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há 2 anos

Os Últimos Dias de Pompeia, de Edward Bulwer-Lytton (parte 1)

Os livros da minha juventude

Os livros da minha juventude

Dr. Daisaku Ikeda

14/01/2025

Os Últimos Dias de Pompeia, de Edward Bulwer-Lytton (parte 1)

Tradução dos extratos do livro The Books of My Youth [Os Livros da Minha Juventude]

Há mais de 1900 anos (no fim de agosto do ano 79 E.C.), os cidadãos de Pompeia, cidade colonial romana, levavam a vida habitual despreocupados no ensolarado sul da Itália, embora estivessem sendo perturbados durante vários dias por misteriosos tremores de terra.

Pompeia era uma cidade de médio porte para a época com uma população, segundo estimativas, entre 20 e 30 mil habitantes. Localizava-se ao sul do Monte Vesúvio, de frente para a Baía de Nápoles, hoje conhecida mundialmente pela sua beleza. Como diz o ditado: “Veja Nápoles e morra”. Muitos ricos do império tinham casas de veraneio ali.

Pompeia e Vesúvio

Parque Arqueológico de Pompeia e Vesúvio ao pôr do sol, em Nápoles, Itália

A vida dos pompeianos

Em Pompeia, a vida começava bem cedo. Como uma cidade de negócios movimentada, ela era um centro de comércio entre os portos do Mediterrâneo e as cidades do interior. Os pompeianos geralmente terminavam o trabalho do dia pela manhã. À tarde, iam a um dos três principais balneários públicos. Eles se exercitavam, suavam e tomavam banho ou nadavam numa piscina aquecida e conversavam numa taverna. Os balneários públicos eram locais de socialização.

O estilo de vida dos pompeianos ricos parece ter sido bastante luxuoso. As casas tinham água encanada e as ruas eram pavimentadas com pedras. A leste da cidade, havia um anfiteatro com capacidade estimada para mais de 20 mil pessoas. Lá, os pompeianos observavam gladiadores lutando entre si ou contra feras, como leões e touros. As mulheres nobres, usando sombra nos olhos e outros cosméticos parecidos com os das mulheres de hoje, aplaudiam os fortes e bonitos gladiadores. Muito sangue corria, e escravos e criminosos eram cruelmente massacrados.

Deixando de lado os julgamentos morais, era assim que os ricos de Pompeia passavam os dias — sem aparentes preocupações quanto ao futuro.

Ruínas de Pompeia e estátua de bronze de Apolo, Itália

Ruínas de Pompeia e estátua de bronze de Apolo, Itália

A erupção do Monte Vesúvio

Na tarde de 24 de agosto, uma enorme coluna de cinzas vulcânicas elevou-se subitamente do Monte Vesúvio. De acordo com Plínio, o Jovem, a nuvem tinha formato de um pinheiro, “pois subia em direção ao céu no que pode ser descrito como um tronco muito longo e, depois, se espalhava no que pareciam galhos”.1 Acompanhando essa nuvem, ouviu-se um estouro violento e, então, uma chuva de pedra-pomes e cinzas caíram sobre a cidade, soterrando-a rapidamente.

De acordo com a carta do jovem Plínio sobre a erupção, o solo chacoalhou violentamente enquanto a “turba estupefata” tentava escapar.2 A erupção e os terremotos decorrentes continuaram ao longo da noite. De tempos em tempos, uma coluna sinistra de fogo subia ao céu noturno. Mesmo após o nascer do sol, o céu permaneceu escuro. As pessoas procuravam o caminho para a costa com tochas até encontrar barcos nos quais pudessem escapar pelo mar.

A antiga cidade de Pompeia, do alto de sua prosperidade e glória, afundou, do dia para noite, nas profundezas do inferno. Em muito pouco tempo, a cidade desapareceu.

Era garoto quando ouvi essa trágica história pela primeira vez. Antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o romance histórico Os Últimos Dias de Pompeia foi traduzido para o japonês e publicado em uma antologia de literatura mundial. Fiquei completamente absorto no romance e me lembro de, posteriormente, assistir à sua adaptação no cinema com os amigos.

Depois da guerra, em 1953, uma nova tradução foi publicada. O presidente Josei Toda também a leu e gostou. Adaptou a obra como material de estudo para o Kayo Kai, grupo de jovens mulheres da Soka Gakkai, a pedido delas.

Daisaku Ikeda em pompeia

(À dir.) Daisaku Ikeda, presidente da SGI, caminha em meio às ruínas de Pompeia (Itália, jan. 1963)

A vida de Lorde Lytton

O autor, Edward George Bulwer-Lytton, nasceu em Londres, em 25 de maio de 1803. Enquanto estudava em Cambridge, escreveu um poema que ganhou um prestigiado prêmio literário. Após a formatura, ele se tornou jornalista, poe­ta e dramaturgo.

Lorde Lytton também era político. Aos 20 anos, já atuava no Parlamento e, em 1858, tornou-se secretário de Estado das colônias. Dois anos antes, havia sido nomeado reitor da Universidade de Glasgow. Lorde Lytton era um homem desenvolto que desempenhou papel influente no Império Britânico.

No outono de 1833, com 30 anos, Lorde Lytton visitou a Itália. Quando esteve nas ruínas de Pompeia, deve ter ficado profundamente comovido, imaginando os povos antigos que viveram, amaram e lutaram ali. Decidido a dar-lhes vida, escreveu o longo romance em pouco tempo e publicou-o no ano seguinte.

A história permanece comovente mesmo após repetidas leituras. A popularidade do romance aumentou em parte devido ao crescente interesse do público pelas ruínas de Pompeia, que começou a ser escavada em meados do século 18. À medida que o trabalho de descoberta das ruínas avançava, o público se tornava gradualmente mais familiarizado com a glória do Império Romano.

O que pode ter contribuído ainda mais para a popularidade do romance foi a paixão do autor por esse período antigo e sua profunda sede de conhecimento pelo cenário histórico, que motivou extensa pesquisa. Como resultado, ele descreveu cenas dinâmicas que deram vida aos pompeianos para os leitores contemporâneos.

Continua na próxima edição.

Na parte final das reflexões sobre a obra Os Últimos Dias de Pompeia, de Edward Bulwer-Lytton, Daisaku Ikeda descreve os personagens, a natureza de cada um deles e compartilha seu entendimento da obra que apreciou quando criança.

No topo: Retrato de Edward Bulwer-Lytton (Wikimedia Commons)

Notas:

1. Pliny the Younger: Complete Letters. Tradução: P. G. Walsh. Nova York: Oxford University Press, 2006, p. 143.

2. Ibidem, p. 148.

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