marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Nova Revolução Humana
há 5 meses

Renascimento do humanismo

Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Dr. Daisaku Ikeda

11/09/2025

Renascimento do humanismo

Palestra comemorativa proferida pelo presidente Ikeda na Universidade Harvard (1991)

Parte 65
Shin’ichi Yamamoto entrou em ação visualizando uma nova era de paz após o fim da Guerra Fria. Em abril de 1991, visitou a Universidade das Filipinas para promover o intercâmbio educacional e cultural. Lá, proferiu uma palestra comemorativa intitulada “Além do Lucro” na formatura da Faculdade de Administração de Empresas. Nesse dia, recebeu o título de doutor honoris causa em direito dessa instituição.

No início de junho, ele viajou para a Europa onde visitou a Alemanha depois de sua primeira visita a Luxemburgo, antes de se dirigir à França e ao Reino Unido. Em cada país, continuou seus esforços para promover o intercâmbio cultural, como também para realizar encontros e diálogos com intelectuais e líderes das nações. Do final de setembro a início de outubro, viajou para os Estados Unidos, e no dia 26 de setembro, promoveu a palestra comemorativa “A Era do Soft Power” na Universidade Harvard.

E quando se encontrava no Japão, ele estava ocupado viajando para incentivar os preciosos companheiros das diversas localidades, dedicando todas as suas forças.

Na segunda problemática do clero ocorrida desta vez, os membros enxergaram com serenidade a astuta conspiração dos clérigos e lutaram resolutamente com apaixonada determinação de “refutar o errôneo e revelar o verdadeiro”.

Desde a primeira problemática do clero quando Shin’ichi renunciou ao cargo de presidente da Soka Gakkai, ele concentrou sua atenção a cada um dos membros da organização, encorajando-os individualmente, visando construir, mais uma vez, uma sólida Soka Gakkai unida pelos laços de mestre e discípulos que vivem pela missão em prol do kosen-rufu. Prosseguiu com os esforços para incentivá-los com orientações individuais, visitas familiares, diálogos em pequenos grupos, e participando dos variados tipos de reuniões.

Ele procurava fazer as refeições junto com os membros o máximo possível, transformando-as em oportunidades para dialogar com eles. Além disso, aproveitava cada momento livre para compor versos e poemas, e inscrever caligrafias ou dedicatórias em livros e cartões para incentivos e mais incentivos aos companheiros.

Shin’ichi se dedicou incansavelmente, disposto a dar tudo de si pela felicidade e pelo crescimento dos membros. Era uma luta frenética para infundir-lhes o espírito do kosen-rufu, com o forte desejo de que “todos se tornassem um herói a levantar-se só”.

Como resultado desses esforços, os jovens sucessores se desenvolveram de forma esplêndida, edificando o grande castelo Soka unidos pelos laços diamantinos e indestrutíveis de mestre e discípulo. E os laços desse espírito de mestre e discípulo se expandiram para o coração dos membros do mundo inteiro.

Ações dedicadas com a vida ressoam no coração das pessoas.

Parte 66
Cada vez que participava de uma reunião mensal de líderes e de outras atividades, Shin’ichi Yamamoto discorria sobre o espírito de Nichiren Daishonin, que desejava a felicidade das pessoas e sobre o verdadeiro comportamento de um budista.

Certa ocasião, falou da importância de lutar com coragem em prol da liberdade, citando palavras do comediante Charles Chaplin; em outra oportunidade, mencionou Os Miseráveis, obra de Victor Hugo, na qual clamava: “O povo deve se tornar forte!; o povo deve se tornar sábio!; e o povo deve se levantar!”.

Ele afirmou que, conforme os escritos de Nichiren Daishonin, as adversidades enfrentadas pela organização eram a prova da retidão da luta da Soka Gakkai pelo kosen-rufu. Enfatizou que, à luz das doutrinas do budismo, as pessoas que vivem em prol do kosen-rufu, acreditam no Gohonzon e trilham a trajetória da prática budista são budas, e a reforma religiosa pelo bem do povo é o caminho correto. E ainda confirmou alguns pontos essenciais, tais como “Budismo é voltado para a felicidade de cada pessoa”, “O Budismo do Sol é um ensinamento igualitário e universal”, “O grande caminho do kosen-rufu mundial deve ter sempre o ‘Gohonzon como base’ e o ‘Gosho como base’”.

A transmissão via satélite para todo o Japão, que se iniciou na primeira convenção de Tóquio, Japão, realizada em 24 de agosto de 1989, desempenhou papel importante como força para superar as opressões de Nikken e do clero da Nichiren Shoshu, unindo o coração dos membros da Soka Gakkai. Anteriormente, eram feitas transmissões simultâneas de voz por linhas telefônicas, mas a partir dessa reunião a imagem passou a ser transmitida às sedes do país.

Com o sentimento de dialogar com os membros, Shin’ichi discursava esclarecendo, de vários ângulos, “o certo e o errado”, “qual a real natureza da problemática do clero”, “o modo correto de viver como ser humano”, entre outros. Uma sólida união nasce da conscientização comum.

Pela transmissão via satélite, os membros conheceram a verdade e a real natureza da problemática de forma correta e profunda. Compreenderam o real sentimento de Shin’ichi, que desejava unicamente o kosen-rufu com a determinação de viver pela missão. O coração deles se uniu firmemente com a determinação de “Haja o que houver, não seremos derrotados pelas estratégias do clero corrompido, e vamos lutar juntos em prol do kosen-rufu!”.

Parte 67
Em 8 de novembro de 1991, chegou à sede da Soka Gakkai um documento do clero da Nichiren Shoshu intitulado “Recomendação para Dissolução da Soka Gakkai”, datado de 7 de novembro e em nome do administrador-chefe e sumo prelado Nikken Abe e do administrador-geral Nichijun Fujimoto. O documento destinava-se ao presidente honorário da Soka Gakkai e presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Shin’ichi Yamamoto; ao presidente da Soka Gakkai e diretor-geral da SGI, Eisuke Akizuki; e ao diretor-geral da Soka Gakkai, Kazumasa Morikawa.

O documento afirmava que, considerando-se os respectivos papéis de mestres e discípulos, havia clara distinção entre clérigos e adeptos leigos da Nichiren Shoshu. O fato de a Soka Gakkai não reverenciar o sumo prelado e demais clérigos, clamando pela igualdade, é uma “visão distorcida que destrói a relação de mestre e discípulo entre clérigos e leigos”. Citando isso como motivo, o clero recomendava a dissolução da Soka Gakkai e de todas as organizações da SGI.

Entretanto, em 1952, a Soka Gakkai já havia sido constituída como organização religiosa independente da Nichiren Shoshu. Essa medida foi tomada com base na aguda percepção de futuro pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, que estava determinado a cumprir a missão pelo kosen-rufu. Assim, o clero não estava em posição legal nem possuía qualquer autoridade para obrigar a dissolução da organização.

O presidente Josei Toda possuía uma visão perspicaz do futuro. Ele declarou: “Quando o clero acumular riquezas, descartará a Soka Gakkai!. Vou tomar todas as medidas para quando isso acontecer”. Sua sábia decisão serviu para proteger a Soka Gakkai, organização que defende o correto ensinamento do Budismo de Nichiren Daishonin.

Os membros da Soka Gakkai zombaram do absurdo dos argumentos contidos no documento do clero.

“Eles andam dizendo coisas que lhes convêm, tais como os leigos devem obediência de corpo e alma ao sumo prelado, e os clérigos são os mestres dos adeptos. Mas o que realmente importa são as ações que vieram realizando!”

“Quase nunca fizeram shakubuku nem orientações individuais para inspirar alguém na prática da fé. Como é que os sacerdotes que somente buscam prazeres e diversões podem orientar os membros da Soka Gakkai que vieram se dedicando, de coração, em prol do kosen-rufu?”

Essas foram algumas opiniões manifestadas pelos membros.

No dia 8 de novembro, a Divisão Feminina de Tóquio realizou o Encontro da Renascença. Algumas mulheres que haviam trabalhado nos templos da Nichiren Shoshu relataram a degradação do modo de vida dos clérigos e de seus familiares, como também o comportamento arrogante deles completamente destituído de fé. Todas fortaleceram suas decisões de que “Chegou a hora do renascimento do humanismo, rompendo as amarras da autoridade clerical”.

Assim, chegava o momento em que crescia a tendência de retorno ao ponto primordial do budismo, denominado “religião em prol do ser humano”.

declaracao_josei_tda

Josei Toda e a declaração da Soka Gakkai como organização religiosa independente da Nichiren Shoshu, publicada no jornal Seikyo Shimbun de 20 de junho de 1952

debate

Parte 68

Em 8 de novembro de 1991, após ter recebido o documento denominado “Recomendação para Dissolução da Soka Gakkai” do clero da Nichiren Shoshu, o presidente Eisuke Akizuki e outros líderes da Soka Gakkai deram uma entrevista coletiva à imprensa.

Eles afirmaram que o conteúdo desse documento era totalmente sem sentido, e discorreram sobre a realidade do clero que se desviara enormemente da doutrina e do espírito do Budismo de Nichiren Daishonin.

Também citaram as profundas raízes da natureza do clero em desprezar os adeptos leigos, assim como a recusa em dialogar e suas visões intolerantes, criticando inclusive a Soka Gakkai por realizar apresentação de corais, em alemão, de Ode à Alegria, de Beethoven. E declararam que a Soka Gakkai estava atualmente empenhada em tentar despertar a Nichiren Shoshu para esse tipo de autoritarismo intolerante e fazer uma reforma religiosa em meio à realidade da ampla expansão do Budismo de Daishonin como religião mundial.

Os líderes da Soka Gakkai informaram que a indignação dos membros de todo o país era muito grande, e eles próprios já haviam tomado a iniciativa de coletar assinaturas exigindo a renúncia do sumo prelado.

A corrupção e a decadência do clero buscando prazeres e diversões, bem como a ganância por dinheiro se aproveitando de cerimônias fúnebres e da confecção de tábuas de madeira (jap. toba) em memória de falecidos, eram desenfreadas.

Fazendo uso da autoridade clerical sobre os sinceros membros da organização, os clérigos os ameaçavam repetidamente dizendo-lhes que se tratava de “calúnia” e que “cairiam no inferno”.

Os membros da Soka Gakkai se convenceram de que tal comportamento do clero era imperdoável e pisoteava a retidão do Budismo de Daishonin. Era uma situação deplorável que lembrava os sacerdotes corruptos da Idade Média.

Então, eles começaram a questionar qual era a finalidade da religião e a quem se destinava seus ensinamentos.

Shin’ichi Yamamoto falou constantemente sobre a correta trajetória da fé, enfatizando a importância de “retornar ao ponto fundamental do Gohonzon”, de “retornar ao espírito de Nichiren Daishonin” e de “retornar aos ensinamentos fundamentais do Gosho”.

À medida que o autoritarismo coercitivo do clero da Nichiren Shoshu se tornava cada vez mais aparente, os membros aprofundaram a consciência da necessidade de reviver o espírito original de Nichiren Daishonin de conduzir a reforma religiosa em prol da felicidade do ser humano e de avançar rumo ao kosen-rufu mundial.

O poder das pessoas que despertaram para esse ponto se tornou uma nova onda para reforma, retornando ao espírito de Nichiren Daishonin. Iniciou-se, assim, uma reanálise dos tradicionais ritos e práticas, como a cerimônia de funeral e a designação de nomes póstumos.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Ilustrações: Kenichiro Uchida

Compartilhe

Copy to clipboard