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Caderno Soka
há 24 anos

O dia em que o mundo parou

10/08/2002

O dia em que o mundo parou

Começa em Johannesburgo a Rio+10

Talvez não seja a melhor forma de conscientizar as pessoas, mas com certeza é preciso fazer algo. Assim, acatando uma proposta feita por Maurice Strong, um dos organizadores da Eco-92, os países do mundo inteiro farão um minuto de silêncio ao meio dia (horário local) do próximo dia 26, uma segunda-feira. É que nesse dia começa em Johannesburgo, África do Sul, a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, a qual, entre outros objetivos, avaliará o que foi feito nesses dez anos que se seguiram à Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. Essa foi a maneira que os organizadores desse evento encontraram para chamar a atenção do mundo para um problema que insiste em desafiar este novo século: o da preservação ambiental.

O que é a Rio+10

A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, também chamada Rio+10, está sendo considerada um dos mais importantes eventos internacionais. Será realizada em Johannesburgo de 26 de agosto a 4 de setembro e reunirá milhares de participantes, entre eles, alguns chefes de Estado e líderes de organizações não-governamentais, sem contar outros que participarão indiretamente do evento, como jornalistas, pessoal de apoio e turistas. Os organizadores prepararam-se para recepcionar até sessenta mil pessoas, se necessário.

Em 1997, quando foi realizada uma sessão especial da Assembléia das Nações Unidas para reavaliar a Eco-92 (que se chamou Rio+5), verificou-se que ainda restava muito a fazer do programado na Agenda 21. Assim, em 2000, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas propôs a realização da Rio+10.

O protocolo de Quioto

Uma das mais importantes e, ao mesmo tempo, mais polêmicas questões relacionadas à proteção ambiental é a adoção do Protocolo de Quioto pelos países do mundo, algo que os Estados Unidos principalmente vem evitando a todo custo.

Por esse protocolo, os países signatários concordaram em reduzir em 5,2% (com base em índices de 1990) a emissão dos gases que causam o efeito estufa. O problema é que isso requer pesados investimentos, inclusive com alteração de plantas industriais, especialmente no caso dos países mais desenvolvidos industrialmente, como os Estados Unidos, responsável por 1/3 da emissão desses gases.

Em julho último, o Brasil promulgou uma lei tornando essa meta obrigatória. Atualmente, 77 países já assinaram o Protocolo, porém, todos eles juntos respondem por apenas 36% dos gases emitidos, 19% a menos do que as expectativas traçadas.

Os eventos paralelos

Paralelamente à Rio+10, diversos outros eventos também serão realizados em Johannesburgo por organizações e grupos de atuação independente em relação às Nações Unidas. Entre eles, estão: o Fórum Global da Sociedade Civil, o Fórum de Negócios, o Fórum sobre Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, a Conferência Internacional dos Povos Indígenas sobre o Desenvolvimento Sustentável e vários outros.

O que será tratado

Avaliar antigos problemas e identificar novos, além de renovar compromissos assumidos pelas nações. Todas essas questões foram agrupadas em tópicos que serão analisados durante o evento. São eles:

1) Erradicação da pobreza;

2) Mudança dos padrões insustentáveis de produção, consumo e manejo de recursos naturais;

3) Desenvolvimento sustentável em um mundo globalizado;

4) Iniciativas de desenvolvimento sustentável para a África;

5) Meios de implementação e

6) Fortalecimento da governança para o desenvolvimento sustentável.

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