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Crônica
há 2 anos
A semente da prática e as raízes do bem
Iany Carla de Lima Carvalho
01/04/2025

Próximo à casa onde eu morava existia uma padaria conhecida por suas rosquinhas deliciosas. Meu pai e eu íamos até lá quase todas as tardes para garantir algumas guloseimas para o café da tarde.
Quase sempre víamos por ali um jovem que ajudava a estacionar os carros dos clientes. Ele era muito educado, mas não havia esperança em seu olhar. A missão de tornar todas as pessoas felizes fazia com que meu pai e eu desejássemos ensinar o budismo para aquele rapaz. Até que, certo dia, conseguimos esticar o braço e entregar-lhe um cartão com um incentivo do presidente Ikeda e a frase Nam-myoho-renge-kyo. Falamos com ele apressadamente: “Recite essa oração com o sincero desejo de ser feliz”. Como resposta, ele deu um sorriso tímido e guardou o cartão no bolso.
Agora a razão de ir à padaria não era mais apenas as rosquinhas, mas nos encontrar com aquele jovem a quem tínhamos plantado a semente da prática. Todas as vezes perguntávamos de longe se estava fazendo daimoku e ele rapidamente acenava de volta dizendo que sim. Eu não botava tanta fé, porém, pensava que o mais importante era ter plantado aquela semente.
Passaram-se os meses e, agora, ao chegarmos à padaria era ele quem vinha animadamente ao nosso encontro já recitando daimoku. Soubemos que sua família era muito conhecida no bairro. Nós o convidamos para participar das atividades e marcamos uma visita.
Fomos recebidos em sua casa com muita estima e ficamos surpresos com a sua espontaneidade. O jovem possuía um espelho em que, no centro, escreveu Nam-myoho-renge-kyo. Era diante dele que recitava daimoku todos os dias. Ele nos contou que, com o tempo, passou a manifestar uma nova disposição de vida, e, sem conseguir explicar com palavras, sentia uma incontida alegria. Naquele dia, decidiu se converter ao Budismo de Nichiren Daishonin.
O rapaz voltou a estudar, iniciou em um novo trabalho e transformou diversos aspectos de sua vida, relato que compartilhava com muito gosto.
Após alguns meses, por uma fatalidade, ele faleceu. No entanto, deixou uma fonte de esperança para a família por meio da prática que realizou intensamente.
Nós o conduzimos ao caminho da prática da fé, e com ele aprendemos quanto o tempo é precioso. Não podemos desperdiçá-lo, principalmente quando se trata de ensinar o budismo para o próximo. Quando o budismo entrou em sua vida, ele a transformou e legou essa herança para a família, como se daquela semente se estendesse raízes do bem.
Ikeda sensei nos garante que essa é a atitude capaz de mudar nossa própria vida e a sociedade:
O shakubuku no Budismo de Nichiren Daishonin baseia-se numa filosofia de respeito aos outros. Mostrar respeito pelos outros por meio do comportamento tem o poder de mudar a nossa vida. [...]. Ao compartilharmos respeitosamente os ensinamentos do Sutra do Lótus com outras pessoas por meio de nosso exemplo de conduta como ser humano, atingimos o estado de buda.1
Estou decidida a continuar a me empenhar nesse círculo virtuoso de ensinar e aprender, e de proporcionar a mudança na vida do outro enquanto a minha própria vida também se transforma.
Nota:
1. Terceira Civilização, ed. 520, dez. 2011, p. 50.
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