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Encontro com o Mestre
há 9 anos
26.6 — Kosen-rufu é o propósito de mestres e discípulos Soka
25/11/2017

INTRODUÇÃO
Quando as nuvens escuras do militarismo lançaram uma mortalha sobre o Japão e o clero da Nichiren Shoshu deixou a mancha da calúnia impregná-la, abdicando da responsabilidade de proteger o ensinamento correto e sendo condescendente com as autoridades, o presidente Makiguchi se levantou corajosamente para proteger o Budismo Nichiren pensando na felicidade de toda a humanidade.
Discurso do presidente Ikeda
Proferido na Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada em Tóquio, no dia 9 de julho de 1997.
Desde a época de nosso presidente fundador, Tsunesaburo Makiguchi, o propósito da Soka Gakkai é o kosen-rufu.
Quando Makiguchi sensei utilizou a expressão “kosen-rufu” em público pela primeira vez? Quando anunciou que a Soka Gakkai era uma organização dedicada à concretização do kosen-rufu?
Não foi numa época em que tudo estava indo bem para a organização, mas num período cercado de perseguições.
O nacionalismo fanático impelira o Japão à guerra, liberdades individuais desapareceram e a opressão do governo à Soka Gakkai se intensificou. Nuvens carregadas se aglomeravam e a escuridão se aprofundava. Foi nesse exato momento que o presidente Makiguchi se pronunciou em defesa do kosen-rufu. Que ser humano incrível!
Em maio de 1942, deu-se a Quarta Convenção da Soka Gakkai — apenas seis meses após o Japão ter entrado na Guerra do Pacífico [com o ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941]. Inicialmente, o país acumulou uma série de vitórias, mas não duraria muito tempo, e logo chegou a um impasse. Então, a maré começou a se inverter com uma derrota após outra. No entanto, o governo não divulgava nada além de mentiras aos cidadãos. Ignorando o que realmente estava acontecendo, as pessoas se congratulavam pela proeza dos militares e pela missão divina do Japão, e uma atmosfera inebriante de triunfo tomava conta do país.
Porém, o presidente Makiguchi enxergava a verdade e percebia que o Japão seria destruído — que sofreria uma derrota total. Ele possuía o discernimento da fé e do caráter que lhe permitiam distinguir a natureza real dos fatos como se estivesse refletida num espelho claro — uma percepção que poderia ser descrita em termos budistas como “olho da Lei” ou “olho do Buda”.
Na convenção, ele afirmou: “Devemos guiar o país na direção do grande bem. É algo comparável a aterrissar na cara do inimigo”.1
Makiguchi sensei queria dizer que tentar lidar com indivíduos corruptos e de mente fechada e lhes mostrar o caminho do bem equivale a fazer um pouso militar em território hostil. Ao tomar um curso de ação tão ousado, era inevitável que ele e a Soka Gakkai enfrentassem severa oposição.
Em maio daquele ano, o periódico da organização Kachi Sozo [Criação de Valor] foi obrigado a interromper sua publicação.
O presidente Makiguchi declarou intrepidamente: “A fé dos seguidores da Nichiren Shoshu, que se preocupam somente em manter uma vida particular virtuosa e buscar a própria felicidade sem pensar nos outros, é de longa data egocêntrica”.2
Ele acusou os seguidores da Nichiren Shoshu — clérigos e adeptos cujas famílias eram membros de grupos leigos do Hokkeko havia gerações — de serem egocêntricos na fé e de não estarem praticando, de fato, o Budismo Nichiren.
Apenas recitar ao Gohonzon meramente pelos próprios benefícios faz do indivíduo um seguidor passivo — alguém que roga por benefícios sem pôr os ensinamentos em prática. Os clérigos e os grupos de leigos tradicionais se esqueceram do espírito de compartilhar o Budismo Nichiren com as outras pessoas; eles perderam de vista completamente o ideal do kosen-rufu.
O presidente Makiguchi se recusava a ser condescendente com pessoas desse tipo; e por chamar-lhes à atenção, elas se ressentiam dele. Isso era mais que esperado, mas ele não se preocupava com o fato de sua postura torná-lo impopular ou antipático, pois sabia que estava seguindo o caminho correto, era a estrada de suas convicções.
Ele expressou: “Acredito que ao trabalharmos pela felicidade da nossa família e pelo bem da sociedade contribuímos, em parte, para a concretização do kosen-rufu”.3
Essa foi sua primeira menção pública sobre o kosen-rufu — uma declaração de que dedicaria a vida a essa causa até que fosse alcançada. Ao concluir sua preleção na convenção, ele disse: “Creio que, uma vez que compartilhamos essa importante missão, devemos firmar o juramento de nos empenhar diligentemente para cumpri-la, não em benefício próprio ou para realizar objetivos de interesse pessoal, mas com a consciência constante de que somos pessoas de grande bem que foram escolhidas para efetuar esse trabalho”.4
Makiguchi sensei realmente labutou incansavelmente para promover o kosen-rufu com a propagação da Lei Mística. Em meio a perseguições das autoridades e com a idade já avançada, ele realizou mais de 240 reuniões de palestra (de maio de 1941 a junho de 1943, quando completou 72 anos). Também viajou sozinho para diferentes regiões e converteu pessoalmente cerca de quinhentas pessoas ao Budismo Nichiren (de 1930, ano da fundação da Soka Gakkai, a julho de 1943, quando foi preso).
Ele fez tudo isso numa época em que o clero da Nichiren Shoshu havia se esquecido por completo do kosen-rufu. Era uma pessoa realmente extraordinária! Quanto mais leio sobre a vida do presidente Makiguchi, mais intensamente sinto isso.
Lançar-se a trabalhar nos períodos mais difíceis e nos lugares mais complicados é o caminho para alcançar feitos grandiosos, para abrir uma nova página na história. Devemos acatar com seriedade esse espírito da Soka Gakkai.
Ao nos depararmos com uma situação árdua, precisamos reunir coragem nessa hora. Quanto mais difícil o desafio, mais bravamente devemos enfrentá-lo. Essa é a essência do espírito da Soka Gakkai. Ao nos dirigirmos pessoalmente aos locais mais desafiadores, um caminho se abre.
Enquanto Makiguchi sensei bradava pelo kosen-rufu, o que o clero fazia? Destruía as bases do kosen-rufu — assim como fazem novamente hoje.
Durante a guerra, o clero baniu a publicação do Gosho e suprimiu catorze passagens essenciais dos escritos de Nichiren Daishonin, entre as quais, “Eu, Nichiren, sou o venerável mais proeminente de todo o Jambudvipa [o mundo inteiro]” (CEND, v. I, p. 671).
Como alguém poderia permitir tal infâmia?
Nós, da Soka Gakkai, condenamos esse ultraje, como Daishonin com certeza faria. No entanto, a Nichiren Shoshu ainda não se desculpou por esse ato, nem a Daishonin nem a seus seguidores.
O clero também consagrou o talismã xintoísta no templo principal Taiseki-ji, e pressionou Makiguchi sensei a aceitá-lo também. Que brutal calúnia contra a Lei! Com a recusa ferrenha de Makiguchi, os sacerdotes se aliaram secretamente àqueles que perseguiam a Soka Gakkai e literalmente golpearam a organização e os membros.
O presidente Josei Toda costumava dizer que essa era a natureza de sacerdotes interesseiros, e a descrevia como algo assustador. O clero explorou a Soka Gakkai ao máximo e, então, rompeu os laços com ela — tamanha sua maldade.
Makiguchi sensei também estava ciente da natureza aproveitadora do clero, que permanece igual até hoje. Jamais devemos confiar neles!
E quanto aos outros discípulos de Makiguchi? Como reagiram?
Eles ficaram atônitos pela forma enérgica com que o mestre deles seguia adiante. Não eram leões, mas meros gatos ou ratos.
Embora o presidente Makiguchi bradasse pela realização do kosen-rufu e admoestasse às autoridades nacionais, seus discípulos foram dominados pelo medo, e diziam “É perigoso demais agora”; “É precipitado”; “Seremos todos presos pela polícia militar”. Os líderes que ficavam o tempo todo discursando acerca de trabalhar ao lado de Makiguchi sensei foram especialmente fracos, encolhendo-se como lesmas cobertas de sal.
O simples fato de serem líderes não significa que sejam dignos de confiança. Por vezes os membros que se empenham na linha de frente do nosso movimento são muito mais leais.
Somente Josei Toda se manteve imperturbável, identificando-se com orgulho como discípulo de Tsunesaburo Makiguchi e ratificando seu compromisso de permanecer ao lado dele a despeito do que pudesse acontecer. Ele oferece um exemplo realmente solene do espírito de mestre e discípulo.
Posteriormente, o presidente Josei Toda expressou sua gratidão ao mestre, dizendo: “Em sua vasta e infinita compaixão, o senhor me permitiu acompanhá-lo até mesmo na prisão”.5
Ao ser preso, longe de se lamentar, Josei Toda sentiu-se profundamente grato e honrado por compartilhar perseguições com seu mestre. Esse é o verdadeiro espírito de mestre e discípulo.
Depois de ser libertado da prisão, levantou-se só e ergueu novamente a bandeira do kosen-rufu que seu mestre havia hasteado. Por manter a unicidade de espírito com o mestre, conseguiu superar a morte de Makiguchi sensei e criar uma onda de avanço monumental do kosen-rufu.
Nós, da Soka Gakkai, jamais devemos nos esquecer desse caminho da unicidade de mestre e discípulo.
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