marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Relato
há 12 anos

Sentido da vida

Iany Carla de Lima Carvalho, 25 anos, solteira, psicóloga, RM Vila Maria, CCSP, responsável pela DFJ da Regional Edu Chaves, responsável pelo grupo Cerejeira da Sub. Norte e faz parte da BSGI desde que nasceu.

06/09/2014

Sentido da vida
Com voz suave, Iany conta pelo telefone que tem três irmãos e que ela é a mais velha deles. Na organização não há quem não se afeiçoe pela sua delicadeza e pelo seu sorriso constantes. Quando nasceu, o pai já praticava o Budismo de Nichiren Daishonin e a jovem fez dessa filosofia a sua base. “Aprendi que mesmo sem saber quais circunstâncias estão por vir, tenho plena certeza de que posso transformá-las e mais! Consigo compreender os aspectos da minha vida, o que me possibilita continuar a batalha pela minha revolução humana, e viver plenamente feliz.”

Saudosa, ela relembra que a infância foi uma fase com inúmeras boas experiências: “Viajávamos, fazíamos festas, estudamos em ótimas escolas, e adquirimos uma casa com uma sala para as atividades. E, mesmo minha mãe não sendo praticante, não fui impedida de ir às reuniões da BSGI”.

UMA NOVA CIRCUNSTÂNCIA

Algo que tirava o brilho do modelo de família feliz eram os constantes desentendimentos. Com o passar do tempo isso se agravou, resultando na separação dos pais de Iany, desestabilidade financeira e problemas de saúde do pai, que havia saído de casa. “Ele foi acometido por uma depressão e um forte transtorno do pânico, o que perturbou sua mente a ponto de não discernir o que acontecia à sua volta.”

Diante desse agravante, o Sr. Joaquim voltou para casa, mas as condições de vida pioraram. “Fomos para uma escola pública. Frequentemente, a luz e a água eram cortadas por falta de pagamento, e as compras de supermercado passaram a ser raras. O que via como sonho se tornou um grande pesadelo.”

O apoio da Divisão Feminina de Jovens e dos membros foi essencial nesse período difícil. “Tivemos a boa sorte de ter grandes companheiros por perto, que não deixavam de nos incentivar. As responsáveis pela DFJ me visitavam, levavam convites e me envolviam nas atividades.”

Encorajada e com sincera prática da fé, ela decidiu vencer sua circunstância. O pai levantou-se resolutamente e passou a ser um grande incentivo para toda a família. “Mesmo doente, ele recitava até 10 horas de daimoku por dia. Então, uma radiante energia vital se manifestou.”

Logo, o Sr. Joaquim se reabilitou e as coisas começaram a entrar nos eixos, mas a maior conquista para a jovem foi o reconhecimento da mãe. “Por meio dessa luta obtive o consentimento da minha mãe para me converter ao budismo. Ainda que tivesse nascido em um lar com Gohonzon, não era membro da BSGI. A partir daí tudo mudou!”

POSTURA ENCORAJADORA

Aos 14 anos, Iany liderava a Divisão Feminina de Jovens do bloco. Com toda vivacidade fez desse período um grande treinamento para ingressar em um grupo horizontal. “Sempre acalentei esse sonho! Em meu coração determinei fazer parte do grupo Cerejeira e assim o fiz. Que alegria!”

Diferente de muitas jovens da sua idade, ela passou a trabalhar para custear as despesas em casa. Ao relembrar do que fez com o primeiro salário, acha graça. “Ajudei a comprar o jantar e um pacote de bolachas (risos).”

Com a família unida novamente, ela almejava um futuro promissor. Em meio às dificuldades, seus pais sempre incentivaram os filhos a estudar. “Quando cursava o ensino médio, fiz um curso gratuito à noite, que oferecia uma bolsa auxílio que me permitia ajudar um pouco mais no orçamento familiar, assinar meu BS e contribuir pelo desenvolvimento do kosen-rufu.”

Nesse período, a família Carvalho vendeu a residência onde morava, seu último patrimônio. Com o dinheiro da venda, puderam se organizar financeiramente. “Em contrapartida, passamos a depender do aluguel. Na época, mudei de emprego e fui estagiar em uma empresa, o que me possibilitou a guardar o que recebia para a universidade.”

Ela concluiu o ensino médio e entrou na faculdade de psicologia: “Com a boa sorte da prática fui efetivada no trabalho e em minha futura área de atuação. O salário aumentou e cobriu o valor das mensalidades”.

SUPORTAR E SUPERAR

Na verdade, depois de algum tempo, pagar aluguel fez surgir uma nova realidade para a família de Iany. O Sr. Joaquim, trabalhando por conta, não tinha uma renda fixa e a remuneração da jovem já não era mais suficiente para tantos gastos. “A cada reajuste salarial a mensalidade do curso também aumentava. Eu me recordo que cheguei a ouvir: ‘Você precisará parar de estudar para ajudar seus pais’ e, naquele dia, determinei direcionar minha prática para jamais me permitir recuar um passo!”, relembra.

A essa altura, as crises depressivas do seu pai começaram a se manifestar novamente. E, nessa época, a família foi surpreendida até mesmo com uma ordem de despejo pelo atraso dos aluguéis. Se a situação não se revertesse, Iany teria de trancar a matrícula na faculdade. “Realizava provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em busca de uma bolsa de estudo, até que em 2010 fui contemplada com bolsa de 100%!”

Meses depois, Iany saiu da empresa em que trabalhava e com o valor da rescisão do contrato regularizou o aluguel de sua casa.

Num novo emprego, ela se desenvolveu e fez de cada oportunidade um trampolim para mudar a vida. “Era promovida constantemente. Com isso, pude estabilizar a situação financeira da minha família.”

Na organização de base foi nomeada responsável pela DFJ da regional e do grupo Cerejeira pela Sub.

VENCI A TUDO!

Iany faz uma pausa, muda o tom da voz e conta que a felicidade de conseguir esses benefícios, contrastava com um novo desafio que teve de enfrentar: “Em abril de 2013, meu irmão foi acometido por um infarto aos 21 anos. Seus batimentos cardíacos estavam abaixo de 15. Os médicos diziam que não sabiam se ele sobreviveria. Eu estava no último ano da faculdade, sozinha em meu departamento no trabalho e impossibilitada de ir às visitas. O Nam-myoho-renge-kyo era minha fonte de ligação ao seu frágil coração. Minha mãe, que não pratica o budismo, sentava comigo enquanto eu recitava daimoku. Meu coração estava tranquilo, pois compreendi que caberia a mim transformar aquela situação. Eu me levantei com a mais resoluta coragem e venci! Hoje, meu irmão se encontra em perfeita condições de saúde. Ainda tem um pequeno problema no coração, mas ele possui uma nova compreensão sobre a vida.”

Os irmãos são seus grandes companheiros e motivo de alegria para a jovem. “Os três fazem parte da BSGI e as minhas duas irmãs também atuam no grupo Cerejeira.”

Superadas as dificuldades, ela concluiu o curso de psicologia em maio deste ano. “Duas semanas antes da formatura minha avó faleceu, mas mesmo com o coração apertado não me abati, pois foi ela que lá no passado disse ter orgulho da mulher em que eu estava me tornando.”

Iany segue confiante e finaliza incentivando as pessoas com um trecho de um poema do presidente Ikeda:

“Sejam fortes!

Sejam fortes!

Sejam absolutamente fortes!

Ser forte é ser feliz, é ser vitorioso.

Aqueles que são fortes conseguem conduzir as pessoas pelo valoroso curso da vida de paz, justiça e felicidade”.

Compartilhe

Copy to clipboard