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Na prática
há 2 anos
Energia vital
Quanto mais empenho, mais força interior
Quanto mais empenho, mais força interior
Redação
01/04/2025

Casal Ikeda, com grande vitalidade, se exercita no Centro de Treinamento de Miami (Flórida, Estados Unidos, mar. 1993). Foto: SeikyoPress
“Quanto mais me empenhava, mais força brotava de dentro de mim”,1 contou Ikeda sensei o que sentia depois de tantas viagens pelo Japão e pelo mundo, encontrando-se com as pessoas, proferindo palestras e incentivos individuais na propagação do budismo.
Essa ideia de quanto mais se dedica ao outro, mais se sente repleto de energia parece contraintuitiva. O normal seria pensar que, quanto mais nos esforçamos por algo, mais cansados ou esgotados nos sentimos.
Veremos como a prática altruística ensinada no Budismo Nichiren proporciona abundante energia vital.
Atividade física traz disposição
O despertador toca, você estica o corpo, vislumbra o relógio com um olho teimando em não abrir e pondera: “Levanto-me agora para fazer exercício físico ou durmo um pouco mais?”. Parece um disparate, mas dormir alguns minutos a mais pode deixá-lo com preguiça, enquanto levantar cedo e se exercitar o torna mais disposto.
Sentir sono, mesmo depois de ter dormido um pouco mais, pode ser elucidado pela quebra do ciclo circadiano, nosso relógio biológico que regula quando devemos dormir e acordar para um descanso reparador.
A disposição quando fazemos exercício também é explicada por especialistas. O Ministério da Saúde divulga em seu artigo Como a Prática de Atividade Física Pode Melhorar a Disposição?:
A atividade física provoca diversas sensações prazerosas e que existem várias transformações que acontecem no organismo durante a prática de atividade física. Uma das mais conhecidas é liberação da serotonina e das endorfinas, que são hormônios que trazem a sensação de prazer e bem-estar.
“Na verdade, são mecanismos que fazem nosso cérebro ligar esse lado mais prazeroso da vida. Quando a gente termina de fazer uma atividade física, tem essa sensação de que as coisas ficaram melhores e mais prazerosas. A gente sorri mais”, afirma o especialista [Eduardo Kokubun, professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho].2
O artigo ainda comenta sobre os benefícios da prática de forma regular no longo prazo, em que o corpo vai se ajustando e experimentando a sensação de estar vencendo os desafios. A energia física aumenta, os músculos se adaptam para realizar contrações mais intensas e o coração aprimora sua habilidade de bombear sangue com mais eficiência. Com isso, é possível realizar movimentos mais vigorosos e duradouros. Esse sentimento de superar obstáculos contribui para a percepção de sucesso, tornando-se um meio para diminuir a ansiedade e a depressão.3
Exercício espiritual
Como vimos nesse exemplo do exercício físico, um esforço nem sempre é algo extenuante, ao contrário, pode ser revigorante.
Energia vital não se refere apenas a um aspecto físico, mas a uma força interior que reflete no ânimo e na disposição com que encaramos os fatos da vida, e, para os membros da Soka Gakkai, nos esforços como discípulos Ikeda. Como, então, extrair essa força?
As melhores academias possuem excelentes equipamentos para auxiliar no exercício físico. Nós também possuímos uma maravilhosa ferramenta, mas para exercitar nosso espírito — a prática diária do gongyo e do daimoku. Com essa prática, nossa mente pode atingir uma força incomparável, e assim fortalecemos nosso interior para fazer o melhor e com o máximo esforço possível.
O Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), explica:
O importante é orar todos os dias, mesmo que seja um pouco. Por exemplo, o alimento que ingerimos diariamente se transforma em energia para o nosso corpo. Os estudos também se tornam um bem valioso quando nos dedicamos e nos esforçamos todos os dias.
Nossa vida é formada por aquilo que realizamos e como vivemos. Por essa razão, devemos viver cada dia de forma a nos desenvolver continuamente. E a força propulsora para isso é fazer o gongyo da manhã e o da noite.
A atitude de nos esforçar em recitar o gongyo diariamente equivale ao que poderíamos chamar de exercício espiritual. Esse exercício purifica nossa vida, coloca nosso “motor” em funcionamento e nos posiciona no curso correto a cada dia, fazendo nosso corpo e nossa mente funcionarem no ritmo do dia.
O importante é ter o espírito de sentar-se diante do Gohonzon. O espírito de continuar a desafiar a si próprios e a orar ao Gohonzon todos os dias, e recitar daimoku mesmo que seja um pouco, é a atitude mais nobre.4
Fórmula da vitalidade
A pessoa que transborda energia vital advinda da prática do daimoku sente irrefreável entusiasmo e vontade de apresentar esse mesmo caminho aos outros e quanto mais faz, mais quer fazer.
Ikeda sensei compartilha “o segredo” para uma intensa atuação em prol do kosen-rufu sem ficar esgotado.
Era meados de 1962 e ele não tinha um minuto de descanso. As viagens e os encontros para incentivar as pessoas tomavam toda a sua agenda. Pela intensidade de sua atuação, algumas pessoas brincavam dizendo que pareciam existir quatro ou cinco Ikeda sensei. Aqueles que sabiam da condição de saúde admiravam-se ao ver que ele estava cada vez mais forte quanto mais intensa se tornava sua atuação. Um dos líderes que o acompanhavam perguntou “Como o senhor consegue se manter tão forte apesar de estar atuando com tanta intensidade?”.
O presidente Ikeda respondeu sorrindo:
— Creio que é o lado místico das atividades da Soka Gakkai. Tenho muitos companheiros que esperam meus incentivos. Eles estão me aguardando. Quando penso neles, não posso ficar parado e a coragem enche meu coração. Quando encontro com eles, fico tão entusiasmado em fazê-los felizes que uma forte energia vital surge intensamente em meu corpo. O ato de falar sobre o budismo, de louvar e incentivar os filhos do buda que se empenham na propagação da Lei Mística faz com que a energia dos budas e bodisatvas surja em nossa vida. Por isso, quanto mais me empenho nas atividades, mais forte fica minha saúde. Esta é a fórmula que adotei para manter a boa saúde. Naturalmente, também é preciso descansar, pois budismo é razão e nosso corpo necessita de repouso. Contudo, quando ficamos cansados depois de uma intensa atividade, na verdade sentimos uma sensação agradável e logo recuperamos as energias. (...) Entretanto, existem pessoas que estão sempre cansadas apesar de atuarem intensamente nas atividades da Soka Gakkai. Isso acontece quando têm uma participação passiva ou atuam por obrigação. Essa postura não traz alegria nem ânimo. Para manter uma boa disposição é preciso atuar com coragem e iniciativa própria, definindo os objetivos a fim de desafiar a si mesmo.5
A fórmula que Ikeda sensei ensina com o próprio exemplo é engajar-se. É nesse exercício de troca altruística que se consegue sentir ainda mais disposição.
Vencer a letargia
Vimos até aqui as maneiras pelas quais podemos extrair energia vital do nosso interior — prática do gongyo e do daimoku e engajar-se nas atividades da Soka Gakkai. Isso pode ser testado e posto em prática por qualquer pessoa. Mas e se as circunstâncias não são favoráveis?
No romance Nova Revolução Humana, de sua autoria, o presidente Ikeda compartilha o drama da vida do casal Tadaharu Igo e Tokiko.
A primeira vez que participou de uma reunião do budismo, Tokiko perguntou se a prática poderia ajudar a superar a sua doença. Ela sofria de tuberculose, e o marido que a acompanhava tinha problema nos brônquios e sofria de tosse crônica e catarro.
Ikeda sensei a incentivou:
— O poder da medicina é muito importante, mas vencer uma doença depende, no fim, da energia vital. Enquanto não transformar o carma de sofrer de doenças, poderá se recuperar de uma enfermidade, mas simplesmente acabará tendo outra. O budismo ensina como extrair a energia vital interior e mudar o carma. Eu também sofria de tuberculose no passado, mas consegui vencê-la.6
Tokiko levantou-se com a firme determinação de transformar seu carma por meio da prática do budismo. Essa motivação a levou a convidar três amigos para a reunião de palestra.
O Dr. Daisaku Ikeda descreve a reviravolta na vida de Tokiko:
Esperança, contentamento e convicção reverberavam do seu coração como uma vibrante melodia. A partir de então, sempre que se sentia bem o suficiente, participava intensamente das atividades da Soka Gakkai. Ela constatou que, quando se empenhava em propagar o budismo a outras pessoas, até se esquecia de que estava doente. Sem que percebesse, a letargia que sempre a importunara havia desaparecido e ela transbordava vitalidade.
Em dezembro daquele ano, ela se recuperou da doença e, em abril seguinte, a hematúria que a acometia havia tanto tempo tinha cessado. Ela conseguiu encerrar com êxito a luta de oito anos contra a doença.7
Ela e o marido se tornaram uma força propulsora para o avanço da localidade onde moravam.
Vinte anos mais tarde, Ikeda sensei os encontrou novamente e ficou impressionado com a mudança que tiveram. Tokiko Igo revelou que, naquela época, não estava sofrendo apenas com a doença, mas também passava por problemas financeiros extremos. Sem se deixar levar por suas circunstâncias, conseguiram vencer a inércia, manifestar energia vital e assim transformar o carma e converteram quase cem famílias ao Budismo Nichiren.
Que exemplo maravilhoso de pessoas que não se limitaram às suas circunstâncias! Esse é o ambiente criado em nossas organizações repleto de troca de incentivos mútuos e de grande energia vital. Assim, “Esforços sinceros e resolutos para encorajar e inspirar os outros nos habilitam a evidenciar coragem e força, ao passo que ver os outros revitalizados nos dá nova esperança e inspiração”,8 garante-nos Ikeda sensei.
Ikeda sensei joga tênis de mesa com estudantes do Colégio Feminino Soka de Kansai (Osaka, Japão, 14 mar. 1976)
Saudável em todos os sentidos
Empenhar-se em prol do kosen-rufu por meio das práticas diligentes individual e altruística não significa negligenciar a saúde. Pelo contrário, faz parte do mesmo objetivo de obter vitalidade.
Certa vez, revelando sua luta aos jovens, o presidente Ikeda disse que sempre teve uma constituição fraca desde a infância e sofria de tuberculose, mas quando conheceu seu mestre, Josei Toda, decidiu se tornar saudável para apoiá-lo. Foi o fato de se recusar a sucumbir à doença e o desejo de cumprir sua missão correspondendo ao seu mestre que proporcionaram a ele uma vida longa e cheia de vitalidade. Ele declara:
Quando me lembrava do meu compromisso com Toda sensei, com o kosen-rufu e com a paz mundial, sentia surgir enorme força em minha vida e sempre entrava em ação. Ao participar de várias batalhas, fiquei cada vez mais forte e saudável.
Também gostava de praticar esportes como softbol e tênis de mesa com membros da Divisão dos Estudantes quando tinha oportunidade. Além disso, pratiquei radio taisso9 junto com os jovens sempre que tinha um momento livre durante as minhas viagens ao exterior. Continuo me exercitando até hoje.10
Ikeda sensei joga beisebol com alunos da Universidade Soka (9 ago. 1974)
Meios práticos para aumentar a energia vital
Se você deseja aumentar sua energia vital, oferecemos meios práticos baseados na filosofia do Budismo de Nichiren Daishonin e nos incentivos de Ikeda sensei que podem ser incorporados em seu cotidiano:
1. Pratique com coragem e dedicação
“O Nam-myoho-renge-kyo tem o poder de extrair a força do vitorioso leão que existe dentro de nós. Por meio da oração, nossa vida se enche de vitalidade, conseguimos superar com serenidade qualquer desafio e jamais seremos derrotados.”11
2. Engaje-se no altruísmo da Soka Gakkai
“As atividades da Soka Gakkai (...) constituem ótima forma de exercício, pois é por meio delas que os membros da organização trabalham e oram pelo bem dos outros e da sociedade. Como resultado, não apenas [melhoramos] a saúde, mas também [acumulamos] boa sorte na vida.”12
3. Busque superar os próprios limites
“Se estivermos munidos de abundante energia vital, tenderemos a ter uma perspectiva positiva em relação a tudo e, quanto maior o obstáculo com que nos depararmos no caminho, mais intenso será nosso espírito guerreiro para ultrapassá-lo.”13
4. Cuide da saúde
“Budismo é razão. Um praticante do budismo cultiva a autodisciplina. Vocês são responsáveis por cuidar de sua própria saúde. Por favor, cuidem bem de si para que possam se lançar de corpo e alma ao cumprimento de sua missão pessoal.”14
O triunfo na vida
A filosofia do Budismo de Nichiren Daishonin nos ensina que nossa energia vital é uma força dinâmica, que aumenta à medida que nos dedicamos à prática do gongyo e do daimoku, às ações compassivas pelo bem do outro, à superação dos próprios limites e ao cuidado da nossa saúde integralmente.
Quanto mais nos empenhamos em prol do kosen-rufu, mais revitalizamos nossa própria vida. A prática constante e diligente faz brotar vitalidade capaz de contribuir para o fortalecimento da nossa saúde física e mental, criando um ciclo de renovação e de energia. Ao aplicar esses princípios de maneira contínua, experimentamos uma vida mais vibrante, cheia de energia e resistência para enfrentar os desafios do cotidiano.
Ikeda sensei afirma que “A prática é a vida da fé”. Então, vamos pôr nossa fé em ação para fazer manifestar vitalidade abundante da nossa vida, certos de que “Energia vital é o que aciona a coragem, a sabedoria, a perseverança e a força de que necessitamos para triunfar na vida”.15
Notas:
1. Terceira Civilização, ed. 680, abr. 2025, p. 60.
2. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2022/como-a-pratica-de-atividade-fisica-pode-melhorar-a-disposicao. Acesso em: 13 mar. 2025.
3. Ibidem.
4. Cf. RDez, ed. 226, out. 2020, p. 6-8.
5. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 6, p. 182-183, 2019.
6. Ibidem, v. 25, p. 111, 2019.
7. Ibidem, p. 112.
8. Terceira Civilização, ed. 680, abr. 2025, p. 60.
9. Série de exercícios rítmicos acompanhados por música e instruções.
10. RDez, ed. 227, nov. 2020, p. 6-7.
11. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 25, p. 25, 2019.
12. Cf. RDez, ed. 227, nov. 2020, p. 6-7.
13. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 25, p. 25, 2019.
14. Ibidem, v. 17, p. 274, 2022.
15. Ibidem, v. 25, p. 24, 2019.
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