TC
Estudo
há 14 anos
Transformar nossa vida limitada numa vida de vitórias
[7] “A Prova do Sutra de Lótus”
20/07/2012

Uma pessoa não tem nada a temer quando está determinada a dedicar seu limitado tempo de vida neste mundo para propagar amplamente a Lei Mística [Chakubuku] e estabelecer o ensino correto para a paz da nação. Não há nada a temer quando se está determinado a levantar bem alto a bandeira da suprema vitória e da glória, e alcançar a felicidade que perdurará ao longo das três existências.
Mais uma vez, numa carta endereçada à monja leiga Toki, Daishonin escreve: “Cuide-se e não encha sua mente de pensamentos angustiantes” (WND, v. 1, p. 656). A natureza do ser humano é se afligir, desistir ou hesitar instintivamente por causa de uma grave doença ou de sua permanência por muito tempo, causando o enfraquecimento do próprio corpo e de sua energia. Mas não importa o que nos aflija, devemos viver com a determinação de não ceder à dor ou à tristeza. Com relação à prática da fé, devemos fortalecê-la, motivando-nos para lutar contra o demônio da doença para não sermos derrotados por ela. A chave para isso é recitar Nam-myoho-rengue-kyo — o Daimoku da Lei Mística — sobre o qual Nitiren Daishonin declara: “Somente o barco do Myoho-rengue-kyo possibilita atravessar o mar dos sofrimentos do nascimento e da morte“ (END, v. I, p. 83). O poder benéfico da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, mesmo que seja por uma vez, é ilimitado e imensurável. O importante é continuarmos avançando em nosso coração a cada dia, ainda que seja apenas um ou dois milímetros; é darmos um passo adiante em nossa vida, fortalecendo a “fé dia após dia e mês após mês” (END, v. I, p. 304), assegura Daishonin. Mesmo que as coisas não progridam da maneira como esperamos, devemos lembrar que muitos companheiros também estão orando para que fiquemos bem. Não há força maior que esta.
Se houver uma contínua luta contra a maldade da doença fundamentada na prática da fé, todas as doenças serão oportunidades para mudar nosso carma por meio do poder benéfico da Lei Mística para transformar o veneno em remédio. Como Daishonin proclama: “Não há nada a lamentar quando consideramos que certamente nos tornaremos budas” (WND, v. 1, p. 657). Ele nos ensina sobre a existência de uma condição de vida de absoluta tranquilidade em que não há necessidade de se afligir.
O nobre valor da vida como ser humano
Praticamos o Budismo Nitiren para vivermos a vida ao máximo. O benefício de viver um dia a mais, por meio da fé na Lei Mística, é imensurável. Viver um dia a mais é a possibilidade de propagar muito mais os ensinamentos do Budismo. Isso faz nossa vida ser dotada de uma infinita boa sorte e benefícios. O aspecto daqueles que lutam baseados na fé contra o demônio da doença transmite aos outros, mesmo sem palavras, o nobre valor da vida como ser humano. Como praticantes do Budismo Nitiren, nosso comportamento deve ser o de resplandecer nossa vida, junto com a de outras pessoas, fazendo evidenciar sabedoria e benevolência, independentemente das circunstâncias. Este é o modo que nós, da SGI, vivemos nossa vida.
Por isso, também é importante a sabedoria para sermos saudáveis. Fé significa ter sabedoria para prevenir a doença e lidar com ela de maneira adequada, caso ela surja, para continuarmos criando valores com nossa vida. Por exemplo, quando temos de superar uma grave doença ou estamos no início da recuperação, devemos ter o cuidado para não forçar nossos limites. Esta é a sabedoria vital para a nossa saúde. Quando adoecemos, não devemos ser impacientes ou descuidados. Ao precisarmos de descanso, devemos ouvir nosso corpo e não exagerar. Uma vez recuperados plenamente, podemos voltar a nos dedicar às atividades da Soka Gakkai repletos de energia e vigor como gostamos.
Ao saber que seu discípulo Sairen-bo quis se isolar nas montanhas por causa de problemas de saúde, Daishonin respondeu dizendo-lhe para fazer o tratamento, recuperar-se e, em seguida, voltar a se dedicar para propagar a Lei Mística com o espírito de não poupar a própria vida (cf. WND, v. 2, p. 460).17
Não podemos derrotar o demônio da doença com fraca determinação. Se esquecermos do espírito de luta conjunta com o mestre pelo Kossen-rufu, “demônios se aproveitarão” (END, v. I, p. 304).
Na Soka Gakkai, incontáveis membros já comprovaram e estabeleceram a prática da fé para lutar contra a maldade da doença. Alguns desses membros, mesmo quando estiveram internados no hospital, encorajaram os visitantes e os outros pacientes e demonstraram brilhantemente o poder da transformação do veneno em remédio ao se recusarem a ser derrotados pelo demônio da doença.
Envolvidos pelo calor e pela sinceridade do Daimoku dos companheiros e dos familiares, eles venceram a maldade da doença e se tornaram protagonistas deste palco de vitórias de grande alegria. Assim, os membros fazem seus relatos de luta contra a doença e comprovam naturalmente a grandiosidade do Budismo.
Demônios! Se causarem sofrimento a este discípulo, vão engolir uma espada pela ponta, ou terão em mãos um inferno em fúria, ou se tornarão inimigos de todos os budas de todo o universo, nas três existências da vida! Quão terrível isto lhes será! Melhor seria curar imediatamente a enfermidade e protegê-lo, se desejarem ter esperanças de escapar dos piores sofrimentos a que estão sujeitos. Do contrário, terão a cabeça partida em sete pedaços e, após falecerem, cairão no inferno de incessantes sofrimentos. Guardem para sempre as palavras de Nitiren na mente, pois, caso não as levem a sério, vão se arrepender sem falha (END, v. I, p. 423-426).
O estado elevado de absoluta confiança para “combater demônios”
“Demônios!”, brada Nitiren Daishonin nesta passagem, que constitui uma repreensão com raiva das funções demoníacas empenhadas em tirar a vida de seu jovem discípulo. Como já mencionei, isso é uma refutação de Daishonin como devoto do Sutra de Lótus, na qual ele pretende denunciar o errôneo e esclarecer a verdade. Em outras palavras, é Chakubuku. Ele adverte que provocar sofrimento a Nanjo Tokimitsu, um discípulo do devoto do Sutra de Lótus, é se tornar inimigo de todos os Budas das Dez Direções e das Três Existências.
Aqui, o termo “demônios” (kijin, em japonês) refere-se às funções negativas que buscam enfraquecer as pessoas e roubar-lhes a vida. O Budismo esclarece a existência do “demônio do mal” (akkijin, em japonês), que provoca o sofrimento e aflige os praticantes do Budismo, e do “demônio do bem” (zen kijin, em japonês), cuja função é proteger o Budismo. Nesta passagem, Nitiren Daishonin exige que os demônios curem imediatamente a doença de Nanjo Tokimitsu e que se tornem demônios benevolentes que vão protegê-lo em vez de prejudicá-lo. “Melhor seria curar imediatamente a enfermidade e protegê-lo, se desejarem ter esperanças de escapar dos piores sofrimentos a que estão sujeitos“ (END, v. I, p. 426), diz ele. Demônios representam seres que caíram no mundo dos espíritos famintos, um estado de grande sofrimento. Apenas o Sutra de Lótus é capaz de libertá-los deste reino de sofrimento.
Neste escrito, Daishonin adverte os demônios que atormentam Nanjo Tokimitsu, ordenando-os a combater a própria condição de vida de sofrimentos e manifestando proteção a este praticante do Sutra de Lótus. Caso contrário, diz ele, “terão a cabeça partida em sete pedaços e, após falecerem, cairão no grande inferno de incessantes sofrimentos” (cf. END, v. I, p. 426). Dessa forma, Daishonin repreende severamente os demônios. Sem dúvida, ele quis mostrar a Nanjo Tokimitsu sua destemida convicção como devoto do Sutra de Lótus.
Por essa razão, devemos fortalecer cada vez mais as orações do devoto do Sutra de Lótus, repreender a maldade da doença com o brado “Demônios!” e estabelecer um avanço com a determinação de transformar todos os “demônios do mal” em aliados da missão do nosso curso de vida.
Portanto, é importante recitar o Daimoku de rugido do leão. Daishonin escreve: “O Nam-myoho-rengue-kyo é como o rugido de um leão. Que doença pode, portanto, ser um obstáculo? Está escrito no Sutra que os que abraçam o Daimoku do Sutra de Lótus serão protegidos pela Kishimojin19 e suas dez filhas20 (END, v. I, p. 275).
Seja qual for a maldade da doença, a vitória absoluta é você confrontá-la com uma prática da fé que desperta no coração a poderosa coragem de um rei leão.
Daishonin também confrontou resolutamente a própria doença com o coração de um rei leão. No momento em que escrevia “A Prova do Sutra de Lótus”, ele sofria com graves problemas de saúde. Numa carta escrita no ano anterior (1281), ele diz: “Meu corpo está esgotado e meu espírito sofre com as lutas diárias, perseguições mensais, e dois exílios. É por isso que esses sete ou oito últimos anos de doença têm me vencido, embora nenhum deles tenha me conduzido a uma crise” (WND, v. 2, p. 949).
Entretanto, não importam quais tenham sido suas circunstâncias, Daishonin continuou a oferecer incentivos a seus discípulos por meio de cartas, a lutar incansavelmente para propagar o ensinamento correto. Vemos um exemplo claro neste escrito, pois Nitiren Daishonin escreveu, apesar de sua enfermidade, e focou no bem de um jovem a quem ele confiou o futuro.
Em outra carta, já no fim de sua vida, Daishonin expressa sua consideração pela visita de um discípulo e seus sinceros oferecimentos para beneficiar sua saúde. O Buda escreve que sentiu estar apto o suficiente para pegar um tigre ou mesmo montar num leão (cf . WND, v. 2, p. 991).21
Para incentivar seus discípulos, Nitiren Daishonin demonstrava o aspecto de quem expulsou os Três Obstáculos e as Quatro Maldades. Ao fazer isso, ele nos deixou um exemplo inspirador de uma vida livre de sofrimentos do nascimento, envelhecimento, doença e morte.
Viver é a própria alegria
O Sr. Makiguti afirmou: “O principal requisito para a felicidade é a boa saúde. E as atividades são o primeiro requisito para a boa saúde”. Boa saúde significa ter um espírito de luta. Makiguti Sensei nos ensinou que não há melhor maneira de ser saudável do que participar ativamente das atividades em prol do Kossen-rufu.
O Sr. Makiguti sempre abraçou calorosamente aqueles que lutavam contra a doença. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, ele viajou para a casa de uma família de membros na aldeia de Shimotsuma, província de Ibaraki, para visitar uma criança de 7 anos que estava doente. Isso aconteceu um ano antes de ele ser preso pelas autoridades militares japonesas por suas crenças.
Meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, incentivou: “Por receber o Gohonzon, mesmo aqueles preocupados ou ansiosos com a doença ou outros problemas serão capazes de ter paz de espírito. Essas pessoas dizem com toda certeza: ‘Viver é a própria satisfação’.
“No entanto, por vivermos como seres dos nove mundos, o sofrimento é manifestado. Mas, descobrimos que a natureza dos nossos problemas pode mudar. Por exemplo, enquanto estamos inquietos com nossas preocupações, somos capazes de nos atentarmos aos problemas e sofrimentos dos outros. O estado de Buda não seria a própria satisfação de viver?”
Ele também disse: “Exteriormente, às vezes, podemos nos parecer com um ‘Bodhisattva Pobreza’ ou um ‘Bodhisattva Doença’, mas é apenas um papel que estamos encenando no drama da vida. Na realidade, o verdadeiro lugar dessa vida é no interior de nosso aspecto autêntico como Bodhisattvas da Terra! Como a vida é um grande drama, devemos desfrutar completamente do papel que assumimos e comprovarmos a grandiosidade da Lei Mística.
“A Lei Mística é a espada afiada que nos liberta de uma vida acorrentada nos sofrimentos da doença ou da dificuldade financeira. Libertar toda a humanidade dessas amarras é a missão e o espírito da Soka Gakkai”.
O que é a verdadeira saúde? Não é simplesmente a ausência de doença. Saúde é confrontar a doença com alegria a ponto de inspirar as outras pessoas a terem esperança. Aqueles que transformam o carma da doença em missão e manifestam uma poderosa vitalidade já triunfaram sobre o demônio da doença. A verdadeira saúde do corpo e da mente é encontrada em meio à vigorosa luta, baseada numa corajosa prática da fé de um rei leão. Este é o ensinamento do Budismo Nitiren.
Em outra carta enviada a seu discípulo Ota, Daishonin escreve: “De um lado, saber que o senhor está em agonia aflige-me; mas, do outro, estou feliz [porque isso representa uma oportunidade de mudar seu carma e transformar o veneno em remédio]” (WND, v. 1, p. 631). Ele diz isso porque, pela perspectiva do Budismo, a doença serve como um meio para aprofundarmos nossa fé; ao mesmo tempo, indica que estamos no caminho correto para manifestar o estado de Buda. Por essa razão, a doença provoca alegrias.
O fato de que a luta contra a doença pode enriquecer e prolongar a vida de uma pessoa é algo que muitos pensadores reconhecem. O filósofo suíço Carl Hilty (1833–1909), escreveu: “Toda doença deixa sua marca, como as águas de nossos rios. Aquele que apreende corretamente e resiste à doença torna-se mais profundo, mais forte, maior, ganha ideias e convicções que nunca antes tinha ocorrido a ele”.22
Em nosso caso, baseamos a vida na Lei Mística. Quando fazemos isso, todo sofrimento é transformado em felicidade. Aqueles que lutam contra a doença estão escalando a montanha do estado de Buda. Quando chegar ao cume, eles desfrutarão de uma vista ampla e magnífica. Todos os seus sofrimentos no presente se tornarão um precioso tesouro para construir a eterna felicidade.
Nesta carta, Nitiren Daishonin ensina ao jovem Nanjo Tokimitsu sobre este grande poder benéfico do Budismo. Alguém que jamais é derrotado, jamais desanima ou desiste, não importa o que aconteça, é um herói da saúde e da longevidade.
Minha esposa e eu continuaremos orando sincera e seriamente para que todos os companheiros do mundo desfrutem de boa saúde e de longevidade. Quando os companheiros Soka comprovam vibrantemente a saúde e a longevidade, é como realizar Chakubuku, pois essa é a luz da esperança do “século da vida”.
Oro com fervor
Para nossa retumbante vitória,
E para que todos os nossos membros
Gozem de boa saúde
E conduzam uma longa vida
repleta de realizações.
(Daibyakurengue,
edição de setembro de 2010.)
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