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há um mês

Qual é a melhor educação ambiental?

Relatório sobre a Educação no Brasil parte 9

Seikyo Shimbun

24/11/2025

Qual é a melhor educação ambiental?

Dentro da universidade, a vegetação exuberante lembra uma floresta tropical, e barcos avançam com força pela superfície da água. Fotos: Seikyo Shimbun

Qual seria a melhor educação ambiental? Ensinar conhecimentos sobre questões ambientais? Criar hábitos como a redução de lixo, reciclagem e reutilização? Claro, tudo isso é importante.

graduada em pedagogia e história pela Universidade Federal do Pará. De 1998 a 2006, foi a primeira coordenadora do setor de pesquisa em educação ambiental da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado do Pará, dedicando-se à criação e à implementação de políticas públicas de educação ambiental. Em 2012, obteve o doutorado em filosofia e ciências da educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha


Maria Ludetana Araújo graduada em pedagogia e história pela Universidade Federal do Pará. De 1998 a 2006, foi a primeira coordenadora do setor de pesquisa em educação ambiental da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado do Pará, dedicando-se à criação e à implementação de políticas públicas de educação ambiental. Em 2012, obteve o doutorado em filosofia e ciências da educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha

Há uma educadora brasileira que, ao longo de cerca de quarenta anos enfrentando essa pergunta, chegou a uma convicção. Trata-se da professora Maria Ludetana Araújo, referência em educação ambiental na região amazônica, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Protestante devota, ela se identifica profundamente com as diretrizes educacionais e propostas de paz de Daisaku Ikeda, estudando-as e pondo em prática junto com seus alunos. Ela disse: “A melhor educação ambiental está na filosofia do Dr. Ikeda e na educação Soka”. Vamos conhecer os motivos dessa afirmação.

O campus principal da UFPA, localizado em Belém, capital do estado do Pará, está situado às margens de um afluente do rio Amazonas.

É um ambiente repleto de verde — nos caminhos, nos prédios e até na sala da professora Araújo. “Com árvores e plantas por perto, todos se sentem mais confortáveis, não é mesmo?”, diz ela, com um sorriso largo e gestos acolhedores.

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Estudos recentes também indicam que observar plantas ajuda a relaxar o corpo e a mente, além de melhorar o desempenho — algo que se confirma ao conhecer o trabalho da educadora.

Ela leciona em três áreas: pedagogia, ciências naturais e engenharia sanitária e ambiental, além de coordenar o programa de formação de professores da educação básica. Lidera o grupo de pesquisa em educação ambiental amazônica da universidade, desenvolvendo atividades educativas em parceria com a sociedade civil, promovendo inovação tecnológica e criando materiais didáticos. Está também envolvida nos preparativos de workshops e outras atividades para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30).

O interesse da professora pelas questões ambientais começou há 62 anos, quando ela tinha apenas 13 anos.


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Professora Araújo

Nasci e cresci em uma cidade rica em natureza chamada Campo Maior, no estado do Piauí, no nordeste do Brasil. Perto da minha casa havia um grande lago.

Desde pequena, era rotina voltar da escola e ir até o lago com um barril grande para buscar água potável e para uso doméstico da família. Nos dias de folga, eu me divertia pescando piabas (pequenos peixes de água doce) com os amigos.

No entanto, ano após ano, o lago foi se tornando poluído. Latas vazias e outros lixos eram jogados ali, a água ficou turva e as piabas começaram a desaparecer... Eu não consegui permanecer indiferente. Então, chamei meus amigos da vizinhança e disse: “Vamos limpar o lago para que os peixes possam nadar felizes!”.

Sozinha, não conseguiria, mas pensei: “Se todos unirmos forças, com certeza conseguiremos”. Fui chamando um por um e transmitindo meu sentimento com seriedade. No fim, muitos amigos se reuniram e realizamos uma grande limpeza no lago. Jamais esquecerei o semblante radiante de todos depois de concluirmos a tarefa.

Acredito que algo tocou o coração deles. Depois disso, alguns começaram espontaneamente a cuidar do lago. Ao passar por lá, a caminho da escola, diziam “Hoje também está limpo!” ou “Sem problema!”, e confirmavam entre si. Acho que essa foi minha primeira ação social.



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O purificador de ar do planeta

A educadora Araújo diz que quem mais se alegrou e os elogiou por essa colaboração entre crianças foi a professora da escola na época. Ela nos fez uma sugestão:

Se vocês limparem ao redor da casa de vocês, talvez o vizinho também faça o mesmo, e o vizinho do vizinho também. Essas ações podem se espalhar pela sociedade e pelo mundo.


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Professora Araújo

A palavra de um professor em quem confiamos tem um poder incrível, não é? Meu coração se moveu com um “É isso! Vamos fazer!”. “A educação ambiental frutifica ao encantar as pessoas.” “A educação ambiental é uma educação que transforma todos em heróis.” — Esse é meu princípio.

“Encantar” significa expandir a empatia. As ações para proteger o meio ambiente sempre começam com uma única pessoa, mas não podem continuar apenas com um “herói solitário”. Uma educação ambiental que faz com que as pessoas pensem “Eu também consigo!” ou “Eu também posso ser um herói!” precisa, além da transmissão de conhecimentos corretos, de encorajamento que mexa com o coração, mova o corpo e desperte a confiança nas pessoas.

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Partindo da experiência vivida na infância, a professora ingressou na Universidade Federal do Pará, decidida a seguir o caminho da educação e a dedicar a vida à preservação ambiental da Amazônia.

O “purificador de ar do planeta” — talvez seja assim que se possa chamar a imensa floresta tropical da Amazônia. Desde os tempos antigos, a floresta absorve grandes quantidades de dióxido de carbono, gera oxigênio, purifica a atmosfera e ajuda a estabilizar o clima.

Entretanto, esse “filtro do purificador” está sendo queimado, destruído e perdendo sua função. Nos últimos cinquenta anos, cerca de 17% da floresta foi destruída. Se considerarmos também a degradação, metade da floresta já está em estado crítico. Cientistas alertam: “Se perdermos mais 5%, será impossível recuperar”.

Um dos fatores do desmatamento é a produção excessiva de soja e de carne bovina. O Japão também não está alheio a isso: cerca de 20% da soja importada pelo país vem do Brasil, sendo a maior parte utilizada como ração para frangos, porcos e produção de ovos; ou seja, o que colocamos à mesa está diretamente ligado à Amazônia.

Não se trata de dizer “Não coma carne e ovos”, mas sim de escolher produtos agrícolas cultivados com métodos sustentáveis e reduzir o desperdício de alimentos. A questão é se estamos conscientes de que cada uma dessas escolhas está diretamente relacionada à preservação do “purificador de ar do planeta”.

Três etapas essenciais

Durante seus trabalhos com a educação ambiental em parceria com a sociedade civil na Universidade Federal do Pará, a professora Araújo conheceu os membros da Soka Gakkai do Brasil.


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Muitos estudantes atravessam o rio de barco para chegar à universidade

Muitos estudantes atravessam o rio de barco para chegar à universidade


Professora Araújo

A forma como a Soka Gakkai promove a solidariedade, transcendendo diferenças de religião e nacionalidade, encantando as pessoas e transformando cada uma delas em protagonista da mudança social, me tocou profundamente.

Tenho grande respeito pelo trabalho que vocês vêm realizando há décadas em prol da educação ambiental, protegendo o futuro da Amazônia e do planeta. As palavras e ações do Dr. Ikeda, que tem liderado esse movimento, me encorajaram muito.

Leio com atenção suas propostas de paz anuais e do meio ambiente. Elas estão repletas de sabedoria criativa, sugestões concretas e, acima de tudo, palavras que empoderam as pessoas — despertando a força que já existe dentro de cada uma delas.

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Em sua proposta ambiental publicada em 2002, Ikeda sensei apresentou três etapas essenciais que devem ser valorizadas na educação ambiental:

1. Conhecer e aprender sobre a situação atual dos problemas ambientais.

2. Revisar nosso modo de viver com vistas a um futuro sustentável.

3. Empoderar as pessoas para que se levantem juntas e tomem ações concretas para resolver os problemas.


A primeira etapa certamente tem sido posta em prática por muitos educadores. No entanto, a professora Araújo, que acredita firmemente que a “educação ambiental” é, em essência, uma “educação do modo de viver”, afirma que as etapas 2 e 3 são absolutamente indispensáveis.

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Professora Araújo

Nas disciplinas que ministro nos três cursos, utilizo as propostas do Dr. Ikeda como material, e estudo, reflito e dialogo com os estudantes sobre elas. Pergunto: “O que podemos fazer agora, com base nas propostas?”, “Como cultivar uma sensibilidade vital que nos permita coexistir com os outros e com o meio ambiente?”. Nosso cotidiano está profundamente conectado aos problemas ambientais, e é fundamental despertar em cada estudante a consciência de que possui o poder e a missão de promover mudanças positivas em escala global. Isso corresponde à segunda etapa.

Transformar essa “missão” em um “compromisso” e vivê-la com “alegria” — essa forma de viver de maneira espontânea é algo que, como educadora, eu mesma procuro exemplificar. Essa atitude é indispensável para a prática da terceira etapa. Compartilho com os estudantes que fui empoderada pelas palavras e ações do Dr. Ikeda e que as adotei como referência para minha própria vida.

Acreditar plenamente na “força interior” do ser humano

Educação que promove a transformação do modo de viver

Plantando uma única semente


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Por que se sentiu empoderada? “Porque as palavras e ações do Dr. Ikeda contém a fé no poder interior dos seres humanos”, disse a professora.

 Na Universidade Federal do Pará, livros já lidos por alunos e professores são coletados e reutilizados

Na Universidade Federal do Pará, livros já lidos por alunos e professores são coletados e reutilizados

Professora Araújo

É precisamente por que o incentivo brota de uma fé profunda que faz com que as pessoas se levantem com o desejo de “viver melhor” e deem o primeiro passo rumo à ação. Aprendi com os amigos da Soka Gakkai que essa força tem origem no budismo do Nam-myoho-renge-kyo, o qual revela a suprema dignidade da vida de todos os seres humanos — e compreendi profundamente esse princípio.

Além disso, entendi que a educação Soka, fundamentada na filosofia budista, é uma educação que começa com o estabelecimento da fé em si e nos outros, e que promove a transformação pessoal como ponto de partida para transformar o entorno e a sociedade.

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O fundador da educação Soka, Tsunesaburo Makiguchi, definiu o objetivo da educação como formar pessoas capazes de desfrutar uma vida feliz. Essa felicidade não é egoísta, do tipo “Se eu estiver bem, o resto não importa”, mas inclui o conceito social de convivência com os outros e com o meio ambiente.

Makiguchi afirmou que o ser humano é um ser que, vivendo em harmonia com o ambiente, cria valores do belo, do bem e do benefício de acordo com sua individualidade, e que, ao contribuir com a sociedade, pode sentir satisfação por ter cumprido sua missão de vida.

Conduzir o educando até o ponto em que ele possa sentir que “Aprender e viver é prazeroso”, “Valeu a pena ter nascido” — esse é o verdadeiro propósito da educação Soka.

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Professora Araújo

Acredito que estou praticando uma “educação ambiental Soka” aqui na Universidade Federal do Pará. A prova disso está na vivacidade dos alunos que estudaram o pensamento e as ações do Dr. Ikeda. Eles se reconhecem como protagonistas da transformação e se encorajam mutuamente na busca por uma “forma de viver melhor”.

Muitos jovens estão atuando como agentes da preservação da Amazônia e da educação ambiental, trabalhando em escolas da região e órgãos públicos. Há ex-alunos que, em parceria com moradores locais, iniciaram projetos de agricultura sustentável e de regeneração florestal.

Também participei de atividades de plantio de árvores. Quando se planta uma única semente na terra, ela cresce e se transforma em uma árvore, que dá flores e frutos. Da mesma forma, quando se planta uma “semente de esperança e de ação” no coração de uma pessoa, ela certamente produzirá os frutos da “felicidade” e de um “mundo sustentável”.

A educação que transforma o ser humano de dentro para fora é, sem dúvida, a melhor forma de educação ambiental — capaz de transformar também o futuro do planeta.

Clique aqui e leia a parte 1 que narra a história da Escola Estadual Eça de Queiroz, em Diadema.

Clique aqui e leia a parte 2 que narra a história da cidade de São José dos Campos — Uma cidade onde os ideais dos Três Mestres Soka estão enraizados nas escolas.

Clique aqui e leia a parte 3 que narra a história Rio de Janeiro — Seja o farol que ilumina o “Porto da Esperança”.

Clique aqui e leia a parte 4 que narra a história Santana de Parnaíba — a matemática pode tornar as pessoas felizes?.

Clique aqui e leia a parte 5 que narra o desenvolvimento do Colégio Soka do Brasil

Clique aqui e leia a p arte 6 que narra a Academia Magia da Leitura da Coordenadoria Educacional da BSGI

Clique aqui e leia as partes 7 e 8 que narra os avanços da educação em Belém. 

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