BS
Caderno Reunião de Palestra
há 9 anos
A Voz Pura e de Longo Alcance
Gosho a ser estudado na reunião de palestra de dezembro
25/11/2017

Cenário Histórico:
Nichiren Daishonin redigiu esta carta no nono mês de 1272, em Ichinosawa, Ilha de Sado, e a endereçou a Shijo Kingo, samurai e um dos seus principais discípulos que viviam em Kamakura.
Daishonin a escreveu em gratidão aos oferecimentos que Shijo Kingo havia lhe enviado por um mensageiro ao rigoroso exílio na Ilha de Sado, e inicia suas explicações sobre o poder que um governante sozinho possui para influenciar uma nação inteira. Isso é particularmente claro na propagação dos ensinamentos budistas, em que o apoio do governante da nação pode assegurar a prosperidade do budismo, ao passo que sua oposição será um grande impedimento a essa propagação. Durante o período feudal em que Daishonin viveu, o governante e seus ministros exerciam poder absoluto sobre os súditos. No entanto, agora, nas nações em que o povo é soberano, e a liberdade de religião, garantida, são as pessoas comuns que conduzem a missão de proteger e propagar amplamente o budismo. Em essência, Daishonin enfatiza que a grandiosidade do budismo supera até mesmo a autoridade de um soberano (cf. CEND, v. I, p. 350-351).
Frase 1 do escrito
“O aspecto mais importante do Buda é a sua voz pura e de longo alcance.1 (...) O que traz ordem a este pequeno reino do Japão, o que permite que o rei Brahma2 comande os habitantes do mundo tríplice e o que capacita o Buda a comandar Brahma, Shakra3 e as outras divindades é unicamente essa voz pura e de longo alcance.” (CEND, v. I, p. 349-350)
Muito mais que uma oração de rotina
Neste trecho, Nichiren Daishonin fala sobre as características do Buda, e ressalta que, dos trinta e dois aspectos,4 a voz pura e de longo alcance é a mais importante. Em sua explanação, Ikeda sensei detalha: “O Tratado sobre Grande Perfeição da Sabedoria5 descreve as características especiais da voz pura e de longo alcance do Buda da seguinte forma: 1) profunda como um trovão; 2) clara e penetrante, levando alegria a todos os que a escutam; 3), atinge o coração e desperta um sentimento de reverência; 4) lúcida e de fácil compreensão; e 5) uma delícia de ouvir. Em outras palavras, a voz pura e de longo alcance do Buda é inspiradora e reconfortante, transmitindo coragem e esperança” (Terceira Civilização, ed. 569, jan. 2016, p. 62).
O presidente Ikeda esclarece o significado da voz pura e de longo alcance ser o principal aspecto do Buda: “Libertar todas as pessoas do sofrimento e ajudá-las a alcançar a iluminação — este é o desejo do Buda. É a voz que manifesta esse desejo no mundo e motiva de fato as pessoas. A verdadeira marca de um buda não é apenas a manifestação dos outros trinta e um gloriosos atributos físicos, mas a capacidade de continuar a bradar, continuar a proferir palavras, continuar a promover o diálogo, a fim de inspirar concretamente as pessoas a atingir a iluminação” (Ibidem).
Todos os membros aprendem a recitar o gongyo e o daimoku no início da prática e logo a oração se torna parte do dia a dia. Sem serem tomados pela força do hábito, devem sempre lembrar que “recitar o Nam-myoho-renge-kyo é também um ato de louvar o Gohonzon. Ao ouvir aquela voz, as divindades celestiais — forças protetoras do universo — são ativadas e despertam para proteger a pessoa que está orando. Uma voz fraca e incerta não irá ativá-las. Devemos recitar um forte daimoku, com uma voz ressonante” (Ibidem, p. 63).
Na rotina diária, pode acontecer de fazermos daimoku mentalmente, seja em momentos de medo, de indecisão ou quando adoecemos. Ikeda sensei tranquiliza o coração dos discípulos e explica: “Nesses casos, podemos orar em nosso coração. É importante que oremos fervorosamente pela felicidade de nossos amigos, pela vitória do kosen-rufu, e pela nossa própria revolução humana. A voz interior de nossas fervorosas orações ativará as forças positivas, e despertará nossos amigos para que avancem na direção da esperança, revitalização e renovado desenvolvimento” (Ibidem).
Há ocasiões de desespero ou distração que causam descuido com o ritmo e o tom da oração ou até mesmo no ato de falar com as pessoas. O Mestre é rigoroso ao dizer: “A qualidade da nossa voz é importante. Espero que cultivem uma voz refrescante, calorosa e sincera, voz que cativa e energiza as pessoas. A voz dos líderes, em particular, precisa ser cordial e suave, segura, determinada e repleta de energia vital quando oferecem orientação e incentivo. (...) Não é exagero dizer que a voz faz o líder” (Ibidem).
Frase 2 do escrito
“As declarações do Buda tornaram-se as obras que compõem todo o corpo dos sutras e trazem benefícios a todos os seres vivos. Entre todos eles, o Sutra do Lótus é uma manifestação por escrito da intenção d’Aquele que Assim Chega Shakyamuni, é sua voz expressa por escrito. Assim, o coração do Buda está incorporado nessas palavras registradas.” (CEND, v. I, p. 350)
A voz do coração que vai além do som
Na segunda frase é explanada a abrangência dessa voz pura por escrito, que vai além do que se pode ouvir ou falar. No trecho seguinte ao estudado, Nichiren Daishonin faz uma analogia sobre o que representa o Sutra do Lótus: “É como as sementes que brotam, desenvolvem-se em plantas e produzem o arroz. Embora a forma do arroz se altere, sua essência permanece a mesma. O buda Shakyamuni e as palavras registradas no Sutra do Lótus são distintos, mas a essência é uma só” (CEND, v. I, p. 350). Em sua explanação Ikeda sensei afirma: “Ao discutir sobre a voz pura e de longo alcance do Buda, o principal entre os seus trinta e dois aspectos, Daishonin diz que mesmo os governantes possuem esta característica em algum grau e é por isso que com uma única palavra podem decidir o destino de seus reinos (cf. CEND, v. I, p. 349). Mais poderosa, então, é a voz pura e de longo alcance do Buda, conclui ele” (Terceira Civilização, ed. 569, jan. 2016, p. 62).
Este escrito não tem melhor oportunidade para ser estudado que nas reuniões de palestra da Soka Gakkai, que são exatamente atividades que promovem o diálogo e estimulam os participantes a proferir palavras; e o momento da recitação do gongyo diariamente é a chance de experimentar a intenção do Buda como consta na explanação de Ikeda sensei: “Daishonin afirma também que a voz pura e de longo alcance do Buda tomou a forma das escrituras budistas com o objetivo de conduzir todas as pessoas à iluminação, e que as palavras do Sutra do Lótus, em particular, são o registro escrito da verdadeira intenção do Buda” (Ibidem).
No movimento Humanismo em Ação iniciado em 2015 em toda a BSGI, os associados vêm pondo em prática a célebre frase: “A voz executa o trabalho do Buda”. Em sintonia a esta grande expansão, Ikeda sensei declara: “Vamos usar nossa voz para recitar daimoku repleto de poderosa energia vital, para transmitir coragem e esperança aos nossos amigos, e para bradar com a voz que ressoa a verdade e a justiça, a fim de tornar o mundo um lugar melhor. A hora é agora. Com o ardente desejo pela concretização do grande juramento em prol do kosen-rufu e o ideal de estabelecer o ensinamento correto para a pacificação da terra, vamos efetivamente sair e conversar com as outras pessoas, pela construção de um mundo pacífico e ajudar o maior número de pessoas possível a encontrar a verdadeira e duradoura felicidade” (Ibidem, p. 64).
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