TC
Reflexões Sobre a NRH
há 24 anos
O nobre espírito do grupo Byakuren 2
01/03/2003

Os membros do grupo dos bastidores Byakuren — as jovens líderes do século XXI — estão fazendo notáveis progressos em suas atividades.
Hoje, uma vez mais, nossas companheiras indispensáveis do grupo Byakuren (Lótus Branca), com sua beleza e radiância juvenis, estão a postos para recepcionar e prestar assistência à fileira interminável de membros e visitantes que se dirigem aos nossos centros comunitários. Suas vozes animadas, seu sorriso gentil e seu dinamismo são fontes de alegria. Trajadas com um uniforme verde claro, sua presença inspira paz de espírito e serenidade.
Destemidas Byakuren! Vocês lideram dos bastidores, trabalhando diligentemente pelo sucesso de nossas atividades pelo Kossen-rufu. Seu coração transborda de profunda e sublime oração de que nenhum acidente ocorrerá enquanto suas ações estiverem embasadas no forte senso de responsabilidade de proporcionar esperança a muitas pessoas dia após dia.
Heróicas Byakuren! Serenas e imperturbáveis, mesmo sozinhas, mantêm-se totalmente comprometidas com o cumprimento de seu dever. Na maioria das vezes vocês só ouvem fracamente os entusiásticos aplausos do interior das salas, e mesmo assim, dedicam-se ao máximo no local onde foram designadas.
Nobres Byakuren! Quando a reunião termina e todos voltam para casa, em silêncio e diligentemente, vocês ainda permanecem para limpar e arrumar o nosso “castelo do Kossen-rufu”.
Como é infinitamente digna, bela e sublime a juventude de nossas companheiras do grupo Byakuren que, nesta era obscura e corrompida dedicam-se sincera e abnegadamente a auxiliar outras pessoas.
A vaidade e futilidade conduzem à infelicidade; a verdadeira felicidade é encontrada na ação de servir sinceramente nossos companheiros.
Quando encontramos um membro do Byakuren, temos a plena certeza da veracidade das palavras de Nitiren Daishonin: “O coração é o que importa.” (The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág. 1000.) Eu não sou o único que, ao observar nossas “Lótus Brancas” em ação, lembra-se da passagem do Sutra de Lótus: “Como as flores de lótus na água.” (LS15, 222). A flor de lótus branca desabrocha com toda pureza do meio da água enlameada. Esta passagem também descreve os nobres e heróicos Bodhisattvas da Terra, a quem foi confiada a grande missão do Kossen-rufu nos Últimos Dias da Lei.
Nossas companheiras do Byakuren são verdadeiras filhas da Lei Mística, filhas do rei-leão, são tesouros inestimáveis do Kossen-rufu.
Não importa quanto tempo ou quantos séculos passem, o exemplo puro e inspirador do grupo Byakuren dos dias de hoje continuará a ser comentado através dos tempos, e ficará gravado eternamente no coração de inúmeras pessoas.
Elas nos fazem lembrar da jovem que defendeu a França, Joana D’Arc —a heroína que iluminou o palco da história como um cometa na batalha entre a França e a Inglaterra, conhecida como Guerra dos Cem Anos (1337–1453). Parece que o surgimento das pessoas grandiosas é mais comum em tempos obscuros e tumultuados para acabar com a tristeza e a miséria prevalecentes, do que em tempos de paz e estabilidade. Com o surgimento dessas pessoas, coroas e títulos de poder são ofuscados, um futuro cheio de esperança é restaurado, e uma era do povo que defende novos valores humanísticos tem início.
Que tipo de jovem era Joana D’Arc no povoado em que nasceu? Um aldeão que a conhecia descreveu-a como trabalhadora e um exemplo para outras jovens de sua idade. Um de seus amigos dizia que ela era gentil e educada, despretensiosa e de boa índole.
Joana se preocupava com os pobres e os doentes, era uma pessoa de forte fé que passava muito tempo orando — de fato, ela orava tanto que outras jovens costumavam zombar disso.
Era do consenso dos moradores da aldeia que Joana sempre agia por iniciativa própria, seja para orar, negociar o gado da família, seja para tecer a lã. Ela agia sem ser ordenada. A automotivação era uma característica especial sua, segundo um famoso estudioso de sua vida. E foi justamente essa automotivação que a levou a levantar-se para salvar o povo de sua amada França da devastação da guerra.
Relembrando, foi em março de 1958 que meu querido mestre Jossei Toda assumiu o leme do movimento pelo Kossen-rufu pela última vez, liderando o histórico encontro da Divisão dos Jovens de 16 de março e outras atividades no Templo Principal. Nessa ocasião, alguns membros da Divisão Feminina de Jovens reuniram-se por iniciativa própria e organizaram um grupo para prestar apoio e conduzir os participantes, limpar e arrumar o local e para executar diversas outras tarefas. Elas se empenhavam com toda energia para assegurar que tudo transcorresse tranqüilamente. Apesar de as jovens já estarem previamente envolvidas nos preparativos e na arrumação dos locais das atividades durante as peregrinações dos membros da Soka Gakkai ao Templo Principal, a ampla variedade de tarefas que estavam sob sua responsabilidade naquele mês de março foi decisivo para o desenvolvimento do grupo como um novo núcleo de criação de valores na Divisão Feminina de Jovens.
A vida dessas jovens reverberava com o espírito: “Nós, do grupo Byakuren, que nos empenhamos para compreender o coração de nosso mestre ainda mais profundamente, temos uma importante missão a cumprir que, para nós, está muito acima dos efêmeros prazeres seculares! Deixaremos um legado claro e indestrutível de espírito de luta pelo Kossen-rufu!” A automotivação, de servirem espontaneamente os outros e de trabalhar pelo Kossen-rufu — foi justamente desse espírito que o Byakuren surgiu.
Foi no dia 8 de julho de 1966 que concedi a esse louvável grupo de jovens o nome Byakuren e que elas deram uma revigorante partida como um grupo oficial. Depois que suas funções foram redefinidas em 1974, o Byakuren, com um ardente senso de missão, assumiu a responsabilidade exclusiva pela coordenação e pelo apoio às atividades da Gakkai.
Muitas jovens na sociedade andavam sem rumo, deixando-se levar pelas circunstâncias. Devido à visão limitada e cega por críticas banais, não conseguiam perceber a grandiosidade da Soka Gakkai. As integrantes do Byakuren, entretanto, estavam determinadas a deixar registrada a vitória em sua juventude.
Encontrei e conversei com representantes do grupo Byakuren no outono de 1979 [ano de minha renúncia à presidência da Soka Gakkai]. Na época, expressei-lhes minha profunda gratidão por seu senso de missão e seus dedicados esforços. Disse-lhes também que todos os líderes da Soka Gakkai reconheciam suas contribuições. Encorajei-as de todo coração, dizendo: “Vocês têm uma importante missão a cumprir na vida, por essa razão, em primeiro lugar, cuidem bem da saúde.” Era meu dever proteger essas preciosas jovens.
A história certamente provará a verdade dos acontecimentos daquela época.
A revelação de um clero que desprezava e desrespeitava os leigos destruiu o sonho das jovens de coração puro do grupo Byakuren de manter e proteger o Templo Principal. Elas não hesitaram o mínimo, mesmo quando a organização foi ameaçada de ”apropriação indébita” por ex-membros destituídos de fé e de clérigos desprezíveis que tramaram contra a Soka Gakkai movidos pela inveja. Essas jovens íntegras e de forte fé lutaram por seu grande objetivo com esperança, convicção e um brilhante sorriso, determinadas a dedicarem a vida em benefício da sociedade e da humanidade.
O filósofo francês Alain (1868–1951) observou que Joana D’Arc inspirou as massas, tornando-as suas aliadas mediante o sincero diálogo e persuasão, e ele descreveu isso como um “milagre da vontade”.4 Não há nada mais poderoso do que a firme decisão de uma mulher, do que sua visão certeira, absolutamente determinada a atingir seus objetivos.
Muitos dos que conheciam Joana, incluindo os membros da nobreza, ficavam impressionados e manifestavam o desejo de terem uma filha admirável como ela. Com sua saudação cheia de vida e seu sorriso cordial, o membros do grupo Byakuren também têm conquistado incontáveis aliados. As pessoas que visitam nossos centros culturais e sedes comunitárias sempre têm uma boa impressão e não poupam elogios às maravilhosas jovens por sua atuação.
O escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) observou que o modo como uma pessoa cumprimenta outras revela seu nível de educação.5 Precisamos educar e treinar a nós próprios. Vivemos numa era em que a desordem é crescente, uma era em que as pessoas tendem para o caminho mais fácil e em que o egoísmo e a irresponsabilidade prevalecem. É uma era superficial em que muitos jovens se deixam governar por emoções passageiras e acabam se afogando nas águas turvas da vida.
Viver ao bel prazer pode parecer divertido, mas esse tipo de vida não conduz a uma felicidade genuína e à verdadeira vitória e realização. Sem esforço e aprimoramento não há realização plena nem como atingir a felicidade. Uma pessoa que suporta as tempestades da vida é invencível. A história é testemunha disso.
Da mesma forma, o casamento não leva automaticamente à felicidade. O importante é construir uma base sólida para ser feliz. Há uma grande diferença entre sonho e realidade.
Espero que nossas jovens do grupo Byakuren, tenham a firme convicção de que, por meio de sua admirável atuação em servir aos outros, edificarão uma base de felicidade indestrutível para toda a vida.
Soube que este ano, os membros do Byakuren converteram mais de duas mil famílias ao Budismo de Nitiren Daishonin.
A ativista indonésia Kartini, a qual mencionei no início, disse com a sabedoria de uma grande filósofa: “Nada se compara à alegria que sentimos por ter ajudado alguém.”6
Por mais de quatro décadas desde o início de suas atividades, o Byakuren tem realizado um extraordinário trabalho. Todos nós da Soka Gakkai somos profundamente gratos a elas; nosso coração se enternece pela sua dedicação.
Hoje, há muitos membros que pertencem à segunda geração do grupo Byakuren — jovens que estão seguindo os passos de suas mães. Nitiren Daishonin escreveu: “As mulheres abrem o portal.” (Gosho Zenshu, pág. 1566.) É a vitória das mulheres que tem sido conquistada no Byakuren que está abrindo o caminho dourado do Kossen-rufu, da paz mundial, para toda a eternidade.
Minhas irmãs do grupo Byakuren! Como Joanas D’Arc da Lei Mística, espero que avancem na vanguarda de nosso movimento pela paz e amizade e conduzam uma vida feliz e plena, cuidando sempre de si e sustentando alto a bandeira da verdade e da justiça!
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