BS
Relato
há 10 anos
Um homem de nobre ideal
O desejo de construir uma localidade próspera com pessoas felizes é o que move José Reis. Junto com seus familiares ele comprova grandes vitórias na vida e na sociedade
24/09/2016

68 anos, São Paulo, SP
Conselheiro do Distrito Elba, resp. pela DE-Futuro de distrito, integrante do coral Uirapuru;
RM Sapopemba, CCSP
Em busca da felicidade
Antes de conhecer o Budismo de Nichiren Daishonin, em 1983, pratiquei várias religiões, pois buscava preencher o vazio da minha vida.
Em 1977, uma empresa em que trabalhei estava se mudando para um local distante, porém eu não tinha planos de ir junto. Queria abrir um comércio próprio. Após insistir muito, fui demitido e, em seguida, abri uma mercearia perto de casa. Inicialmente estava indo bem, cheguei a contratar algumas pessoas para me ajudar. Como era presidente de um centro espírita, acreditava estar sendo protegido pelos “guias espirituais”.
Com o passar do tempo, devido à situação econômica do país, fui perdendo a freguesia. Desesperado, me tornei evangélico a fim de encontrar uma solução. Na mesma época, meus filhos ficaram muito doentes, entrei em depressão e mal comia. Eu me sentia cansado e por vezes quase desmaiei. Descobri que estava com a Doença de Chagas e isso me amedrontava porque dois irmãos haviam falecido com a mesma enfermidade.
Como não tinha dinheiro para abastecer a mercearia e alimentar a família, vendi o carro, instrumento de trabalho. Para ajudar a custear os gastos de casa, minha esposa, Maria, trabalhava como doméstica e tinha de levar nossa caçula com ela, pois não tínhamos com quem deixá-la. Fiquei muito decepcionado por não oferecer melhores condições à minha família.
Encontrei o budismo
Em meio a tudo isso, um amigo me falou sobre a prática budista, mas como me achava dono da verdade eu não me interessei; era arrogante. Meu amigo, persistente, desejava o bem de minha família. Certo dia, ele veio me incentivar com forte cheiro de bebida. Então disse-lhe: “Se sua religião é tão boa, por que você está bêbado?”. Ele respondeu: “É por isso que pratico, para transformar a vida”. Confiei na sincera convicção dele.
Depois de um ano, minha família e eu fomos a uma reunião da BSGI e aprendemos a recitar o Nam-myoho-renge-kyo. Naquele momento me lembrei que dez anos atrás uma professora havia me ensinado a mesma oração. A palestrante perguntou se alguém tinha alguma dúvida, e questionei se o budismo era uma boa religião. Ela me orientou a praticar até o último momento da vida e que assim encontraria a resposta. Não demorou muito e recebi o Gohonzon, aos 35 anos, com a convicção de transformar a nossa realidade.
Sou Uirapuru
Faço parte do coral Uirapuru da Divisão Senior há 20 anos. Sou alegre, mas o grupo me trouxe muito mais alegria, a de fazer outras pessoas felizes. Me sinto realizado no grupo. Para mim, música é vida, é quebra de barreira, é humanidade. Quando canto, sinto que estou cumprindo a minha missão como discípulo do Mestre. Certa vez, uma pessoa nos enviou uma carta relatando que ao nos ouvir cantar se sentiu incentivada a superar a superar sua doença. Que felicidade!
Grande boa sorte
Em 2008, meu filho mais novo, Reinaldo, sofreu um acidente de carro, com perda total, e felizmente a família saiu ilesa. Após alguns dias, escapei de um arrastão [roubo coletivo] que acontecia perto de casa. Pouco tempo depois, ocorreu um tiroteio entre policiais e bandidos, e um tiro atravessou o vidro da janela da sala e penetrou na parede, próximo de onde eu estava. Na mesma época, subi no andar de cima de minha casa para pegar algumas goiabas do nosso quintal, senti tontura, caí em cima do telhado e bati com a cabeça no botijão de gás. A queda foi forte, mas apenas fraturei duas costelas e o dedão do pé. Não tive sequelas graves.
Compreendi a missão de estar vivo quando, um mês depois desse acidente, meu querido genro Vladimir faleceu, e pude proteger e cuidar de minha filha Bete e da neta Heloísa, de apenas 7 meses.
Escapei da morte sete vezes; junto com a minha esposa, quatro filhos e seis netos, conquistamos inúmeras vitórias e desfrutamos de muita saúde. Minha maior felicidade é vê-los atuando em suas localidades como pessoas de grande valor para o kosen-rufu.
A cada vitória conquistada, fui fortalecendo a minha fé e senso de missão em prol do kosen-rufu.
Tudo o que faço é em gratidão ao sensei e, meu objetivo de vida é ser um digno discípulo, o que significa não falhar na luta em prol da felicidade de todas as pessoas. Já fiz quinze shakubuku e vou prosseguir dedicando todos os meus esforços para propagar a Lei Mística.
Sede Comunitária Maria Reis
Há 45 anos o casal Maria e josé Reis se mudaram para o Parque Santa Madalena, SP, local que residem até hoje. A região é uma comunidade violenta e de pouca infraestrutura. Na época, somente a casa deles e a da frente eram de alvenaria, as demais, barracos de madeira. Juntos determinaram transformar aquela realidade.
Sr. Reis conta que conheceu, na época, a única budista da região, Maria Reis, mesmo nome de sua esposa. O curioso é que o esposo também se chamava José Reis. Ambos estavam de mudança para Guaianazes, SP. A veterana pediu para que ele desse continuidade à luta pelo kosen-rufu. E assim, Sr. Reis passou a se dedicar incansavelmente para conquistar esse objetivo.
Um de seus grandes sonhos era o de construir uma sala para sediar as atividades budistas. Com a união e total apoio da organização, em 27 de abril de 2014, foi inaugurado a Sede Comunitária Maria Reis em homenagem à luta da veterana. Assim, iniciou-se uma nova etapa para concretização do kosen-rufu local.
Hoje existem muitas casas de alvenaria. Ele e os demais moradores se organizaram e conquistaram algumas ruas asfaltadas. Ainda há muito a ser feito, mas a violência diminuiu. E seu maior desejo continua sendo a felicidade das pessoas da comunidade.
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