros aplaudiram em sinal de concordância. Esse chamado corajoso à ação despertou a bravura de todos e os uniu.

Compartilhe

Copy to clipboard