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Heróis que superam as adversidades
há 2 anos
[Parte 28] Linus Pauling
Dr. Daisaku Ikeda
01/04/2025
![[Parte 28] Linus Pauling](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2025-04-01_21-24-37.jpeg)
Encontro de Linus Pauling (à dir.), aclamado como o “pai da química moderna”, e Daisaku Ikeda na filial da Universidade Soka (Los Angeles, Estados Unidos, fev. 1990). Os dois dialogaram em quatro ocasiões sobre formas de eliminar as armas nucleares, o que resultou na coletânea de diálogos intitulada Em Busca da Paz Duradoura. Foto Seikyo Press
Há uma personalidade que, na história da humanidade, foi a primeira a receber dois prêmios Nobel (Prêmio Nobel de Química e Prêmio Nobel da Paz) de forma independente.
Ao lado de gigantes como Galileu, Newton e Einstein, o Dr. Linus Pauling foi selecionado como um dos maiores cientistas de todos os tempos pela revista científica britânica New Scientist.
Em 1954, foi concedido ao Dr. Pauling o Prêmio Nobel de Química. Ele deixou conquistas notáveis também nas áreas da biologia e da medicina, e sua vida dedicada a levar conhecimento para o mundo ainda brilha reluzentemente até hoje.
Linus Pauling nasceu em fevereiro de 1901 em Oregon, Estados Unidos. Desde cedo, ele observou o preparo de medicamentos na farmácia do pai e imitou os experimentos. Foi assim que familiarizou-se com o mundo da química. No entanto, seu pai morreu quando ele tinha apenas 9 anos.
Para ajudar no sustento da casa, com a mãe doente e duas irmãs mais novas, trabalhou duro, entregando leite de manhã e ajudando um projecionista no cinema à noite, enquanto se empenhava nos estudos. Embora tivesse uma mente brilhante e sempre obtivesse notas altas, o jovem Linus ficou impossibilitado de pagar as mensalidades da faculdade e foi forçado a trancar a matrícula. Seu professor, ao saber disso, contratou-o como assistente e deixou-o dar palestras para seus alunos.
Depois de se esforçar nos estudos, ele ingressou na pós-graduação do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Os resultados de suas pesquisas, incluindo a redação de vários artigos, foram reconhecidos e ele foi selecionado como professor aos 30 anos. Em 1939, o Dr. Pauling publicou seu livro principal, The Nature of The Chemical Bond. Com essa obra, seu nome se tornou conhecido em todo o mundo.
No mesmo ano, a Alemanha nazista invadiu a Polônia e eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Os avanços na ciência e na tecnologia foram usados para travar a guerra, entretanto, resultaram na pior tragédia da humanidade: o lançamento de bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
O Dr. Pauling ficou angustiado e pensava se como cientista era normal ficar confinado em uma torre de marfim. Quem o ajudou a se livrar da hesitação foi sua esposa, Ava. Como mãe que foi obrigada a enviar o filho para a guerra, ela incentivou o marido a lutar juntos, dizendo: “A guerra nunca mais deve acontecer”; “Eu promoverei uma campanha com as mulheres”.
Então, o cientista ergueu-se e conclamou:
Os cientistas têm conhecimento especializado sobre as ameaças diretas e indiretas que as bombas nucleares representam; Os cientistas têm a responsabilidade social de conscientizar a todos sobre os perigos das armas nucleares.
O caminho do movimento antinuclear foi bastante árduo. Qual era a crença do Dr. Pauling em meio à sequência de perseguições e impasses? No seu livro No More War!, consta:
No mundo, existe um poder muito maior do que as forças malignas do poder militar e das bombas nucleares. É o poder do bem, o poder da moralidade e o poder do humanismo. Acredito no poder do espírito humano.
Em 1954, por ocasião do teste da bomba de hidrogênio nos Estados Unidos, o Dr. Pauling intensificou seu movimento pela paz. Ele assinou a Declaração Russell-Einstein como um dos onze cientistas a apelar pela total proibição das armas nucleares. Ele participou de comícios antinucleares e esteve na linha de frente das manifestações ao lado da esposa.
Além disso, espalhou uma petição em que apelava para a suspensão imediata dos testes nucleares no mundo inteiro. Ele conseguiu recolher assinaturas de mais de 13 mil cientistas e o documento foi entregue às Nações Unidas.
Enquanto os movimentos contra a guerra e as armas nucleares ganhavam força, uma tempestade do macarthismo (movimento de repressão política aos comunistas) assolava os Estados Unidos. O cientista foi rotulado como comunista e se tornou alvo de opressão. Até o passaporte que ele solicitou para ir à cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Química só foi aprovado no último minuto. Ele continuou a ser criticado e caluniado pela mídia e sua posição como chefe de departamento universitário também foi retirada.
Um comitê do Senado dos Estados Unidos intimou o Dr. Pauling como testemunha e exigiu que ele revelasse o nome daqueles que ajudaram na campanha de assinaturas. Se não se dispusesse a testemunhar, poderia ser acusado de desrespeito ao congresso. Mesmo assim, o Dr. Pauling recusou resolutamente.
Não posso revelar o nome daqueles que me ajudaram na minha campanha de assinaturas sabendo que eles podem vir a enfrentar alguma forma de punição por parte do comitê.
Nenhuma ameaça ou interferência poderia fazer um verdadeiro guerreiro que despertou para a sua missão sucumbir.
A justiça da luta pela paz deu frutos em 1963 com a entrada em vigor do Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares entre os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a União Soviética. Imediatamente depois disso, foi anunciada a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao Dr. Pauling.
Ele continuou se dedicando com paixão por pesquisas e atividades destinadas a minimizar o sofrimento humano. Foi nesse período que ele conheceu os livros e as propostas de paz de Ikeda sensei e se simpatizou profundamente com seus pensamentos e ações.
O primeiro encontro entre os dois ocorreu em fevereiro de 1987. A partir daí, eles se falaram em quatro ocasiões e uma coletânea do diálogo deles foi publicada com o título Em Busca da Paz Duradoura.
O cientista declarou:
Prevenir guerras que causam sofrimento às pessoas é tarefa de cada um de nós. Não é responsabilidade de mais ninguém. Por isso, conclamo aos jovens, em especial, a assumir como sua responsabilidade banir a guerra da face da terra.
Devemos salientar constantemente que vivemos atualmente num único mundo. Todos os passageiros da nave espacial Terra partilham um destino em comum.
O livro, que fornece sugestões importantes para resolver questões globais, foi traduzido para vários idiomas e é amplamente lido e apreciado em muitos países.
Dr. Linus Pauling tece comentários após a palestra proferida pelo presidente Ikeda na Faculdade Claremont McKenna, nos Estados Unidos. Na ocasião, o Dr. Pauling disse: “Devemos nos esforçar para agir de acordo com o ‘número nove’ da teoria dos dez mundos, ou seja, erguer-se com o espírito de um bodisatva” (jan. 1993)
Em janeiro de 1993, um ano antes de falecer, aos 93 anos, o Dr. Pauling pegou um avião e ainda viajou de carro até a Faculdade Claremont McKenna, nos Estados Unidos, para ouvir uma palestra do presidente Ikeda. Ao final do discurso de Ikeda sensei, ele fez a seguinte declaração:
O estado de um bodisatva ensinado no budismo é o que torna a humanidade feliz. A ação de estender a mão com sinceridade para aqueles que estão sofrendo é exatamente o que o mundo precisa agora.
Nós temos a Soka Gakkai e temos o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, que se dedica à construção da paz, que é a missão original da religião.
Em sua última conversa com o Dr. Pauling (em março de 1993), Ikeda sensei propôs a realização de uma exposição para divulgar a história e as conquistas do Dr. Pauling. Com a cooperação do seu filho, Dr. Pauling Jr., a exibição Linus Pauling e o Século 20 foi inaugurada em 1998. A mostra percorreu cidades dos Estados Unidos, do Japão e da Europa e, até 2003, já tinha sido visitada por mais de um milhão de pessoas.
Em 2001, Ikeda sensei recebeu o primeiro “Prêmio do Centenário Linus Pauling para Ciência, Paz e Saúde” do comitê de seleção do prêmio em reconhecimento às suas notáveis contribuições pela paz.
Além disso, a fim de preservar o espírito do Dr. Pauling e de sua esposa, Ava, Ikeda sensei nomeou um dos prédios da Universidade Soka da América de “Edifício Casal Pauling”. Um busto do Dr. Pauling foi oferecido ao Colégio Soka de Tóquio com a esperança de que “dali, um dia, despontem em sucessão grandiosos cientistas e líderes como o Dr. Pauling, dignos de receber o Prêmio Nobel”.
Reflexões do presidente Ikeda
“O Dr. Pauling citou duas razões pelas quais ele foi capaz de fazer tantas descobertas. Uma foi ‘continuar a pensar com mais cuidado que os outros’. A outra foi ‘aplicar ideias de um campo em outros’. Acredito que esses são princípios que não se aplicam apenas ao mundo acadêmico, mas a todas as áreas”
Dr. Daisaku Ikeda
Em uma obra na qual Ikeda sensei fala sobre o Dr. Pauling, consta:
“Há pessoas com quem posso falar sobre a paz. Voarei para qualquer lugar para ir ao encontro delas.” Ponderei que essa paixão era a sua fonte de saúde. [...]
Se se esquecer de desafiar a realização de algum “sonho” e passar a viver uma vida somente para se autopreservar, protegendo apenas o seu eu atual, isso seria uma vida saudável?
Mesmo que seja apenas um sonho distante, deve tomar medidas em direção a esse ideal. Esse espírito de luta não seria a essência de uma vida saudável?1
O Dr. Pauling citou duas razões pelas quais ele foi capaz de fazer tantas descobertas. Uma foi “continuar a pensar com mais cuidado que os outros”. A outra foi “aplicar ideias de um campo em outros”. Acredito que esses são princípios que não se aplicam apenas ao mundo acadêmico, mas a todas as áreas.
Pode haver momentos em que você terá de trabalhar em uma área que não se encaixa e na qual não se sente confortável. No entanto, mesmo em tal situação, desde que você não fuja, nunca perca o desejo de melhorar e continue a ser paciente e inventivo, sem falta, a luz fulgurante da sabedoria brilhará.2
Em sua coletânea de diálogos com o Dr. Pauling, Em Busca da Paz Duradoura, Ikeda sensei conclamou:
Não é exagero dizer que não há outra razão para uma religião existir senão servir e contribuir para a felicidade e a paz das pessoas.
Portanto, podemos dizer que a “religião em prol das pessoas” é a “religião em prol da paz”. Nesse sentido, acredito que se busque uma “religião em prol das pessoas”, como o budismo, e isso dará uma grande contribuição à sociedade humana. [...]
A missão dos budistas é negar todas as formas de violência, a começar pela guerra, e dedicar-se à felicidade da humanidade e à prosperidade do mundo.
Vamos transformar, sem falta, o século de guerras num século sem conflitos! O futuro de paz que a humanidade anseia será aberto por meio da coragem e da solidariedade das ações dos praticantes budistas conscientes de sua missão, em especial, dos jovens da Soka Gakkai.
Notas:
1. Watashi no Sekai Koyu-roku [Recordações de Meus Amigos do Mundo].
2. Kokoro no Shiki [As Quatro Estações do Coração].
Citações/referências:
PAULING, L. No More War [Guerras Nunca Mais]. Tradução: Koyata Niwa. Kodansha.
MURATA, A. Linus Pauling no Hachiju San-nen [Os Oitenta e Três Anos de Linus Pauling]. Kyoritsu Shuppan.
PAULING, L.; IKEDA, D. Seimei no Seiki e no Tankyu [Em Busca da Paz Duradoura]. Yomiuri Shimbun.
IKEDA, D. Kokoro no Shiki [As Quatro Estações do Coração]. Daisanbunmei-sha.
IKEDA, D. Watashi no Sekai Koyu-roku [Recordações de Meus Amigos do Mundo]. Yomiuri Shimbun.
Fotos: Seikyo Press
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