BS
Encontro com o Mestre
há 12 anos
O mestre habita o coração e a mente do discípulo
Final do volume 27 da Nova Revolução Humana narra a sinceridade de uma senhora que se esforçava para dialogar por meio do coração com o Mestre todos os dias e desejava receber uma visita do presidente Ikeda em sua casa
06/09/2014

— Ao lado desta rodovia nacional moram o Sr. Noritaka Tanizawa e sua mãe, que administram uma loja de variedades e um restaurante. Eles oferecem o primeiro andar da loja para reuniões.
A mãe, Sra. Chiaku, está perto dos 80 anos, mas é bastante saudável e gerencia o restaurante. Tem forte espírito de procura e veio realizando tácita e firmemente o desbravamento do kosen-rufu da localidade há décadas.
Ela disse: “Quero convidar Yamamoto Sensei para visitar a nossa casa. Este é meu sonho”, e veio orando dessa forma ininterruptamente.
O coração de Shin’ichi ficou repleto de gratidão.
— É gratificante. Vamos passar na casa dela para transmitir-lhe meus agradecimentos. Sentirei muito se não fizer isso.
A sincera dedicação surge na forma de ação rápida.
Não importa quanto estivesse cansado, ele não se permitia perder uma única oportunidade e incentivava os amigos com todas as forças — essa era sua forma de viver com dedicação total e absoluta para construir os laços Soka.
Noritaka, filho de Chiaki Tanizawa, estava tomando conta da loja de variedades. Então, um carro parou, e um homem veio em sua direção correndo ofegante.
— Sr. Tanizawa! Yamamoto Sensei está chegando aqui.
Noritaka não conseguiu entender o significado dessas palavras. Quando perguntou de volta: “Como?”, ouviu a voz do próprio Shin’ichi: “Com licença”.
— Se... seja bem-vindo — respondeu ele, gaguejando.
— Sr. Noritaka? Sou grato pelo seu apoio de sempre. Sua mãe, a Sra. Chiaki, se encontra?
— Bem, na verdade, ela foi para a sede particular que fica aqui próximo. Ela saiu alegre dizendo que iria recepcionar Yamamoto Sensei naquele local.
— Entendi. Então poderei encontrá-la logo depois. Por falar nisso, o trabalho está indo bem?
— Estou me esforçando.
A mãe de Noritaka, Chiaki Tanizawa, casara-se aos 18 anos, mas o marido era propenso a doenças. Ele teve problemas de fígado, rim e coração, vivendo uma sequência de internações. Grande parte das economias do dia a dia desaparecia com as despesas médicas.
“Por que a minha vida é perseguida pelas infelicidades?”
Esse questionamento passou pela sua cabeça. Havia vezes que pensava: “Se tivesse asas, abandonaria tudo e sairia voando para algum lugar”.
O filho Noritaka, a quem contava como pilar, acabou se tornando alcoólatra. O coração de Chiaki continuou encoberto por nuvens escuras, dia após dia.
Encontrou-se com o Budismo de Nichiren Daishonin em meio a essa situação. Ao ouvir: “O destino será transformado sem falta”, “Todos nasceram para serem felizes” e “Praticar o budismo garante isso”, ela decidiu praticar.
Passou a recitar daimoku com alegria e esforço. Leu avidamente as orientações de Shin’ichi Yamamoto, e desafiou-se na propagação [shakubuku]. Andava de sete a oito horas para falar sobre o budismo e também para incentivar os companheiros.
Sem temor
Ao começar a prática da fé, os fregueses da loja de variedades foram diminuindo. As pessoas que acreditaram em falsos rumores, que tinham como base o preconceito contra a Soka Gakkai, deixaram de ir à loja.
“É perseguição! Tudo isso está acontecendo exatamente conforme consta no Gosho!”
Em vez de desanimar, o que acendeu em seu coração foi a chama da convicção no budismo e a alegria que sentia por praticar.
Ela conversava com Shin’ichi em seu coração e dizia-lhe todos os dias: “Sensei! Não serei derrotada. Irei sem falta me tornar feliz. Por favor, fique tranquilo!”.
O caminho de mestre e discípulo está em nosso coração.
Os shakubuku concretizados por Chiaki Tanizawa foram tantos que somaram mais de 50 famílias. Ela sempre incentivada os membros: “O inverno, por mais intenso que seja, não é sucedido sem falta pela primavera? Não há como os dias difíceis continuarem para sempre.”
Em 1971, a rodovia em frente à loja recebeu obras e a quantidade de veículos dobrou, o que fez aumentar os fregueses.
Nunca mais Noritaka e Chiaki passaram por dificuldades de sustento diário. Porém, Noritaka estava com dúvidas se deveria ou não continuar nesse negócio em uma área tão despovoada. Shin’ichi Yamamoto lhe disse percebendo o coração de Noritaka:
— Talvez seja difícil administrar a loja nessas terras de baixa população. No entanto, a sabedoria e a força de uma pessoa são infinitas. A prática da fé é a força primordial que extrai essa força. Se definir em seu coração que vai dedicar a vida em prol do kosen-rufu, recitar daimoku e acumular boa sorte se empenhando para ter novas ideias e encontrar soluções, os caminhos se abrirão sem falta.
Shin’ichi apertou firme as mãos de Noritaka:
— Por favor, torne-se grande, próspero e virtuoso nesta região.
— Sim!
Noritaka respondeu com voz de profunda decisão. A dúvida no coração desapareceu.
Noritaka falou para Shin’ichi:
— Mamãe realizou preparativos e veio orando há muito tempo, dizendo que receberia Yamamoto Sensei em nossa casa. Por favor, vamos ao primeiro andar.
Noritaka conduziu-o ao andar superior, que era oferecido para reuniões. Em frente ao oratório havia uma almofada lilás nova.
— Mamãe a costurou dizendo: “É para ser usada por Sensei”.
Essa mãe idosa deve tê-la costurado dedicando todo seu sentimento, ponto por ponto, forçando a vista. O coração de Shin’ichi ficou tocado.
Ele disse a Noritaka:
— Vamos recitar juntos Nam-myoho-renge-kyo três vezes. Para corresponder aos sinceros sentimentos dela, vou me sentar nesta almofada.
Shin’ichi recitou daimoku com gratidão, desejando a prosperidade da família.
Chiaki, visualizando receber Shin’ichi, trocara o tatame da sala e providenciara xícaras de chá novas. Ela nunca tinha se encontrado com Shin’ichi. Mas ele estava sempre no coração dela sendo seu mestre da prática da fé.
Ela dizia sempre: “Quero me tornar uma pessoa que conheça muito, mas muito mesmo o coração do Yamamoto Sensei”, e veio seriamente recitando daimoku com essa determinação. Ela batalhava para criar um “eu” que relatasse com orgulho ao mestre: “Lutei hoje também como digna discípula”.
O budismo se torna vivo de fato quando o mestre existe solenemente no coração e na mente do discípulo. A força da unicidade de mestre e discípulo não é definida pela distância física. Quando o mestre habita permanentemente seu coração, a pessoa se torna uma discípula unida pelo mais forte elo. Nesse ponto está o grande caminho da unicidade de mestre e discípulo.
Shin’ichi, sentindo o coração sincero de Chiaki Tanizawa, disse várias vezes: “É gratificante! Realmente gratificante!”.
Shin’ichi disse, olhando para Noritaka:
— Sua mãe é maravilhosa. O senhor tem a mais suprema mãe.
Encontro
Ao chegar na sede, Shin’ichi perguntou: “A vovó Tanizawa está presente?” Um senhora idosa e garbosa vestindo kimono levantou a mão.
— Sim, sou eu. O senhor deve estar exausto devido à longa viajem. Eu estava aguardando do fundo, do fundo do meu coração este momento de me encontrar com Sensei.
Os olhos da senhora idosa foram ficando rápida e visivelmente encharcados. Shin’ichi disse, apertando a sua mão:
— Estive agora pouco em sua casa. Sentei-me sobre a almofada que a vovó costurou para mim. E ainda recitei daimoku. Obrigado também pela xícara de chá.
— Meu desejo enfim se concretizou. Não há nada mais feliz...
— Para mim também. Quantos anos a senhora têm?
— Tenho 77 anos.
— Ainda é jovem. Viva bastante. Seja para sempre jovial, sendo a ‘garota-propaganda’ do restaurante drive-trhu da família.
“Puxa!” –, Chiaki riu animadamente.
Shin’ichi convidou-a para ficar ao seu lado no momento da foto comemorativa, dizendo: “Vovó Tanizawa, por favor, fique ao meu lado”.
Ela, cerrando os olhos como se estivesse se lembrando da trajetória da sua vida, falou com profunda emoção:
— Graças à prática da fé, à Gakkai e às orientações de Yamamoto Sensei, sou agora por demais afortunada. Sinto gratidão, muita gratidão.
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