BS
Caderno da Comunidade
há 20 anos
Como conduzir uma reunião de palestra dinâmica e motivadora?
23/09/2006

Antônio Nakamura: A reunião de palestra não exige uma fórmula ou um modelo para ser bem sucedida. Muitos são os líderes cheios de criatividade que se preocupam em preencher o tempo da reunião com fórmulas bombásticas, dinâmicas de grupo e outras apresentações, visando cativar os participantes, principalmente os convidados. Qualquer estratégia é válida, desde que seja executada com o comprometimento integral pela vitória e felicidade das pessoas.
Uma reunião informal com o objetivo de transmitir verdadeiramente o espírito humanista da prática do budismo, quando atinge o âmago da vida das pessoas, torna-se muito mais eficaz do que planos teóricos, mas vazios de propósitos.
No entanto, por se tratar da reunião que promove o primeiro contato entre os convidados e a organização, deve-se tomar os devidos cuidados para não se criar uma má impressão aos visitantes.
BS: Como deve ser feita a programação?
AN: Todos os itens da programação devem ser antecipadamente verificados e alterados caso se verifique a necessidade. Devemos sempre imaginar participar ou ouvir do ponto de vista dos convidados e não ficar somente preocupados com a própria performance.
Tenho ouvido com freqüência em diversas reuniões de palestra ou atividades voltadas para os convidados chamamentos feitos pelo apresentador e que se tornaram até vícios corriqueiros, mas que já se caracterizaram em paradigmas que devem ser quebrados.
Por exemplo, no momento de apresentar os convidados, é comum ouvir: “Quem está aqui pela primeira vez?” Naturalmente, há aqueles que já participaram algumas vezes e ainda não se decidiram pela prática. Porém não é a primeira vez que estão em uma reunião. Então, é muito melhor perguntar: “Quem dos senhores ainda não é membro?” Pode parecer um detalhe inexpressivo, mas toda vez que isso acontece, pessoas são apontadas por outras que dizem que elas são convidadas, criando assim um ambiente que as deixam nitidamente perturbadas. O ideal mesmo é que haja pessoas preparadas na recepção listando os nomes de todos e suas condições (se é membro, se é convidado e quantas reuniões já participou), especialmente quem é o seu apresentador.
BS: E quanto aos itens como canções, relatos de experiência, postura do apresentador?
AN: Deve-se treinar bem a letra e a melodia antes de tudo. Se o ritmo ou a letra ainda não são de domínio geral entre os membros, deve ser evitado enquanto perdurar essa situação. Aquele que irá reger e bradar o início da canção, também deve ser muito bem objetivo e comedido. Normalmente dizem: “Para animar ainda mais esta reunião, vamos cantar com todo o ânimo, OK? — e repete: OK?” Não há necessidade de forçar respostas.
As canções nas reuniões foram criadas para animar e alegrar o coração de todos os participantes das atividades. Desnecessário dizer, então, sobre a impressão que fica naqueles que presenciam regência mal feita e canções sem ritmo e sem sentido.
Da mesma forma, o apresentador (shikai) jamais deve julgar e externar observações como: “Vocês estão cansados? Não tomaram café hoje? Vamos animar mais!”, ou ainda: “Não ouvi! Mais ânimo, gente!”
Talvez, no passado, essas atitudes tenham suritdo alguns bons efeitos. Mas, na atualidade, esse tipo de chamado é absolutamente constrangedor, tanto para os convidados como para muitos dos membros e dirigentes.
Um ponto alto, também numa reunião de palestra, são os relatos de experiência. São depoimentos que externam os sentimentos daqueles que receberam os benefícios da prática da fé. Porém, deve-se tomar o devido cuidado para não transformar a prática do budismo na conquista apenas de desejos materiais ou de resolução de problemas seculares. Os verdadeiros benefícios da Lei Mística devem ser enfatizados nos relatos de comprovação, não pelo objetivo em si, mas principalmente pela convicção que a pessoa adquiriu por meio da recitação da oração ao Gohonzon.
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