TC
Crônica
há 14 anos
Um par de sapatos novos...
10/11/2012

Uma história, em especial, me chamou a atenção... Soubemos das dificuldades de participação de um jovem, que não teria condições de viajar e nem de arcar com as despesas, a ponto de a localidade informar que não teria nenhum representante.
Ao tomar conhecimento disso, um líder da DS falou que não admitiria que um DMJ perdesse essa oportunidade. Ele incentivou os líderes da localidade e apoiou o jovem para que, juntos, criassem as condições para participação no Capri.
O veterano disse que encorajar esse rapaz era, na verdade, reviver o grande tesouro de sua juventude. Com emoção, ele me relatou que, na década de 1970, fora convidado a participar da Convenção da DMJ em Foz do Iguaçu e que, do mesmo modo que esse jovem, não tinha nenhuma condição para tal.
Contou-me ainda que, graças aos incentivos dos companheiros e ao apoio de sua sogra, veterana na prática budista, pôde participar da atividade. Na ocasião, após desafiar intenso Daimoku, conseguiu o valor justo para custear as passagens de ônibus de ida e volta e para fazer as refeições.
E, assim, ele embarcou numa viagem de dezoito horas rumo a Foz do Iguaçu...
Radiante de alegria, o veterano usou, para esse evento, um par de sapatos novos que acabara de ganhar de um cliente. Mas devido a longa distância resolveu tirá-los. Ao chegar ao destino, pelo inchaço dos pés, foi impossível recolocar o calçado. Então, usou o dinheiro da alimentação para comprar um sapato maior e ir até o evento sem lamentar. Assim ficou sem dinheiro para nada...
Ao final da atividade, embarcou de volta, enfrentando mais dezoito horas de estrada, decidindo que, dali em diante, jamais lhe faltariam condições de atuar pelo Kossen-rufu.
Senti quão o sincero esforço desse veterano fez dele uma pessoa absolutamente forte. Ele recebera treinamento na juventude e hoje nenhuma adversidade pode derrotá-lo. No passado, os incentivos dos companheiros fizeram dele um “valor humano”, despertando o potencial que havia em seu coração.
E, trinta anos depois, ele se tornou o criador de um novo “valor”, incentivando e apoiando um jovem a participar do Capri, superando suas dificuldades. Doravante, esse rapaz também se tornará um cultivador de “valores humanos” — essa é a lógica da “criação de ‘valores humanos’” da Soka Gakkai.
Para despertar esse potencial inato, é necessário acreditarmos que cada um tem uma missão única e intransferível. Precisamos nos dedicar às pessoas, encorajá-las e prestar-lhes assistência na fé. Assim aconteceu com o veterano da DS em sua juventude e da mesma forma ele pode fazer agora com o jovem.
Mariana Ballestero Sales Vieira
Da Redação
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