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Budismo na Vida Diária
há 20 anos

Leitura literal e substancial

(1a parte)

23/09/2006

Leitura literal e substancial
Todos os dias em nossas orações, lemos trechos do 2o capítulo Hoben (Meios) e do 16o capítulo Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda) do Sutra de Lótus e recitamos o Daimoku (recitação contínua do Nam-myoho-rengue-kyo. Essa leitura do sutra não consiste somente em ler o que está escrito (leitura literal), o que seria algo sem sentido, afinal não entendemos o que lemos no sutra. Essa leitura possui sim, um significado mais profundo e abrangente (leitura substancial) que dá sentido à nossa prática da fé diária.

Em suas explanações, o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, distinguia rigorosamente a leitura literal, ou a leitura do ponto de vista de Sakyamuni e de Tient’ai, da leitura substancial, ou aquela do ponto de vista de Nitiren Daishonin, e explicava a forma correta de ler o sutra nos Últimos Dias da Lei.

Que tipo de leitura é exatamente a “substancial”? Em síntese, é ler o sutra do ponto de vista do vasto estado de vida do Buda Original, cujo desejo é possibilitar que todas as pessoas, em qualquer época, conquistem a verdadeira felicidade.

O Grande Mestre Tient’ai leu o significado literal do Sutra de Lótus e interpretou suas passagens e frases habilmente. Já Nitiren Daishonin leu o Sutra de Lótus profundamente, aplicando o princípio de “texto, significado e intenção” para a leitura do sutra. “Texto” refere-se ao conteúdo literal do sutra. “Significado” indica a doutrina ou o princípio ao qual o texto se refere. Quando nos restringimos apenas a examinar o texto literal do escrito, não podemos ir mais além do seu “significado”.

Ao ler o Sutra de Lótus em seu âmago, Daishonin chega à conclusão de que sua essência é o Nam-myoho-rengue-kyo. (Gosho Zenshu, pág. 709.)

Conforme explica o presidente Ikeda, “A essência de uma doutrina”, o “âmago de todos os fenômenos”, é a própria sabedoria do Buda, que pulsa pelos vinte e oito capítulos do sutra. E essa sabedoria é o Nam-myoho-rengue-kyo.

Ou seja, quando se diz que Nitiren Daishonin leu o Sutra de Lótus, devemos ter em mente que ele não estava lendo literalmente o Sutra de Lótus que Sakyamuni expôs. Ele estava lendo o sutra em termos do significado contido em suas profundezas, a partir de seu estado de vida como o Buda Original dos Últimos Dias da Lei, conforme explana o presidente Ikeda. É isso o que ele quer dizer ao referir-se ao “ensino teórico que eu li” e ao “capítulo Juryo de minha iluminação interior.”

Daishonin “leu o Sutra de Lótus com sua vida” praticando com o espírito de “não poupar a própria vida”. A essência do Sutra de Lótus, pela qual Daishonin arriscou a própria vida para propagar, é o “Sutra de Lótus dos Últimos Dias”, o “Sutra de Lótus do significado substancial” — ou seja, o Nam-myoho-rengue-kyo.

Visto dessa perspectiva, o Sutra de Lótus de vinte e oito capítulos torna-se em sua totalidade uma explanação do Nam-myoho-rengue-kyo. Uma “leitura substancial”, aqui, é ler o Sutra de Lótus do ponto de vista do Nam-myoho-rengue-kyo.

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