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Estudo
há 2 anos
[78] Avançar no grande caminho do kosen-rufu com coragem inabalável por toda a vida
Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda
BUDISMO DO SOL Iluminando o Mundo
Dr. Daisaku Ikeda
14/01/2025
![[78] Avançar no grande caminho do kosen-rufu com coragem inabalável por toda a vida](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2025-01-13_20-59-39.jpeg)
Explanação
Herdando o desejo do meu mestre, Josei Toda — que dizia “Quero eliminar a miséria e o sofrimento da face da Terra” —, sempre encarei minhas viagens em prol do kosen-rufu mundial como um desafio para concretizar uma sociedade global onde todos possam viver em paz e segurança.
Parti do Japão para minha primeira viagem ao exterior em 2 de outubro de 1960, unido em espírito com meu mestre, carregando sua foto no bolso interno do meu paletó junto ao meu peito. Assim, iniciei meus esforços plenos pelo kosen-rufu mundial, em uma jornada de 24 dias, percorrendo nove cidades nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. No ano seguinte, visitei cinco países e um território na Ásia, e nove países na Europa. Posteriormente, entre 1962 e 1967, e, novamente, de 1972 a 1975, viajei para o mundo inteiro, quase todos os anos, abrindo caminhos para o kosen-rufu.
Rede solidária que abraça a filosofia do respeito pela dignidade da vida
Em cada cidade e país que visitei, recitei daimoku com a decisão de impregnar o solo com o Nam-myoho-renge-kyo. Falando e encorajando uma pessoa após a outra, semeei as sementes da Lei Mística, chamando, assim, os companheiros bodisatvas da terra dedicados a cumprir a missão pelo juramento seigan em prol do kosen-rufu.
A Guerra Fria se arrastava, a ameaça das armas nucleares crescia e as disputas e os conflitos armados irrompiam sucessivamente em muitas regiões. Nesse cenário, aguardei o momento certo, criei o tempo certo, enquanto construía uma rede de cidadãos globais comprometidos com a paz que abraçavam a filosofia do respeito pela dignidade da vida.
Todos esses esforços culminaram, de forma esplêndida, com o magnífico ensejo, no início de 1975, durante a última etapa da minha visita de três dias aos Estados Unidos, no qual os membros de 51 países e territórios se reuniram comigo em Guam e juntos fundamos a Soka Gakkai Internacional (SGI) no dia 26 de janeiro.
Na época, já havia apresentado propostas pleiteando a normalização das relações diplomáticas entre Japão e China e o fim da Guerra do Vietnã. Tinha visitado a China, a União Soviética e os Estados Unidos, fazendo tudo o que estivesse ao meu alcance, como cidadão comum, para ajudar a amenizar as tensões entre China e União Soviética e encontrar um caminho para encerrar a Guerra Fria. Também mantive diálogos pela paz e pelo século 21 com proeminentes pensadores, como o conde Richard Coudenhove-Kalergi, proponente pioneiro da unificação europeia, e o historiador britânico Arnold J. Toynbee.
Em meu discurso na época da fundação da SGI, observei que a contínua precedência que a humanidade concedeu à lógica do poderio militar, do poder político e do ganho econômico constituiu um obstáculo para a paz e manteve o mundo num estado de constante tensão. Salientei que era papel essencial da religião ultrapassar essa situação e abrir um caminho duradouro para a paz.
Todos os nossos membros, por terem tido a boa sorte de encontrar esta maravilhosa Lei Mística, compartilhavam dessa convicção e determinação.
Concluí, afirmando: “Como corajosos, compassivos e dedicados discípulos de Nichiren Daishonin totalmente comprometidos com a verdade e a justiça, vivam de forma positiva e edificante, esforçando-se pela prosperidade do seu país, pela felicidade das pessoas e pela preciosa existência da humanidade”.
Hoje, mais de quatro décadas depois, o radiante sol do Budismo Nichiren, que a tudo ilumina, raiou alto no céu e sua luz compassiva brilha em todos os lugares. Nossos membros, com profundo orgulho do seu juramento seigan como bodisatvas da terra, estão trabalhando arduamente, enquanto nossa rede de criação de valor em prol da paz, cultura e educação prossegue difundindo esperança ao redor do mundo.
Nichiren Daishonin louva aqueles que possuem coragem intrépida
Naturalmente, o caminho do kosen-rufu mundial não é sempre livre de dificuldades. Há momentos em que somos alvo de críticas e sofremos até perseguições por causa do preconceito ou da falta de compreensão das pessoas. Entretanto, meus companheiros de luta conjunta sempre se mantiveram unidos a mim em espírito e, intrépidos diante de qualquer dificuldade ou adversidade, devotaram corajosamente a vida ao kosen-rufu com perseverança e firmeza.
Meu mestre observou, de forma aguçada: “Não se pode obter êxito no kosen-rufu sem coragem intrépida” e “Aqueles que seguem em frente com decisão corajosa e intrépida obterão os maiores louvores de Nichiren Daishonin e serão merecedores de ilimitados benefícios”.
Nesta oportunidade, estudaremos passagens dos escritos de Nichiren Daishonin que destacam a coragem intrépida e inabalável como a força propulsora para o kosen-rufu mundial.
Participantes da 12ª Reunião Nacional de Líderes da Nova Era, no Auditório da Paz, do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda (São Paulo, SP, nov. 2024)
Trecho do escrito 1
Pontos Essenciais para Atingir o Estado de Buda
Por ter exposto este ensinamento, fui exilado e quase morto. É como afirma o ditado: “O bom conselho agride os ouvidos”. Mesmo diante de tudo isso, ainda não fui desencorajado. O Sutra do Lótus [Lei Mística] é como a semente; o Buda é como o semeador; e as pessoas são como o campo.1 (CEND, v. II, p. 5)
Palavras que sintetizam a grande compaixão de Daishonin
“Ainda não fui desencorajado” (CEND, v. II, p. 5) — essas palavras me enchem de emoção onde quer que as ouço. Elas sintetizam a grande compaixão e coragem intrépida de Nichiren Daishonin.
No trecho do capítulo 2, “Meios Apropriados”, do Sutra do Lótus, que recitamos de manhã e à noite, há a frase “empenhar-se com coragem e vigor” (yumyo shojin, em jap.)”2 (cf. LSOC, cap. 2, p. 56). Ela também pode ser traduzida como “avançar com bravura e diligência” e é considerada uma das razões pelas quais o próprio Buda foi capaz de atingir a iluminação.
“Coragem” (yumyo) significa enfrentar bravamente as dificuldades e reunir nossa sabedoria e criatividade para tornar possível o impossível. O grande mestre Miaole3 explica shojin (“diligência”) da seguinte maneira: “Sho (‘puro’) significa não adulterado e imaculado; e jin (‘empenho’), indica esforço incessante”. Portanto, shojin consiste em avançar, sempre em frente, sem se distrair com outras coisas.
O Sutra do Lótus declara que o próprio Buda atingiu a iluminação por meio da “coragem e vigor” ou “empenhando-se com bravura e diligência” ao longo de muitas existências.
Então, no capítulo “A Extensão da Vida”, ao revelar a consecução de sua iluminação original, Shakyamuni elucida que, na realidade, ele deu continuidade incessantemente aos seus esforços compassivos como buda desde o passado infinitamente remoto. “Este, um trabalho do buda”, afirma ele, “jamais negligenciei nem por um único momento” (LSOC, cap. 16, p. 267).
Corte de fita comemorativa na reinauguração da Sede da Juventude Soka (São Paulo, SP, nov. 2024)
O espírito da Soka Gakkai de “ainda não fui desencorajado”
Mesmo suportando todos os tipos de adversidades e perseguições, Daishonin vivenciou uma luta incansável de vida, demonstrando o espírito de “empenhar-se com coragem e vigor” e de “jamais negligenciar nem por um único momento o trabalho do Buda” — de modo que todas as pessoas desfrutassem paz e felicidade. Não há nada mais encorajador de grande compaixão que nos faz sentir gratidão.
Em Pontos Essenciais para Atingir o Estado de Buda, Daishonin explica que o bodisatva Práticas Superiores4 [líder dos bodisatvas da terra], a quem Shakyamuni confiou os cinco ideogramas do Nam-myoho-renge-kyo,5 conduzirá as pessoas dos Últimos Dias da Lei à iluminação. Ele declara que, quem está, de fato, propagando a Lei Mística não é ninguém a não ser ele próprio, Nichiren Daishonin. Ao mesmo tempo, aponta, a maioria das pessoas, desencaminhadas por “maus amigos”6 ou influências negativas, seguia sacerdotes budistas hostis ao Sutra do Lótus.
A resposta de Daishonin destinou-se a repreender rigorosamente a atitude das escolas budistas estabelecidas que desrespeitavam Shakyamuni e seus ensinamentos e tinham perdido de vista o espírito fundamental do budismo de conduzir as pessoas à iluminação. Foi uma luta para revelar a verdade oriunda de seu imenso e compassivo desejo da felicidade de todas as pessoas. Entretanto, como “O bom conselho agride os ouvidos” (CEND, v. II, p. 5), Daishonin foi duramente perseguido. Conforme ele observa, “Fui exilado e quase morto” (Ibidem).
Na época, muitos discípulos de Nichiren Daishonin — entre eles, Shijo Kingo; os irmãos Ikegami, Munenaka e Munenaga; e Nanjo Tokimitsu — estavam enfrentando perseguições por causa da fé. Podemos interpretar a afirmação de Daishonin de que “Mesmo diante de tudo isso, ainda não fui desencorajado” não apenas como uma expressão de sua firme determinação, mas também como um encorajamento para seus discípulos jamais serem derrotados.
Toda sensei explanou o escrito Pontos Essenciais para Atingir o Estado de Buda em reuniões gerais de estudo, abertas para todos os membros, realizadas no Auditório Público de Toshima, em Ikebukuro, Tóquio.
Com relação à passagem que estamos examinando, ele afirmou com ardente paixão: “‘Ainda não fui desencorajado’ — esse é o ponto fundamental!”. Todos se curvaram para a frente na expectativa do que ele diria em seguida.
Ele declarou, enfaticamente:
Somos incrivelmente afortunados por sermos discípulos de Nichiren Daishonin. Somos bodisatvas da terra. E esse é o âmago do espírito da Soka Gakkai.
Apesar de indigno, eu também estou me empenhando pelo kosen-rufu com o espírito de “Ainda não fui desencorajado”. Por estarmos cumprindo o testamento de Daishonin, naturalmente devemos estar preparados para uma infindável série de grandes dificuldades. Devemos ter coragem e perseverança.
As palavras dele ainda ressoam claras em meus ouvidos até hoje.
A paixão e o compromisso de conduzir todas as pessoas à iluminação
Nessa mesma carta, Daishonin expressa: “Se o mestre e os seguidores virem inimigos do Sutra do Lótus e os ignorarem e falharem em repreendê-los, tanto o mestre quanto os seguidores cairão no inferno de incessantes sofrimentos” (CEND, v. II, p. 4).
Ele se recusava a permanecer em silêncio quando via “inimigos do Sutra do Lótus”, aqueles que causavam sofrimento às pessoas.
Desde o momento em que estabeleceu seu ensinamento (em 1253), Daishonin estava plenamente ciente de que enfrentaria perseguições caso lutasse contra as maldades. O ato de Daishonin recitar Nam-myoho-renge-kyo publicamente pela felicidade de todas as pessoas com certeza desencadearia fortes perseguições. Mas ele sabia que essa seria a consequência inevitável de propagar o Sutra do Lótus na era maléfica dos Últimos Dias da Lei, conforme descrevem os “seis atos difíceis e nove fáceis”7 e outras passagens do Sutra do Lótus. Ele iniciou sua tenaz luta espiritual com a mais firme determinação.
O ponto de partida dele foi seu juramento seigan: “Jurei manter uma poderosa e inabalável determinação de salvar todos os seres vivos, sem jamais esmorecer em meus esforços” (CEND, v. I, p. 250). O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, dava grande importância a essas palavras e as sublinhou em seu exemplar dos escritos de Nichiren Daishonin.
Esse compromisso inabalável é o juramento seigan do bodisatva de propagar o Sutra do Lótus para conduzir as pessoas à iluminação na era maléfica após a morte do Buda enunciada nos capítulos “Surgimento da Torre de Tesouro”, “Encorajamento à Devoção”, “Bodisatva Jamais Desprezar” e outros.
Continuar proclamando a verdade suportando dificuldades é ter o espírito de Daishonin de realizar shakubuku propagando o ensinamento do budismo e de refutar o erro. É com essa prática indômita que mudamos a consciência das pessoas e transformamos a sociedade.
Desde o seu primeiro passo na propagação da Lei Mística, Daishonin tinha plena consciência de todos os tipos de adversidades e perseguições que incidiriam sobre a sua pessoa. Ele declara isso reiteradamente:
Vinha esperando esse desenrolar dos acontecimentos há muito tempo. (CEND, v. II, p. 22)
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Nem uma única vez pensei em recuar. (WND, v. II, p. 465)
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A batalha perdura até hoje. (CEND, v. I, p. 411)
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Não houve um único momento de paz ou segurança. (WND, v. II, p. 599)
Esse era o nobre espírito de Nichiren Daishonin. Ele também exorta seus discípulos:
Não devem se surpreender quando isso [condenação ao exílio ou à execução] ocorrer. (...) Não temam as autoridades. (CEND, v. II, p. 751)
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Essa pessoa se expõe aos três tipos de inimigos8 (...). Não há razão para ficarem atemorizados. (CEND, v. I, p. 410)
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Deve erguer sua voz mais ainda e admoestar [aqueles que caluniam]. Mesmo que a sua vida seja ameaçada, não deve vacilar nem um pouco. (WND, v. II, p. 597)
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Independentemente de quantos inimigos terríveis os senhores enfrentem, livrem-se de todo o medo e jamais recuem. (CEND, v. I, p. 415)
Obviamente, não poupar a própria vida, de forma genuína, não significa descaso em relação à nossa vida. Como revolucionários da Lei Mística, devemos ter a vida mais plena e longa possível, dedicando-nos ao kosen-rufu.
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A contraofensiva com o espírito de “mesmo diante de tudo isso"
Daishonin declara: “Mesmo diante de tudo isso, ainda não fui desencorajado” (CEND, v. II, p. 5). Isso significa que, embora enfrentemos grandes adversidades, devemos lutar resolutamente com o espírito de “mesmo diante de tudo isso”, sem medo e sem jamais sucumbir à derrota. Continuamos desafiando a nós próprios apesar de tudo, recusando-nos a recuar um único passo.
Esse é o espírito da Soka Gakkai que aprendemos com os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda. O mesmo espírito é crucial em nossos esforços para transformar nosso destino. Devemos reconhecer a real natureza dos “três obstáculos e quatro maldades”,9 confrontá-los com o rugido do leão do Nam-myoho-renge-kyo e não permitir que eles nos influenciem ou nos intimidem. Esse é o segredo para “amenizar o efeito cármico”10 e ter uma vida vitoriosa, transformando veneno em remédio. Isso vem sendo comprovado por incontáveis membros desde os primórdios da Soka Gakkai.
Na prática do budismo, há ocasiões que pedem uma resposta prudente e flexível, como a atitude do bodisatva Jamais Desprezar11 ao procurar fugir até um lugar seguro onde as pedras e os bastões que as pessoas usavam para atacá-lo não o alcançavam. Mas, após estabelecer certa distância entre ele e seus agressores, o bodisatva Jamais desprezar se voltava para eles e recitava sonoramente o Sutra do Lótus de 24 ideogramas,12 manifestando seu respeito por todas as pessoas. Como seu exemplo ilustra, a convicção inabalável e a fé incessante no potencial do estado de buda de todas as pessoas constituem a própria essência dos bodisatvas que juraram conduzi-las à iluminação. Bodisatvas genuínos nunca desistem. Continuam tentando até conquistar a vitória. Eles se empenham para cumprir sua missão, determinados a edificar um mundo onde as pessoas possam desfrutar uma vida vitoriosa.
Os bodisatvas da terra são honrosos guerreiros que escolheram nascer nesta era maléfica, firmemente decididos a levar avante sua intrépida batalha espiritual. Aqueles que entram em ação pelo kosen-rufu sem dúvida conseguem despertar para seu juramento seigan do remoto passado. O fator essencial para isso é a relação de mestre e discípulo. Quando alinhamos o coração com o juramento seigan do mestre, nosso senso de missão original inato emana das profundezas do nosso ser.
Dando continuidade à luta indômita de Daishonin em prol do kosen-rufu, nossos membros mantiveram-se invencíveis diante de tantos obstáculos, incluindo oposição e intimidação.
Eles enfrentaram e triunfaram sobre cada desafio por meio da fé alicerçada na unicidade de mestre e discípulo e na união de “diferentes em corpo, unos em mente”.
Depois da declaração “ainda não fui desencorajado”, Daishonin revela o princípio de plantar a semente do estado de buda na vida das pessoas: “O Sutra do Lótus é como a semente; o Buda é como o semeador; e as pessoas são como o campo” (CEND, v. II, p. 5).
Plantar a semente do Sutra do Lótus (Nam-myoho-renge-kyo) na vida das pessoas ativa a natureza de buda inata delas. Nossos esforços no diálogo budista têm ligação direta com a ação do Buda de semear as sementes do estado de buda de modo que todos possam atingir a iluminação. Estamos habilitando inumeráveis pessoas a formar um precioso vínculo com o budismo por meio da nossa firme decisão, expressa pelas palavras “ainda não fui desencorajado”.
“Na prática da fé, não há arrependimentos"
Observando que a sociedade é complexa e repleta de contradições, Toda sensei concluiu: “Somente o Budismo de Daishonin apresenta o meio para transformar fundamentalmente nosso destino. Ele ensina o caminho da eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza,13 de plena realização e satisfação duradouras. Não há caminho mais elevado que esse. Por isso, mesmo dedicando a vida à prática da fé, jamais se arrependerão”.
Essa é a razão pela qual nos empenhamos para concretizar o ideal de Daishonin da “pacificação da terra”.
Budismo é a Lei que nos ensina a elevar nossa condição de vida para construir uma felicidade sólida e contribuir para uma sociedade próspera e segura nesta era impura dos Últimos Dias da Lei.
Quando perseveramos resolutamente em nossa prática budista e expandimos nossa rede de bodisatvas da terra, com certeza nos aproximamos, passo a passo, da edificação de um mundo de paz e de felicidade para todos.
Sigamos em frente na grande estrada do kosen-rufu com fé inabalável por toda a vida, cada vez mais firmes na decisão de que “ainda não fui desencorajado” — ditos dourados que compõem a essência do espírito da Soka Gakkai.
Trecho do escrito 2
Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra
Embora eu seja uma pessoa de pouca capacidade, dediquei-me ao estudo do Mahayana14 com toda a reverência. Uma mosca azul pode viajar muitas milhas se estiver presa à cauda de um puro-sangue e a hera consegue subir trezentos metros se estiver enroscada num alto pinheiro. Eu nasci como filho do único buda, Shakyamuni, e servi ao rei das escrituras, o Sutra do Lótus.
Como poderia observar o declínio da Lei budista e não sentir tristeza?15 (CEND, v. I, p. 17-18)
Abraçar com orgulho o Sutra do Lótus, o rei das escrituras
Em seguida, estudemos uma famosa passagem de Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, tratado na forma de diálogo entre um viajante e o anfitrião.
Quando o viajante, em dado momento, ofendido, levanta-se furioso para ir embora, o anfitrião sorri, insiste para que ele fique e, então, continua expondo calmamente a Lei. Entretanto, o viajante, ainda aborrecido com ele, declara: “O senhor (...) é um homem de posição humilde e não se mostra nada preocupado com as consequências de suas declarações ofensivas” (CEND, v. I, p. 17). Essas palavras revelam a arrogância inata do viajante, que o induz a menosprezar o sábio anfitrião. A passagem que estamos estudando constitui a resposta compassiva do anfitrião.
Ele começa dizendo: “Embora eu seja uma pessoa de pouca capacidade, dediquei-me ao estudo do Mahayana” (Ibidem). Isso sugere que até os indivíduos mais humildes podem se aprimorar de forma ilimitada e ter uma vida magnífica abraçando uma grandiosa Lei e se dedicando a uma sublime missão. Ele, então, emprega a analogia da mosca azul e da hera. Desse modo, ensina que o critério para julgar o valor dos outros não é por meio da posição social deles, mas pela filosofia ou ensinamento que abraçam.
Abraçar o Sutra do Lótus, “o rei das escrituras”, é motivo de máxima honra e orgulho. Assim como Daishonin expressa em outro texto: “Como a Lei é maravilhosa, a pessoa é digna de respeito”16 (CEND, v. II, p. 364) e “Se a Lei é suprema, a pessoa que a abraça também é suprema” (CEND, v. I, p. 63).
Para praticar o sublime ensinamento do budismo, também necessitamos da figura de “bons amigos”, tais como o mestre para nos instruir e nos guiar corretamente ao longo do caminho para o estado de buda e de companheiros praticantes para nos apoiar e nos encorajar no caminho da fé e da prática. Aprimorarmo-nos e nos desenvolver dentro da Soka Gakkai — uma organização extraordinária de “bons amigos” — é essencial para elevar nossa condição de vida, realizando nossa revolução humana e transformando nosso destino.
Juventude Soka de Porto Alegre e Miguel Shiratori, presidente da BSGI, posam para foto na inauguração da Sede Regional de Porto Alegre (RS, nov. 2024)
A alegria de desfrutar nossa existência com a Soka Gakkai da ordem do Buda
Muitos membros da Soka Gakkai reconhecem profundamente a veracidade dessa passagem de Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra. Embora inicialmente estivessem atolados nos próprios problemas e sofrimentos, passaram a usufruir uma condição de vida de felicidade nunca imaginada ao abraçarem o sublime ensinamento da Lei Mística e desfrutarem sua existência junto com a Soka Gakkai e com seus companheiros.
Essa passagem ecoa as experiências vividas por nossos membros que se empenham para cumprir o grande juramento pelo kosen-rufu junto com a Soka Gakkai, organização da ordem e do desejo do Buda. Também sinto que expressa a grande alegria de conquistar a felicidade de si e ajudar outras pessoas a fazer o mesmo.
Levantar-se para proteger o budismo
Nessa passagem, o anfitrião afirma que está engajado no estudo do budismo Mahayana. Uma das características do budismo Mahayana é a prática do bodisatva para aliviar os sofrimentos das pessoas. A essência dessa prática se encontra no Sutra do Lótus, que expõe os princípios da iluminação universal e o surgimento dos bodisatvas da terra.
O anfitrião declara que, como “filho do único buda, Shakyamuni” — ou seja, como discípulo do Buda —, ele abraça a fé no “rei das escrituras, o Sutra do Lótus” (CEND, v. I, p. 17). É muito significativo o fato de ele falar da posição de alguém que estuda o budismo.
Em suas palavras iniciais no escrito Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, o anfitrião diz para o viajante: “Agora que o senhor chegou, podemos lamentar juntos. Vamos analisar minuciosamente a questão” (Ibidem, p. 7). Ao longo de toda a obra, ele fala com o viajante de igual para igual, empregando passagens do sutra e argumentando para corrigir os equívocos do viajante em relação ao budismo e, por fim, encorajando-o a abraçar a prática correta para si e para os outros. Essa é a sublime essência do diálogo budista.
Como discípulo do Buda, o anfitrião convida o viajante a se juntar a ele para aprender, discutir e praticar o budismo. De fato, o diálogo é uma busca pela verdade, e a ressonância mútua do comportamento como ser humano. Fundamentalmente, existe o desejo compassivo de transmitir a verdade para que a pessoa diante de si possa se tornar feliz. Tal compaixão gera coragem e sabedoria. Os esforços tenazes do anfitrião no diálogo transbordam do compromisso inabalável de conduzir o viajante à felicidade.
Em especial, na parte que estamos estudando, constatamos essa importante passagem em que o anfitrião expressa seu sincero sentimento: “Como poderia observar o declínio da Lei budista e não sentir tristeza?” (Ibidem, p. 18). Daishonin pergunta como um discípulo do Buda que estuda o budismo Mahayana poderia deixar de se angustiar e de se entristecer quando a Lei correta é caluniada, ensinamentos falsos predominam e o budismo é desrespeitado.
O espírito de proteger o budismo reside no âmago dos esforços incessantes do anfitrião no diálogo. Para nós, consiste no compromisso inabalável de propagar a Lei Mística que embasa todas as nossas atividades.
Em qualquer âmbito, grandes conquistas e realizações só são possíveis mediante firme e persistente compromisso. O fator fundamental é com que determinação mental estamos mais profundamente comprometidos. Esforçando-nos para concretizar o empreendimento sem precedentes chamado kosen-rufu, avancemos intrepidamente, com as dignas condições de vida de bodisatva e de buda, sem nos deixar perturbar pelo elogio ou pela censura daqueles dominados pelos seis caminhos.17
Empenhar-se consistentemente no diálogo compassivo constitui a essência da prática do juramento seigan do bodisatva de ajudar todas as pessoas a atingir a iluminação. É o caminho certo para elevar nossa condição de vida fundamental e a dos outros. Toda sensei dizia: “A Soka Gakkai deve se dedicar exatamente como Nichiren Daishonin ensina. Com a determinação de que alcançaremos o desejo de Daishonin de realizar o kosen-rufu, devemos triunfar em cada grande batalha”.
A Soka Gakkai, organização diretamente ligada a Nichiren Daishonin e que possui o Gosho como base, veio avançando e conquistando todos os seus desafios e esforços com fé e a convicção de que “nenhuma oração ficará sem resposta” (cf. CEND, v. I, p. 362).
Vicejante ipê amarelo no jardim da Sede Central com majestoso Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda ao fundo (São Paulo, SP, set. 2024)
Nobres vidas dedicadas a plantar as sementes da paz
Finalizando, compartilho com vocês o juramento que firmei com dedicados companheiros, bodisatvas da terra, na época da fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI): “O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo”.
Da grandiosa perspectiva dos dez mil anos e mais dos Últimos Dias da Lei, estamos apenas no início do nosso movimento. Ao nos empenhar para cumprir nosso juramento seigan como bodisatvas da terra, com a consciência de discípulos do Buda, efetuemos, cada um de nós, esforços tenazes no diálogo para concretizar um mundo pacífico e próspero para todos por meio do ensinamento humanístico da Lei Mística. Desse modo, plantaremos as sementes, cultivaremos os brotos e cuidaremos do crescimento de magníficas árvores da paz no mundo inteiro.
O dia de hoje é precioso
“Tenha a coragem de plantar hoje as sementes do amanhã!”18 — essa foi a mensagem do ativista dos direitos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel para os jovens.
Com espírito de luta ardente e invencível, hoje, novamente, prossigamos empreendendo esforços para propagar a Lei Mística!
Com os olhos fixos na distante montanha do kosen-rufu mundial, assentemos alegremente o caminho da vitória junto com a Soka Gakkai e com nossos companheiros, sempre abraçando o espírito de “ainda não fui desencorajado”!
(Daibyakurenge, edição de outubro de 2021)
Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI
No topo: Líder da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, em seu discurso, funda a Soka Gakkai Internacional (SGI), organização voltada para a paz mundial (Guam, 26 jan. 1975)
Notas:
1. Datada de 1276 e endereçada a um discípulo leigo chamado Soya, que, acredita-se, provavelmente se trate de Soya Kyoshin ou outro membro da família Soya. Nessa carta, Daishonin ensina que o Nam-myoho-renge-kyo é a semente para atingir o estado de buda e que a essência da prática consiste em escolher o mestre correto e se empenhar para atingir o estado de buda.
2. A expressão “empenhar-se com coragem e vigor” consta no capítulo 2, “Meios Apropriados”, do Sutra do Lótus, na passagem: “Os budas serviram pessoalmente a centenas, milhares, dezenas de milhares, milhões, a um número incalculável de budas, e praticaram completamente um número imensurável de caminhos e doutrinas dos budas. Eles se empenharam com coragem e vigor, e seus nomes são conhecidos universalmente. Eles compreenderam a Lei que é profunda e nunca conhecida” (LSOC, cap. 2, p. 56).
3. Miaole (711–782): Também conhecido como Chanjan, venerável Jingxi, grande mestre Jingxi, em homenagem ao seu local de nascimento, e grande mestre Miaole. Foi o sexto patriarca da escola Tiantai na China, contando a partir do próprio Tiantai. É reverenciado como o restaurador da escola. Também escreveu comentários sobre as principais obras de Tiantai, facilitando a compreensão dos ensinamentos da escola. As obras principais de Miaole são: Anotações sobre “Profundo Significado do Sutra do Lótus”, Anotações sobre “Palavras e Frases do Sutra do Lótus” e Anotações sobre “Grande Concentração e Discernimento”.
4. Bodisatva Práticas Superiores: Líder dos bodisatvas da terra, os inumeráveis bodisatvas descritos no capítulo 15, “Emergindo da Terra”, do Sutra do Lótus, aos quais Shakyamuni confia a missão de propagar a Lei nos Últimos Dias da Lei. Além disso, é um dos quatro grandes bodisatvas, ao lado de Práticas Ilimitadas, Práticas Puras e Práticas Consolidadas.
5. Nichiren Daishonin escreve: “O buda Shakyamuni convocou os bodisatvas da terra e confiou-lhes esses cinco ideogramas, que constituem a essência do sutra. Esse foi o ensinamento transferido aos bodisatvas que haviam sido discípulos do Buda desde o remoto passado” (CEND, v. II, p. 3).
6. “Maus amigos”, nesse contexto, indica aqueles que desviam as pessoas e obstruem a prática budista; especificamente, expondo falsos ensinamentos, causando assim miséria e infortúnio. Empregado em contraste com “bons amigos”.
7. “Seis atos difíceis e nove fáceis” (jap. rokunan-kui): Comparações expostas no capítulo 11, “Surgimento da Torre de Tesouro”, do Sutra do Lótus, para ensinar às pessoas como seria difícil abraçar e propagar o sutra nos Últimos Dias da Lei. Os “seis atos difíceis” são: (1) propagar amplamente o Sutra do Lótus; (2) copiá-lo ou levar alguém a copiá-lo; (3) recitá-lo mesmo durante curto tempo; (4) ensiná-lo mesmo que seja para uma única pessoa; (5) ouvi-lo ou aceitá-lo e perguntar sobre seu significado; e (6) manter a fé nele. Os “nove atos fáceis” abrangem façanhas como: ensinar inumeráveis sutras diferentes do Sutra do Lótus, atravessar uma pradaria em chamas carregando um fardo de feno nas costas sem se queimar, e chutar um grande sistema de mundos para outro quadrante.
8. “Três poderosos inimigos”: Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem aqueles que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica após a morte do buda Shakyamuni, descritos na parte em verso que conclui o capítulo 13, “Encorajamento à Devoção”, do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole da China resume-os como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e falsos sábios arrogantes.
9. “Três obstáculos e quatro maldades”: Vários obstáculos e adversidades que tentam impedir a prática budista. Os “três obstáculos” são: (1) obstáculo dos desejos mundanos; (2) obstáculo do carma, que pode se manifestar na forma de oposição do cônjuge ou dos filhos; e (3) obstáculo da punição, também interpretado como obstáculos causados por quem devemos obediência, como governantes e pais. As “quatro maldades” são: (1) maldade dos cinco componentes; (2) maldade dos desejos mundanos; (3) maldade da morte; e (4) maldade celestial.
10. “Amenizar o efeito cármico”: Esse conceito, que literalmente significa “transformar o pesado e recebê-lo de forma mais leve”, consta no Sutra do Nirvana. “Pesado” indica o carma negativo acumulado ao longo de incontáveis existências passadas. Como benefício de proteger o ensinamento do budismo, podemos experimentar um efeito cármico relativamente leve nesta existência, expiando assim o carma pesado que, normalmente, nos afetaria de forma negativa não só nesta vida, mas ao longo de muitas existências futuras.
11. Bodisatva Jamais Desprezar. Descrito no capítulo 20, “Jamais Desprezar”, do Sutra do Lótus, esse bodisatva — Shakyamuni numa existência anterior — viveu no fim dos Médios Dias da Lei, depois da morte do buda Rei do Som Imponente. Ele se curvava respeitosamente a todos com quem se encontrasse. Porém, ele era atacado por pessoas arrogantes, que o agrediam com varas e bastões e atiravam pedras nele. O sutra explica que essa prática se tornou a causa para o bodisatva Jamais Desprezar atingir o estado de buda.
12. Sutra do Lótus de 24 ideogramas: Palavras com as quais o bodisatva Jamais Desprezar louvava as pessoas que encontrava: “Eu os reverencio profundamente, jamais ousaria tratá-los com desdém ou arrogância. Por quê? Porque todos estão praticando o caminho do bodisatva e infalivelmente atingirão o estado de buda” (LSOC, cap. 20, p. 308). Essas palavras, que na tradução de Kumarajiva para o chinês consistem em 24 ideogramas, resumem o ensinamento do Sutra do Lótus de que todas as pessoas podem atingir o estado de buda e são, portanto, conhecidas como “Sutra do Lótus de 24 ideogramas”.
13. Eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza também são conhecidos como as “quatro virtudes”. Descrevendo as quatro nobres qualidades da vida de um buda, sãoexplicadas da seguinte forma: “eternidade” significa imutável e eterno; “felicidade” indica tranquilidade que transcende todo sofrimento; “verdadeiro eu”, a natureza verdadeira e intrínseca; e “pureza”, livre de ilusão ou conduta errônea.
14. Mahayana: Ensinamento do grande veículo ou ensinamento que expõe a iluminação para todos e objetiva libertar todos os seres vivos do sofrimento. Expõe a prática do bodisatva como meio para a iluminação tanto da própria pessoa como das demais.
15. Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra: Tratado de admoestação que Nichiren Daishonin submeteu a Hojo Tokiyori, regente aposentado, mas que continuava sendo a figura mais poderosa do clã dominante do Japão, no décimo sexto dia do sétimo mês de 1260. Nele, Daishonin prediz que, a não ser que se siga o ensinamento do Sutra do Lótus, o país sofreria, num futuro próximo, as calamidades do conflito interno e da invasão estrangeira — as duas únicas, dentre as “três calamidades e sete desastres”, que ainda não haviam assolado o Japão.
16. Extraído de Palavras e Frases do Sutra do Lótus de Tiantai.
17. “Seis caminhos”: Referem-se aos seis primeiros dos dez mundos — mundo do inferno, mundo dos espíritos famintos, mundo dos animais, mundo dos asura, mundo dos seres humanos e mundo dos seres celestiais.
18. Artigo veiculado na edição do Seikyo Shimbun de 25 de junho de 1994.
Resumo
Estudo — Janeiro 2025
Principais tópicos estudados
“Ainda não fui desencorajado”
Mesmo suportando todos os tipos de adversidades e perseguições, Daishonin vivenciou uma luta incansável de vida, demonstrando o espírito de “empenhar-se com coragem e vigor” e de “jamais negligenciar nem por um único momento o trabalho do Buda” — de modo que todas as pessoas desfrutassem paz e felicidade. Não há nada mais encorajador de grande compaixão que nos faz sentir gratidão.
“Mesmo diante de tudo isso”
Embora enfrentemos grandes adversidades, devemos lutar resolutamente com o espírito de “mesmo diante de tudo isso”, sem medo e sem jamais sucumbir à derrota. Continuamos desafiando a nós próprios apesar de tudo, recusando-nos a recuar um único passo. Esse é o espírito da Soka Gakkai que aprendemos com os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda.
Elevada condição de vida
Em qualquer âmbito, grandes conquistas e realizações só são possíveis mediante firme e persistente compromisso. O fator fundamental é com que determinação mental estamos mais profundamente comprometidos. Esforçando-nos para concretizar o empreendimento sem precedentes chamado kosen-rufu, avancemos intrepidamente, com as dignas condições de vida de bodisatva e de buda (...).
Empenhar-se consistentemente no diálogo compassivo constitui a essência da prática do juramento seigan do bodisatva de ajudar todas as pessoas a atingir a iluminação.
Frases marcantes
“Em cada cidade e país que visitei, recitei daimoku com a decisão de impregnar o solo com o Nam-myoho-renge-kyo.”
“Ainda não fui desencorajado” (CEND, v. II, p. 5) — essas palavras me enchem de emoção onde quer que as ouço.”
“Bodisatvas genuínos nunca desistem. Continuam tentando até conquistar a vitória.”
“O critério para julgar o valor dos outros não é por meio da posição social deles, mas pela filosofia ou ensinamento que abraçam.”
“O diálogo é uma busca pela verdade, e a mútua ressonância do comportamento como ser humano.”
“Com espírito de luta ardente e invencível, hoje, novamente, prossigamos empreendendo esforços para propagar a Lei Mística!”
Adolfo Pérez Esquivel
Personalidades e personagens budistas citados
• Josei Toda
• Richard Coudenhove-Kalergi
• Arnold J. Toynbee
• Nichiren Daishonin
• Miaole
• Shakyamuni
• Bodisatva Práticas Superiores
• Shijo Kingo
• Munenaka Ikegami
• Munenaga Ikegami
• Nanjo Tokimitsu
• Tsunesaburo Makiguchi
• Bodisatva Jamais Desprezar
• Adolfo Pérez Esquivel
Perguntas-guia para as atividades de estudo
No trecho do capítulo 2, “Meios Apropriados”, do Sutra do Lótus, que recitamos de manhã e à noite, há a frase “empenhar-se com coragem e vigor” (yumyo shojin, em jap.)”. Qual o significado dessa expressão?
“Coragem” (yumyo) significa enfrentar bravamente as dificuldades e reunir nossa sabedoria e criatividade para tornar possível o impossível. O grande mestre Miaole explica shojin (“diligência”) da seguinte maneira: “Sho (‘puro’) significa não adulterado e imaculado; e jin (‘empenho’), indica esforço incessante”. Portanto, shojin consiste em avançar, sempre em frente, sem se distrair com outras coisas.
O Sutra do Lótus declara que o próprio Buda atingiu a iluminação por meio da “coragem e vigor”, ou “empenhando-se com bravura e diligência”, ao longo de muitas existências.
Desde o momento em que estabeleceu seu ensinamento (em 1253), Daishonin estava plenamente ciente de que enfrentaria perseguições caso lutasse contra as maldades. Como conseguiu se manter fiel à propagação do Sutra do Lótus?
O ponto de partida dele foi seu juramento seigan: “Jurei manter uma poderosa e inabalável determinação de salvar todos os seres vivos, sem jamais esmorecer em meus esforços” (CEND, v. I, p. 250). O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, dava grande importância a essas palavras e as sublinhou em seu exemplar dos escritos de Nichiren Daishonin.
Esse compromisso inabalável é o juramento seigan do bodisatva de propagar o Sutra do Lótus para conduzir as pessoas à iluminação na era maléfica após a morte do Buda.
Qual o papel dos companheiros e da Soka Gakkai em nossa prática individual como budistas?
Para praticar o sublime ensinamento do budismo, também necessitamos da figura de “bons amigos”, tais como o mestre para nos instruir e guiar corretamente ao longo do caminho para o estado de buda e de companheiros praticantes para nos apoiar e nos encorajar no caminho da fé e da prática. Aprimorarmo-nos e nos desenvolver dentro da Soka Gakkai — uma organização extraordinária de “bons amigos” — é essencial para elevar nossa condição de vida, realizando nossa revolução humana e transformando nosso destino.
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