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há 2 anos

Ludwig van Beethoven

Heróis que superaram adversidades (Parte 25)

Heróis que superaram adversidades (Parte 25)

Seikyo Shumbun

14/01/2025

Ludwig van Beethoven

Adaptado da matéria publicada no Seikyo Shimbun, edição de 10 de novembro de 2024.

A Sinfonia nº 9 é amada no mundo todo como a Nona Sinfonia. Este ano [2024] marca os duzentos anos da estreia da obra-prima de Ludwig van Beethoven. A execução do movimento final, Ode à Alegria, é uma tradição de fim de ano muito popular no Japão.

Beethoven concluiu a Nona Sinfonia enquanto enfrentava a dura realidade da perda auditiva, que, para um músico, poderia ser considerado o fim.

Supere o sofrimento e alcance a alegria! O som da alma do gênio da música ainda hoje continua a inspirar as pessoas.

Essa composição também foi entoada ontem [9 de novembro de 2024] durante as comemorações do 35o aniversário da queda do Muro de Berlim.

Beethoven escreveu:

Sinto felicidade todas as vezes que supero as adversidades.
Enfrentarei meu destino com coragem, sem nunca deixar que ele me aniquile. Oh! É tão glorioso viver mil vezes mais!

Beethoven nasceu em Bonn, Alema­nha, em dezembro de 1770. Seu pai era cantor, tinha problemas com a bebida e a família vivia na pobreza.

Pela formação musical rigorosa que recebeu do pai, desde cedo, ele mostrou seu talento e se tornou membro de uma orquestra aos 11 anos. Passou a sustentar a família no lugar do pai e cuidou dos irmãos mais novos.

Aos 16 anos, sua querida mãe faleceu devido a uma doença pulmonar. Com o coração entristecido, ele se afundou na desesperança, mas, com apoio e incentivo das pessoas ao seu redor, seguiu para Viena, capital da música, para estudar com o compositor austríaco Haydn. Isso aconteceu em novembro de 1792, pouco antes de completar 22 anos.

O jovem músico ganhava a vida se apresentando em mansões de aristocratas e dando aulas de piano. Nesse meio-tempo, ele compôs diversas canções e começou a chamar a atenção como “novo Mozart”.

As palavras que ele escreveu mais tarde — “Há muito a ser feito nesta Terra. Faça logo!” — podem ser consideradas uma expressão de sua postura, de dedicar ardentemente a vida à música a cada instante.

Foi também na casa dos 20 anos que Beethoven enfrentou o maior desafio de sua vida. Ele percebeu algo estranho em seus ouvidos e, aos poucos, foi perdendo a capacidade de ouvir.

Para os músicos, perder a audição equivale à morte. Ele continuou o tratamento em segredo, para que isso não se tornasse de conhecimento das pes­soas. Antes que percebessem, pouco a pouco, deixava de aparecer em público.

Beethoven tentou vários tratamentos, mas nenhum trouxe bons resultados. Mesmo assim, ele continuou a compor e a criar música para o povo: “Minha arte deve servir melhor aos pobres”.

Ikeda sensei visita o museu memorial de Beethoven

Ikeda sensei visita o museu memorial de Beethoven chamado Casa do Testamento de Heiligenstadt. Após a visitação, ele escreve: “Justiça. Vim à casa do grande compositor que admirava desde a minha juventude. Permanecerei por algum tempo aqui, relembrando as memórias dos meus diálogos vividos que sempre travava com Beethoven” (Heiligenstadt, Alemanha, maio 1981)

Quando estava com 31 anos, a audição de Beethoven havia se deteriorado a ponto de ter dificuldade para conversar normalmente. Seus discípulos também acabaram tomando conhecimento desse fato e ele mergulhou no desespero. Em seu Testamento de Heiligenstadt, escrito em outubro de 1802, ele descreveu o sofrimento da perda auditiva: “Se meu desespero fosse maior, eu teria tirado minha própria vida”.

Contudo, Beethoven não se rendeu ao destino. Em seu testamento, ele escreveu: “Só a arte me impediu. Oh, não posso deixar este mundo até ter produzido tudo o que sinto que está dentro de mim”. Com determinação, ele disse: “Paciência, agora devo escolher isto como meu guia”.

As famosas sinfonias no 3, Heroica, no 5, Destino, e no 6, Pastoral, foram compostas poucos anos depois de redigir seu testamento.

Beethoven escreveu mais tarde: “A principal característica de uma pessoa notável é a perseverança diante de severas adversidades”.

Ele sofria de outras doenças além da perda auditiva. Enfrentou também a separação de entes queridos, mortes na família e dificuldades financeiras. Mesmo em meio a tudo isso, poucas vezes interrompeu as composições.

Na faixa dos 40 anos, passou a usar aparelhos auditivos e, mais tarde, começou a se comunicar utilizando anotações.

Beethoven concluiu a Sinfonia no 9 nos seus últimos anos de vida. Ele praticamente não conseguia ouvir mais.

Sexto concerto da Nona Sinfonia é apresentado na Universidade Soka

Sexto concerto da Nona Sinfonia é apresentado na Universidade Soka (dez. 1996). Este evento vem sendo realizado há muitos anos desde 1991, quando foi proposto pelo fundador, Dr. Daisaku Ikeda

A primeira apresentação da peça foi realizada em um teatro em Viena, na Áustria, em maio de 1824. Beethoven subiu ao púlpito como maestro, apesar da oposição daqueles que o rodeavam. Quando a apresentação terminou, aplausos estrondosos do público encheram o local. Houve cinco pedidos de bis.

Por volta da época da estreia de a Nona, a saúde física de Beethoven começou a se deteriorar significativamente. Ele passou por várias cirurgias, mas sua condição nunca melhorou.

Conta-se que Beethoven, que permaneceu apaixonado pela música até o fim da vida, disse em seu leito de morte: “Eu nada fiz além de escrever algumas poucas notas”. Em março de 1827, ele encerrou sua existência aos 56 anos.

Romain Rolland, conhecido como o autor que escreveu sobre a vida de Beethoven, descreveu o compositor da seguinte forma:

Beethoven, um ser humano solitário, infeliz, pobre e doente. Uma pessoa cujo destino era uma vida unicamente de sofrimentos. O mundo rejeitou todo tipo de alegria que ele poderia ter. Mas Beethoven criou a própria alegria. Esse foi seu presente para o mundo.
Empregando o próprio infortúnio e o próprio sofrimento, Beethoven fortaleceu a própria alegria.

Exposição Beethoven e a Ode à Alegria, montada recentemente no Edifício Central de Educação da Universidade Soka

Exposição Beethoven e a Ode à Alegria, montada recentemente no Edifício Central de Educação da Universidade Soka

Reflexões do presidente Ikeda

“Na vida, há montanhas e vales. [...] Entretanto, o importante é ter a convicção de que há um profundo significado nos sofrimentos do presente. Enquanto houver forte determinação mental na fé, pode-se transformar, infalivelmente, o destino em missão”

Dr. Daisaku Ikeda

Para Ikeda sensei, Beethoven foi um “amigo do coração” em sua juventude. Em meio à árdua batalha para reerguer os negócios do seu venerado mestre, Josei Toda, e para encorajar os companheiros que enfrentavam dificuldades, como líder da primeira legião da Divisão Masculina de Jovens, o jovem Ikeda ouvia Destino, a 5a Sinfonia de Beethoven. Em meio à Campanha de Osaka, ele ouvia o disco na antiga sede central de Kansai para se inspirar.

Em outubro de 1961, um ano depois de assumir a terceira presidência da Soka Gakkai, o Dr. Daisaku Ikeda viajou para a Áustria pela primeira vez e visitou a lápide de Beethoven no Cemitério Central de Viena. E, em maio de 1981, ele conheceu o museu memorial em Heiligenstadt, na Alemanha.

Na Reunião Nacional de Líderes comemorativa do 60o aniversário de fundação da Soka Gakkai, realizada em novembro de 1990, a Orquestra Sinfônica Fuji e o Coral Soka apresentaram a canção Ode à Alegria. Durante seu discurso, Ikeda sensei sugeriu que a Nona Sinfonia fosse cantada por um grande coro.

Em Tokushima, onde a Nona foi apresentada pela primeira vez no Japão, no outono de 1994, promoveu-se um movimento para formar um grande coro para entoar Ode à Alegria. Cerca de 35 mil companheiros participaram. Em Kyushu, em novembro do mesmo ano, a Divisão dos Jovens formou um coral com 50 mil integrantes e com 100 mil componentes em dezembro de 2001 e em novembro de 2005.

O clero da Nichiren Shoshu criticou o presidente Ikeda e a Soka Gakkai e fez acusações descabidas, dizendo que “cantar a Ode à Alegria em alemão era uma heresia”.

A Nona Sinfonia se tornou um símbolo da Soka Gakkai para conquistar a indepen­dência espiritual e alçar voo como religião mundial.

Certa ocasião, Ikeda sensei falou por que gostava de Beethoven:

Porque ele viveu como um digno ser humano [...].
Beethoven acreditava que estava vivendo a melhor vida como ser humano e como artista. Por isso ele não aceitava ações desrespeitosas de ninguém, mesmo que fosse um imperador ou alguém poderoso. [...]
Não conseguir ouvir é como a morte para um músico. Numa situação como esta, cem pessoas entre cem certamente desistiriam. Mas Beethoven não desistiu. A grandiosidade da filosofia e da visão de vida de Beethoven foi que ele seguiu trilhando estritamente pelo caminho que acreditava.1

Festival Musical dos Jovens da Ásia para a Paz

Festival Musical dos Jovens da Ásia para a Paz, no qual 50 mil pessoas cantam Ode à Alegria diante de Ikeda sensei. Na época, o teto do Fukuoka Dome se abriu para entrar a luz do sol (nov. 1994)

Ikeda sensei também disse em outra ocasião:

É impressionante o próprio Beethoven ter passado por sucessivas batalhas contra os sofrimentos. Ele tinha orgulho de sua missão de lutar contra seu destino cruel. No fim de 1822, há duzentos anos, ele expressou sua autoconfiança: “Eu posso compor, mesmo que não haja mais nada que eu seja capaz de fazer”. [...]
[A Sinfonia nº 9, que incorpora Ode à Alegria] é o presente à humanidade que não para de inspirar a vida; não surgiu de forma alguma em meio a ventos favoráveis, mas sim da luta contra os ventos adversos dos sofrimentos e do resoluto espírito de perseverança.
Na vida, há montanhas e vales. Doenças e dificuldades no trabalho, conflitos na família e nas relações humanas, a insegurança pelo futuro — as preocupações não cessam. Entretanto, o importante é ter a convicção de que há um profundo significado nos sofrimentos do presente. Enquanto houver forte determinação mental na fé, pode-se transformar, infalivelmente, o destino em missão.2

Para comemorar o 200o aniversário da primeira apresentação da Nona Sinfonia, uma exposição chamada Beethoven e a Ode à Alegria está sendo realizada desde o dia 1o deste mês [novembro de 2024] na Universidade Soka, em Hachioji, Tóquio.

Há muito o que podemos aprender com Beethoven, um ser humano que superou os sofrimentos e alcançou a alegria.

No topo: Retrato de Beethoven (Wikimedia Commons)

Notas:

1. Trecho de discurso proferido durante a sessão de fotos dos formandos da quarta turma da Escola Soka de Ensino Fundamental de Tóquio, em 21 de dezembro de 1984.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.626, 14 jan. 2023.

Materiais de pesquisa:

ROLLAND, Romain. Beethoven’s Life [A Vida de Beethoven]. Tradução: Toshihiko Katayama. Iwanami Shoten.

Beethoven’s Diary [O Diário de Beethoven]. SOLOMON, Maynard (ed.). Tradução: Yayohi Aoki e Shigemitsu Hisamatsu. Iwanami Shoten.

LOCKWOOD, Lewis. Beethoven’s Music and Life [Música e Vida de Beethoven]. Supervisão: Eizaburo Tsuchida e Kazuko Fujimoto. Tradução: Takashi Numaguchi e Hohei Hori. Shunjusha.

OKI, Minoru. People who Made Beautiful Music [Pessoas que Fizeram Belas Músicas]. Saera Shobo.

Beethoven Daijiten [Enciclopédia sobre Beethoven]. Supervisão: Barry Cooper. Tradução: Akira Hirano, Minoru Nishihara, Chishi Yokohara. Heibonsha.

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