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há 2 anos

7o Curso Latino-Americano de Budismo

Trechos selecionados das explanações

Redação

01/11/2024

7o Curso Latino-Americano de Budismo

Nos dias 27, 28 e 29 de setembro, a BSGI realizou o 7o Curso Latino-Americano de Budismo da Nova Era do Kosen-rufu Mundial, no Auditório da Paz, do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda, em São Paulo, SP. Nobuo Fukase, vice-coordenador do Departamento de Estudo do Budismo da SGI, apresentou quatro explanações principais das obras: Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, Dedico aos Meus Amados Jovens, Nova Revolução Humana, v. 30, e A Religião da Revolução Humana — Luta Conjunta de Mestre e Discípulo. Terceira Civilização selecionou trechos centrais dessas explanações e os publicará nesta e na próxima edição.

7º Curso Latino-Americano de Budismo

Membros da BSGI e representantes de países da América Latina aprimoram-se por meio do estudo do budismo com explanações lideradas pelo vice-coordenador do Departamento de Estudo do Budismo da SGI, Nobuo Fukase

Nobuo Fukase, vice-coordenador do Departamento de Estudo do Budismo da SGI

Atualmente, atuo na linha de frente do kosen-rufu como líder de distrito no bairro de Shinjuku, Tóquio, onde fica a sede central. Em minha família, somos quatro: minha esposa, meu filho de 16 anos, minha filha de 13 anos e eu. Meus filhos frequentam a Escola Soka e estudam em um campus rodeado da compaixão do fundador, Ikeda sensei. 

Por 25 anos, trabalhei como repórter no departamento de notícias do Seikyo Shimbun, ficando encarregado da primeira e segunda páginas. Ao cobrir muitos eventos com a presença de Ikeda sensei, testemunhei as ações do Mestre e renovei meu juramento de luta conjunta de mestre e discípulo. Desde abril deste ano, sou responsável pelo departamento que responde aos leitores e pelo jornal da Divisão dos Estudantes. 

Meu primeiro trabalho como repórter foi ser encarregado das notícias da América Latina, e, por isso, eu a considero “a terra natal do meu coração”, onde acumulei boas lembranças. Durante o meu tempo na Divisão Masculina de Jovens, fui coordenador nacional do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) e, em novembro de 2015, assumi a função de vice-coordenador do DEB da SGI. 

7º Curso Latino-Americano de Budismo

Nobuo Fukase, vice-coordenador do Departamento de Estudo do Budismo da SGI

Trechos selecionados da explanação

Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra1
Religião em prol das pessoas

Desde o início, o budismo era uma religião que se concentrava nas necessidades dos seres humanos, visando à felicidade de todas as pessoas. 

Isso também é transmitido nestas palavras do Sutra do Lótus: “[Para que a pessoa possa] proporcionar tranquilidade e (...) confortar e beneficiar os seres celestiais e humanos em grande medida”.2

Esse desejo de beneficiar os outros é o juramento fundamental e o desejo não apenas do buda Shakyamuni, mas de todos os budas das dez direções e das três existências. Propagar a Lei — isto é, o Sutra do Lótus, que realiza esse desejo — é a razão ou o propósito final pelo qual os budas surgiram neste mundo. 

Após a morte de Shakyamuni, nos Últimos Dias da Lei, uma era de sofrimento e confusão, Nichiren Daishonin se levantou corajosamente herdando e dando continuidade a esse mesmo juramento seigan. Como devoto do Sutra do Lótus, ele se dedicou a difundir amplamente a Lei Mística — realização do kosen-rufu — para conduzir as pessoas à iluminação. 

Aquele que deseja assegurar a paz e a felicidade para as pessoas não pode deixar de voltar sua atenção para as mudanças sociais. Transformar esse turbulento mundo saha em que vivemos na Terra da Luz Eternamente Tranquila é a verdadeira essência de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”. 

A Soka Gakkai é a organização que fielmente trava uma grande luta e segue o espírito de Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”.

Pandemia do coronavírus e guerras em várias partes do mundo — neste exato momento, a humanidade está em busca de uma verdadeira filosofia da felicidade. Nesse cenário, o único que brilha como uma luz de esperança a iluminar o futuro é o Budismo Nichiren. Essa é a convicção de Ikeda sensei e a nossa convicção, seus discípulos.

Por quê? Porque o Budismo Nichiren é uma religião em prol dos seres humanos. Ikeda sensei explica que uma religião em prol dos seres humanos significa, em outras palavras, viver pela felicidade de si e dos outros, e construir a paz para si e para os demais.

Em outras palavras, uma pessoa que continua a lutar pela transformação da terra no mundo real — esse é o aspecto de um verdadeiro buda. Aquele que age eternamente para fazer as pessoas felizes — esse é o verdadeiro buda. Aqui, existem três pontos-chave:

  • “Aquele que deseja assegurar a paz e a felicidade para as pessoas não pode deixar de voltar sua atenção para as mudanças sociais.”3 Esse é o primeiro ponto. Considerar que essas mudanças sociais eram o desejo de Shakyamuni é a nossa visão sobre o budismo e a visão de Ikeda sensei sobre o buda Shakyamuni. 
  • O segundo ponto é que a essência de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”, de Nichiren Daishonin, consiste na luta séria e compenetrada para transformar o mundo saha, o mundo real, na Terra da Luz Eternamente Tranquila. Sem compreender essa essência, não podemos entender o Budismo de Nichiren Daishonin.
  • O terceiro ponto é que as ações práticas de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” do Budismo Nichiren, isto é, da criação de uma sociedade próspera e pacífica, foram herdadas na íntegra pela Soka Gakkai por meio da devoção abnegada pela propagação da Lei dos três primeiros presidentes e pelos esforços dos membros da Soka Gakkai que seguiram os passos da organização.

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Erradicar a causa do sofrimento

No início de sua explanação, Ikeda sensei comenta o que motivou Nichiren Daishonin a escrever o tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra [Rissho Ankoku Ron]. Isso é essencial para entender o escrito. Conclusivamente, foi porque Rissho Ankoku Ron é um documento em prol da paz mundial concebido para fazer as pessoas felizes. 

O pano de fundo em que foi escrito o tratado é o fato de muitas pessoas no Japão estarem sofrendo com desastres naturais, fome e epidemias na época. Em particular, o Grande Terremoto da era Shoka, que ocorreu três anos antes da redação de Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra.

Foi um dos maiores terremotos da história que atingiu a região de Kamakura. Naquela ocasião, Kamakura estava sempre cheia de cadáveres, e não havia uma única pessoa na cidade que não tivesse perdido alguém próximo. Daishonin tinha o forte desejo de salvar as pessoas do sofrimento a todo custo e levantou-se para investigar a causa dos sofrimentos e como poderia resolvê-los. 

Na época, entre os religiosos japoneses, havia um pensamento generalizado de resignação de que aquela trágica situação era decorrente do carma e de fatalidade, e não havia escolha a não ser aceitar o destino. Eventualmente, oravam pela paz e tranquilidade, mas não sabiam a causa tampouco a solução. Era uma situação em que nada funcionava. 

Em meio a essa circunstância, Daishonin esclareceu as causas e as soluções e entregou seu tratado ao governante para adverti-lo, intitulado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra.

Nesse contexto, há três características importantes do tratado.

  • A primeira característica é que o Rissho Ankoku Ron é um “documento para a salvação das pessoas”, o qual nasceu da empatia em relação aos infortúnios e ao sofrimento das pessoas.
  • A segunda característica é que esse tratado é um “documento de advertência ao soberano da nação”, que alertou e aconselhou as autoridades máximas da época.
  • E a terceira característica é que ele é um “documento em prol da paz mundial” para realizar a paz e a tranquilidade das pessoas.

“Documento para a salvação das pessoas”

O trecho do tratado “Porém, se saqueadores de outras regiões invadirem a nação, ou se irromper a revolta dentro do país, e todo o território for tomado, o que poderia restar além de terror e caos?”4 expressa a empatia em relação aos infortúnios do povo.

O tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra enfatiza que, de todos os desastres que afligem o ser humano, a guerra é a que mais deve ser evitada.

A guerra é trágica. É cruel. Numa guerra, são as pessoas comuns que mais sofrem.

Na história do Japão, a era de Nichiren Daishonin foi um período de guerras, quando os xóguns, ou chefes militares, estavam no comando da política. Foi nesse cenário que nasceu o budismo da paz de Nichiren Daishonin.

A essência do Budismo Nichiren se concentra no espírito de empatia em relação aos infortúnios e aos sofrimentos das pessoas visando concretizar a paz para o bem-estar do povo. A Soka Gakkai foi criada por Makiguchi sensei e Toda sensei durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. A Soka Gakkai Internacional (SGI) nasceu em meio à Guerra Fria. Não creio que possamos dizer que esses acontecimentos tenham sido uma coincidência.

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“Documento de advertência ao soberano da nação”

Primeiro, vamos confirmar a característica do documento de “advertência ao soberano da nação”. “Imperadores e reis têm seus alicerces no estado e empenham-se para estabelecer a paz e a segurança durante seus reinados; os ministros e a população mantêm propriedades e cultivam os campos para suprir as necessidades da sociedade”.5

O termo “soberano da nação” ensinado no budismo não é, em hipótese alguma, uma autoridade que domina o povo. Em vez disso, refere-se àquele responsável por servir ao povo. 

A profundidade dos pensamentos e ideais do governante determina a qualidade do país. Essa é a essência da advertência. Além disso, na época de Daishonin, de feudalismo da Idade Média, os governantes tinham poderes absolutos. Hoje, em sua maioria, os países são governados pela soberania popular.

Portanto, nos tempos modernos, a advertência é direcionada a todas as pessoas. Para nós, advertir o governante significa mudar a consciência de cada pessoa que compõe a sociedade a fim de construir uma sociedade melhor.

“Documento em prol da paz mundial”

O último trecho desse Gosho é uma passagem que revela o que deve ser feito então para alcançar a paz: “Se o senhor se importa realmente com a segurança pessoal, deve primeiro orar pela paz e segurança nos quatro quadrantes da terra, não é verdade?”.6

É uma passagem que mostra que se deseja a tranquilidade de si, antes, precisa orar pela paz e segurança da sociedade.

De fato, a segurança do próprio país não existe sem a segurança dos países em volta. Sem a estabilidade da região em que vivemos, não há estabilidade para seus habitantes. Nós, membros da SGI, estamos trabalhando arduamente em prol do kosen-rufu objetivando nosso próprio estado de buda nesta existência e visando transformar a própria sociedade por meio das nossas contribuições. Assim, esse tratado é o próprio fundamento das nossas atividades.

Valores são a base de uma sociedade

O que é, literalmente, “estabelecer o ensinamento”? O propósito social do budismo é difundir o princípio do respeito pela dignidade da vida nas localidades, e transformar o solo espiritual da sociedade para que esse princípio se torne o padrão de valor fundamental.

Certamente, não há nenhuma pessoa que rejeite a dignidade da vida. Entretanto, se ela é, de fato, posta em primeiro lugar como padrão de valores, priorizando-o, acredito que a realidade seja diferente. Em vez disso, a verdade é que existem muitas tendências e ideologias que desvalorizam a dignidade da vida.

As religiões que Nichiren Daishonin refutou na época eram ensinamentos que rejeitavam o Sutra do Lótus, o qual pregava a dignidade da vida, e promoviam a discriminação entre as pessoas. É por isso que Daishonin continuou a lutar contra as religiões que negavam o princípio da dignidade da vida, com base em um espírito de verdadeira tolerância e compaixão. 

“Eu venci! Nós vencemos!”

Esse trecho explica o temor da calúnia contra a Lei. De forma direta, caluniar a Lei significa ofender e difamar o Sutra do Lótus. Essas difamações não são calúnias diretas apenas contra o Sutra do Lótus, são calúnias por gerarem a descrença em relação à iluminação universal das pessoas, ao respeito às pessoas e ao princípio da dignidade da vida.

No contexto da nossa prática diária, a resignação e a apatia, que levam a pensar “Não valho nada” ou “Não adianta me esforçar”, são consideradas calúnias, pois negam o potencial da própria vida. Incentivar sinceramente essas pessoas é olhar para a frente juntos e crescer juntos. Essas ações de encorajamento caracterizam uma repreensão pela calúnia contra a Lei que a combaterá.

Daishonin indica que cada pessoa deve mudar a sua determinação e respeitar ao máximo o ensinamento básico. Se cada indivíduo fizer a sua revolução humana, a sociedade sem falta se transformará na terra do buda. É a mudança do nosso coração que mudará o mundo.

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Rede de solidariedade pela paz

O termo rissho (literalmente, “estabelecer o ensinamento”), do princípio de rissho-ankoku, refere-se especificamente à recitação do Nam-myoho-renge-kyo pela pessoa. Em termos universais, tudo começa com a transformação da vida de cada indivíduo, enraizando gradativamente na sociedade o princípio que elevará a condição de vida das pessoas, ou seja, o princípio do respeito pela dignidade da vida. 

Quando as pessoas que seguem a Lei Mística estiverem atuando ativamente, o princípio do respeito a todas as pessoas do Sutra do Lótus criará raízes na sociedade e se tornará o padrão comportamental de todos. Essa é a visão de “estabelecer o ensinamento” da SGI.

Entretanto, isso não significa uma formalidade em que não concretizaremos o princípio de “estabelecer o ensinamento” se as pessoas não ingressarem na Soka Gakkai. É importante lembrar que não se trata meramente de rejeitar várias religiões que não sejam a Soka Gakkai.

Prosseguindo, a “terra” em “pacificação da terra” não corresponde absolutamente ao “estado” no sentido moderno da palavra, e sim à terra natal ou ao lugar onde as pessoas vivem. Estamos transformando a terra em que vivemos na terra do buda. Isso é “pacificação da terra”. 

Portanto, a “terra” em “pacificação da terra” é, em termos atuais, o mundo. Esse é o motivo pelo qual, quando nos mantemos fiéis ao verdadeiro espírito de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”, conseguimos avançar com base no diálogo e na cooperação com as outras religiões que têm como objetivo a felicidade das pessoas e a paz no mundo.

Em maio deste ano, o presidente Harada se encontrou com o papa Francisco, da Igreja Católica Romana, o qual é de origem da América Latina. 

No passado, em 1975, o encontro de Ikeda sensei com o papa da época já havia sido definido uma vez. Contudo, foi cancelado devido à interferência do clero. O encontro do presidente Harada foi realizado com o sentimento de herdar o desejo do Mestre.

Nessa ocasião, ao ouvir sobre os esforços empreendidos pela Soka Gakkai, o papa Francisco disse: “São maravilhosos. Eu concordo com eles”. A Soka Gakkai está, de fato, expandindo a rede de solidariedade pela paz mundial e pelo bem-estar da humanidade, transcendendo fronteiras, etnias, cultura e religião, com base no verdadeiro espírito de rissho-ankoku.

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Participantes do CLAB assistem à explanação

A vez dos discípulos

Em resumo, o princípio rissho-ankoku significa que a revolução humana de cada um de nós corresponde ao rissho — “estabelecer o ensinamento” — e a transformação do destino da humanidade a ankoku — “pacificação da terra”.

Nesse sentido, podemos ter a compreensão de que o próprio tema dos romances Revolução Humana e Nova Revolução Humana de Ikeda sensei nos apresenta o rissho-ankoku dos séculos 20 e 21 e além, do eterno futuro.

Chegou a época em que esses grandiosos dramas da revolução humana estão ocorrendo em todo o mundo. Com a consciência de que somos discípulos corajosos que se reuniram em torno do mais sublime mestre, visando o dia 15 de novembro, primeiro aniversário de falecimento de Ikeda sensei; o dia 18 de novembro, 94o aniversário de fundação da Soka Gakkai; e o ano 2030, centenário de fundação da organização, vamos cumprir firmemente nossa missão como bodisatvas da terra!

Muito obrigado!

No topo: Logo do 7º Curso Latino-Americano de Budismo

Notas:

1. Essa explanação tem como referência principal a explanação de Ikeda sensei que consta na Terceira Civilização, ed. 593, jan. 2018, p. 46.

2. The Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [Sutra do Lótus e seus Capítulos de Abertura e Conclusão]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 7, p. 158. Do capítulo 7, “Parábola da Cidade Imaginária”, do Sutra do Lótus, na qual dezesseis príncipes se dirigem ao buda Excelência da Grande Sabedoria Universal e pedem que ele exponha a Lei.

3. Terceira Civilização, ed. 593, jan. 2018, p. 46.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 24, 2020.

5. Ibidem.

6. Ibidem.

Trechos selecionados da explanação Dedico aos Meus Amados Jovens1

Coragem

O fato de Ikeda sensei ter indicado “Coragem” como primeiro tema para a explanação aos jovens tem um profundo significado.

No budismo, que elucida a dignidade da vida, a essência da iluminação de todas as pessoas está na compaixão. Mas, para os mortais comuns dos Últimos Dias da Lei, manifestar compaixão não é tão simples.

Por essa razão, Ikeda sensei cita a seguinte orientação de Toda sensei:

Como mortais comuns, é normalmente difícil manifestarmos compaixão, mas podemos substituir compaixão por coragem. A coragem de falar a verdade equivale à compaixão. São dois lados da mesma moeda, e o lado “cara” da moeda é a coragem.2

Tudo começa com a coragem. Tanto para a revolução humana como para a transformação do carma é preciso ter coragem. Também é possível afirmar que a expansão do diálogo, “estabelecer o ensinamento para pacificação da terra”, o kosen-rufu, tudo pode ser alcançado se tiver coragem. Por isso mesmo, Ikeda sensei reconfirmou a importância de se ter coragem logo no início de sua explanação.

A essência da coragem é o avanço intrépido e ininterrupto elucidado no budismo. Sobre o avanço ininterrupto revelado no Sutra do Lótus, a explicação consta na explanação de Nichiren Daishonin como “prática diligente”.

“As dores e aflições de milhões de kalpa”3 pode se dizer que são os infinitos sofrimentos que não se sabe quando terminarão. No entanto, Daishonin nos ensina a grande virada de que essas dores e aflições de milhões de kalpa, quando lutamos e recitamos a Lei Mística, podem ser esgotadas a cada instante. No Budismo Nichiren, os infinitos sofrimentos podem ser condensados num único momento da vida, ichinen. 

Portanto, é importante se empenhar ao máximo sem deixar passar cada instante diante de si. Recitar daimoku e lutar com todas as forças. Essa prática diligente é o avanço intrépido e ininterrupto, ou seja, a essência da coragem.

Independentemente de qualquer sofrimento ou dificuldade, recitar daimoku e lutar extraindo a coragem, a compaixão, a sabedoria e o poder do buda preenche nossa vida. Se assim tiver essa convicção, não temerá a nada. Também não existirá nada intransponível.

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Aspecto radiante dos participantes da 5a Academia Índigo Juventude Soka do Brasil, realizada no Centro Cultural Campestre da BSGI (Itapevi, SP, 14 set. 2024)

Espírito invencível

Vocês que abraçaram o Budismo Nichiren, sem exceção, são um agrupamento de leões diretamente ligados a Daishonin. Mesmo que pensem “Não sou tudo isso”, os filhos do rei leão também são reis leões. O discípulo que possui um grandioso mestre, precisa ser grandioso também. Não podemos nos tornar raposas e macular o mestre. Assim eu penso. 

No decorrer da explanação, Ikeda sensei indica alguns pontos.

O primeiro é o de que a vida do Buda emerge ao se estabelecer o juramento seigan. Quando nos empenhamos na propagação da Lei Mística de acordo com o juramento do buda, nossa vida se torna una com a vida do Buda e manifestamos uma invencível coragem, sabedoria, compaixão e força. Isso quer dizer que o juramento seigan e o estado de buda são um só.

O segundo ponto é a compreensão de que a luta pelo kosen-rufu e a própria revolução humana não são coisas separadas. Compreender isso é o básico do básico dentro da Soka Gakkai. A luta pela transformação do próprio destino é, em si, a luta em prol do kosen-rufu. O movimento de translação do kosen-rufu e o movimento de rotação da iluminação nesta existência formam um único corpo. O espírito invencível que surge, ao pensar que ao ser derrotado isso interromperá o fluxo do kosen-rufu, se torna a mola propulsora para reverter qualquer situação adversa.

O terceiro ponto é levantar-se quantas vezes for necessário. Uma das características do buda e dos bodisatvas é a perseverança. Shakyamuni e Daishonin também a possuíam. O kosen-rufu da era maléfica dos Últimos Dias da Lei, em certo sentido, é perseverar constantemente. Mais que vencer, é não ser derrotado. Independentemente do que aconteça, manifestar o espírito de “ainda não fui desencorajado”4 e continuar avançando com fé inabalável. Esse espírito inabalável é o espírito dos Três Mestres e edificará a vitória.

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No Centro Cultural Campestre da BSGI, integrantes da Sub. Grande ABC, CGESP, promovem atividade da Academia dos Sucessores Ikeda 2030 (Itapevi, SP, 14 abr. 2024)

Sucessores

A carta A Herança da Suprema Lei da Vida foi redigida em Tsukahara, Sado, em 1272, enviada a Sairen-bo, que também se encontrava exilado nessa ilha. Esse escrito é uma resposta sobre o fator fundamental para atingir o estado de buda, a herança da suprema lei da vida.

O trecho estudado é o final da carta, e revela que a suprema lei da vida é herdada quando oramos determinados a extrair o grande poder da fé e a recitar Nam-myoho-renge-kyo com a convicção de que a “fé será firme e correta no momento da morte”.5

“Firme e correta no momento da morte” significa que, no momento da morte, não devemos deixar nossa mente confusa, e sim ter a convicção de que atingiremos o estado de buda e concluir a vida com grande satisfação. Isso se torna possível ao perseverarmos na fé até o último momento e ao trilharmos uma vida de contínuo fortalecimento da convicção. 

Como conclusão desse escrito, Nichiren Daishonin afirma: “Sem a herança da fé, mesmo o ato de abraçar o Sutra do Lótus será inútil”.6 O importante é a herança da fé. E ela pulsa naqueles que perseveram na correta fé elucidada por Daishonin e em suas ações. Portanto, não existe herança da fé onde se é contrário ao espírito de Daishonin. Se não houver fé e ações pelo kosen-rufu, não existirá herança tampouco iluminação.

Na Soka Gakkai, que herdou o espírito do kosen-rufu legado por Daishonin, flui a herança da fé, e quem nos ensinou com a própria vida essa fé foi o Mestre. Por esse motivo, o desejo do Mestre é que agora os discípulos que sucedem a sua fé protejam até o fim a Soka Gakkai, organização em prol do kosen-rufu.

Humanismo

Em Abertura dos Olhos, Daishonin declara: 

As pessoas que estudam os ensinamentos do budismo obviamente também devem compreender as dívidas de gratidão saldando-as. Os discípulos do Buda, em qualquer circunstância, devem reconhecer as quatro dívidas de gratidão e saber como saldá-las.7

E em vários outros escritos, ele nos ensina a importância de, como budistas, sabermos das quatro dívidas de gratidão e saldá-las. 

Existem algumas explicações sobre as quatro dívidas de gratidão: 1) dívida de gratidão a ser saldada com o pai e com a mãe; 2) dívida de gratidão a ser saldada com o soberano da nação; 3) dívida de gratidão a ser saldada com todos os seres vivos; e 4) dívida de gratidão a ser saldada com os três

tesouros [o Buda, a Lei e a Ordem].8

Em sua explanação, Ikeda sensei cita: “Compreender as dívidas de gratidão” significa reconhecer e ter apreço pela rede da qual fazemos parte — que inclui nossos pais e família, cada uma das pessoas que integram nosso ambiente, nosso mestre, todos os seres vivos e, ainda, a sociedade e o mundo do budismo.9

Para saldar as dívidas de gratidão com os pais, além de zelar pelos pais, Ikeda sensei nos ensina a postura de que é preciso se envolver nas diversas situações da família, mesmo que não consiga fazer isso prontamente.

Alguns dos senhores podem sentir que não conseguem amar seus pais porque eles são pessoas categoricamente terríveis ou porque estão longe há décadas. Por outro lado, há muitos relatos em que se reconciliaram com os pais depois de décadas e realmente entenderam o significado da harmonia familiar.

Como orientação de Ikeda sensei, acredito que seja um tema que deva ser abordado ao longo do tempo, sem pressa.

Dentro das atividades da Gakkai, vivenciar o cuidado sincero com os outros e desejar carinhosamente que cresçam pode conduzir ao caminho para amar os próprios pais. De qualquer forma, é uma orientação emocionante e importante que pode ser chamada de “diretriz para o ‘humanismo’”.

Além disso, nesse escrito, Daishonin dá ênfase à gratidão ao mestre. “Fiz tudo isso com o único propósito de saldar a dívida [de gratidão] que tenho com meus pais, com meu mestre, com os três tesouros do budismo e com minha nação”.10 Assim, ele acrescenta a gratidão ao mestre às quatro dívidas que citei como gerais. Dessa maneira, pode-se ler que ela está inclusa na dívida com os seres vivos e com os pais.

O mestre de Nichiren Daishonin, Dozen-bo, de sua época da escola budista, não conseguiu deixar suas crenças na Nembutsu e foi um covarde que nem tentou protegê-lo quando ele sofreu perseguições. Porém, Daishonin o prezou, por entender a dívida de gratidão com o mestre. Ao saber da morte de Dozen-bo, ele registrou o escrito Saldar as Dívidas de Gratidão, em sua memória e em gratidão a ele. 

Nichiren Daishonin mostrou, com a própria postura, como saldar a dívida de gratidão com o mestre. Ele declara firmemente que o caminho verdadeiro para isso é estabelecer o grande budismo dos Últimos Dias da Lei pela salvação da humanidade e que o enorme benefício dessa ação retornará ao mestre. Retribuir a gratidão ao mestre é a base e a forma mais correta de viver como ser humano.

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Flor do lótus

Kosen-rufu

Seis anos se passaram desde a publicação em série na revista Daibyakurenge. Nesse intervalo, a humanidade enfrentou a luta contra a pandemia do coronavírus. Os dias sem poder se reunir nas sedes e nas localidades, sem fazer gongyo e sem cantar as canções da Gakkai juntos continuavam. Porém, neste momento, ultrapassando a pandemia, os companheiros do mundo inteiro se reúnem nas sedes, incentivam-se pessoalmente e promovem o avanço com coragem e esperança. Agora, mais uma vez, os corajosos bodisatvas da terra de todos os cantos se encontram no Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu e oferecem orações imbuídas do próprio juramento seigan diante do Gohonzon de Consagração Permanente da Soka Gakkai, que ostenta a inscrição “Grande Desejo pela Concretização do Kosen-rufu, a Propagação Benevolente da Grande Lei”.

A concretização do kosen-rufu, da ordem e do desejo do buda Nichiren Daishonin é o propósito do surgimento da Soka Gakkai e da SGI e é nossa missão mais fundamental. 

O trecho estudado é do escrito O Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos que declara que o kosen-rufu se concretizará infalivelmente transmitindo a Lei Mística de uma pessoa para outra e para outra.

Tal como Daishonin também afirma em outro escrito que “Aquele que ensina aos outros mesmo uma única frase do Sutra do Lótus é o emissário d’Aquele que Assim Chega, independentemente de essa pessoa ser sacerdote ou leigo, monja ou leiga”, 11 todos são igualmente emissários do Buda. Todos são dotados da nobre vida do buda, possuem infinitas possibilidades.

Nós, membros da SGI, somos os bodisatvas da terra emergidos no palco da missão que cada um escolheu cumprir. Que gratidão já abraçarmos o daimoku que, se não fôssemos esses bodisatvas da terra, não seríamos capazes de recitar!

No início, somente Nichiren Daishonin recitou daimoku. Seguindo esse mestre, os discípulos, um por um, recitaram e propagaram o daimoku.

Primeiro, deve-se levantar sozinho e transmitir para a próxima pessoa. Mesmo falando em kosen-rufu, a fórmula de propagação básica é essa. Qualquer que seja o lugar no planeta, a Lei Mística se propagará constantemente de uma pessoa a outra. Ou melhor, só haverá a concretização do kosen-rufu se assim fizermos.

Por ser tempos de desastres e de guerras, nós nos levantamos como bodisatvas da terra. Assim, enviamos, cada qual em sua respectiva localidade, coragem e esperança para as pessoas e ampliamos a rede de paz e felicidade. Nossa missão, especialmente a dos jovens que assumirão a próxima era, é profunda e grande. Por isso, a existência de vocês, em si, é nobre.

Quem transforma o carma em missão sai da posição de ser salvo para aquele que salva, e se empenha pelo bem das pessoas. Vamos então, de forma tenaz, acumular e aumentar o diálogo de vida a vida para a transformação do destino do país e para a transformação do destino da humanidade.

Fazendo reverberar na vida o chamado do Mestre de “jovens bodisatvas da terra!”, vamos avançar imponentemente!

Muito obrigado!

Notas:

1. Essa explanação tem como referência principal as seguintes explanações de Ikeda sensei publicadas na Terceira Civilização: ed. 629, jan. 2021, p. 50-65; ed. 630, fev. 2021, p. 50-65; ed. 631, mar. 2021, p. 50-65; ed. 632, abr. 2021, p. 50-65; ed. 634, jun. 2021, p. 50-65.

2. Terceira Civilização, ed. 629, jan. 2021, p. 50-65.

3. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 214.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 5, 2017.

5. Ibidem, v. I, p. 227, 2020.

6. Ibidem.

7. Ibidem, p. 237.

8. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin].

v. II. Tóquio: Soka Gakkai, p. 636-637.

9. Terceira Civilização, ed. 632, abr. 2021, p. 50-65.

10. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 762, 2020.

11. Ibidem, p. 33.

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