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há 14 anos

Grandes dificuldades são a prova da propagação do ensinamento correto para atingir a iluminação nos Últimos Dias da Lei

[9] "A Prática dos Ensinos do Buda" (END, v. III, p. 147-154) - Parte final

10/11/2012

Grandes dificuldades são a prova da propagação do ensinamento correto para atingir a iluminação nos Últimos Dias da Lei

Trechos da carta

“A Prática dos Ensinos do Buda”

Agora, nos Últimos Dias da Lei, quem está praticando o Chakubuku em estrita conformidade com o Sutra de Lótus? Suponha que alguém, não importa quem, proclame sonoramente que o Sutra de Lótus por si só tem o poder de conduzir as pessoas à iluminação, e que todos os outros sutras, longe de capacitá-las a alcançar este caminho, apenas as levam ao inferno. Observe o que acontecerá com essa pessoa justamente quando ela tentar refutar os mestres e suas doutrinas de outras escolas [que se baseiam nestes ensinamentos provisórios]. Os Três Poderosos Inimigos surgirão sem falta.

Nosso mestre, o Buda Sakyamuni, praticou o Chakubuku durante os últimos oito anos de sua vida; o Grande Mestre Tient’ai o fez por mais de trinta anos; e o Grande Mestre Dengyo por mais de vinte anos. E eu tenho refutado as doutrinas provisórias há mais de vinte anos, e as grandes perseguições que sofri nesse período vão além do que se possa contar. Não sei se elas são iguais às nove grandes perseguições sofridas pelo Buda, mas certamente nem Tient’ai nem Dengyo enfrentaram perseguições tão grandes quanto as que enfrentei por causa do Sutra de Lótus. Eles encontraram apenas ódio, inveja, calúnia e difamação, enquanto eu, por duas vezes, suportei a ira dos governantes e fui exilado em remotas províncias. Além disso, quase fui decapitado em Tatsunokuti, fui ferido na testa [em Komatsubara], e, por diversas vezes, fui caluniado. Meus discípulos também foram exilados e jogados na prisão, e meus fiéis leigos foram despejados e tiveram seus feudos confiscados.

Como podem as perseguições enfrentadas por Nagarjuna, Tient’ai ou Dengyo se compararem a estas? Compreende-se, portanto, que o devoto que pratica o Sutra de Lótus exatamente como o Buda ensina sem falta será atacado pelos Três Poderosos Inimigos.

Nos mais de dois mil anos que se passaram desde o advento do Buda, Sakyamuni, Grande Mestre Tient’ai e Grande Mestre Dengyo foram os únicos três devotos a praticar os ensinamentos do Buda. Agora, nos Últimos Dias da Lei, Nitiren e seus discípulos são os únicos a praticar os ensinamentos do Buda. Se não podemos ser chamados seguidores praticantes dos ensinamentos do Buda, então os três, Sakyamuni, Grande Mestre Tient’ai e Grande Mestre Dengyo, também não podem.

***

A vida passa num piscar de olhos. Não importa quão terríveis inimigos venha a encontrar, elimine os medos e jamais pense em retroceder. Mesmo que alguém esteja prestes a cortar nossa cabeça com uma serra, que fure nosso corpo com lanças, algeme nossos pés e os espete com uma verruma, enquanto vivermos, devemos recitar Nam-myoho-rengue-kyo, Nam-myoho-rengue-kyo. Então, se orarmos até o momento da morte, Sakyamuni, Muitos Tesouros e os Budas das Dez Direções virão até nós instantaneamente, exatamente como prometeram durante a cerimônia no Pico da Águia. Tomando nossas mãos e carregando-nos sobre os ombros, eles nos levarão até o Pico da Águia. Os dois sábios, os dois reis celestiais e as dez filhas-demônio nos protegerão, enquanto os deuses celestiais e as divindades benevolentes erguerão o dossel sobre nossa cabeça e desfraldarão bandeiras bem alto. Eles nos escoltarão sob sua proteção até a Terra da Luz Eternamente Tranquila. Como descrever tamanha alegria? (END, v. III, p. 152-154)

Explanação

“A Soka Gakkai é a monarca do mundo religioso!” — declarou Toda Sensei, dirigindo-se a seis mil jovens que se reuniram com excelente disposição no histórico encontro em 16 de março de 1958. Seu poderoso brado ainda ressoa em meu coração desde aquele dia. Era a expressão da imponente convicção do nosso mestre, que passou por um profundo despertar espiritual para a essência da Lei Mística quando estava na prisão e travava uma abnegada luta pela realização do Kossen-rufu de acordo com o decreto de Nitiren Daishonin. Era a proclamação da vitória de um campeão da fé, que doou a vida para praticar os ensinamentos do Buda — um grandioso líder que se lançou numa batalha pelo Kossen-rufu, levantando-se só em meio à devastação do Japão pós-guerra e superou inúmeros obstáculos. E, acima de tudo, era o rugido do leão imbuído do espírito invencível da Soka Gakkai — um brado apaixonado que duraria para sempre.

Nós, os jovens reunidos naquela ocasião, ficamos profundamente inspirados por sua triunfante declaração. Suas palavras nos trouxeram de volta à nobre missão que cada um possuía, e estremecemos de alegria e emoção por praticar o Budismo Nitiren. Foi realmente uma cerimônia em que o bastão do Kossen-rufu foi transferido do mestre para os discípulos — cada um de nós herdou a grande confiança de Toda Sensei no correto ensinamento e também a nobreza da nossa causa.

Isso foi há 52 anos. Ao longo de muitas décadas, repetindo a declaração do meu mestre, proclamei a grandeza do Toda Sensei por todos os cantos e propaguei a Lei Mística em todo o Japão e no mundo inteiro, com o sentimento de unir a voz do discípulo à do mestre, para juntos criarmos o poderoso “rugido do leão” (cf. OTT, p. 111). Tenho feito isso com a inabalável convicção de que somos os campeões do pensamento e da filosofia, os campeões da paz, cultura e educação, e os monarcas de um novo humanismo.

E chegou o tempo para a atual geração de jovens herdar o bastão espiritual da Soka Gakkai. É a hora de vocês, meus jovens amigos, assumirem a total responsabilidade pelo Kossen-rufu e seu contínuo desenvolvimento pelo eterno futuro dos Últimos Dias da Lei. É sua missão criar uma rede de solidariedade de paz e humanismo em todo o mundo. As pessoas em todos os lugares aguardam por seus esforços. É hora de tomarem o seu lugar no palco principal do nosso movimento, com as maravilhosas vitórias que já alcançaram até agora.

Na verdade, uma das razões que escolhi para explanar “A Prática dos Ensinos do Buda” nesta ocasião é porque quero confiar o futuro do nosso movimento aos jovens.

Aqui, vamos estudar a parte final do escrito, que é repleta da solene esperança de Daishonin pelo surgimento de discípulos que praticarão os ensinamentos do Buda com o mesmo espírito dele.

Agora, nos Últimos Dias da Lei, quem está praticando o Chakubuku em estrita conformidade com o Sutra de Lótus? Suponha que alguém, não importa quem, proclame sonoramente que o Sutra de Lótus por si só tem o poder de conduzir as pessoas à iluminação, e que todos os outros sutras, longe de capacitá-las a alcançar este caminho, apenas as levam ao inferno. Observe o que acontecerá com essa pessoa justamente quando ela tentar refutar os mestres e suas doutrinas de outras escolas [que se baseiam nestes ensinamentos provisórios]. Os Três Poderosos Inimigos1 surgirão sem falta (END, v. III, p. 153).

O surgimento dos Três Poderosos Inimigos é inevitável na propagação do ensinamento correto

Antes desse trecho, Nitiren Daishonin explicou o caminho de fé e da prática para aqueles que desejam praticar corretamente os ensinamentos do Buda nos Últimos Dias da Lei. Ele esclareceu que o caminho de acreditar verdadeiramente na intenção do Buda é acreditar somente no Sutra de Lótus — o veículo único do Buda que permite a todas as pessoas atingir a iluminação. Ele também explicou que a prática adequada aos Últimos Dias da Lei é a do Chakubuku como ensinado no Sutra de Lotus, ou seja, a prática de refutar de forma ferrenha as forças que caluniam o Sutra de Lótus e tentam impedir a felicidade das pessoas.

Depois de ter reafirmado esses pontos essenciais, Daishonin se propõe a identificar os devotos que praticam os ensinamentos do Buda com uma correta fé e de forma adequada a essa época maligna.

Primeiro, ele pergunta: “Agora, nos Últimos Dias da Lei, quem está praticando o Chakubuku em estrita conformidade com o Sutra de Lótus?” (END, v. III, p. 153) “Agora, nos Últimos Dias da Lei” indica o tempo em que “os ensinamentos provisórios e o verdadeiro ensinamento são totalmente confundidos” (END, v. III, p. 151), como mencionado na passagem anterior.

A menos que essa confusão [entre os ensinamentos provisórios e o verdadeiro ensinamento] seja desfeita, ela dará origem a uma era em que “os conflitos e as disputas prevalecem, e a Lei pura se torna obscurecida e se perde”.2 É por isso que a prática do Chakubuku ou da refutação do errôneo no mundo do Budismo é crucial. É necessário esclarecer que somente o Sutra de Lótus (o verdadeiro ensinamento) pode conduzir todas as pessoas à iluminação, e não só os outros sutras (os ensinamentos provisórios) falham quanto a isso, mas, em última análise, levam as pessoas a um estado de inferno interior ou de sofrimento.

Os ensinamentos pré-Sutra de Lótus, embora elucidem diversos caminhos virtuosos, não fornecem a forma pela qual as pessoas podem alcançar a iluminação. Isso porque eles não elucidam os importantíssimos princípios filosóficos da Possessão Mútua dos Dez Mundos3 e nem dos Três Mil Mundos num Único Momento da Vida.4

Entretanto, se as pessoas que são conduzidas por esses ensinamentos pré-Sutra de Lótus despertarem para a Lei Mística da Possessão Mútua dos Dez Mundos e dos Três Mil Mundos num Único Momento da Vida, é possível que, como resultado, atinjam o caminho da iluminação.

Mas, durante a época de Daishonin, que marcou o início dos Últimos Dias da Lei, uma grande variedade de escolas budistas começou a proliferar, com cada qual afirmando que os diferentes ensinamentos em que se baseavam eram, respectivamente, o ensinamento final do Buda. Consequentemente, muito longe de orientar as pessoas para a compreensão do verdadeiro ensinamento do Sutra de Lótus, essas escolas propunham doutrinas que caluniavam o Sutra.

Como Nitiren Daishonin observou, existia completa confusão entre os ensinamentos provisórios e o verdadeiro ensinamento. Em tal situação, portanto, era preciso refutar os sutras provisórios, esclarecendo que eles não conduzem à iluminação e que apenas o Sutra de Lótus o faz.

Daishonin diz que, se alguém — não importa quem — realiza a prática do Chakubuku, refutando o errôneo no mundo do Budismo, é certo que os Três Poderosos Inimigos surgirão. A prática do Chakubuku, como ensinada no Sutra de Lótus, indica o tipo de refutação que acabo de descrever, que é baseada no ensinamento correto para alcançar a iluminação e não é, de modo algum, motivada pela intolerância ou pela presunção.

Como também confirmamos na edição anterior, a prática do Chakubuku no Budismo Nitiren é baseada num profundo juramento com o ensinamento correto e num sentimento de benevolência para ajudar a guiar as pessoas à felicidade absoluta.

O espírito de refutar o errôneo no mundo do budismo, valorizando a Lei mais que a própria vida, significa combater corajosamente o funcionamento da natureza demoníaca inerente à vida daqueles que caluniam o ensinamento correto e tentam mergulhar as pessoas na miséria. Quando nossas ações são dotadas de um espírito benevolente e altruísta, somos capazes de ultrapassar a barreira das maldades.

Por praticar o Chakubuku, a forma correta de prática nos Últimos Dias da Lei ensinada no Sutra de Lótus — protegendo a Lei e libertando as pessoas do sofrimento —, é inevitável que surjam oposição e resistência de forças arrogantes. A menos que entenda esse princípio, não compreenderá a verdadeira natureza dos grandes obstáculos que recaem sobre os devotos do Sutra de Lótus.

Últimos Dias da Lei: a época da batalha contra os Três Poderosos Inimigos

Para esclarecer esse ponto, gostaria de discorrer novamente sobre o conceito dos Três Poderosos Inimigos.

Em relação aos Últimos Dias da Lei, no início do 13º capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora”, encontramos: “Os seres que nascem nesta era maléfica serão cada vez menos humanos. Muitos serão arrogantes e gananciosos por facilidades e por outras formas de levar vantagem, aprofundarão laços com o que não é bom e se distanciarão, mais que nunca, da liberdade [isto é, de libertar-se da ilusão e do sofrimento]” (LSOC, cap. 13, p. 229 [LS, cap. 13, p. 190]).5

É evidente que se alguém tentar pregar o ensinamento correto do Sutra de Lótus em meio à poderosa influência de uma multidão de arrogantes, certamente encontrará oposição. No capítulo “Devoção Encorajadora”, os bodhisattvas reunidos na Assembleia do Sutra de Lótus juram propagar esse Sutra no mundo saha,6 na era maléfica após a morte do Buda, não importando que obstáculos intimidantes venham a enfrentar.

O verso final deste capítulo7 descreve os juramentos que esses bodhisattvas fazem e a natureza dos obstáculos e das perseguições que os esperam. E, no decorrer dessa passagem, os três tipos de pessoas que perseguirão os praticantes do Sutra de Lótus são identificados. Estes são os Três Poderosos Inimigos [que Miao-lo resumiu como pessoas leigas arrogantes, sacerdotes arrogantes e falsos sábios arrogantes].

Segundo a descrição do Sutra, os leigos arrogantes são caracterizados por sua “ignorância”; os sacerdotes arrogantes por sua “sabedoria perversa e coração de bajulador, de pervertido e desonesto”, e os falsos sábios arrogantes são caracterizados por uma tendência de “desprezar e olhar toda a humanidade com ares de superioridade”, “são ávidos por lucro fácil e por serem sustentados”, e “carregam o mal no coração” (cf. LSOC, cap. 13, p. 232 [LS, cap. 13, p. 193-194]).

Esse sentimento de arrogância caracterizado por “ignorância”, “perversidade” e “coração malévolo” nasce da escuridão inerente à vida. Essa escuridão nada mais é que a “ignorância” fundamentalmente inerente no interior da vida e é a fonte dos desejos mundanos e de outros impulsos da ilusão, levando as pessoas à infelicidade e à miséria. A forma mais fundamental dessa escuridão é a ignorância [ou desconhecimento] sobre a verdade que todas as coisas e todos os fenômenos são entidades da Lei Mística e, é conhecida como “escuridão fundamental da vida”.

Essa escuridão, ou ignorância, fundamental faz com que a pessoa não consiga manifestar a fé e a compreensão do ensinamento correto, criando tendências para rejeitá-lo ou até mesmo para destruí-lo. Eis por que esta escuridão é tão terrível e amedrontadora.

A escuridão fundamental inerente à vida humana dá origem à pior função da maldade, a qual o Budismo se refere como o Rei Demônio do Sexto Céu.8 Aqueles que se opõem e atacam o devoto do Sutra de Lótus são governados por essa função insidiosa e negativa.

Em outro escrito, intitulado “Carta à Missawa”, Daishonin explica que, quando uma pessoa comum nos Últimos Dias da Lei pratica o ensinamento correto com o objetivo de atingir a iluminação, o Rei Demônio do Sexto Céu desencadeia várias funções na tentativa de sabotar os esforços dessa pessoa.

Em outras palavras, se alguém alcança a iluminação, levará muitas outras pessoas a se tornar Buda também, até que finalmente, como resultado, este mundo saha será transformado numa terra pura.

E pelo fato de o Rei Demônio, que governa o mundo saha, ter receio de perder o seu domínio, ele ordena que seus servos obstruam a prática budista do devoto do Sutra de Lótus. Se falharem, ele introduzirá esses servos nos corpos dos próprios discípulos ou das pessoas da sociedade, e planejará um esquema para deter o devoto, fazendo-lhe advertências ou ameaças. E caso isso também falhe, então o Rei Demônio agirá para possuir a mente e o corpo do governante do país e se usará da intimidação para impedir que o devoto atinja o estado de Buda (cf. WND, v. I, p. 894-895).9

Ao explanar sobre os Três Obstáculos (obstáculos dos desejos mundanos, ou obstáculos causados pelos três venenos da avareza, ira e estupidez; obstáculos do carma, ou obstáculos gerados pelo mau carma criado por cometer qualquer um dos cinco pecados fundamentais ou dez maus atos; e obstáculos da retribuição, ou obstáculos das causas negativas criadas por ações dos três maus caminhos — Inferno, Fome e Animalidade) e as Quatro Maldades (impedimento dos cinco componentes, ou obstruções causadas pelas funções físicas e mentais da pessoa; impedimentos dos desejos seculares, do cotidiano, ou obstruções originadas dos três venenos, criando dúvida no Gohonzon; impedimentos da morte, ou obstrução à prática causada pelo medo que a morte vincula; e impedimentos do Rei Demônio do Sexto Céu), que afligem os praticantes do Budismo, o presidente Toda costumava dizer: “Você pode ser capaz de triunfar sobre os Três Obstáculos e sobre as três primeiras das Quatro Maldades, que incluem até mesmo a morte, mas a última delas — a maldade do Rei Demônio — é realmente terrível e amedrontadora.

Como vimos também em outros escritos de Nitiren Daishonin,10 o Rei Demônio manipula a mente dos arrogantes leigos e dos sacerdotes arrogantes e possui o corpo dos falsos sábios arrogantes que, por sua vez, influenciam as autoridades governantes para que estas hostilizem e persigam o devoto do Sutra de Lótus.

Em outra ocasião, Daishonin disse: “A simples palavra ‘fé’ é uma espada afiada que confronta e supera a escuridão fundamental ou a ignorância” (OTT, p. 119-120).

Toda Sensei também enfatizava frequentemente: “A espada afiada da fé é o único meio para derrotar o Rei Demônio do Sexto Céu”. Quando derrotamos a escuridão fundamental ou a ignorância por meio da fé na Lei Mística, a natureza fundamental da iluminação, ou natureza do Dharma,11 com a qual nossa vida é intrinsecamente dotada, desabrochará. A natureza do Dharma é a verdade última de todos os fenômenos para a qual o Buda despertou.

Atingir a iluminação, em certo sentido, significa vencer essa luta entre a escuridão e a iluminação. Por meio da prática do Chakubuku, aqueles que propagam o Sutra de Lótus evidenciam a natureza fundamental da iluminação em sua própria vida e ajudam os outros a fazer o mesmo.

O Sutra de Lótus é o ensinamento que ativa a natureza de Buda

Analisando novamente o assunto da perspectiva da escuridão e da iluminação, a razão pela qual Daishonin refuta veementemente os sutras provisórios, declarando-os ineficazes para conduzir as pessoas ao caminho da iluminação, é que suas doutrinas só aumentam a escuridão ou ignorância de quem abraça a fé neles.

Essencialmente, a causa e o efeito da iluminação se baseia no princípio da Possessão Mútua dos Dez Mundos, revelado no Sutra de Lótus. Mas, nos ensinamentos provisórios, os nove mundos e o estado de Buda são ensinados completamente separados um do outro. De certo ponto de vista, o pensamento de rejeitar os nove mundos e aspirar ao mundo do estado de Buda parece ser mais natural e de fácil compreensão para os mortais comuns.

Na verdade, é preciso abandonar esses ensinamentos “expostos de acordo com a mente das pessoas”, apenas como um meio mais conveniente, e aceitar a verdade dos ensinamentos “expostos de acordo com a mente do Buda”.

Esse ensinamento, naturalmente, é o Sutra de Lótus, que elucida a verdadeira causalidade para alcançar o estado de Buda. E se as pessoas abraçarem os ensinamentos provisórios e rejeitarem o Sutra de Lótus, elas seguirão por um caminho errado, o que apenas fará aumentar a escuridão ou a ignorância que permeiam a vida.

A escuridão ou a ignorância provocam o surgimento do apego aos ensinamentos dos sutras provisórios. A natureza parcial ou incompleta desses ensinamentos produz, por sua vez, uma escuridão ainda maior. Esse ciclo de escuridão cada vez mais profunda levou Daishonin a concluir que os sutras provisórios “apenas conduzem as pessoas ao inferno” (cf. END, v. III, p. 152).

O Sutra de Lótus, ao contrário, é um ensinamento que expressa de forma direta a verdadeira intenção do Buda, revelando a essência última de se alcançar a iluminação, com base na Possessão Mútua dos Dez Mundos. Dos muitos ensinamentos do Buda, o Sutra de Lótus é o único que tem o poder de ativar a natureza de Buda de todas as pessoas. Por essa razão, Daishonin afirma: “O Sutra de Lótus por si só tem o poder de conduzir as pessoas ao estado de Buda” (END, v. III, p. 152).

Para conduzir todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei à iluminação, é necessário refutar os sutras provisórios, que aumentam a escuridão ou ignorância, e é preciso propagar o Sutra de Lótus, que ativa a natureza fundamental da iluminação ou do Dharma inerente à vida das pessoas. Isso significa, entretanto, que a oposição do Rei Demônio àqueles que praticam o Sutra de Lótus se intensificará, e os Três Poderosos Inimigos certamente surgirão. Por isso, Nitiren Daishonin disse: “Os Três Poderosos Inimigos surgirão sem falta” (END, v. III, p. 152).

Nosso mestre, o Buda Sakyamuni, praticou o Chakubuku durante os últimos oito anos de sua vida; o Grande Mestre Tient’ai12 o fez por mais de trinta anos; e o Grande Mestre Dengyo13 por mais de vinte anos. E eu tenho refutado as doutrinas provisórias há mais de vinte anos, e as grandes perseguições que sofri nesse período vão além do que se possa contar. Não sei se elas são iguais às nove grandes perseguições14 sofridas pelo Buda, mas certamente nem Tient’ai nem Dengyo enfrentaram perseguições tão grandes quanto as que enfrentei por causa do Sutra de Lótus. Eles encontraram apenas ódio, inveja, calúnia e difamação, enquanto eu, por duas vezes, suportei a ira dos governantes e fui exilado em remotas províncias. Além disso, quase fui decapitado em Tatsunokuti,15 fui ferido na testa [em Komatsubara],16 e, por diversas vezes, fui caluniado. Meus discípulos também foram exilados e jogados na prisão, e meus fiéis leigos foram despejados e tiveram seus feudos confiscados.

Como podem as perseguições enfrentadas por Nagarjuna,17 Tient’ai ou Dengyo se compararem a estas? Compreende-se, portanto, que o devoto que pratica o Sutra de Lótus exatamente como o Buda ensina sem falta será atacado pelos Três Poderosos Inimigos. (END, v. III, p. 152-153).

Lutar com profunda benevolência em meio aos grandes obstáculos

Nesse trecho, Daishonin observa os tipos de perseguições que se abateram sobre Sakyamuni e os devotos do Sutra de Lótus das épocas posteriores, como os Grandes Mestres Tient’ai e Dengyo. Todos os três encontraram feroz oposição por propagar o ensinamento correto do Sutra de Lótus e por refutar os ensinamentos provisórios.

As nove grandes perseguições ou provações enfrentadas por Sakyamuni são bem conhecidas. Mas, quando se trata das perseguições enfrentadas por Tient’ai e Dengyo, diz Daishonin, essas efetivamente só tomaram a forma de “ódio, inveja, calúnia e difamação” (END, v. III, p. 153), e não eram de mesma magnitude das perseguições sofridas por ele próprio.

Nitiren Daishonin sofreu uma série de perseguições com risco de perder a vida, como duas sentenças de envio ao exílio por parte do governo; tentativa de execução em Tatsunokuti; e a perseguição de Komatsubara, durante a qual ele sofreu um ferimento na testa e teve a mão esquerda quebrada. Ele também escreve que alguns de seus discípulos sofreram perseguições, como exílio, prisão, confisco de terras ou despejo.

Daishonin provavelmente faz uma comparação entre as perseguições que ele sofreu e as de Tient’ai e Dengyo de modo a reforçar o fato de que existe estreita relação entre a profundidade dos ensinamentos propagados e a gravidade da resistência que surge.

No escrito “Tratamento da Doença”, ele explana sobre os Três Obstáculos e as Quatro Maldades, que invariavelmente surgem para prejudicar os praticantes do Sutra de Lótus, e declara: “Agora, todos e cada um [deles] se ergueram para me confrontar. Eles são ainda mais poderosos que os Três Obstáculos e as Quatro Maldades que Tient’ai, Dengyo e outros [que praticaram o Sutra de Lótus em épocas passadas] tiveram de enfrentar” (WND, v. 1, p. 1114).

E com relação à diferença na profundidade dos ensinamentos e o tipo de perseguições que os praticantes se deparam, ele afirma: “Há duas maneiras de perceber os Três Mil Mundos num Único Momento da Vida. Uma delas é teórica, e a outra, real. O que Tient’ai e Dengyo praticaram era a forma teórica, mas a que eu pratico agora é a real. Como o que pratico é superior, as dificuldades presentes são muito maiores” (WND, v. 1, p. 1114-1115).

O ensinamento real (ou ensinamento prático) dos “Três Mil Mundos num Único Momento da Vida”18 representa a grande Lei do Budismo da semeadura que ativa diretamente a natureza fundamental da iluminação ou natureza do Dharma. Essa Lei é o Nam-myoho-rengue-kyo, que é a chave para a realização imediata da iluminação.19 Ele tem o poder de romper a escuridão e despertar a natureza de Buda em todas as pessoas. E, ao mesmo tempo, tem o poder de fazer as pessoas questionarem suas próprias premissas e duvidar de suas crenças equivocadas, para que possam despertar e abraçar o ensinamento correto,20 para assim dissipar a escuridão fundamental inerente à vida e atrair os Três Obstáculos e as Quatro Maldades — especialmente o Rei Demônio do Sexto Céu.

Dessa forma, pelo fato de Daishonin, o devoto do Sutra de Lótus nos Últimos Dias da Lei, propagar a Lei da semeadura (Nam-myoho-rengue-kyo), que é a causa fundamental para alcançar a iluminação, ele encontra perseguições muito mais intensas que as enfrentadas por Tient’ai e Dengyo durante os Médios Dias da Lei. O ponto crucial é que a superação das adversidades no curso da propagação do ensinamento correto é o que define uma pessoa como genuíno devoto do Sutra de Lótus. Pois, é triunfando sobre os obstáculos amedrontadores que se pode provar o poder da Lei.

Mesmo em meio às grandes perseguições, Nitiren Daishonin demonstra um estado de vida invencível, repleto da “alegria sem limites da Lei”.21 Por exemplo, durante o Exílio em Izu,22 ele declara: “Sinto imensa alegria” (END, v. 1, p. 101), e “Para alguém nascido humano, que maior alegria poderia haver?” (END, v. 1, p. 106)

E, na época do Exílio em Sado,23 ele afirma: “Eu, Nitiren, sou o homem mais afortunado de todo o Japão na era atual” (END, v. 4, p. 164). Daishonin venceu completamente cada batalha. Falando de sua maior adversidade, a Perseguição de Tatsunokuti, ele revela: “Sobrevivi à Perseguição de Ta­tsunokuti.24 (...) Até agora, o Rei Demônio deve estar totalmente desencorajado” (GZ, p. 843).25 Essas palavras revelam o triunfante estado de vida Nitiren Daishonin por ter superado todas as adversidades e derrotado o Rei Demônio do Sexto Céu.

Toda Sensei muitas vezes comentou sobre isso: “Enquanto atravessava todos os tipos imagináveis de perseguições, Daishonin travou uma luta de profunda benevolência pela iluminação de todas as pessoas. Ele triunfou sobre cada ataque. Essa é a prova indiscutível de que ele é o Buda dos Últimos Dias da Lei”.

O Budismo é uma luta para ser vitorioso. É por derrotar os Três Obstáculos e as Quatro Maldades e os Três Poderosos Inimigos que se prova ser genuíno devoto do Sutra de Lótus.

Em “Abertura dos Olhos”, Nitiren Daishonin escreve: “Considerando minha capacidade de enfrentar perseguições e minha enorme benevolência, creio que eles [Tient’ai e Dengyo] se surpreenderiam” (END, v. 4, p. 71).

Por causa de seu desejo benevolente de conduzir as pessoas dos Últimos Dias da Lei para a iluminação, Daishonin se lançou de forma indomável à tarefa de propagar o Sutra de Lótus, disposto a enfrentar as mais terríveis perseguições. Ele se levantou sozinho e suportou o peso total de todos os obstáculos e ataques — como um telhado que protege as pessoas do perigo, ou um pilar de sustentação da nação em meio a desordem e confusão.

Ele fez isso com o objetivo de criar uma rede de solidariedade do bem, duradoura, e que seria sempre dedicada à realização da felicidade individual e coletiva. Seus esforços foram empreendidos com sua grande habilidade e sabedoria para discernir as raízes invisíveis do mal e do infortúnio, e oferecer aos que sofriam uma forma de inspiração e revitalização.

Não havia obstáculos ou inimigos poderosos o bastante para influenciar esse espírito elevado em que a benevolência e a sabedoria eram inseparáveis. Na verdade, pelo fato de sua vida e suas ações serem uma manifestação de sua suprema compaixão por toda a humanidade, pelo eterno futuro, consideramos Nitiren Daishonin o Buda dos Últimos Dias da Lei.

Nos mais de dois mil anos que se passaram desde o advento do Buda, Sakyamuni, Grande Mestre Tient’ai e Grande Mestre Dengyo foram os únicos três devotos a praticar os ensinamentos do Buda. Agora, nos Últimos Dias da Lei, Nitiren e seus discípulos são os únicos a praticar os ensinamentos do Buda. Se não podemos ser chamados seguidores praticantes dos ensinamentos do Buda, então os três, Sakyamuni, Grande Mestre Tient’ai e Grande Mestre Dengyo, também não podem. (...) (END, v. III, p. 153)

O verdadeiro juramento compartilhado de mestre e discípulo na prática dos ensinamentos do Buda

Essa é uma importante passagem que expressa a conclusão de Nitiren Daishonin e identifica claramente os adeptos ou os praticantes fiéis aos ensinamentos do Buda. Ele declara com absoluta convicção que, depois de Sakyamuni — com exceção de Tient’ai e Dengyo durante os Médios Dias da Lei —, apenas “Nitiren e seus discípulos e os fiéis leigos” se encaixam na descrição do trecho nos Últimos Dias da Lei.

O ponto essencial aqui é que Daishonin não diz que se trata somente dele, sozinho, mas inclui todos os seus discípulos — sacerdotes e leigos; ele utiliza a palavra “nós”. Também esclarece que aqueles discípulos que exercem sua prática budista com o mesmo abnegado espírito altruísta de propagar a Lei como ele faz são discípulos que agem em perfeita sintonia com os ensinamentos do Buda. Aqui, podemos ver a ilimitada benevolência do Buda dos Últimos Dias da Lei.

A unicidade de mestre e discípulo é a essência do Budismo Nitiren. E é na luta compartilhada de mestre e discípulo voltada para a prática dos ensinamentos do Buda que se encontra a verdadeira iluminação.

Nitikan Shonin (1665–1726), o grande restaurador do Budismo Nitiren, escreveu um comentário a respeito desta escritura, “A Prática dos Ensinos do Buda”: “‘Ensinamentos [ou Ensinos] do Buda’ significa ‘a forma como o mestre instrui’. ‘A prática’ refere-se às ações do discípulo. O discípulo que pratica como o mestre instrui é, portanto, a essência da ‘prática em acordo com os ensinamentos do Buda’”.26

Em outras palavras, a ‘prática dos ensinamentos do Buda’ é o mesmo que ‘unicidade de mestre e discípulo’, e tal prática budista é a base de tudo.

Como mestre, Nitiren Daishonin tem apenas um desejo, o de que os discípulos — uma multidão de Bodhisattvas da Terra — venham a emergir e agir em todos os campos com a mesma aspiração que ele. Pelo fato de procurar autênticos discípulos, ele exorta seus seguidores a prosseguir por um caminho cheio de obstáculos, como é o dele. E sendo autênticos discípulos, eles consideram todas as dificuldades e provações por causa da Lei como fonte de orgulho.

Há um verdadeiro e profundo significado em Daishonin identificar os devotos dos Últimos Dias da Lei como “Nitiren, seus discípulos e fiéis leigos”. Estas também foram, sem dúvida, palavras resultantes de sua imensa benevolência por aqueles que haviam lutado ao lado dele em meio a grandes adversidades com um sentimento de juramento compartilhado pela propagação do ensinamento correto. Não é difícil imaginar os discípulos de Daishonin lendo essa passagem e sentindo-se profundamente inspirados a seguir ainda mais seu destemido espírito.

Pôr os ensinamentos do Buda em prática requer que autênticos discípulos se levantem e entrem seriamente em ação. A partir disso, o grande rio do Kossen-rufu começa a fluir poderosamente. Nós, da SGI, herdamos esse grande rio da iluminação de todas as pessoas e continuamos a propagar o ensinamento correto com o mesmo espírito de Nitiren Daishonin na presente época, enquanto lutamos contra vários obstáculos.

Makiguti Sensei, Toda Sensei e eu — os três primeiros presidentes da Soka Gakkai — confrontamos e triunfamos sobre ferozes ataques dos Três Poderosos Inimigos e dos Três Obstáculos e das Quatro Maldades.

Os dois primeiros presidentes enfrentaram perseguições das autoridades militares japonesas durante a guerra e eu também fui alvo de injustos ataques por parte das autoridades no Incidente de Osaka.27 Na sequência desse incidente, Toda Sensei declarou: “É importante falar claramente e refutar o que precisa ser refutado. Se permanecer em silêncio, as pessoas vão aceitar mentiras como verdades. (...) Não podemos nos dar ao luxo de deixar a justiça ser castigada por um monte de mentiras! (...) Falamos do triunfo da justiça, mas não é sempre uma certeza de que a justiça prevalecerá. Sem luta, a justiça será perdida. Como nossa causa é justa, não podemos ser derrotados. Temos de vencer. É por isso que é tão importante lutar pela justiça”.

Por defendermos o bem maior, temos de continuar lutando, temos de vencer infalivelmente. Este é o espírito da Soka Gakkai que pulsa no coração dos três primeiros presidentes. Este espírito de praticar como o Buda ensina é o orgulho da Soka Gakkai, a monarca do mundo religioso.

Numa carta endereçada à monja leiga Senniti, Daishonin escreveu: “Deixe que digam [as coisas odiosas] que desejarem. O mais importante é que confie sua vida aos ensinamentos dourados do Sutra de Lótus, ao Buda Sakyamuni, e a Tienta’i, Miao-lo,28 Dengyo e Chang-an.29 Este é o modo de praticar corretamente de acordo com os ensinamentos do Buda” (END, v. III, p. 237). Assim, mesmo para suas discípulas, Daishonin salienta a importância vital da prática de acordo com os ensinamentos de Buda, assim como ele fez.

Jamais devemos nos esquecer de que a SGI foi construída por meio das orações, de esforços e da união de nossos membros que praticam como o Buda ensina — principalmente pelas nossas integrantes das Divisões Feminina e Feminina de Jovens.

A vida passa num piscar de olhos. Não importa quão terríveis inimigos venha a encontrar, elimine os medos e jamais pense em retroceder. Mesmo que alguém esteja prestes a cortar nossa cabeça com uma serra, que fure nosso corpo com lanças, algeme nossos pés e os espete com uma verruma, enquanto vivermos, devemos recitar Nam-myoho-rengue-kyo, Nam-myoho-rengue-kyo. Então, se orarmos até o momento da morte, Sakyamuni, Muitos Tesouros30 e os Budas das Dez Direções virão até nós instantaneamente, exatamente como prometeram durante a cerimônia no Pico da Águia.31 Tomando nossas mãos e carregando-nos sobre os ombros, eles nos levarão até o Pico da Águia. Os dois sábios, os dois reis celestiais e as dez filhas-demônio32 nos protegerão, enquanto os deuses celestiais e as divindades benevolentes erguerão o dossel sobre nossa cabeça e desfraldarão bandeiras bem alto. Eles nos escoltarão sob sua proteção até a Terra da Luz Eternamente Tranquila.33 Como descrever tamanha alegria? (END, v. III, p. 153-154).

Estabelecer a eterna condição de Buda pelas três existências

“Elimine todos os medos e jamais pense em retroceder”, assim Daishonin exorta cada um de seus discípulos que enfrentava imensas provações, como resultado do ataque dos Três Poderosos Inimigos.

Na juventude, tive a oportunidade de ouvir Toda Sensei explanar a passagem em que essas palavras aparecem. Na época, ele disse: “Sem esse tipo de determinação, você não pode ser chamado de genuíno líder na fé”. Ele também comentou que o restante do trecho que começa com as palavras “Mesmo que alguém esteja prestes a cortar nossa cabeça...” destaca o espírito de dedicação altruísta à propagação da Lei. “Esta é a essência da fé”, afirmou o Sr. Toda. As relevantes e perspicazes orientações de meu mestre ainda permanecem claramente gravadas em minha memória.

Pela realidade das perseguições que confrontavam Daishonin e seus discípulos, as descrições das provações que eles teriam de suportar, descritas nessa parte, não eram de forma alguma estranhas ou exageradas.

É claro que o Budismo Nitiren não é um ensinamento de imprudentes autossacrifícios ou martírios que pouco valoriza a vida. Nitiren Daishonin salienta: “Enquanto estivermos vivos, devemos continuar recitando o Nam-myoho-rengue-kyo (...) [e continuar fazendo isso] até o momento da morte” (cf. END, v. III, p. 153-154). Dessa forma, ele ensina que devemos nos esforçar para praticar firmemente o ensinamento correto até o fim de nossa vida. Mantemos a Lei Mística para que possamos viver nossa vida plenamente até o último momento.

Assim, se surgir alguma situação que nos leve a perder a vida por causa de nossa prática budista, nossa própria morte definitivamente não será infeliz ou miserável. Toda Sensei declarou solenemente: “Se temos de perder a vida enquanto defendemos a Lei Mística, então vamos atingir a iluminação, sem falta. A morte, nesse caso, seria algo como um breve sonho pouco depois de pegar no sono, e então cair num profundo e tranquilo sono depois”.

Há casos em que os membros morrem prematuramente em acidentes. Mas à luz do grande poder benéfico da Lei Mística, não há absolutamente nada a temer.

Como Daishonin garante nessa passagem, aqueles que oram sinceramente o Daimoku até o fim, no momento da morte entrarão no ilimitado estado de Buda permeado de felicidade absoluta por toda a eternidade.

Ele descreve esse fato no trecho em que menciona que os dois budas, Sakyamuni e Muitos Tesouros, e todos os Budas das Dez Direções surgirão imediatamente para nos tomar pelas mãos e nos levar sobre os ombros ao Pico da Águia. E de fato as Funções Protetoras do Universo — todos os deuses e todas as divindades budistas celestiais, incluindo os dois sábios, os dois reis celestiais e as dez filhas-demônio —, diz ele, nos protegerão, os praticantes do Sutra de Lótus, como se nos escoltassem até a Terra da Luz Eternamente Tranquila, uma terra repleta dos benefícios do Buda. Que reconfortantes foram essas palavras aos seus discípulos!

Em outro escrito, Daishonin afirma: “Se o senhor deixar esta vida antes de mim, deve reportar-se a Brahma, a Shakra, aos Quatro Reis Celestiais e ao rei Yama.34 Apresente-se como discípulo do sacerdote Nitiren, o principal devoto do Sutra de Lótus no Japão. Então, será impossível que eles o tratem com descortesia” (END, v. 1, p. 209).35

E ainda, em outra carta, ele escreve: “Não importa o que possa acontecer no caminho entre esta vida e a próxima, [seu marido] deve declarar-se discípulo de Nitiren. (...) No que diz respeito a crer no Sutra de Lótus, sou o mais importante sábio de Jambudvipa [o mundo inteiro]. Meu nome ressoa em todas as terras puras das dez direções, e o céu e a Terra, sem dúvida, sabem disso. Se seu marido declarar que é discípulo de Nitiren, não creio que os demônios malignos de qualquer espécie venham alegar desconhecimento de meu nome [e tratá-lo mal]” (WND, v. 1, p. 938).36

A fé com base no juramento compartilhado de mestre e discípulo assegura a paz e a felicidade na vida e na morte. Em outras palavras, podemos desfrutar de alegria durante as duas fases, tanto da vida como da morte.

Quando os discípulos de Daishonin se dedicam à Lei Mística com o mesmo espírito que seu mestre, que é o mais importante devoto do Sutra de Lótus, em seguida, eles [mestre e discípulos] atingirão juntos um estado de felicidade absoluta pelas três existências, garantindo a vitória, bem como a paz e segurança na vida e na morte.

Nitiren Daishonin assim declara: “Quando nossas orações para atingir a iluminação são respondidas e habitamos a Terra da Luz Eternamente Tranquila, experimentamos a ilimitada alegria de Lei” (cf. WND, v. 1, p. 154). Ele promete que qualquer pessoa que baseia sua vida na Lei Mística pode alcançar esse estado de felicidade absoluta. E, no final dessa passagem, ele assinala: “Como descrever tamanha alegria?”

Como discípulos, não há nada mais honroso que trilhar firmemente o caminho da fé que juramos ao nosso mestre. Daishonin garante a seus seguidores que eles terão suas orações pela manifestação do estado de Buda respondidas e habitarão a Terra da Luz Eternamente Tranquila, desfrutando de imensa paz de espírito. Portanto, não importa que surjam os grandes obstáculos, não há absolutamente nada com que se preocupar ou temer. Como o eterno Buda dos Últimos Dias Lei, ele assegura que “experimentarão a ilimitada alegria da Lei”. Não há felicidade maior que essa.

Como indicado pelo trecho “Se orarmos até o momento da morte (...)”, tudo depende se continuamos orando de todo o coração pela nossa felicidade e pela felicidade dos outros até o fim de nossa vida. Essa é a essência da fé baseada na prática dos ensinamentos do Buda em unicidade com o nosso mestre.

Uma passagem que discutimos anteriormente vem vividamente à mente: “Suponha que alguém, não importa quem, proclame sonoramente que o Sutra de Lótus por si tem o poder de conduzir as pessoas à iluminação (...)” (END, v. 1, p. 152). [As expressões] usar a nossa voz e declarar a verdade poderiam ser utilizadas para indicar a essência da prática como o Buda ensina.

Em outro trecho, Daishonin também descreve a si mesmo como “nunca tendo poupado a voz” (OTT, p. 57), e como “não hesitante em falar” (WND, v. 1, p. 970) e assim por diante. Ele também cita estas palavras: “A voz executa o trabalho do Buda” (cf. OTT, p. 4).

Não hesitar, dizer o que precisa ser dito, não deixar quieto nada que precisa ser falado — esse é o espírito do Chakubuku no Budismo Nitiren. Pelo tempo que nos lembrarmos de seguir em frente com esse espírito, continuaremos a progredir em nosso movimento pelo Kossen-rufu. Essa é a convicção inabalável de Nitiren Daishonin e é também o espírito Soka Gakkai.

Makiguti Sensei disse: “As pessoas covardes que não conseguem falar o que precisa ser dito não são qualificadas como discípulos de Nitiren Daishonin”.

No final do presente escrito, Daishonin afirma: “Mantenha essa carta sempre com você e leia-a repetidas e repetidas vezes” (END, v. III, p. 154). Também não podemos esquecer jamais desse espírito de estimar os escritos de Nitiren Daishonin. Como honrosos discípulos de Daishonin, vamos realizar diálogos sinceros de pessoa a pessoa baseados na benevolência de conduzir as pessoas à Lei Mística, com o objetivo de realizar uma transformação interna em nossa própria vida e ajudar os outros a fazer o mesmo. Essa é a atividade mais fundamental da Soka Gakkai.

Enquanto recitamos firmemente o Daimoku e dialogamos incansavelmente, escrevemos uma brilhante história de crescimento para o nosso movimento, praticando os ensinamentos do Buda de acordo com o seu decreto, e ganhamos aplausos e elogios de todos os budas e divindades celestiais do universo.

Assim concluímos a explanação em três partes do escrito “A Prática dos Ensinos do Buda”.

Ofereço minhas orações pela vitória dos meus genuínos discípulos.

(Daibyakurengue,

edição de março de 2010.)

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