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há 14 anos
Fórum mundial da sabedoria
Conheça como a SGI revitalizou o Budismo
10/11/2012

Uma nova sabedoria
Por algum momento, você pensou que algo está errado. O mundo atual, que sustenta o desempenho econômico como prioridade, não garante a sua felicidade. A sociedade moderna com sua explosão de informação não lhe ensina como usar esse conhecimento.
Estamos em busca de uma nova sabedoria, que nos dê um verdadeiro direcionamento e um objetivo para conquistar a felicidade individual e transformar a sociedade.
O escritor francês Antoine Saint-Exupéry (1900–1944), famoso por sua obra O Pequeno Príncipe, escreveu: “Temos de compreender que em algum lugar ao longo do caminho tomamos a direção errada. A humanidade como um todo está mais rica do que jamais foi. Desfrutamos uma prosperidade incomparável e mais tempo de lazer. Mesmo assim, algo básico e indefinível está faltando. Nosso próprio sentimento como seres humanos está se tornando cada vez mais raro. Perdemos algo que era uma de nossas misteriosas prerrogativas”.1
O autor, ao afirmar que a humanidade tomou a direção errada, questiona: Para onde estamos indo, e com que objetivo?
Em busca de respostas
No esforço para responder às questões “de onde viemos, para onde estamos indo, e por que estamos aqui?” encontramos a motivação para mudar a si mesmo e à sociedade.
E, ao contrário do que muitos pensam, a resposta para essas perguntas afeta diretamente o seu cotidiano. Ela influencia tudo o que acontece com você, no trabalho, nas relações afetivas, na saúde, família etc.
A falta de respostas traz graves problemas para o indivíduo e, consequentemente, para a sociedade. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, explica como essas questões se relacionam com o racismo. Ele afirma: “podemos dizer que o desejo por uma identidade, saber de onde viemos e para onde estamos indo, está na raiz do racismo. Um vazio ideológico e filosófico leva as pessoas a buscar sua identidade na raça. Elas não podem sustentar o vazio de pensamento, por isso buscam em outro lugar. Esta, naturalmente, é uma das razões pelas quais a religião é importante, mas, na realidade, em muitos casos a religião contribui para a divisão” (BS, ed. 1.319, 13 maio 1995, p. 3).
Por meio desse exemplo, percebemos que a necessidade de respostas de uma única pessoa contribui para o racismo — grave problema que afeta a todos.
A solução para o racismo, assim como para outros desafios, parece complexa e inalcançável porque muitos acreditam que não haja solução. Pensar que o mundo não tem jeito é a “disposição da ineficácia”, aquela que existe no indivíduo que se sente insignificante e o faz pensar que, não importa o que ele faça, nada vai mudar.
Mesmo ciente de que a sociedade não pode continuar como está, a pessoa acredita que as decisões sobre as questões políticas, econômicas e de meio ambiente estão além do seu alcance. “O que posso conquistar diante das instituições que governam nosso mundo?” A “disposição da ineficácia” alimenta um círculo vicioso que piora a situação e o senso de futilidade das pessoas.
Para conquistar a felicidade individual e transformar a sociedade, é fundamental uma nova sabedoria que responda essas questões de maneira prática e objetiva, que respeite a identidade de cada pessoa e seja útil para solucionar as questões práticas da vida moderna.
No outro extremo dessa “disposição da ineficácia” encontra-se a Sabedoria do sutra de lótus, que ensina que cada pessoa é dotada com o Itinen — expressão máxima do infinito potencial da vida inerente em cada ser humano.
O Itinen transforma tudo
O Sutra de Lótus revela a essência do Budismo ao esclarecer que o Itinen de uma única pessoa transforma tudo. Este é o humanismo budista, uma visão que atribui supremo valor ao ser humano e defende que as pessoas não são criaturas imperfeitas, desprezíveis e impotentes.
Na prática, quando surgem os desafios, o indivíduo que ativa o infinito potencial do Itinen em sua vida e o reconhece na vida dos outros age decidido a “continuar sendo um ser humano não importa o que aconteça”. Ao agir assim, ele manifesta a sabedoria que lhe capacita a encontrar a solução e mantém sua humanidade em qualquer circunstância.
“Continuar sendo um ser humano não importa o que aconteça” significa agir com benevolência. Assim, o Itinen que transforma a sua realidade se manifesta plenamente.
Sobre o Itinen, o Buda Nitiren Daishonin escreveu: “Enfim, todos os fenômenos estão contidos na vida da pessoa, até a última partícula de poeira. As nove montanhas e os oito mares são abarcados pelo corpo do indivíduo; o Sol, a Lua e as miríades de estrelas estão contidos em sua mente. Contudo, os mortais comuns não percebem isto, assim como o cego não enxerga imagens refletidas num espelho ou uma criança não teme uma inundação nem um incêndio.
“Todos os ensinamentos não budistas apresentados nos escritos externos e as escrituras internas Hinayana e Mahayana provisório ensinam não mais que fragmentos da Lei inerente à pessoa. Não a expõem em sua totalidade como o Sutra de Lótus o faz” (END, v. V, p. 266).
O Sutra de Lótus
A época em que o Sutra de Lótus foi ensinado pela primeira vez foi semelhante à nossa.
Hoje, o mundo globalizado rompe as fronteiras ao mesmo tempo em que cresce a confusão intelectual e aumentam os desafios.
Na Índia do Buda Sakyamuni, o crescimento das cidades rompeu as antigas divisões tribais e criou uma era na qual as pessoas de diferentes tribos viviam juntas. Surgiu uma grande confusão espiritual, e as pessoas se dividiam entre materialismo, hedonismo e ascetismo. Diante desse cenário, Sakyamuni ensinou novos princípios para unificar as pessoas nesse período de grandes desafios.
O Sutra de Lótus é a essência viva desse ensinamento. Ele mostra o supremo valor de cada ser de uma maneira facilmente compreensiva. Além disso, revela que um tesouro, tão vasto quanto o próprio universo, está contido no coração humano. Ele denominou esse ensinamento como tesouro do “Buda”.
O Sutra ensina um vigoroso caminho de vida, no qual respiramos a vida universal e, a partir dessa condição iluminada, transformamos nossa vida. Isto é o estado de Buda.
Qual é o ensinamento contido no Sutra de Lótus?
O Sutra de Lótus tem o objetivo universal de Envolver todas as pessoas na construção da paz. Possui a fragrância da magnífica cultura e arte e desperta em nós um estado de vida iluminado, de forma que transformamos para melhor o local em que nos encontramos agora.
O Sutra possui a filosofia e o drama da luta da justiça para vencer a maldade. Tem um calor humano que conforta os exaustos e a coragem suprema que afasta o medo. Desperta a felicidade absoluta que surge em meio às circunstâncias. Faz o ser humano livre com uma luz brilhante.
O Sutra tem flores, verde, música, pinturas e vitórias eternas. Oferece sábias lições que revelam a grandiosidade do coração humano. Ensina sobre vida, felicidade e paz. Descreve as regras básicas para a boa saúde.
A mensagem principal do Sutra de Lótus é a verdade universal de que uma mudança em nosso coração, ou em nossa atitude, transforma tudo. E essa transformação vence a prisão do totalitarismo e, em meio ao deserto do individualismo, se mostra como um oásis da benevolência, no qual as pessoas se complementam e encorajam umas às outras.
Uma palavra sobre o humanismo budista
Várias correntes de pensamento usaram as pessoas como um meio para os seus próprios fins. Mas, no Sutra de Lótus, existe um humanismo fundamental no qual as pessoas são o objetivo. A essência do humanismo budista é sustentar a fé no ser humano e o compromisso com o diálogo, independentemente das circunstâncias.
O termo humanismo evoca muitos dos conceitos ocidentais de que os humanos são seres racionais criados à imagem de Deus. Mas existe uma diferença.
O humanismo budista se fundamenta no potencial de cada pessoa para realizar sua revolução humana cultivando sua natureza inata de Buda, que é o coração que despertou para a Lei Mística [Itinen].
Defender o potencial humano não significa que somente os seres humanos são dotados de alguma qualidade única ou especial.
A crença inflexível de que apenas os seres humanos são nobres pode se desviar para um tipo de antropocentrismo que negligencia e desvaloriza os outros seres vivos. Essa crença constitui a raiz dos graves problemas ambientais.
O Sutra de Lótus afirma que todos os seres vivos são entidades da Lei Mística e, sendo assim, são iguais. Portanto, todas as formas de vida estão ligadas à Lei Mística, ou seja, são dotadas da natureza de Buda.
Os seres humanos são os únicos que possuem a capacidade de manifestar o poder do estado de Buda em suas atitudes. Por isso, o humanismo budista está focado em desenvolver ações que transformam as pessoas e sua realidade.
Budismo — filosofia de vida
No decorrer de sua história, o Budismo se consolidou fundamentalmente como uma filosofia de vida. Em todas as épocas, os filósofos e eruditos budistas assumiram o grande desafio de continuar as ações do Buda Sakyamuni de capacitar as pessoas a viver de acordo com o humanismo ensinado no Sutra de Lótus.
Sakyamuni confrontou os sofrimentos da vida humana — nascimento, velhice, doença e morte — e, no empenho para compreendê-los, abriu um vasto mundo nas profundezas de seu ser. Assim, ele percebeu que todas as pessoas são essencialmente budas.
Posteriormente, baseando-se no Sutra de Lótus, Tient’ai observou a natureza de Buda no interior de sua própria vida e expressou o que havia compreendido na forma do princípio de que um único momento da vida possui três mil mundos (Itinen Sanzen).
O Buda Nitiren Daishonin atualizou o Sutra de Lótus ao estabelecer uma prática universal que capacita o homem moderno a viver de acordo com o humanismo budista.
Daishonin compreendeu que o Nam-myoho-rengue-kyo é a verdade revelada no Sutra de Lótus. Ele estabeleceu a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo como a prática do daimoku, inscreveu o gohonzon, o objeto de devoção que incorpora o princípio de Itinen Sanzen. Além disso, expôs a filosofia de vida que desperta as pessoas para a verdade de que elas próprias são budas e para que abram o caminho para a felicidade absoluta.
O Budismo Nitiren é por natureza uma filosofia de vida. A SGI adotou essa filosofia como o fundamento de suas atividades e assumiu a responsabilidade de dar continuidade às ações humanísticas do Buda Nitiren Daishonin, da mesma forma que ele deu continuidade às ações do Buda Sakyamuni.
A iluminação na prisão
A missão da SGI tornou-se mais clara a partir da experiência mística vivida pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda. Naquela época, o Sutra de Lótus era considerado um texto antigo sem aplicação prática, e o Budismo, uma religião de cerimônias, sem nenhuma ligação com a vida cotidiana.
No período da Segunda Guerra Mundial, Jossei Toda foi preso junto com seu mestre, Tsunessaburo Makiguti, o primeiro presidente da Soka Gakkai.
Os dois enfrentaram o regime totalitário do governo militar japonês porque eram contra a guerra e defendiam os direitos humanos.
Durante seu confinamento, o presidente Toda decidiu dominar completamente o significado essencial contido no Sutra de Lótus. Curiosamente, antes de tomar essa decisão, ele tentou por diversas vezes enviar o livro de volta para casa, mas, misteriosamente, o Sutra retornava para sua cela.
Esse livro continha uma versão do Sutra de Lótus em chinês, sem os termos correlatos em japonês e sem as notas explicativas que tornassem mais fácil a leitura.
Além da dificuldade de leitura e entendimento do texto, o presidente Toda estava na prisão, onde as condições eram deploráveis. Mesmo assim, resolveu estudar o Sutra e recitar o Nam-myoho-rengue-kyo dez mil vezes por dia.
Em março, ele havia lido todo o texto três vezes. Na quarta leitura, deparou-se com um trecho que, com trinta e quatro negativas, descreve a entidade do Buda. A passagem é a seguinte:
Seu corpo não existe
nem não existe,
Não foi causado nem condicionado,
nem sou eu nem o outro,
Não é quadrado nem redondo,
não é curto nem longo,
Não aparece nem desaparece,
não nasceu nem foi extinto,
Não foi criado nem surgiu,
não foi produzido nem feito,
Não está sentado nem deitado,
não está andando nem está parado,
Não se move nem gira,
não é ocioso nem imóvel,
Não avança nem recua,
não está em segurança nem em perigo,
Não é certo nem errado,
não ganha nem perde,
Não é aquele nem este,
não parte nem vem,
Não é azul nem amarelo,
não é vermelho nem branco,
Não é escarlate nem púrpura
nem qualquer outro tipo de cor.
De acordo com o trecho, “seu corpo” refere-se ao corpo do Buda. Mas compreender seu significado era praticamente impossível. Ele queria ter o correto entendimento, porque da forma como estava escrito levava as pessoas a interpretar o Buda como um ser transcendental, fora da realidade cotidiana e distante das pessoas.
O Sutra de Lótus ensina que todos os seres humanos podem atingir o estado de Buda. O que é a verdadeira entidade de um “buda”? O que significa manifestar o estado de Buda? O presidente Toda queria encontrar respostas práticas para essas questões. Não queria um entendimento abstrato e conceitual. Ele queria compreender essa entidade, experimentá-la com todo o seu ser.
Foi então que a palavra vida repentinamente surgiu em sua mente. E ele finalmente compreendeu que o buda é a própria vida:
A vida não existe nem não existe,
Não foi causada nem condicionada,
nem sou eu nem o outro,
Não é quadrada nem redonda,
não é curta nem longa,
“Vida é uma palavra familiar e fácil de compreender que utilizamos todo dia. Mas, ao mesmo tempo, é uma palavra simples que expressa a mais profunda essência da Lei budista, isto é, possui um infinito significado. Todos os seres humanos são dotados de vida, portanto, essa palavra tem um significado prático e concreto para todos. Dessa forma, a percepção de Toda Sensei tornou o budismo compreensível para todos”, comenta o presidente Ikeda (BS, ed. 1.321, 27 maio 1995, p. 4).
Hoje, se empregarmos a palavra “buda” para identificar a iluminação, as pessoas podem entender de forma equivocada, pois a imagem que prevalece é a de um ser supremo e transcendental. A iluminação seria inalcançável, distante e separada das pessoas.
Se usarmos a palavra “lei”, a iluminação se torna impessoal e dogmática, soaria como regra. Essa palavra incentivaria o medo e o fatalismo, que fariam a iluminação ser algo impossível de se atingir.
A palavra “vida” engloba tanto o buda como a lei, por isso expressa melhor a visão de que todos possuem o potencial para a iluminação.
O presidente Ikeda relata: “Quando eu era jovem, Toda Sensei contou-me sobre sua profunda experiência na prisão. Suas palavras deixaram-me convicto de que sua percepção formou a essência religiosa e filosófica da Soka Gakkai. A verdade para a qual o Sr. Toda se tornou iluminado é idêntica ao ensinamento supremo do Budismo Nitiren. Creio que a compreensão do meu mestre abriu um caminho isento dos impasses que a humanidade enfrenta. É nossa missão, como seus discípulos, expandir esse caminho em todas as direções e em todos os planos” (Ibidem).
Essa percepção é a eterna base da SGI e o ponto de partida para suas atividades que revitalizaram o Budismo na época contemporânea e o tornou acessível a todos.
Diálogo – a felicidade da amizade
O prazer compartilhado é duplicado,
Ao passo que a dor dividida
logo se dissolve.
...
[A amizade] desperta a força
e instiga a coragem para as
Belas ações.2
Esses versos da canção “A Felicidade da Amizade”, cuja melodia foi composta por Ludwig van Beethoven (1770–1827), expressam o espírito da principal atividade promovida pela SGI: as reuniões de palestra.
O papel da SGI é aplicar e transmitir com precisão a filosofia de vida do Budismo Nitiren para todas as pessoas. E o canal de transmissão para isso é a reunião de palestra. Uma atividade aberta à sociedade, em que diferentes pessoas possuem o objetivo comum de dialogar e trocar experiências de vida. Esse encontro, realizado mensalmente em 192 países e territórios, é a oportunidade para aplicar o Budismo na vida diária.
No Sutra de Lótus consta que iluminação é ação fundamentada no desejo de tornar as pessoas iluminadas também. Para transformar esse desejo em realidade, a ação principal é o diálogo.
Nitiren Daishonin escreveu: “Nesta época corrompida, vocês devem sempre conversar” (WND, v. 1, p. 449). No diálogo, existe a perfeição humana. As reuniões de palestra servem como um ambiente no qual as pessoas podem sentar e conversar. Um momento no qual, respeitando a personalidade de cada um, exercemos nossa igualdade como seres humanos. De forma prática, é por meio das reuniões de palestra que realizamos a mesma ação iluminada do Buda de transmitir o Itinen de “continuar sendo um ser humano não importa o que aconteça”.
No passado, o diálogo foi esquecido e deu espaço às cerimônias religiosas e às regras excessivamente rígidas, criando diferenças entre sacerdotes e leigos, o que quebrou o espírito de igualdade e respeito à diversidade ensinado pelo Budismo.
O diálogo é a melhor expressão do princípio da “Iluminação Universal”, conceito fundamental do Budismo, que afirma que todas as pessoas são budas da forma como são e no momento presente. Em outras palavras, todos seres vivos são dignos de respeito. Ao realizar reuniões de palestra, a SGI trouxe de volta a essência do Sutra de Lótus e, assim, revitalizou o budismo no mundo inteiro.
A reunião de palestra é o início do Budismo
Numa ocasião, o presidente Ikeda escreveu: “O Budismo começou a partir de um tipo de reunião de palestra. Quando Sakyamuni (...) pela primeira vez compartilhou a essência de sua iluminação com outras pessoas, ele não o fez diante de uma grande assembleia, mas, sim, na forma de uma pequena “reunião de palestra”. Ele se sentou com cinco velhos amigos e conversaram de modo familiar e informal. (...) Essa reunião de palestra, na qual os laços de mestre e discípulo foram primariamente formados, é realmente o início do Budismo. Foi uma reunião de palestra que marcou o alvorecer de uma revolução espiritual que iluminaria a humanidade — isto é, o Kossen-rufu” (BS, ed. 1.990, 6 jun. 2009, p. A3).
Na época de Nitiren Daishonin, eram realizados animados encontros abertos à sociedade com o intuito de dialogar sobre a filosofia de vida.
Essas atividades não eram formais nem cerimoniosas. Eram promovidas nas casas dos leigos praticantes, longe dos templos de autoridades reclusas. O próprio Daishonin se envolvia com questões tais como a preparação e a confirmação dos locais das reuniões, considerando de forma atenciosa e amável a situação particular de cada pessoa.
Em uma de suas cartas, isso fica evidente: “A preleção comemorativa sobre as doutrinas do Grande Mestre Tient’ai estava marcada para ser realizada neste mês na residência de Myosho-bo, mas para ele este mês não é conveniente. Ele diz que se houver alguém que possa assumir essa responsabilidade, gostaria de lhe pedir que o fizesse. Por favor, digam-me se vocês podem. Se não puderem, pedirei a outra pessoa” (WND, v. 2, p. 1082).
A SGI também começou com a reunião de palestra. Conforme escreveu o presidente Ikeda: “A Soka Gakkai de hoje começou com as reuniões de palestra nas quais apenas algumas pessoas se encontravam para dialogar. Os princípios fundadores da Soka Gakkai se fundamentam em falar de forma aberta e honesta com outras pessoas e em compartilhar o que está em nosso coração, promovendo com isso a compreensão e a satisfação. Essa tem sido a força motriz do kossen-rufu ”.
Na vanguarda
Clark Strand, jornalista americano e escritor especializado em religião, disse que os membros da SGI, acostumados a participar de reuniões de palestra, podem não perceber quanto essas atividades são realmente extraordinárias.
Em seu artigo, ele esclarece: “A SGI não tem uma vestimenta religiosa específica, nem padres ou monges, e nenhum estilo arquitetônico identificável. Ela preserva a essência da vida religiosa, (...) os valores comuns a quaisquer tradições religiosas, que simplesmente refletem, no fundo, o que todo ser humano precisa”.
Strand relembra que o primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti, ao definir que as reuniões de palestra seriam a atividade principal da Soka Gakkai, foi questionado se não seria melhor que as reuniões fossem formais sem espaço para diálogo. Makiguti respondeu: “Não, não. O diálogo é a única maneira de se comunicar com o outro sobre as questões essenciais da vida. Em uma reunião sem diálogo, os ouvintes inevitavelmente se sentem alheios”.
Um novo paradigma para as religiões
O jornalista Clark Strand acredita que na fala do presidente Makiguti é apresentada a diferença fundamental entre o velho paradigma religioso e o novo. O culto religioso, representante do velho paradigma, que privilegia apenas a fala da autoridade clerical, é eficaz em transmitir a visão religiosa do palestrante sobre a vida, mas raramente capacita os ouvintes a viver de acordo com os valores ensinados pela religião.
Por outro lado, numa reunião de palestra, cada voz é ouvida. E, por meio do diálogo e da troca de experiências, é apresentada a forma como a prática budista contribui para a felicidade do indivíduo, que é a base para uma sociedade feliz.
“Compartilhar esse tipo de experiência constrói a fé, a fé por sua vez constrói vidas e essas vidas em conjunto transformam a sociedade”. “Enquanto a Soka Gakkai preservar esse modelo de diálogo, seu ethos religioso vai se manter novo”.3
De acordo com Strand, “as reuniões de palestra não oferecem um novo paradigma religioso somente para o Budismo, mas para todas as religiões. (...) Elas fazem a religião responder à vida e não a vida à religião”.
Fortalecer e unir pessoas
O Dr. Karel Dobbelaere, professor de Sociologia e de Sociologia da Religião na Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e ex-presidente da Sociedade Internacional para a Sociologia da Religião, apresentou uma lista com seis qualidades específicas que as religiões necessitarão para sobreviver no mundo moderno. Após uma profunda pesquisa sobre a SGI, ele concluiu que a organização possui todas essas características.
Uma das qualidades, de acordo com o Dr. Dobbelaere, é: “As religiões devem ter uma base comum e a capacidade de fortalecer a comunidade e unir as pessoas”.4 O Dr. Dobbelaere atribui alta classificação às reuniões de palestra realizadas pela SGI, nas quais os membros oferecem apoio mútuo e incentivo e se unem para formar uma verdadeira comunidade humana.
Conclusão
O ser humano é dotado com o potencial universal da vida e é capaz de manifestar essa força em suas ações. Portanto, é fundamental que nossas atitudes sejam humanas. Quando deixamos de agir com humanismo, esse potencial não se manifesta.
Desprendendo-se da mera forma tradicional de cerimônias, a SGI revitalizou o Budismo por meio da Reunião de Palestra, um encontro onde as pessoas trocam experiências e incentivos mútuos construindo a fé e aprendendo como a prática budista contribui para felicidade de cada pessoa, que é a base para uma sociedade feliz.
A Reunião de Palestra nos dá a oportunidade de exercemos nossa humanidade ao máximo e nos ensina a viver com a postura de “continuar sendo um ser humano não importa o que aconteça”. Por isso, é um fórum mundial da sabedoria.
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