BS
Encontro com o Mestre
há 9 anos
26.8 — Cristalizando os ideais do primeiro e do segundo presidentes da Soka Gakkai
25/11/2017

INTRODUÇÃO
Esta coletânea e trechos da Nova Revolução Humana retrata a solene ocasião da 17ª cerimônia em memória do presidente Makiguchi (16º aniversário de falecimento), realizada no dia 18 de novembro de 1960.
Discurso do presidente Ikeda
Adaptado do capítulo “Empenho Corajoso” do volume 2 da Nova Revolução Humana.
Shin’ichi nunca se encontrou pessoalmente com Tsunesaburo Makiguchi, mas Josei Toda o havia familiarizado totalmente com a vida, as ideias, a filosofia e a convicção dele. Uma imagem nítida e sem distorções do falecido mestre, que ele nunca tinha visto, estava gravada em sua mente.
Sempre que Josei Toda se referia ao momento em que soubera da morte de Makiguchi, seus olhos faiscavam e sua voz ficava trêmula de raiva. Certa vez, ele relatou o seguinte episódio:
O inverno estava se aproximando quando o Sr. Makiguchi morreu na prisão no dia 18 de novembro de 1944 em decorrência da desnutrição e de uma condição física severamente frágil agravada por sua idade avançada. Não nos vimos novamente depois do nosso breve encontro na sede da polícia no outono anterior, antes de cada qual ser colocado separadamente em confinamento solitário. Dia após dia, eu orava: “O Sr. Makiguchi é idoso. Por favor, permita-me assumir toda a culpa por nós dois, e deixe o Sr. Makiguchi voltar para casa o mais depressa possível” — prosseguiu ele.
Mas o Sr. Makiguchi morreu. Só no dia 8 de janeiro do ano seguinte, mais de cinquenta dias após ele ter morrido, fui informado disso. Estava sendo interrogado por um juiz numa audiência preliminar quando ele disse abruptamente: “Makiguchi está morto”. Senti-me como se meu coração estivesse sendo rasgado em dois. Quando voltei para minha solitária, chorei amargamente, derramando lágrimas de um coração dilacerado, cravando a unha na parede de concreto e batendo a cabeça nela de tanta angústia.
Ninguém pode negar que Makiguchi morreu com imperturbável dignidade e compostura, um mártir de suas convicções. O fato, porém, é que ele foi assassinado! Pelo governo militar, pelo xintoísmo estatal e pelos covardes que se curvaram aos militaristas para se autopreservar ou autoproteger. Qual foi o crime dele, poderiam me responder? Ele foi assassinado por defender a liberdade de crença.
Soube posteriormente que o corpo do Sr. Makiguchi saiu da prisão carregado nas costas de um empregado de um dos parentes dele. A guerra impossibilitava que se providenciasse um carro.
A Sra. Makiguchi infelizmente recebeu o corpo do marido em casa, totalmente sozinha. Apenas poucas pessoas compareceram ao funeral. Na verdade, tão poucas que podiam ser contadas nos dedos da mão. Sem dúvida, todos se mantiveram afastados por temer olhares sempre vigilantes do público e das autoridades.
O Sr. Makiguchi foi um notável educador, intelectual e filósofo, bem como um grandioso budista que lutou corajosamente pela felicidade das pessoas. O Japão lhe retribuiu enviando-o à morte na prisão!
Shin’ichi jamais se esquecera da maneira como O Sr. Toda tremia de indignação ao proferir essas palavras.
Josei Toda concluía qualquer relato sobre a morte de Makiguchi com uma fúria veemente, declarando:
Vingarei meu mestre sem falta. Não perderei desta vez! Concretizarei infalivelmente o sonho do Sr. Makiguchi, o kosen-rufu, e construirei uma sociedade onde a paz reine eternamente. Demonstrarei ao mundo a grandiosidade do Sr. Makiguchi. Shin’ichi, você não concorda que esse é o desafio de um discípulo?
Sua ira em relação à natureza maligna da autoridade que matara seu mestre, e sua decisão indômita de lutar contra ela, jamais o abandonaram nem por um instante. A justiça perecerá se as pessoas deixarem de se indignar com o mal. De modo similar, se as pessoas pararem de lutar ativamente contra a injustiça e iniquidade, só restará uma justiça hipócrita conducente à perpetuação do mal.
Assistindo à cerimônia alusiva ao aniversário de falecimento de Makiguchi, Shin’ichi pensou em como Josei Toda devia se sentir cada vez que participava de cerimônias em memória do seu mestre.
Depois do oferecimento de incenso e do discurso de um membro praticante desde a época de Makiguchi, Shin’ichi dirigiu-se ao microfone e começou a falar em tom brando:
— Se considerarmos o Sr. Toda nosso pai, então o Sr. Makiguchi seria nosso avô. Isso faria de nós, discípulos de Josei Toda, a segunda geração de discípulos, netos, por assim dizer. Embora eu, um discípulo da segunda geração, jamais tenha tido a oportunidade de me encontrar com o Sr. Makiguchi, o Sr. Toda me falava constantemente do elevado caráter do seu mestre e do nobre espírito com que ele se levantara para lutar pelo bem-estar e pela felicidade da sociedade.
Depois da morte do Sr. Makiguchi, o Sr. Toda herdou integralmente o sublime espírito de seu mestre de propagar a Lei abnegadamente. Ele construiu a Soka Gakkai de hoje enfrentando uma dificuldade atrás da outra em benefício de sua pátria, da Lei e da felicidade das pessoas.
Apesar de ainda ser muito jovem e inexperiente, fui nomeado terceiro presidente para dar continuidade ao trabalho desses dois grandes homens: nosso fundador, Sr. Makiguchi, e meu amado mestre, Sr. Toda. Possuo, porém, a forte determinação de corresponder às expectativas deles e, imbuído de máxima sinceridade e devoção, simplesmente dar o melhor de mim.
O majestoso espírito do primeiro presidente pulsa intensamente dentro da Soka Gakkai. O Sr. Makiguchi certa vez declarou: “A reforma religiosa é fácil”. A revolução religiosa agora se desenrola diante dos nossos próprios olhos e, exatamente como o Sr. Makiguchi afirmou, a flor do kosen-rufu está começando a desabrochar profusamente.
Embora careça de capacidade, gostaria de aproveitar a cerimônia de hoje para renovar meu compromisso e decisão de concretizar os ideais do Sr. Makiguchi sem me poupar de nenhuma adversidade ou esforço que isto possa custar. Era um juramento repleto de paixão.
A continuação será publicada posteriormente
Compartilhe
