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Diálogo Sobre a Filosofia Budista
há 24 anos

Cultura de vitórias

01/03/2003

Cultura de vitórias
Alessandra Miranda — O presidente Ikeda diz: “Espero que todos triunfem com uma forte fé e ação decidida. De acordo com o princípio da ‘consistência do início ao fim’, sua vitória determinará a vitória de todas as futuras gerações. No budismo essa é a fórmula para vencer. Agora é a época de assegurarem solidamente a causa para a vitória na vida.” (Brasil Seikyo, Edição Especial, 1o de janeiro de 2003, pág. A4.) Com base nisso, acredito que precisamos estabelecer metas e objetivos muito claros para essa nossa luta conjunta com o mestre e manter um firme propósito no nosso dia-a-dia. Não podemos nos esquecer desse importante princípio da consistência do início ao fim, de manter essa chama sempre acesa. Isso certamente nos permitirá realizar uma luta sem precedentes com responsabilidade e conquistar a grande vitória na vida.

Ricardo Isao Ikeda — Um outro aspecto importante é que jamais devemos impor nossos objetivos aos outros. Eles devem ser apresentados de maneira que possam ser aceitos em perfeito consenso e com entusiasmo. O presidente Ikeda afirma que o líder ou a pessoa central deve ter sempre a decisão de assumir a responsabilidade de atingir os objetivos mesmo que tenha de concretizá-los sozinho. Ele diz que o que determina a adesão das pessoas na luta por um mesmo objetivo é a paixão e o entusiasmo que emanam desses líderes. É isso que as inspira a dedicarem-se ao máximo para a concretização dessas metas. É um ponto que sempre devemos refletir como líderes, pois muitas vezes agimos como meros estabelecedores e lançadores de metas e nos esquecemos dessa questão fundamental que é o nosso comprometimento e determinação de realmente assumi-las como nossa responsabilidade. Meras ordens não motivam ninguém à ação. As pessoas são sensíveis e, quando pressionadas, agem por obrigação e jamais evidenciarão seu verdadeiro potencial nessas condições. Antes de iniciar a luta na campanha histórica realizada no Distrito Kamata, em que alcançaram um resultado de Chakubuku sem precedentes, o presidente Ikeda refletiu muito sobre a maneira que deveria agir e falar com as pessoas. Após muito pensar e orar, ele chegou à conclusão de que a única forma era ele mesmo mostrar por meio de suas ações, o caminho para atingir os resultados. Portanto, líder é aquele que se dedica mais do que todos para a realização dos objetivos. Tudo depende do coração e da ação do líder.

Alessandra — Paixão pelo Kossen-rufu — quando nós a temos dentro do coração, os caminhos se abrem e tudo ganha um significado mais profundo e especial. Conseguimos extrair uma energia e alegria imensuráveis do âmago de nossa vida e nos empenhamos com dinamismo e coragem.

Ikeda — Há uma orientação que diz que é preferível que cem pessoas dêem um passo em vez de uma pessoa dar cem. Isto porque a chave da vitória de uma organização está na capacidade de descobrir novos valores humanos e saber combinar as habilidades de cada pessoa para o bem comum e de toda a comunidade. A organização é formada por pessoas e cada uma delas possui um potencial ou um ponto forte ao qual devemos sempre estar atentos. Muitas vezes queremos que todos façam de tudo mas o correto é descobrir as melhores qualidades de cada um ou ainda proporcionar oportunidades para que possam manifestá-las. Quando todos de uma organização estiverem atuando com o máximo de suas habilidades e em plena harmonia, acredito que conquistará grandes vitórias.

Alessandra — Isso faz-me lembrar do trecho do poema “Brasil, Seja Monarca do Mundo!” que diz: “Não faz mal que seja pouco, / o que importa é que o avanço de hoje / seja maior que o de ontem. / Que nossos passos de amanhã / sejam mais largos que os de hoje.” Definitivamente, a vitória na vida depende do quanto a pessoa se dedicou e avançou. A vitória reside nesse caminhar constante, nessa avanço incessante em prol da própria felicidade e de outras pessoas.

Ricardo Shin-iti Miyamoto — Nesse poema, o presidente Ikeda diz logo no início: “Oh! Brasil! / Terra natal do meu coração, / amigo que me aquece a alma, / chão celestial de minha vida!” Quando leio esse trecho, fico pensando na satisfação e alegria que ele deve sentir ao saber que cada um de seus discípulos do Brasil, da terra natal de seu coração que aquece sua alma, está trilhando um caminho de inúmeras vitórias e glórias. Particularmente, tenho procurado refletir se meu mestre ficaria satisfeito com a minha atuação, ou o que o deixaria mais feliz. Acredito que essa postura tem aproximado cada vez mais meu coração ao do mestre. O presidente Ikeda sempre afirma que o caminho de mestre e discípulo não existe em nenhum lugar distante, que se encontra em nossos desafios diários voltados para a felicidade das pessoas. Por isso acredito que as visitas individuais, a luta conjunta com os membros na comunidade, as iniciativas que tomamos para encontrar as pessoas são o próprio caminho de mestre e discípulo por meio do qual podemos nos desenvolver como pessoas e como valores humanos. Esse empenho é o que assegura a grande vitória que o nosso mestre espera de cada um de nós.

Terceira Civilização — Poderiam nos contar alguma experiência de vida na qual sagraram-se vitoriosos?

Alessandra — Comecei a praticar o budismo aos 13 anos. Não vou dizer quantos anos tenho e nem há quanto tempo pratico (risos), mas a verdade é que eu era uma adolescente muito tímida, introvertida e sem esperança que sempre vivia isolada. Quem me conhece há pouco tempo pode até duvidar, mas naquela época, para mim, viver significava apenas ver os dias passarem, não tinha sonhos, perspectivas de vida e nem amigos. Ao conhecer o budismo, o primeiro desafio que lancei foi mudar essa característica que me fazia sofrer e me destoar de outros jovens de minha idade. O budismo foi meu ponto de partida para uma grande transformação interior. Para conseguir isso, além da prática séria e sincera, do desafio pessoal, contei com o apoio e os incentivos das minhas companheiras da organização. O forte desejo de corresponder à confiança depositada em mim fez com que eu reunisse forças para romper as espessas paredes de meu isolamento e percebesse o quanto o mundo era vasto, ilimitado. Entendi que a partir daquele momento, tudo só dependeria de mim. Foi somente então que comecei a criar sonhos, a ter esperança, amigos e sentir uma grande alegria em meu coração. Comecei também a sentir uma enorme gratidão pelas pessoas e o profundo desejo de retribuir de alguma maneira a elas, de contribuir para a sua felicidade. Hoje trabalho na BSGI e posso dedicar todo meu tempo para as pessoas e para o Kossen-rufu. Não poderia haver maior felicidade para mim.

Miyamoto — Quando nasci, meus pais já praticavam o budismo, mas nem por isso minha vida foi um mar de rosas. Cresci num ambiente de grandes dificuldades, principalmente de desarmonia familiar e problemas financeiros. Tive de começar a trabalhar aos doze anos para ajudar no orçamento de casa e não tinha nenhuma perspectiva de futuro. Houve épocas tão duras na minha vida que não conseguia visualizar nenhum futuro porque achava que não o viveria. Estava envolvido com amizades que me afastavam cada vez mais da Gakkai. Foi em uma atividade da Divisão Masculina de Jovens, da qual participei embora pertencesse à Divisão Esperança, que a minha vida começou a mudar. Nesse dia, um grande líder da Divisão presente na ocasião relatou a história de sua vida e as semelhanças das situações enfrentadas por ele com as que eu passava naquele momento eram tantas que comecei a chorar no fundo da sala. Esse dirigente percebeu tudo e após o término da atividade procurou-me para perguntar por que eu chorava. Mesmo sem ter-lhe dito nada, como se soubesse a resposta, ele me incentivou: “Não importa o que você passou ou o que está passando. Visualize seu futuro daqui a dez, vinte anos. Jamais abandone o presidente Ikeda. Siga-o por toda a vida. Vamos vencer juntos!” Daquele dia em diante, comecei a participar ativamente das atividades e a praticar sem falha. Voltei a me empenhar nos estudos e formei-me na faculdade de Direito. Toda essa condição que vivo hoje, toda essa minha transformação, devo à Gakkai e aos meus companheiros e sou profundamente grato ao presidente Ikeda. Por tudo isso, é minha decisão dedicar-me à criação de jovens valores que sejam dignos discípulos do presidente Ikeda e que possam merecer sua confiança, assim como acreditaram em mim um dia. Aprendi que os jovens jamais devem perder a esperança, por mais difícil ou sofrível que seja a situação. Devem acreditar e perseguir a vitória até conquistá-la. A primavera chegará infalivelmente para aqueles que seguem as orientações do mestre. Eu estou comprovando isso em minha vida.

Ikeda — Realmente, o presidente Ikeda deposita total confiança nos jovens. Um jovem vitorioso é capaz de inspirar muitos outros a desafiarem também suas próprias condições e a trilharem pelo mesmo caminho. A pessoa que encontra o budismo ainda na juventude, que se desenvolve no ambiente da família Soka e ainda tem o presidente Ikeda como mestre da vida é possuidora de uma imensa e incalculável boa sorte. É uma pena que nem todos consigam perceber isso de imediato. Muitos passam por inúmeros sofrimentos antes de sentirem que precisam mudar o curso de sua vida. A propósito, li em uma orientação que todos nós possuímos uma falha fundamental na vida, ou seja, um pequeno defeito ou vício de personalidade que muitas vezes se torna o elemento principal que origina os problemas maiores ou constantes em nossa vida. Acredito que isso seja uma grande verdade, pois na sociedade e na organização, podemos perceber que todas as pessoas possuem algum aspecto negativo em sua personalidade que se manifesta no momento crucial como um mal que as desvia do caminho da felicidade. Essas características muitas vezes não são evidentes a todo o momento, mas com certeza são pontos fundamentais para a transformação verdadeira de sua vida. Elas podem ser: criticismo exagerado, inveja, sentimentalismo, ira, sentimento de vingança, negativismo, pessimismo, mesquinhez, egocentrismo, ganância, timidez, autoritarismo etc. Muitas vezes nem mesmo as pessoas a nossa volta percebem esses pontos, mas a maioria sabe exatamente onde “a coisa pega”. Eu também tenho falhas e sei que preciso mudar. Essa é uma luta constante que travo. No entanto, existem pessoas que não percebem, que não têm consciência dessas falhas, que parecem estar progredindo mas chegam a um ponto e não avançam mais, como se estivessem andando em círculos. A prática nos direciona a reconhecer esses defeitos para que então façamos uma grande luta para revolucionar nossa vida. Isso pode ser alcançado por meio de um sincero Daimoku e de nossas ações voltadas à felicidade das pessoas e a Gakkai nos proporciona o ambiente ideal para tanto. Contudo, esse defeito pode estar ligado às raízes de nosso carma e muitas vezes pode ser difícil de ser mudado. Independentemente da idade, do gênero, da escolaridade, da condição social ou econômica, e do tempo de prática, acredito que a conscientização da existência das falhas fundamentais é algo necessário para melhorarmos nosso caráter e realizarmos nossa revolução humana. Por isso é importante estarmos sempre nos policiando. Acredito que a maior vitória é vencer essa maldade que sempre tenta nos puxar para baixo. Um dos objetivos de minha prática é conseguir mudar esse lado negativo de minha personalidade.

Miyamoto — Essa tendência fundamental que todos nós possuímos pode ser encarada como uma oportunidade para exercitarmos essa cultura de vitória no nosso dia-a-dia. Pelo princípio de itinen sanzen (três mil mundos num único momento da vida), nossa determinação de vencer, de transformar a vida e as circunstâncias negativas, somada às nossas ações efetivas em prol do Kossen-rufu é que proporcionarão uma grande mudança em todo o ambiente a nossa volta, seja na família, no trabalho, na escola seja na organização.

Alessandra — Atualmente, meu grande desafio é realizar o Chakubuku. Ensinar essa filosofia de vida para mais pessoas, extrair seus sofrimentos e apresentar-lhes o caminho da felicidade é nossa missão como discípulos e será minha vitória neste ano. Com certeza, todas as vitórias que conquistamos poderão ser compartilhadas com outras pessoas. Todas as minhas conquistas até hoje, devo ao meu encontro com o budismo. Assim sendo, não medirei esforços para transmitir o budismo às pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer sua maravilhosa filosofia. Qual o objetivo de praticarmos o budismo? Vencer na vida, pois é a vitória que traz a verdadeira alegria e felicidade. Jamais devemos nos esquecer desse ponto primordial. Uma vez que recitamos o Nam-myoho-rengue-kyo, não podemos nos permitir sermos derrotados.

Ikeda — Concluindo nosso diálogo, acredito que há três pontos fundamentais para que possamos nos sagrar vencedores: o primeiro é dedicar-se para que todos, sem exceção, possam se tornar felizes; o segundo é fazer prevalecer a união entre todos e; o terceiro, ligar a nossa vida à do presidente Ikeda. Compreender o desejo do mestre e procurar nos empenhar ao máximo para corresponder aos seus anseios, acredito que esse seja o caminho de nossa vitória como discípulos.

Miyamoto — Sim. Neste ano, temos de concretizar a todo custo nossos objetivos particulares, profissionais e da organização para que juntos possamos criar uma BSGI invencível, de contínuas vitórias, uma BSGI que o nosso mestre almeja. Quero oferecer este presente a ele como um convite para sua próxima visita ao Brasil. Sem jamais nos esquecer que “a minha vitória é a vitória de toda a BSGI e que a vitória da BSGI é a vitória do presidente Ikeda”, vamos unir nossas forças e solidificar no coração de cada membro da BSGI essa cultura da vitória para a felicidade de todos os nossos companheiros.

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