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há 2 anos
A beleza do mundo é reflexo do nosso interior
Vamos iluminar a vida com base na fé, na prática e no estudo
Vamos iluminar a vida com base na fé, na prática e no estudo
Redação
14/01/2025

De fotógrafo todo mundo tem um pouco. Com a popularização dos smartphones, as pessoas têm sempre à mão um ou mais recursos para registrar a beleza de uma flor, a graciosidade de um sorriso, a vastidão do horizonte. Captar com a lente o exato momento visível a olho nu requer firmeza, estabilidade.
Assim também é na vida. Para enxergarmos exatamente os fenômenos à nossa volta e obtermos sabedoria para desfrutar a vida, instante a instante, é essencial termos uma base que nos apoie.
Apresentamos o princípio “fé, prática e estudo”, exercício budista que garante o alicerce que sustenta nosso dia a dia.
Base que sustenta
Em 1971, não existiam celulares com câmeras, mas Daisaku Ikeda mantinha sempre por perto uma máquina fotográfica que ganhou de um amigo. Como expressão de sua gratidão, tirava fotos quando surgia uma oportunidade. Ele estava sendo levado para conhecer uma área onde seria inaugurado um prédio da Soka Gakkai quando uma luz que clareava a noite chamou a sua atenção.
A lua cheia estava cintilando no céu. Então, ele pediu ao motorista que estacionasse o carro, abriu a janela de trás do veículo, pegou sua câmera e apertou o obturador. Contemplava o céu e continuava a tirar fotos, tentando capturar a beleza daquela cena criada pela lua.
Nesse momento, um jovem fotógrafo do Seikyo Shimbun, que estava em outro carro, desceu e foi até Ikeda sensei. Pediu ao motorista que desligasse o motor e disse:
— Sensei, apoie os cotovelos no peitoril da janela. Isso evitará que a sua câmera trema.1
Ikeda sensei seguiu o conselho e percebeu que, dessa forma, sua câmera ficou muito mais firme.
A partir desse episódio, registrado na obra Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda, vamos refletir como a fé, a prática e o estudo constituem o apoio em que se assenta uma vida de felicidade.
Fé significa “coração puro de inabalável crença”
A palavra “fé” em japonês é escrita com dois ideogramas chineses. O primeiro significa “crença”, e o segundo, “coração”. Juntos, eles formam a palavra shinjin que quer dizer “coração puro de inabalável crença” e literalmente é traduzido como “fé”.
Por seu conceito, entendemos que a fé é definida no coração.
Podemos olhar para uma flor, que brotou sozinha, e pensar quanto ela parece solitária. Ela também pode lhe trazer à mente a lembrança de alguém a ponto de querer saber “Como será que fulano está?”, motivando-o a entrar em contato. Por outro lado, há aqueles que não se comovem ao admirar uma flor ou a Lua.
O presidente Ikeda fez essa reflexão e observou:
Beethoven compôs a Sinfonia nº 6 (Pastoral) quando já tinha dificuldades para ouvir. Mas ele conseguia ouvir no coração o canto dos pássaros no campo e o murmúrio de um riacho sinuoso. Ele conseguia ouvir também as vozes alegres dos camponeses. O clamor de uma violenta tempestade e o frescor do ar após a tormenta — tudo isso estava em seu coração. E com sua música ele transmitia a toda a humanidade a grandiosa natureza que preenchia seu coração. Era essa sua incrível condição de vida, mesmo sem a capacidade de ouvir e sem o conhecimento do budismo.2
Em 1971, quando Ikeda sensei parou para tirar fotos daquela lua, não tinha habilidade técnica, mas, em seu coração, ao fotografar as belezas do mundo natural:
Almejava transmitir o esplendor da natureza e ilimitada coragem e esperança às outras pessoas. Ele estava convicto de que, nesses momentos captados, podia-se encontrar a luz da cultura humanística (...), acreditava que fotografias tinham a capacidade de abrir o coração das pessoas e fazê-las entrar em comunhão com o universo.3
A fé que nutrimos quando praticamos a Lei Mística expande amplamente nosso coração, a ponto de conseguirmos captar o melhor em cada circunstância. O Mestre afirma: “Nós praticamos a fé para abrirmos os vastos tesouros do coração e estabelecer uma condição de vida com a qual desfrutamos tudo o que a vida tem a oferecer”.4
Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, afirmou, com palavras simples: “A fé não é uma questão de formalidades, mas sim viver cada momento ao máximo”.5
Assim, o primeiro pilar que sustenta nossa vida é a “fé”. Ela pode ser observada no modo como decidimos encarar cada momento e enfrentamos os fatos do cotidiano.
Presidente Ikeda visita o Museu de Música Min-On. Na foto, com fones de ouvido e olhos fechados, deixa-se envolver pela Sinfonia nº 5 de Beethoven (Japão, 27 nov. 1974)
Prática que traduz a crença
Uma vez que desfrutamos a vida com um “coração puro de inabalável crença”, ou seja, com base na fé ensinada no Budismo Nichiren, naturalmente a materializamos em nossas ações.
Quem tem fé no Gohonzon é impelido a pôr em prática aquilo que acredita. Isso significa empreender esforços na prática individual e entrar em ação em prol do outro.
No episódio da Nova Revolução Humana, na abertura desta matéria, por meio do comportamento de Ikeda sensei, entendemos o que é a prática daquele que crê.
Ikeda sensei possuía uma condição de vida capaz de enxergar poesia e beleza em tudo que o cercava. Porém, não se deu por satisfeito em ter essa habilidade de apreciar a profundidade do que a natureza tinha a oferecer. Decidiu aprender a fotografar, com o coração repleto de benevolência, para transmitir ilimitada coragem e esperança às outras pessoas. Para isso, ele praticou.
O presidente Ikeda mantinha uma agenda de compromissos muito atarefada. No entanto, desde que ganhou a máquina fotográfica de presente, ele a carregava e, enquanto viajava de carro de um destino a outro, aproveitava para fotografar. Tinha um interesse especial em registrar a natureza.
Não fazia isso para ser reconhecido por suas habilidades ou por mero hobby, mas para incentivar o outro. Essas fotos que tirou da Lua foram reveladas e, dez dias depois, ele as deu de presente para os jovens com quem se encontrou. O Mestre declarou:
Fotografei essa imagem com a esperança de que todos os nossos membros, que estão se empenhando dia após dia, sejam iluminados e protegidos pela lua e se tornem pessoas de grande sabedoria.6
Agora, do ponto de vista da filosofia do budismo, o presidente Ikeda explica como devemos firmar o segundo pilar, a “prática”:
Fazer gongyo e recitar daimoku com sinceridade e seriedade ao Gohonzon. Também inclui falar aos outros sobre o Budismo Nichiren e ajudá-los a iniciar a prática, movidos pelo desejo de conduzir a pessoa que se encontra bem diante de nós ao caminho da felicidade. Além disso, apoiamos os novos membros e os auxiliamos a se desenvolver como pessoas valorosas para o kosen-rufu. Esses fatores formam a base da nossa prática budista.7
Com estudo, compreende-se tudo
Já que mencionamos a oração, não basta recitarmos daimoku com fé para obter benefícios? Vamos analisar.
Se você já tentou tirar foto da Lua, sabe que não é tarefa simples, mesmo usando tripé e bons equipamentos. Desde que Ikeda sensei capturou a primeira foto da Lua, passou a fotografá-la em todas as oportunidades de que dispunha. Além disso, sabendo que era aprendiz na arte da fotografia, pedia aos fotógrafos do Seikyo Shimbun que lhe ensinassem sobre foco e exposição correta, desde os fundamentos. Ele enfatiza que “A disposição de se aprimorar constitui uma forma de coragem evidenciada pela humildade e por um espírito flexível”.8
Os primeiros passos de Ikeda sensei na arte da fotografia, como vimos, começaram com o presente que ganhou de um amigo, pensando em distraí-lo naquele momento em que ele estava com a saúde fragilizada, e se deparava com o brilho da lua que deixava a noite prateada. Depois disso, tirou tantas outras fotos, fez álbum para dar de presente aos membros como forma de incentivo, foi convidado para expor suas fotos em exposições. Além do mais, renomados fotógrafos apreciavam e elogiavam a sua arte. O Mestre também acompanhou os avanços tecnológicos e, no fim da década de 1970, passou a clicar com uma nova câmera através da qual era possível fazer registros com a máquina posicionada na altura do coração.
Tirar fotos poderia ser encarado apenas como um momento de se divertir, mas Ikeda sensei se empenhava plenamente e assim se desenvolvia.
Na prática da fé, nós também devemos buscar aprimoramento constante, conforme ele nos ensina:
Da mesma forma como se obtêm grandes benefícios quando se pratica uma correta religião, surgem também os obstáculos e as maldades. Nesses momentos de dificuldades, se não tiverem um correto conhecimento do budismo, acabarão criando dúvidas na prática da fé. Durante a guerra, quando a Soka Gakkai foi perseguida pelo governo militar e os presidentes Makiguchi e Toda foram presos, todos os dirigentes apostataram da fé. O motivo principal foi a falta de compreensão do budismo. Quando nos empenhamos no estudo do budismo, entendemos a razão do surgimento das adversidades e também aprendemos o modo de vida para se conquistar a verdadeira felicidade.9
É natural que, diante das questões da vida, surjam dúvidas, mas, ao aprofundarmos no estudo do budismo, essas dúvidas se transformam em entendimento. Quando concluímos e pensamos “Ah, é isso que significava então”, nossa oração se torna ainda mais vigorosa.10 Assim está assentado o terceiro pilar: o “estudo”.
Ensinamento para o cotidiano
A vida se revela diante dos nossos olhos, como se a observássemos através de lentes. Cada pessoa possui as suas lentes e, ao contemplar o mesmo céu enluarado ou o mesmo capim à beira da estrada, é capaz de perceber coisas diferentes.
Aquele que busca polir suas lentes com a prática do Budismo de Nichiren Daishonin, passa a perceber o mundo com o estado de buda, como o presidente Ikeda define:
Dependendo do nível de vida de cada pessoa, a maneira de ver e sentir as coisas difere amplamente. Por exemplo, o brilho das estrelas refletiu nos olhos de Einstein provavelmente como uma luz do princípio da relatividade, Beethoven deve tê-lo sentido como uma grande sinfonia e Goethe viu nas estrelas uma bela poesia. Eles viram o mesmo céu estrelado e sentiram o encanto do grande Universo. Buda é aquele que vê um grande e amplo mundo em sua própria vida. Até conseguir visualizar esse mundo, você jamais deve desistir da prática budista.11
“O budismo é um ensinamento que se manifesta na vida cotidiana.”12 Aquele que pratica corretamente essa filosofia consegue vislumbrar o que acontece porque tem as lentes, através das quais enxerga os fenômenos, firmemente estabelecidos em seu tripé da fé, da prática e do estudo.
Nossa organização é onde conseguimos fortalecer essa base, como nosso mestre expressou no poema:
A Soka Gakkai é o mundo da crença.
Aonde formos, se tivermos fé,
nossa personalidade será revelada.
Acima de tudo, estamos aprendendo
na universidade do povo denominada
Gakkai.
É justamente na Universidade Soka Gakkai,
a suprema instituição de ensino,
que aprendemos a viver como um verdadeiro
ser humano.13
Enxergar a beleza de cada instante
Ikeda sensei trilhou um brilhante caminho como fotógrafo amador. Ele via a beleza nas sutilezas de cenas comuns. As fotografias captadas por ele percorrem o mundo, levando esperança para quem as admira. Ele também recebeu o reconhecimento de renomadas instituições como fotógrafo. O presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, foi membro honorário do Val de Bievres Photo Club da França, membro estrangeiro da Wiener Künstlerhaus (Associação de Artistas Austríacos) e membro honorário vitalício da Sociedade Fotográfica de Singapura.14
A motivação dele sempre foi incentivar, louvar e inspirar as pessoas. Quando fotografou a Lua, em 1971, sentia que sua luz:
Representava a iluminação da sabedoria capaz de dissipar a escuridão do sofrimento. Ele também via nela [a Lua] a luz da compaixão a proteger os membros e a iluminar o caminho deles, enquanto avançavam ao longo da jornada do kosen-rufu dia e noite em seus incansáveis esforços.15
Ikeda sensei refletiu:
Há um valor único, uma beleza
que pertence apenas a este momento,
a este dia.
É isso que dá vida a uma foto.16
Agora, por meio do exercício budista da fé, da prática e do estudo, nós também temos a chance de enxergar, capturar e dar significado a cada momento, até os mais desafiadores, que se descortinar neste ano, como fotógrafos da vida. Capturemos todos os fenômenos à nossa volta, inspirados pelas palavras do nosso mestre:
Daishonin afirma: “Para aqueles que possuem profunda fé, é como se a lua cheia iluminasse a noite”.17
Com profunda oração, ação e união, vamos iluminar este importante ano, tal qual a brilhante lua cheia!
Agora é a hora
de criar
uma história dourada,
convidando os amigos a se juntar
ao nosso bailar de
mestre e discípulo!18
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 232, 2019.
2. Brasil Seikyo, ed. 1.552, 15 abr. 2000, p. A3.
3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 234, 2019.
4. Brasil Seikyo, ed. 1.552, 15 abr. 2000, p. A3.
5. Idem, ed. 1.881, 3 mar. 2007, p. A3.
6. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 236, 2019.
7. Ibidem, v. 26, p. 212-213, 2021.
8. Ibidem, v. 15, p. 234, 2019.
9. Ibidem, v. 7, p. 102, 2018.
10. Cf. Brasil Seikyo, ed. 2.421, 26 maio 2018, p. B1.
11. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 8, p. 102, 2019.
12. Ibidem, v. 2, p. 205, 2019.
13. Brasil Seikyo, ed. 2.421, 26 maio 2018, p. B1.
14. Disponível em: https://www.daisakuikeda.org/sub/photography/index.html. Acesso em: 10 dez. 2024.
15. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 235, 2019.
16. Disponível em: https://www.daisakuikeda.org/sub/photography/featured-photos/. Acesso em: 10 dez. 2024.
17. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 96, 2020.
18. Terceira Civilização, ed. 642, fev. 2022, p. 4-7.
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