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Relato
há 20 anos

A prática budista mudou minha vida!

23/09/2006

A prática budista mudou minha vida!
No início de 1993, Edinho estava num ponto de ônibus da rua da Consolação. Para sua surpresa, deparou-se com um de seus ídolos, o músico que o havia influenciado a interessar-se pela música: era Luís Vagner, membro da BSGI, que logo o convidou para seu show no fim de semana, no Centro Cultural Vergueiro. Edinho foi. Após o show, conversando com o músico enquanto o ajudava a carregar a aparelhagem, se deu conta de estar em frente ao Centro Cultural da BSGI. “Luís disse que guardaria os instrumentos ali, pois seu mestre viria ao Brasil e ele e sua banda tocariam para ele. ‘Mestre?’, perguntei eu. Então ele me explicou tudo sobre a BSGI e acabei participando do meu primeiro Gongyo com os músicos.”

Segunda-feira, Edinho já participava de sua primeira reunião budista. A partir daí, ele foi percebendo que diversos aspectos de sua vida e personalidade precisavam ser lapidados.

O jovem julgava não ter problemas, mas também não tinha objetivos claros. “Era conduzido por tendências cármicas e não realizava nada de valor e, mesmo sem notar, fazia as pessoas sofrerem, principalmente nos relacionamentos afetivos.”

Com a prática da fé, Edinho percebeu sua verdadeira natureza e se deu conta de que estava rodeado de pessoas mais perdidas do que ele. “Elas passavam as noites em bares filosofando sobre como consertar o mundo, mas nada faziam para mudar. Não tinham conquistas, nem dinheiro, não sustentavam projeto algum, não se desenvolviam e estavam sempre envolvidos com bebidas e drogas. Era uma vida miserável.”

Edinho enxergou com mais clareza o seu ambiente e quis mudá-lo. “Se eu não estava gostando do que via, precisava fazer algo.”

A pessoa que o ajudou a perceber isso foi Eliane Tavelli, que o fez estudar ainda mais a filosofia e fortalecer sua fé, ela foi seu primeiro Chakubuku e tornou-se sua esposa.

“Dessa forma, apeguei-me aos incentivos do presidente Ikeda de que deveria cuidar da saúde e não falecer nos próximos dez anos, e sim fortalecer a prática da fé e o estudo dos escritos de Nitiren Daishonin. E, além disso, de permanecer sempre ligado a ele, pois no final, quem assim o fizesse teria um brilho especial. Vi inúmeros amigos e pessoas que admirava falecendo ou com a vida destruída. Eu não faleci. E nunca falhei em minhas orações diárias. Para mim, este é o meu maior triunfo e benefício.”

Edinho tinha de crescer como ser humano e como cidadão, desafiar seus limites, fazer o que nunca havia feito e, para vencer neste aspecto, voltou a estudar. Ele havia começado os cursos de Psicologia, Filosofia, Música, mas os abandonou. Isso era uma tendência em sua vida: não concluir o que começava. Fazia muitas coisas, porém, não se especializava em nada. Isso o incomodava.

Ouvindo os incentivos de veteranos percebeu que, para estar à altura de seu mestre, tinha de vencer. Estudar era um desafio, que o permitiria traçar projetos de vida, conquistar seu espaço na sociedade e alcançar a felicidade.

Antes mesmo de ser músico, Edinho sonhava em ser escritor. Então, desafiou-se a cursar Letras, e mesmo sem condições para fazer um bom cursinho, inscreveu-se para o vestibular da USP. Após o desafio, a vitória: foi aprovado.

Na época, Edinho já editava o site que havia criado sobre literatura e arte, um projeto pessoal considerado por especialistas um dos melhores sites de literatura do Brasil. Nele, escrevem colaboradores de todo o Brasil e de outros países. Jornalistas de renome, críticos literários e escritores da nova cena literária nacional abraçaram o projeto.

Buscando alternativas

O ano de 2002 foi o da virada para Edinho: casou-se com Eliane, e, ainda em lua-de-mel, comemorou a entrada na universidade.

Para ele, o treinamento recebido na DJ foi fundamental, e lhe mostrou o que é ser um verdadeiro discípulo que honra seu mestre.

Tudo parecia bem. Edinho passou para a DS e continuou a se empenhar. Em 2005 algo o incomodava: não ter um trabalho fixo, com férias remuneradas e que garantisse o bem-estar de sua esposa e sua filha que nasceria em dezembro do mesmo ano. Desafiou a recitação de duas horas diárias de Daimoku, almejando também o sucesso da convenção da sua divisão.

“Na época, eu trabalhava como oficineiro de música na Estação Especial da Lapa, fazia trabalhos como revisor de textos e editor do site que possuo. Os trabalhos eram prazerosos, mas não seguros nem ofereciam benefícios. E no caso das oficinas, nas férias não trabalhava; portanto, não recebia.”

Sua convenção foi ótima e, em outubro, surgiu a possibilidade de Edinho trabalhar em um famoso Instituto Cultural, cobrindo a licença-maternidade de uma escritora. Ele foi indicado e seu desejo era o de ser contratado.

“Uma semana antes de ela sair de licença me avisou que sua gerente já havia colocado outra pessoa no lugar. Não desanimei.”

Em dezembro, Sophia Miki nasceu. Perfeita e, como dizem os pais, “um presente”, o nome em japonês foi uma sugestão do presidente Ikeda. O tempo passou e o casal se endividou. “O Daimoku e a participação nas atividades eram as vigas-mestras que nos sustentavam nessas ocasiões.”

Lá estavam eles, mês de férias, sem trabalho, com um bebê, sem salário, e Edinho decidido a não voltar para as oficinas da Estação. Fazia revisões esporádicas, que mal sustentavam a família. Nessas circunstâncias, o casal aumentou as horas de Daimoku, e, assim, os benefícios surgiram.

“Fui convidado para participar de um evento literário em Fortaleza como palestrante para falar sobre o meu trabalho como editor do site de literatura e arte. Fiquei quatro dias na cidade com tudo pago e um bom cachê, o que nos tiraria do sufoco imediato.” Lá, participou de programas de TV, foi entrevistado pelos principais jornais do Ceará, tratado como celebridade. Um programa do qual participou foi gravado em DVD, e é transmitido pelas TVs educativas do Nordeste, e distribuído em bibliotecas públicas do Ceará. “Essa maravilhosa experiência foi fruto de meu trabalho, mas a repercussão foi devido à prática sincera.”

Ao voltar recebi um trabalho de revisão da editora de uma grande universidade, o que me garantiria certa estabilidade financeira.

A grande virada!

“No carnaval, enquanto todos brincavam, desafiamos recitar de 7 a 10 horas de Daimoku para conseguir algo definitivo. Após o desafio, minha sogra depositou em nossa conta um grande valor financeiro como parte de um litígio trabalhista do pai da Eliane que se arrastava havia 10 anos. Esse foi um benefício que acredito ter vindo na hora certa devido a nossa prática.”

Com o dinheiro, o casal pagou todas as dívidas, até mesmo uma dívida de cartão de crédito que o banco não conseguia encontrar. Era a primeira vez que ele insistia em pagar algo que uma instituição financeira dizia que não precisava. “Eu tinha de transformar meu carma financeiro de uma vez por todas. Quando você faz a causa ela continua latente, até encontrar a condição necessária para se manifestar. Eu estava vencendo a mim mesmo. A minha própria tendência negativa.”

Pagando tudo, o casal trocou o oratório e acertou os aluguéis atrasados. “A proprietária é nossa vizinha, tínhamos de passar uma boa impressão de nossa prática, uma vez que ela nos observava recitar Daimoku. Quando sugerimos pagar seis meses adiantado, ela disse que não precisava, pois sabia que éramos honestos e admirava nosso empenho e atitude.”

O dinheiro acabou e o bom emprego não chegava. Edinho orou mais. O gráfico de Daimoku que ele havia começado em janeiro estava quase completo quando ligaram para ele do mesmo Instituto Cultural dizendo que estariam selecionando um revisor para ocupar a vaga de uma funcionária que estava se aposentando. Ele foi fazer a entrevista e o teste. Estava confiante. Lá já conheciam seu trabalho no site, o que era um diferencial, pois precisavam de alguém que revisasse e escrevesse. A tão aguardada resposta veio: a vaga era sua.

“Hoje trabalho no Núcleo de Comunicação de um famoso instituto cultural, como auxiliar de cultura, dentro de um plano de carreira. Com carteira assinada, plano de saúde para mim e minha família, plano odontológico, vale-refeição, vale-transporte, ajuda de custo para a creche de Sophia, férias remuneradas, com décimo terceiro salário, ajuda de custo para curso de línguas, horário flexível, com abono de horas para que eu possa ir para a universidade etc. Enfim, como desejei. No budismo não há oração sem resposta. Eu venci. Se não fosse a prática budista talvez eu ainda estivesse no caminho de uma vida miserável. Hoje sou o ‘Pilar de minha família’ e, mais do que nunca, acredito na veracidade das palavras de Nitiren Daishonin: ‘Aqueles que crêem no Sutra de Lótus são como o inverno; o inverno nunca falha em se tornar primavera. Nunca se ouviu falar de verão que se tornou outono. Nem de um devoto do Sutra de Lótus que se tornou um mortal comum.’” (WND, pág. 536.)

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