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Asas para o futuro
há 8 anos
Viajando pela Cordilheira dos Andes
Matéria a ser utilizada no Dia do Sucessor Ikeda 2030 pela DE‑Esperança e DE-Herdeiro
09/06/2018

No nosso planeta existem várias cordilheiras magnificentes.
Em minhas viagens ao redor do mundo, vi inúmeras montanhas. A vista dos Andes na América do Sul foi especialmente deslumbrante.
A Cordilheira dos Andes percorre a fronteira de sete países sul-americanos, e seu comprimento total é de quase um quarto da circunferência da Terra.
No começo do ano de 1993, embarquei numa jornada de 57 dias pelas Américas do Sul e do Norte, saindo dos Estados Unidos e viajando até Colômbia, Brasil, Argentina, Paraguai e, finalmente, Chile.
Durante meu voo para o Chile, uma vista panorâmica da planície andina surgiu abaixo de nós.
José de San Martin, uma das figuras da independência da América do Sul, é conhecido por liderar suas tropas através dos Andes para conquistar uma vitória para o povo que parecia impossível.
O Chile foi o quinquagésimo país que visitei desde que iniciei minhas viagens pela paz em 1960, partindo dos Estados Unidos. Naquela ocasião, fiz um juramento em meu coração para o meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda: “Sensei, estarei ao seu lado eternamente, escalando com coragem as mais altas montanhas do kosen-rufu mundial”.
Pouco antes do seu falecimento, o Sr. Toda me disse: “Sonhei que fui ao México, todos estão esperando” (Brasil Seikyo, ed. 2.184, 22 abr. 2013, p. C2). Então, observando-me atentamente e apertando minha mão, ele continuou: “Daisaku, o mundo é seu desafio, seu verdadeiro palco” (Brasil Seikyo, ed. 2.279, 13 jun. 2015, p. B2).
Cumprindo seu objetivo do kosen-rufu no Japão, Toda sensei confiou a mim, seu discípulo, sua grandiosa visão do kosen‑rufu mundial.
Abraçando seu espírito, dei o meu máximo. Eu não tinha boa condição de saúde quando jovem, e o médico disse que não conseguiria chegar aos 30 anos. Mesmo assim, continuei me esforçando para tornar realidade o sonho do meu mestre.
Na América do Sul, tão longe, do outro lado do globo em relação ao Japão, já existiam muitos membros se esforçando para concretizar o kosen-rufu em seu país.
Assim que nosso avião se aproximou da capital do Chile, Santiago, olhei novamente pela janela. O sol estava se pondo e o brilho do entardecer se refletia nas montanhas cobertas de neve, fazendo-as resplandecerem. Olhando para cima, vi uma linda lua crescente e a estrela da tarde, o planeta Vênus. Naquele dia compus o seguinte poema:
Voando sobre
os picos cobertos de neve dos Andes
banhados na luz dourada magnificente
do sol poente,
chorei, “eu venci!”
Meus esforços para abrir o caminho do kosen-rufu pelo mundo foi o caminho do compartilhamento do esforço de mestre e discípulo. Meu mestre esteve sempre comigo em meu coração, em qualquer lugar que eu estivesse.
O sonho do mestre é o sonho do discípulo. A vitória do discípulo é a vitória do mestre. Esse é o caminho Soka de mestre e discípulo. Gostaria que todos vocês, meus jovens sucessores da Divisão dos Estudantes, também seguissem esse caminho.
A Divisão dos Estudantes é minha vida. Nesse sentido, considero todas as vitórias dos Estudantes como minhas próprias.
O ex-presidente do Chile Patricio Aylwin [1918–2016],¹ por quem tenho grande respeito e admiração, disse certa vez que enxergava a vida como “um trabalho em progresso, o eterno desafio de cumprir nossa missão”.²
Aylwin foi pensador e líder político brilhante que ajudou a dar fim à ditadura militar, que durou mais de dezesseis anos, e a restaurar a democracia em seu país. Nos seus quatro anos de mandato presidencial (a partir de março de 1990), dedicou-se ao crescimento e desenvolvimento do Chile. Em novembro de 1992, tornou-se o primeiro chefe de Estado chileno a visitar o Japão. Encontrei-me com ele em Tóquio nessa ocasião.
Três meses depois, eu o visitei em seu gabinete presidencial no Chile e tivemos um alegre reencontro. Em julho de 1994, recepcionei Aylwin e sua esposa, Leonor Oyarzún, na Universidade Soka do Japão, onde tivemos outro intercâmbio amigável.
Nosso diálogo, intitulado Alborada del Pacífico [Amanhecer do Pacífico], foi publicado nos idiomas espanhol e japonês.
Jamais me esquecerei do tom descontraído e agradável de Patricio Aylwin, sua personalidade receptiva e despretensiosa, sobretudo seu firme comprometimento à sua crença na justiça social. Como os jornais chilenos o louvavam por “seu sorriso gentil”³ (símbolo de sua recusa à derrota pelas mais duras adversidades), guardei profunda e duradoura lembrança do seu sorriso brilhante como o sol.
Ele também foi um garoto frágil, porém se recorda que sua má condição de saúde proporcionou-lhe muito tempo para ler. Leu muitos bons livros, e um de seus clássicos favoritos, segundo ele, era Os Miseráveis, de Victor Hugo. Aylwin refletiu que as lições que aprendeu com a leitura enquanto garoto foram decisivas para moldar sua sensibilidade para os problemas sociais, especialmente pelo bem-estar dos mais pobres.⁴ Sua missão foi criada com a experiência de ler bons livros quando jovem.
Além disso, o modo como o pai viveu teve uma influência poderosa sobre Aylwin. Com a tristeza de perder os pais quando garoto, o pai dele estudou intensamente, tornou‑se advogado e passou a ajudar as pessoas, e em seus anos finais de vida, serviu como presidente da Suprema Corte do Chile.
Patricio Aylwin descreveu o pai como “extremamente rigoroso, mas amigável e genuíno com os outros, sempre profundamente preocupado com a condição dos mais pobres”.⁵ Com esse exemplo diante dele, cresceu como um homem que dedicou a vida à justiça social. Ele seguiu os passos do seu pai, tornando-se também advogado, e trabalhou arduamente. Essa maneira de encarar a vida o levou a enfrentar vários desafios na sociedade. Na busca pela justiça e pela lei, escolheu o caminho da política como forma de cumprir sua missão.
Naquela ocasião, sob a ditadura militar chilena, inúmeras pessoas foram presas e mortas, muitas suportaram grandes sofrimentos e quase um milhão de pessoas saíram do país.
Lutando corajosa e incessantemente durante esse período tumultuoso, Aylwin se deparou com um momento decisivo. Em outubro de 1988, o governo militar clamou por um plebiscito para obter um voto de confiança da população. Como exercia imenso poder sobre o povo, o governo levianamente presumiu que as pessoas votariam para legitimar sua ditadura.
Com indomável confiança nas pessoas, Aylwin agarrou-se àquela chance. Utilizando o plano do governo militar contra o próprio governo, usou o plebiscito para pôr fim à ditadura.
Muitos na época o ridicularizaram dizendo que seria impossível vencer o plebiscito, mas ele estava determinado a vencer pelo bem da justiça e da verdade, não importando as probabilidades. Então, reuniu uma pessoa após a outra e construiu vasta rede das que desejavam a democracia. Aylwin usava palavras em vez da violência; sorria em vez de dar ordens; agia com coragem em vez de com medo; e cantava com esperança em vez de chorar de desespero.
O plebiscito resultou numa grandiosa rejeição ao governo militar. Até então, a estrondosa alegria da vitória do povo subia aos céus do Chile, ecoando pelos Andes.
Aylwin proclamou mais tarde: “A história é feita por homens e mulheres que dão tudo para construir um mundo melhor”.⁶
A firme determinação e esforço com todo o coração para a vitória nessa luta tornaram-se a força para mudar a história.
O Chile é uma nação de apaixonante espírito poético. O poeta chileno ganhador do Prêmio Nobel de literatura, Pablo Neruda (1904–1973), declarou: “O indivíduo é mais poderoso que qualquer calamidade. Nenhum desastre, nenhum sofrimento, nenhuma adversidade pode derrotar a humanidade”.⁷
A nobreza da humanidade reside em lutar contra a adversidade e triunfar sobre ela.
Nichiren Daishonin afirma: “O budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota” (CEND, v. II, p. 95). Tanto o budismo quanto a vida visam a vitória.
Vocês também vão se deparar com esforços decisivos em sua vida. Estudar é um desafio assim como fazer provas e praticar esportes. Levantar‑se e sair das cobertas toda manhã, sentar‑se para estudar e ser um bom filho ou filha também exigem esforço.
A cada dia, lutamos contra nossas fraquezas, contra o desejo de desistir. Vencer a nós mesmos é a luta mais elementar de todas. A principal força motriz para a vitória nessa luta é a fé ao recitar Nam-myoho-renge-kyo.
Quando recitam daimoku ao Gohonzon com a decisão de vencer e agem para que isso aconteça, vocês triunfarão em qualquer área.
Quando falharem em algum desafio na primeira tentativa, apenas se levantem e vençam na próxima vez. Se perderem hoje, vençam amanhã! Se perderem 99 de 100 chances, vençam na última tentativa, e então terão alcançado a vitória. Esse tipo de esforço determinado é o que torna uma pessoa forte.
Compus um quinto verso para a canção das Escolas Soka de Ensino Fundamental e Médio, chamada Eis Aqui o Espírito Invencível, em 2009, com as seguintes linhas: “Estudem e vençam / Pelo mundo afora / O espírito invencível com alegria”.
Não há pessimismo ou arrependimento no coração daqueles que continuam estudando arduamente na juventude, não importando o que aconteça. Tais jovens continuarão a conduzir uma vida alegre, otimista e feliz e a transmitir alegria para todos ao redor.
Dois dias antes da minha visita ao Chile em 1993, compareci a uma reunião geral da SGI‑Paraguai, na qual disse aos meus queridos membros presentes: “A vida é sempre uma luta. E jamais devemos ser derrotados. Ao mesmo tempo que fazem brilhar o mais radiante sol da fé, por favor, conduzam o tipo de vida com o qual possam declarar confiantemente até o fim de seus dias ‘Eu venci!’” (Brasil Seikyo, ed. 1.235, 24 jul. 1993, p. 5).
Os membros da Divisão dos Estudantes que conheci nessa atividade se tornaram pessoas excepcionais, demonstrando a prova real da vitória na vida.
Neste momento, tomem a frente em direção ao verdadeiro palco de sua juventude, com renovada disposição!
Vamos corajosamente superar um encontro após o outro e exclamar com orgulho:“Eu venci!”.
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