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Encontro com o Mestre
há 12 anos

4.1 Somos protagonistas do nosso próprio drama

06/09/2014

4.1 Somos protagonistas do nosso próprio drama

INTRODUÇÃO

Como podemos superar nossos problemas e viver uma existência vitoriosa? Nesta seção, o presidente Ikeda fala sobre uma filosofia de vida ativa embasada no princípio budista de “três mil mundos num único momento da vida” (ichinen sanzen) que, em essência, significa que cada um escreve o roteiro e desenvolve o papel principal do drama da própria vida.

Discurso do presidente Ikeda

Proferido na Conferência de Líderes Representantes da SGI-Estados Unidos, em 9 de março de 1993, Miami, Flórida

Somos o roteirista do nosso próprio drama da vida. Também somos o protagonista. Shakespeare diz: “O mundo todo é um palco / E todos os homens são meros atores”.

O budismo ensina que ninguém escreve o roteiro de nossa vida. Nós é que o escrevemos, encenamos e atuamos como a estrela principal desse drama. Essa filosofia de vida ativa é inerente ao princípio de “três mil mundos num único momento da vida”.

Somos o autor e o personagem principal da nossa história. Para que ela seja uma grandiosa produção, é essencial que nos tornemos familiares com o cenário para que possamos encenar de forma expressiva. Talvez ensaiemos mentalmente. Algumas vezes, o que pode nos ajudar é escrevermos os objetivos, tais como ir bem em uma prova ou melhorar o desempenho no trabalho. Outras vezes, podemos lê-los repetidamente até que fiquem profundamente gravados.

Certa ocasião, um menino sofreu um grave acidente e teve de amputar parte de uma de suas pernas. Seus pais, no entanto, nunca lhe disseram que as coisas seriam difíceis ou impossíveis para ele. Pelo contrário, trataram-no naturalmente, incentivando-o a praticar esportes e ensinando que seria capaz de realizar tudo, contanto que acreditasse em si mesmo e, caso não conseguisse, seria porque ele decidira que não seria capaz mesmo antes de tentar. Essa convicção dos pais não era baseada em mero idealismo ou otimismo; era a própria crença no potencial latente que todo ser humano possui.

Anos depois, o menino se tornou o principal jogador de futebol da escola. Depois de concluir os estudos, ele se tornou um jovem de grande valor para a sociedade também. Sua vida ilustra perfeitamente a afirmação do escritor russo Máximo Goiki que diz: “Talento nada mais é que ter fé em si próprio, em sua força”.

Sir Walter Scott, renomado escritor escocês, escreveu: “Para o tímido e temeroso, tudo é impossível por justamente enxergar do seu ponto de vista”.

Pensar que “isso é impossível” ou “isso não pode ser feito” tem o efeito real de tornar qualquer circunstância impossível. Da mesma forma, se os pais constantemente dizem aos filhos que são incapazes, as crianças acreditarão que não são capazes e deixarão de nutrir qualquer tipo de expectativa dentro deles.

Nichiren Daishonin cita a passagem do Sutra da Guirlanda de Flores: “A mente é como um pintor habilidoso que cria diversos formatos usando os cinco componentes. Portanto, em todos os fenômenos existentes, não há um único que não seja criação da mente. Fora dessa mente, não há fenômenos que existam” (WND, v. 2, p. 844).

Quando lemos as cartas de Daishonin, notamos que o Buda constantemente cita passagens de sutras e escrituras budistas para oferecer exemplos e provas documentais relevantes a situações ou questões dos destinatários, buscando mudar o coração deles, fortalecer sua determinação e proporcionar-lhes autoconfiança. Isso ocorre porque Daishonin compreendia que, quando o coração de uma pessoa muda, tudo se transforma.

Muitas pessoas atribuem o sucesso de outros às circunstâncias favoráveis e acabam pensando “Se eu tivesse tal sorte” ou “Se não tivesse esse problema para resolver”. Porém, a verdade é que isso é pura reclamação. Não há ninguém que não tenha problemas.

Um homem de negócios certa vez disse a um amigo: “Você sempre lamenta que tem muitos problemas. Conheço um lugar onde há pelo menos 10 mil pessoas e nenhuma delas tem algum problema ou preocupação. Você gostaria de ir para lá?”

O amigo respondeu: “Sim, por favor!”.

Adivinhem aonde o homem de negócios o levou? Ao cemitério. Ele queria ensinar ao amigo que, enquanto estivermos vivos, teremos de lidar com problemas e sofrimentos. Desafiar a nós mesmos a encontrar maneiras de ultrapassar esses problemas nos proporciona verdadeiro significado e riqueza à nossa vida.

O budismo ensina que “desejos mundanos são iluminação”. Isso significa que, quanto maiores forem as nossas preocupações e sofrimentos, maior será a felicidade que alcançaremos ao transformá-los por meio do poder do Nam-myoho-renge-kyo.

Na época de Shakyamuni, havia uma mulher que perdeu sua amada criança devido a uma doença. Alucinada com a perda, ela andou pelo vilarejo carregando-a em seu colo e implorando por ajuda a todos que encontrava: “Por favor, dê-me um remédio para curar minha criança”.

Sentindo pena dela, uma dessas pessoas a levou para encontrar-se com Shakyamuni. Quando ouviu sua história, ele disse: “Não se atormente. Irei lhe dar um bom remédio. Vá até o vilarejo e me traga sementes de mostarda. Porém, as sementes devem ser de uma família que não tenha perdido nenhum ente querido”.

Nessa busca, a mulher andou por todo o vilarejo, indo de porta em porta, mas não havia uma família sequer que não tivesse perdido um ente querido. Por fim, ela compreendeu que todos os seres humanos morrem e ela não era a única a sofrer com isso. Assim, ela entendeu a eternidade da vida, tornou-se uma seguidora de Shakyamuni e, tempos depois, passou a ser uma pessoa respeitada como uma grande sábia.

Ao usar os meios apropriados e enviá-la à busca das sementes de mostarda, Shakyamuni libertou-a e restaurou a paz no coração dessa mulher que estava mergulhada em profunda dor. Ele ajudou-a a despertar para a profunda sabedoria embasada na eternidade da vida.

O mais importante é expandir nosso estado de vida. Quando pensamos somente em nós mesmos, nos encontramos num nível inferior. Em contrapartida, quando trabalhamos por um objetivo maior e mais abrangente — pela Lei, pela felicidade das pessoas e pelo bem-estar da sociedade — nosso coração cresce e nos tornamos grandiosos por meio dos “belos trabalhos da mente” (Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, p. 30). Quando mantemos um coração sincero, usufruímos da imensa e verdadeira felicidade — sofrimentos que, no primeiro instante, eram um pesado fardo numa condição de vida inferior, serão insignificantes e seremos capazes de nos elevar calmamente acima deles. Espero que todos vocês vivam existências em que demonstram tal brilho e a prova real dos “belos trabalhos da mente”.

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