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há 24 anos

As boas sementes produzem boas árvores e bons frutos

COORDENADORIA DAS REGIÕES ESTADUAIS

01/03/2003

As boas sementes produzem boas árvores e bons frutos
Certa ocasião, o presidente Ikeda orientou: “Uma forte determinação é a causa para um grande crescimento. Ter essa determinação é como plantar uma semente. Enquanto ainda é semente, ela é invisível aos outros. Mas, na época apropriada, ela brotará, fincará raízes, e nascerão muitos galhos e folhas. E se tornará uma grande árvore. A ‘semente’ de uma determinação realmente profunda produzirá uma ‘grande árvore’ que será admirada durante muitos séculos pelas pessoas.” (Brasil Seikyo, edição no 1.291, 1º de outubro de 1994, pág. 4.)

“Uma grande árvore que será admirada pelas pessoas” — é assim que podemos ver a família Shimabukuro, atualmente chegando à sua quinta geração de praticantes budistas em algumas de suas ramificações. Seus “ramos e folhas” que se estendem vigorosamente são tantos que seria impossível falar de todos, mas cada um deles, certamente, tem uma importante participação na construção e na continuidade da história da BSGI. Em vários cantos do Brasil e também no Japão, a família Shimabukuro estende seus “braços” como uma frondosa árvore sob a qual grandes líderes vieram sendo criados com a paixão pelo Kossen-rufu e pela Gakkai.

É na cidade de Presidente Prudente — localizada a cerca de 580 quilômetros da capital paulista no extremo oeste do Estado de São Paulo e considerada a capital da Alta Sorocabana — que reside uma parte da família Shimabukuro, uma das pioneiras na propagação do budismo na região e que mantém ainda hoje o mesmo espírito de acatar as orientações do presidente Ikeda e procurar colocá-las em prática, dedicando-se ao máximo pelos membros e pela felicidade das pessoas.

Por muitos anos, a residência do casal Massao e Yeiko Shimabukuro serviu como um dos pólos centrais de atividades do Kossen-rufu e de criação de valores humanos da localidade. Atualmente, a organização de Presidente Prudente é uma região metropolitana que abrange cidades vizinhas como Presidente Epitácio, Adamantina, Dracena, entre outras, e possui uma bela sede comunitária, mas seu início foi com poucas pessoas, praticamente com os membros da família Shimabukuro.

Natural de Bauru, Massao mudou-se com a família para a região de Presidente Prudente por volta de 1954, ainda criança.

Seu encontro com o budismo ocorreu anos mais tarde, em setembro de 1968, quando esteve em São Paulo com seus familiares para participar de uma cerimônia de falecimento de um de seus irmãos. Na ocasião, uma irmã que havia iniciado a prática recentemente, incentivou-o a participar de uma reunião juntamente com sua mãe e o irmão Teruo, dizendo apenas que seria bom para todos. Sem entender praticamente nada a respeito da filosofia, Massao, que já era casado, e sua mãe, que morava com a família de Teruo, receberam o Gohonzon e retornaram para Presidente Prudente com algumas poucas explicações de como deveriam proceder na prática. A orientação que receberam foi a de que todos deveriam recitar o Nam-myoho-rengue-kyo, realizar o Gongyo (leitura da liturgia do Budismo de Nitiren Daishonin) de manhã e à noite e ensinar às pessoas a respeito dessa prática, pois isso se converteria em grande boa sorte e felicidade para toda a família. Para eles, que não tinham nenhuma crença, era algo totalmente diferente, mas confiaram nas palavras dos dirigentes e decidiram praticar com toda sinceridade, uma vez que era para o bem e a felicidade de todos.

Aos poucos, a família tomou conhecimento da existência de alguns praticantes budistas na região. Eram imigrantes japoneses que haviam recebido o Gohonzon na época do presidente Toda e que moravam em sítios afastados. Contudo, basicamente a organização se iniciou com o empenho da família Shimabukuro que, apesar do pouco entendimento, procuraram aplicar com sinceridade as orientações recebidas em São Paulo. Devido à distância, as visitas dos dirigentes da capital não eram freqüentes, mas sempre aguardadas e muito bem recebidas, pois não tinham outra maneira de aprofundar o conhecimento no budismo e de ter contato com as orientações do presidente Ikeda.

Quem deu um grande impulso ao crescimento da organização no seu início foi Kame Shimabukuro, a matriarca da família. Mesmo não sabendo ler e tendo dificuldades para se expressar em português, ela ensinava o Nam-myoho-rengue-kyo a qualquer pessoa com grande convicção e coragem. Com o passar do tempo, essa dedicação de plantar a semente do budismo na vida das pessoas floresceu em benefícios, proporcionando um gradativo crescimento do número de membros da organização.

“Sabíamos apenas que tínhamos de recitar Daimoku”, conta Yoshie, cunhada de Massao. “Ao retornarem de uma viagem a São Paulo, minha sogra e meu marido contaram que haviam se convertido ao Budismo de Nitiren Daishonin e que recitando Nam-myoho-rengue-kyo poderíamos transformar a nossa vida. Como estávamos passando por sérias dificuldades, todos nós começamos a praticar imediatamente. Realmente pudemos comprovar com o tempo a grandiosidade do Gohonzon e dessa prática, e pude ver meus filhos se desenvolvendo na Gakkai e na sociedade. Meu grande desejo é que a luta de minha sogra e de meu marido sejam eternamente perpetuados em nossa família por meio da prática de meus filhos e netos. Essa será a minha maior felicidade”, afirma.

Massao comenta: “Minha mãe realizava muito Chakubuku. Quando marcávamos uma atividade, ela acreditava que tinha de reunir o máximo de pessoas, e chamava todo mundo que conhecia. Às vezes, quando estávamos sem nenhum dirigente, a reunião era muito sem graça, pois não sabíamos muita coisa. Quando vinha gente de São Paulo, ficávamos muito felizes, pois sempre aprendíamos algo novo. Eram pessoas admiráveis que sabiam transmitir o quanto esse budismo, o Gohonzon, a Gakkai e o presidente Ikeda eram maravilhosos. Minha irmã também nos visitava quando podia e nos trazia notícias e orientações para nos mantermos atualizados. Também viajávamos para São Paulo a fim de participar das atividades maiores e buscarmos incentivos e conhecimento.”

Numa época em que a BSGI começava a se estruturar e contava com um número reduzido de membros, muitos deles vivendo uma situação econômica desfavorável, pode-se imaginar o grau de dificuldade e o grande desafio dos membros moradores nessas localidades distantes que dependiam ainda dos precários meios de comunicação e transporte para manter acesa no coração a chama da esperança e da convicção na prática da fé.

Como resultado dessa dedicação, foi fundada em 1975 a primeira comunidade de Presidente Prudente tendo Teruo como seu responsável. Dois anos depois, em 1977, Teruo assumia o novo distrito, e Massao e sua esposa tornaram-se responsáveis de comunidade. A regional nasceu em 1990 juntamente com a luta para estabelecer uma sede comunitária da BSGI na localidade, inaugurada no ano seguinte após um intenso desafio de realização de Chakubuku e de recitação de Daimoku.

Nilo, filho de Teruo, relembra o início da organização em Presidente Prudente: “Pratico o budismo desde os nove anos. Como nessa época não havia a Divisão dos Estudantes, eu já era considerado um danshibu (membro da Divisão Masculina de Jovens). Lembro-me de ter participado de diversas atividades da DMJ nessa época. Nossa família começou a praticar por uma grande necessidade de mudar a difícil situação pela qual passávamos. Assim, eu sempre acompanhava meus pais. Minha avó pegava um pouco no nosso pé, mas isso foi importante para que não perdêssemos o rumo. As reuniões eram realizadas em nossa casa e eu participava ativamente de todas elas. Meu pai, que faleceu há quase quinze anos, foi o primeiro responsável de comunidade e de distrito de Presidente Prudente e todos nós pudemos aprender muito com ele, com a sua dedicação pelas pessoas e com a disposição de encontrá-las, não importando onde estivessem. Hoje sou pai e sinto-me feliz ao ver meu filho, ainda pequeno, acompanhando-nos nas atividades. Acredito ser muito importante poder crescer nesse ambiente da Gakkai e criar boas amizades. Nos momentos de dificuldades, meu enteado também tem procurado recitar Daimoku e acredito que, aos poucos, ele compreenderá a importância da prática em sua vida. Carregar o sobrenome Shimabukuro é uma grande responsabilidade a qual quero honrar e transmitir às futuras gerações.”

Celi, que mora atualmente no Japão, comenta: “Cresci participando das atividades da organização e me recordo ainda muito bem das pessoas daquela época. O tempo passou, a organização se desenvolveu, enfim, tudo mudou, exceto a atitude dos meus pais. Com certeza, a seriedade que sempre tiveram na realização da prática do Gongyo e do Daimoku, no empenho nas atividades, na preocupação com os companheiros e na dedicação ao Kofu foi um fator determinante para a felicidade que hoje toda a família desfruta. Como mãe, estou mais do que segura de que não há legado maior para os filhos que o exemplo dado pelos pais. Sinto uma infinita gratidão por eles.”

De uma natureza calma e reservada, Massao diz não se lembrar de ter passado por momentos de extrema dificuldade ou sofrimento. Prestes a completar 35 anos de conversão ao budismo, sua prática e sua vida são como uma correnteza serena e contínua. Há mais de vinte anos costuma iniciar o dia com pelo menos uma hora de Daimoku. Atualmente, tem desafiado realizar duas horas, pois sente que é um momento importante e que existem muitas pessoas precisando de seu apoio e incentivos. “Nunca fomos ricos, mas tenho saúde para trabalhar e lutar pelo Kossen-rufu, o que é mais importante. Também desfruto grande harmonia em nossa família e felicidade por ver meus filhos e netos tornando-se grandes valores para o Kossen-rufu no local em que se encontram. É o que sempre desejei para mim e para minha família. Não poderia haver felicidade maior. Quero seguir esse caminho com o mestre até o último instante de minha vida”, diz Massao, em tom de seriedade.

E são nos depoimentos dos demais familiares que toda a história vai se recompondo:

“Gratidão e alegria são sentimentos que se mesclam nesse momento em que completaremos 35 anos de conversão. Tendo sempre meus pais como referência e recebendo constantemente seu apoio e incentivos, cultivei plena convicção na prática da fé e na Lei. Quero renovar nesta oportunidade minha decisão de continuar a trilhar por toda vida esse caminho juntamente com meu mestre, o presidente Ikeda, e com a Gakkai, e ainda de transmitir para meus filhos todo esse tesouro. Apesar de ser ainda uma criança, meu filho já compreende que o Gohonzon é muito importante para toda a família, que o Daimoku é o caminho para solucionar os problemas e que a paz perdurará na Terra porque existe o Gohonzon e a Gakkai. Como pai, sinto grande orgulho e uma imensa felicidade por isso”, afirma Auro, que mora e atua em São Paulo.

Sérgio relembra a infância e juventude vividas no ambiente da família Soka: “Meus pais converteram-se ao budismo quando eu estava com quatro anos de idade. Assim, cresci dentro da Gakkai como se ela fosse minha família. Eles nunca me impuseram a prática e, aos onze anos, comecei a acompanhar a sua luta bem como a de meus tios e irmãos. Observando o empenho de meus pais na prática e nas atividades e nunca tendo presenciado nenhum momento mais crítico dentro da família, entendi cedo que essa prática era muito poderosa e que deveria seguir esse caminho também. Minha educação, minha formação como jovem e até como adulto foram na Gakkai, com os companheiros e veteranos e com as orientações do presidente Ikeda. Também quero que meu filho se desenvolva nesse ambiente sadio e motivador. Sinto que tenho uma responsabilidade muito grande, pois trago em minha vida a prática de minha avó, de meus tios e de meus pais, e tenho a missão de transmitir tudo isso ao meu filho. Acredito que esse é o grande tesouro que carrego comigo.”

Lutty, de oito anos, é filho de Sérgio e membro da Divisão dos Estudantes. Extrovertido e muito dedicado, ele aprendeu o Gongyo aos cinco anos só de ouvir os outros recitando. “Desde que nasci, acompanho minha mãe em quase todas as atividades. Gosto de participar das reuniões, reger as canções e pelo menos uma vez por ano, conto meu relato. O último que contei foi o da medalha de ouro que recebi na escola de natação como o melhor nadador da minha categoria. Faço Daimoku quase todos os dias. Às vezes chego a realizar uma hora juntamente com a minha mãe. Meu sonho é ser veterinário porque gosto muito de animais”, diz Lutty, todo orgulhoso.

Miriam, esposa de Sérgio, conta como foi sua entrada na família Shimabukuro: “Fui evangélica por vinte anos antes de conhecer o budismo por intermédio de meu namorado, hoje meu marido. Tive de enfrentar muitas críticas por parte de toda minha família para praticar, receber o Gohonzon quando membro da DFJ e ainda casar-me numa cerimônia budista. Poder contar com o apoio e, de certa forma, a rigorosidade da família de meu marido, grandes veteranos da prática da fé, foi muito importante para que eu conseguisse vencer todas as barreiras e fortalecer minha convicção no Budismo de Nitiren Daishonin. Sou muito feliz por pertencer a essa Família Soka, ter o presidente Ikeda como meu mestre e poder lutar juntamente com os membros. Com quinze dias de nascido, já carregava meu filho para as atividades. Nunca deixei de ir a uma reunião por causa dele. Ele sempre me acompanhou e praticamente tudo o que sabe sobre o budismo aprendeu participando dessas atividades. Com sabedoria, paciência e muito diálogo, procuro ensinar-lhe a postura correta de um praticante. Quanto à minha família, sinto que aos poucos estão começando a compreender a força do Daimoku. Sei que minha realização na vida será muito importante para que meus familiares venham a praticar o budismo um dia.”

Leila, filha de Massao e Yeiko, conta: “Meus pais sempre foram um grande exemplo de dignidade, esforço e honestidade em suas ações. Espero retribuir-lhes por todo o apoio, carinho e amor que sempre me deram. Recentemente, li uma orientação do presidente Ikeda em que ele salienta a importância de trazermos nossos filhos para o ‘jardim seguro’ da Soka Gakkai. Refleti sobre o quanto devo ser grata aos meus pais por terem conduzido a mim e aos meus irmãos com paciência e dedicação ao mundo da prática da fé. Sem isso, sinceramente não sei a que influências negativas poderia ter sucumbido. Portanto, hoje, eu e meu marido também procuramos transmitir ao nosso filho os valores da organização e como é maravilhoso ter um mestre na vida.”

Na história da vida de Massao, não há como deixar de mencionar o importante papel de sua companheira. Sempre ao lado do marido,Yeiko veio apoiando não só a ele mas toda a família e a organização ao longo desses anos todos com Daimoku e dedicação. Sem jamais perder a humildade e a sinceridade Yeiko atua junto às pessoas procurando colocar em prática as orientações recebidas antes de todos os demais. Ela diz com simplicidade: “Como pais, dedicamo-nos intensamente a oferecer todas as oportunidades para os filhos estudarem e se empenharem para o Kossen-rufu quando eram jovens. Depois, cada um seguiu o seu rumo, e sinto muito orgulho de todos eles por estarem vivendo dignamente como valores humanos na sociedade e na Gakkai. Em 1998, quando fui ao Japão conhecer minha neta, tive a oportunidade de participar de uma atividade em que o presidente Ikeda estava presente. Para mim foi um acontecimento marcante e as orientações que ele proferiu naquela ocasião não saem de minha mente até hoje. Jamais pensei que um dia isso pudesse acontecer. Foi a realização de um sonho e um presente comemorando meus trinta anos de conversão ao budismo. Minha maior felicidade é ter o presidente Ikeda como meu mestre da vida e receber suas orientações, que sempre foram meu alento e também o de todos os companheiros.”

Sem jamais ter pressionado seus filhos a seguirem a prática budista, Massao e Yeiko observam com carinho o neto Lutty, que mora com eles, imaginando seu promissor futuro ao vê-lo sentado ao lado dos pais recitando Daimoku “como gente grande”, para depois jogar bola com o ditchan (“avô”, em japonês).

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