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Estudo
há 13 dias
[98] Capítulos “Surgimento da Torre de Tesouro” e “Devadatta” Seja um buda que brilhe ao máximo em meio às realidades deste mundo
Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda
Redação
01/09/2026
![[98] Capítulos “Surgimento da Torre de Tesouro” e “Devadatta” Seja um buda que brilhe ao máximo em meio às realidades deste mundo](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2026-08-31_17-57-31.jpeg)
Presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, sentados ao centro, com os companheiros da Soka Gakkai do Havaí (out. 1980)
Explanação
“Mesmo que desejemos que a primavera continue, ela deverá dar lugar ao verão” (CEND, v. I, p. 703). Nichiren Daishonin usa a inexorável progressão das estações como metáfora para o irrefreável desenvolvimento do kosen-rufu.
A Soka Gakkai continua avançando com crescente ímpeto e cumprindo sua missão em conformidade com o desígnio do Buda — transitando da primavera de flores coloridas para o início do verão de resplandecentes lírios-brancos.
Junho é o mês das mulheres Soka.2Por todo o Japão, as integrantes da nossa Divisão das Mulheres promovem convenções em pequenos grupos, nobres encontros que lembram lírios perfumados. Minha esposa e eu estamos orando e aguardando ansiosamente o grande sucesso dessas atividades como se nós próprios estivéssemos participando desses círculos de diálogo repletos de alegria.
Em 7 de junho de 1978 — há 45 anos —, estive presente em uma reunião dedicada a líderes da então Divisão Feminina para o descerramento de uma placa comemorativa contendo a letra da canção de minha autoria, Mãe, na Sede da Divisão Feminina da Soka Gakkai (atual Centro Cultural de Shinano).
Mãe! Oh, mãe!
Que força imensa e misteriosa
você tem!
Em 4 de junho de 2009, quando visitei o Centro da Divisão Feminina de Jovens Soka (atual Centro Ikeda Kayo Soka), observei com as integrantes Kay
Oh! Uma nova era —
chegou a hora
Uma estrada dourada
agora se abre
diante de nós
Chegou a hora, e hoje as mulheres Soka, envolvendo os outros carinhosamente com sua “força imensa” e sua conduta dinâmica e positiva, avançam entusiasticamente pela sua “estrada dourada”. Daishonin com certeza tece os mais elevados louvores ao exemplo inspirador delas.
Desejando-lhes saúde e vitórias, como os tesouros da Soka Gakkai, certa ocasião eu lhes disse: “Cada uma de vocês é o tesouro mais valioso de todos. A felicidade não se encontra fora de vocês. Não há nada mais maravilhoso que vocês. É isso que o budismo ensina, habilitando-as a fazer brilhar seu tesouro mais precioso — vocês próprias. É o que o torna uma filosofia genuína”.
Foto do Castelo de Nagoya capturada por Ikeda sensei durante a sua visita a Aichi, localizada na região de Chubu (Japão, maio 1995)
Somos entidades da Lei Mística supremamente nobres
Sinos cravejados de joias preciosas, árvores cravejadas de joias preciosas, flores cravejadas de joias preciosas, mantos cravejados de joias preciosas, urnas cravejadas de joias preciosas — o mundo descrito no Sutra do Lótus é adornado com todos os tipos de tesouros. As palavras “tesouro” e “joia preciosa” fazem parte do nome de vários bodisatvas e divindades, como o bodisatva Acúmulo de Joias Preciosas e o ser celestial Fulgor Precioso, e até do nome de budas, como Muitos Tesouros.3 Mas nenhum deles se compara em esplendor e magnificência à torre de tesouro, que está inteiramente adornada de joias e aparece no capítulo 11, “Surgimento da Torre de Tesouro”, do Sutra do Lótus.
O capítulo 10, “O Mestre da Lei”, que o precede, afirma que depois da morte do Buda, onde quer que o Sutra do Lótus seja praticado, devem se erigir e adornar torres de tesouro e se realizar oferecimentos a elas (consulte LSOC, cap. 10, p. 204). E, então, no início do capítulo seguinte, “Torre de Tesouro”, uma torre colossal repentinamente emerge da terra.
Essa torre de tesouro é adornada com sete tipos de tesouros: ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, ágata, pérola e cornalina.4 Ela sobe a uma altura de 500 yojana5— aproximadamente um terço do diâmetro do planeta Terra — e tem 250 yojana de largura. Abundantemente decorada com colares de pedras preciosas e trilhões de sinos cravejados de joias, a torre exala uma fragrância maravilhosa que impregna as quatro direções (consulte LSOC, cap. 11, p. 209).
O buda Muitos Tesouros está sentado dentro da torre. Após Shakyamuni transformar a terra três vezes,6 a torre se abre e Shakyamuni se senta na torre ao lado do buda Muitos Tesouros. Os seres presentes na assembleia no Pico da Águia então são erguidos ao ar e a Cerimônia no Ar7tem início.
Qual é a real relevância da torre de tesouro? Qual o significado dos acontecimentos descritos durante a Cerimônia no Ar? Ao longo de todo o Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin explana que eles ensinam que nós próprios somos seres supremamente nobres que incorporam a Lei Mística.
Presidente Ikeda encontra-se com os membros da Divisão dos Estudantes em sua visita ao Chile (Santiago, fev. 1993)
Trecho 1 do escrito
Capítulo 11: “Surgimento da Torre de Tesouro”
Vinte pontos importantes: Ponto 2, com relação aos sete tesouros da passagem “Naquele momento, perante o Buda, havia uma torre adornada com sete tesouros”.
O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente diz: “Os sete tesouros são audição, como ao ouvir a Lei; crença; manutenção dos preceitos; meditação, diligência, renúncia ao apego a desejos mundanos; e senso de vergonha (ou refletir sobre si mesmo). Em outros termos, podemosdizer que se refiram aos sete orifícios na cabeça: olhos, ouvidos, narinas e a boca”.
Agora, Nichiren e seus seguidores, que recitam Nam-myoho-renge-kyo, são praticantes “adornados com os sete tesouros”. (OTT, p. 89)
A Cerimônia no Ar descreve o drama da própria vida
O surgimento da torre de tesouro, a tríplice transformação da terra e a Cerimônia no Ar narrados no Sutra do Lótus podem parecer fantasias desvairadas ou contos de fadas, no entanto, no Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin afirma: “Agora, Nichiren e seus seguidores, que recitam Nam-myoho-renge-kyo, são praticantes ‘adornados com os sete tesouros’” (OTT, p. 89). A torre de tesouro, esplendorosa com sete tipos de pedras preciosas, não apenas exalta a nobreza do Sutra do Lótus, mas também nossa nobreza como pessoas que abraçam e praticam a Lei Mística, fazendo o teso ro da nossa vida brilhar por meio da nossa prática budista.
Meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, disse:
O grandioso e místico estado de buda encontra-se latente dentro de nós. O poder e a condição desse estado estão além da imaginação, desafiando qualquer descrição. No entanto, podemos materializá-lo em nossa vida. Essa cerimônia do capítulo “Torre de Tesouro” elucida que podemos, de fato, fazer aflorar o estado de buda latente de dentro da nossa própria vida. Em outras palavras, por intermédio da cerimônia da torre de tesouro, Shakyamuni estava ensinando a “possessão mútua dos dez mundos”8 e os “três mil mundos num único momento da vida”9.10
A Cerimônia no Ar e, na realidade, todo o Sutra do Lótus, constitui um drama que se desenrola na própria mente de Shakyamuni, e, ao mesmo tempo, um drama que descreve nossa própria vida. Ao manifestarmos a condição do estado de buda por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, rompemos nosso carma individual e alcançamos a transformação fundamental da nossa vida, conhecida como atingir o estado de buda. Além disso, protagonizamos o supremo drama da transformação, com base no princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”, pelo qual concretizamos a felicidade em nossa vida e na vida dos outros e contribuímos para edificar uma sociedade próspera e um mundo pacífico.
A torre de tesouro adornada com sete tipos de tesouros descrita no Sutra do Lótus simboliza a infinita nobreza e o potencial da nossa vida, que podemos demonstrar por meio da nossa prática budista Respondendo à pergunta de seu discípulo Abutsu-bo sobre a natureza da torre de tesouro, Daishonin escreve:
Abutsu-bo é a Torre de Tesouro, e a Torre de Tesouro é Abutsu-bo. Nenhum outro conhecimento é relevante. A Torre de Tesouro é adornada com os sete tipos de tesouros — ouvir os ensinamentos corretos, acreditar nele, observar os preceitos, meditar, praticar assiduamente, renunciar aos apegos e refletir sobre si mesmo. (CEND, v. I, p. 314)
A Lei Mística habilita as pessoas a enxergar e a revelar sua natureza de buda inata e fazê-la brilhar. Todas, sem distinção ou discriminação, são original e inerentemente uma nobre torre de tesouro.
Trata-se de uma ode ao ser humano realmente magnífica e uma celebração da vida. Transborda de compaixão proveniente da grande sabedoria da igualdade que abraça a família global da humanidade, e de sabedoria e tolerância para respeitar e apoiar a individualidade, permitindo que ela floresça em toda a sua diversidade.
Foto tirada por Ikeda sensei da região rural de Hokuriku (Japão, ago. 1984)
Recitando daimoku ao Gohonzon, juntamo-nos à Cerimônia no Ar
Toda sensei afirmou:
Nichiren Daishonin estabeleceu o ensinamento da semeadura, implícito no capítulo “A Extensão da Vida”, na forma do mandala Gohonzon. Embora o Gohonzon empregue a cerimônia da torre de tesouro de Shakyamuni, ele incorpora a “possessão mútua dos dez mundos” e os “três mil mundos num único momento da vida” da própria mente de Daishonin — ou seja, a vida do Buda dos Últimos Dias da Lei.11
Adiante, na Cerimônia no Ar (no capítulo “A Extensão da Vida”), Shakyamuni revela sua iluminação no infinito passado e que este mundo saha12 repleto de cinco impurezas13 é, na verdade, a terra pura onde o Buda habita eternamente. Esse é o ensinamento de que o mundo saha é a própria Terra da Luz Eternamente Tranquila — a unicidade das terras impura e pura.
O mundo humano onde enfrentamos todos os tipos de sofrimentos e problemas é, de fato, uma terra impura submersa em desejos mundanos. Mas, ao abraçarmos e praticarmos a Lei Mística, revelamos nossa natureza de buda no mundo real — atingindo o estado de buda nesta existência — e edificamos uma terra pura aqui e agora.
Daishonin declara: “Agora, Nichiren e seus seguidores, que recitam Nam-myoho-renge-kyo, exemplificam o surgimento da torre de tesouro” (OTT, p. 89); e “Agora, quando Nichiren e seus seguidores recitam e mantêm fé no Nam-myoho-renge-kyo, estão ‘suspensos no ar’. Eles estão ‘suspensos’ ou participando da Cerimônia no Ar” (Ibidem, p. 91).
Nichiren Daishonin inscreveu o Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo, o âmago do Sutra do Lótus, com base na Cerimônia no Ar. O profundo significado da recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon é que, ao recitá-lo, cada um de nós se junta à Cerimônia no Ar.
Quando nos empenhamos em nosso gongyo e daimoku diários, tomamos parte na nobre e esplêndida Cerimônia no Ar, ativando a magnífica torre de tesouro dentro de nós.
As mulheres Soka, com a vivaz decisão de que tudo começa com a oração, desafiam todos os obstáculos, em primeiro lugar, recitando Nam-myoho-renge-kyo profundamente ao Gohonzon. Elas alinham a vida com a Lei Mística e personificam o grandioso princípio da “iluminação e manifestação da verdadeira natureza” (consulte CEND, v. II, p. 3).
É o que as torna fortes e invencíveis, sempre capazes de encontrar um caminho a seguir. Todos os budas e bodisatvas das três existências e das dez direções com certeza as louvarão e protegerão resolutamente.
Nossa voz recitando vibrantemente Nam-myoho-renge-kyo ressoa de forma poderosa pelo universo. Ela pode ser comparada à “voz retumbante” com a qual o buda Muitos Tesouros enaltecia os ensinamentos de Shakyamuni (consulte LSOC, cap. 11, p. 209).
Com referência a essa voz, Daishonin expressa: “Agora, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo por Nichiren e seus seguidores é essa grande voz [voz retumbante]” (OTT, p. 90).
Os dedicados membros do Grupo Muitos Tesouros resistiram a todas as espécies de adversidades no decorrer de sua longa vida para brilhar intensamente em seus anos dourados. Recitando vigorosamente Nam-myoho-renge-kyo, comprovaram de maneira eloquente a validade do Budismo Nichiren. Eles demonstram a grande prova real da transformação do carma e falam com orgulho sobre a magnificência da Soka Gakkai e compartilham suas triunfantes histórias de revolução humana.
Sempre expressemos a eles nossa sincera gratidão e os louvemos e valorizemos de coração como grandes tesouros.
Participantes da 16 Reunião Nacional de Líderes da BSGI, no Auditório da Paz, do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda (São Paulo, SP, ago. 2026)
A revolucionária iluminação de Devadatta e da filha do rei dragão
A vida é o tesouro mais precioso de todos. Um dos pontos altos do Sutra do Lótus, que adota essa sublime filosofia, é a revelação do capítulo “Devadatta” de que as pessoas más e as mulheres podem atingir a iluminação.
Nesse capítulo, Shakyamuni revela que Devadatta14 [que cometeu a grave ofensa de tentar matar Shakyamuni e provocar a desunião entre a Ordem budista] era, na realidade, o mestre que o havia conduzido à Lei Maravilhosa numa existência prévia. Na assembleia, ele prediz a iluminação futura de Devadatta, ratificando, assim, a iluminação das pessoas más.
Em seguida, revela que as mulheres também podem atingir a iluminação.15 Os sutras anteriores ao Sutra do Lótus consideravam as mulheres incapazes de fazê-lo em sua forma feminina. No entanto, o Sutra do Lótus, por meio do exemplo da filha do rei dragão, confirma claramente que as mulheres podem se tornar budas.
Além disso, a filha do rei dragão era um animal e uma criança de apenas 8 anos. Mostrando o exemplo dela atingindo a iluminação, quando as pessoas da época julgavam essa possibilidade extremamente distante, ressalta o profundo significado e a excelência do Sutra do Lótus.
Daishonin comentou esses dois exemplos, afirmando: “Devadatta é outro nome para Myoho-renge-kyo” (OTT, p. 101); e “O estado original da menina-dragão já era o estado de Nam-myoho-renge-kyo” (Ibidem, p. 109). Tanto Devadatta como a filha do rei dragão manifestaram a condição de vida do estado de buda porque eles incorporam o Nam-myoho-renge-kyo.
Trecho 2 do escrito:
Capítulo 12: “Devadatta”
Oito pontos importantes: Ponto 8, com relação à passagem “Nessa ocasião, a menina-dragão possuía uma joia preciosa que valia tanto quanto milhares de milhões de mundos [ou o grande sistema de mundos], que ela ofereceu ao Buda. O Buda aceitou-a imediatamente. A menina-dragão disse ao bodisatva Sabedoria Acumulada e ao venerável Shariputra: ‘Ofereci a joia preciosa e o Mundialmente Reverenciado a aceitou — não foi rápido?’. Eles responderam: ‘Muito rápido!’. A menina disse: ‘Empregue seus poderes sobrenaturais e observe-me atingir o estado de buda.
Será ainda mais rápido do que isso!’” [LSOC, cap. 12, p. 227]
O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente diz: Na frase “uma joia preciosa”, a palavra “uma” indica Myoho-renge-kyo [abreviada como myoho, ou a Lei Maravilhosa]. “Preciosa” indica os mecanismos da Lei Maravilhosa, e a joia, a entidade da Lei Maravilhosa (...)
Expressando o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”, a menina-dragão oferece a joia preciosa ao Buda. Quando Palavras e Frases [de Tiantai] afirma que isso “simboliza a consecução da perfeita compreensão”, está se referindo ao princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”. No momento em que a joia preciosa ainda estava nas mãos da menina-dragão, representava as consecuções que eram inerentes à sua natureza. Mas, quando o Buda aceitou a joia preciosa, essa se tornou representativa das consecuções obtidas por meio da prática religiosa. Aí está incorporado o princípio de que “obtido por meio da prática” e “inerente à natureza” não são duas coisas diferentes. (OTT, p. 107-108)
Como revelar a joia preciosa que existe dentro de nós?
A joia preciosa desempenha papel simbólico na narrativa da iluminação da filha do rei dragão.
Ela oferece a Shakyamuni “uma joia preciosa” que possui diante de muitos na assembleia que se recusavam obstinadamente a acreditar que ela pudesse atingir o estado de buda. E, então, declara que atingirá o estado de buda ainda mais rapidamente do que o tempo que levou para entregar a joia a Shakyamuni.
Nessa passagem subsequente do Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente que estamos estudando, Daishonin explica que a “joia preciosa” representa o próprio Myoho-renge-kyo, abarcando tanto a entidade da Lei (“joia”) como os mecanismos da Lei (“preciosa”) (consulte OTT, p. 108). Prosseguindo, ele diz que o ato da filha do rei dragão de entregar a joia a Shakyamuni expressa o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”.
Daishonin explana a joia preciosa de duas perspectivas: “as consecuções inerentes à sua natureza” e “as consecuções obtidas por meio da prática religiosa”. Enquanto ainda está na mão da menina-dragão, a joia representa as consecuções inerentes à natureza dela. O princípio dos “três mil mundos num único momento da vida” está claramente em atividade, e o estado de buda é inerente à sua vida. Mas só isso não basta para fazer manifestar as grandes funções da Lei Mística ou incorporar o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida” no verdadeiro sentido.
Quando Shakyamuni aceita a joia preciosa da filha do rei dragão, ela representa “as consecuções obtidas por meio da prática religiosa”. No que diz respeito à nossa prática nos dias de hoje, significa que, por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo pela nossa felicidade e do ato de ensinar aos outros a fazer o mesmo, revelamos a condição de vida do estado de buda inerente a nós.
Esses dois aspectos — “consecuções inerentes à sua própria natureza” e “consecuções obtidas por meio da prática religiosa” estão profundamente inter-relacionadas. Por possuirmos inerentemente a condição de vida do estado de buda, podemos evidenciá-la por meio da nossa prática budista, e por podermos manifestá-la por meio da nossa prática budista, torna-se evidente que a possuímos inerentemente. Esses dois aspectos são não duais e indispensáveis.
O Sutra do Lótus afirma que a joia preciosa na mão da menina-dragão vale “tanto quanto milhares de milhões de mundos” (LSOC, cap. 12, p. 227) — em outras palavras, tem valor equivalente a todos os tesouros do universo. Isso exprime o supremo valor da Lei Mística, a lei máxima do universo, e também a suprema dignidade da nossa vida, que é uma entidade da Lei Mística.
Não há dúvida de que possuímos a suprema condição de vida do estado de buda e somos nobres e dignos de respeito exatamente como somos. Ao mesmo tempo, a prática é essencial para manifestarmos nosso estado de buda e fazê-lo brilhar intensamente.
Embora sejamos inerentemente budas — ou, como afirma Daishonin, “o Buda do verdadeiro aspecto da realidade” (OTT, p. 91)16 — não significa nos contentarmos com nossa vida assim como ela é. Se nos tornássemos tão complacentes, estaríamos perdendo a oportunidade de progredir ou nos autoaprimorar. O importante é fazermos nossa vida brilhar ao máximo à nossa maneira.
As cerejeiras, as ameixeiras, os pessegueiros e os damasqueiros são belos porque cada qual expressa sua vida de forma plena e singular, com suas magníficas flores. Como observa Daishonin: “Cada coisa — a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro, o damasqueiro —, em sua própria entidade, sem passar por nenhuma mudança, possui os três corpos eternamente dotados” (Ibidem, p. 200). Quando abraçamos a Lei Mística e fazemos nosso estado de buda inato brilhar intensamente, nossas qualidades singulares florescem em sua máxima plenitude. A sua vida, a minha vida, é preciosa e digna de respeito. Portanto, ajudemo-nos mutuamente a brilhar ao máximo, ao nosso próprio modo. Essa é a prática da Lei Mística.
Banda feminina Kotekitai, do Japão, comemora seu 70º aniversário com dois concertos especiais, realizados no Centro Cultural dos Cidadãos de Kodaira, em Tóquio (Japão, 25 jul. 2026)
Dificuldades consistem em oportunidades para transformar nosso carma
Por abraçarmos e propagarmos o supremo ensinamento da Lei Mística, todos os tipos de obstáculos nos atacarão. Comentando as palavras “Este sutra é difícil de manter” (LSOC, cap. 11, p. 220)17 do capítulo “Torre de Tesouro”, Daishonin adverte no Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente: “Aquele que mantém este Sutra do Lótus deve fazê-lo com a compreensão de que enfrentará adversidades” (OTT, p. 97). No entanto, ele também diz: “Adversidades surgirão, mas estas devem ser consideradas ‘práticas pacíficas’” (Ibidem, p. 115). Em outras palavras, dificuldades testam e fortalecem nossa fé.
As adversidades que recaem sobre nós ao lidarmos com as realidades da vida servem como base para nosso crescimento pessoal. Cada problema que enfrentamos — doença, acidente, dificuldade financeira, conflito familiar, preocupação em relação ao futuro — consiste numa oportunidade para transformar nosso carma.
Com a convicção de que tudo tem profundo significado, desafiemos nossos problemas tendo como base nossa prática da fé budista. Nenhum obstáculo é intransponível para aqueles que abraçam a Lei Mística.
“As dificuldades comprovam nosso valor”
Florence Nightingale (1820–1910), considerada por muitos como fundadora da enfermagem moderna, certa vez encorajou suas colegas enfermeiras dizendo-lhes que estavam sendo testadas pelas adversidades com as quais se deparavam, e que dependeria delas conseguir ou não triunfar sobre elas. Disse que acolhia de bom grado as dificuldades, porque, uma vez que realizamos trabalhos valorosos, é assim que provamos nosso valor.18
As dedicadas integrantes dos grupos de enfermagem da Soka Gakkai se empenharam com perseverança e coragem para proteger e cuidar da vida infinitamente preciosa das pessoas ao longo da pandemia da Covid-19 e depois dela. Elas são a personificação viva dessa convicção.
Hoje, as nobres mulheres que abraçam a Lei Mística desempenham papéis ativos na sociedade ao redor do mundo e propagam amplamente a filosofia do respeito à vida. Elas são torres de tesouro que incorporam fortemente o espírito dos bodisatvas da terra. Cada qual brilhando ao máximo de um modo só seu, elas encorajam calorosamente as outras pessoas, transmitindo esperança e inspiração a todos, independentemente de gênero, etnia, posição social ou status. São verdadeiras pioneiras, demonstrando a grandiosidade da Lei Mística.
A futurista americana Hazel Henderson (1933–2022) disse que sua mãe lhe ensinou que os momentos mais felizes não são aqueles em que se conquista os êxitos pessoais, mas quando uma pessoa diz que você fez uma contribuição positiva para a vida dela.
A Dra. Henderson externou confiança incondicional por seus amigos da Soka Gakkai.
Compartilhar convictamente a alegria da prática da fé budista
Abraçamos a inigualável Lei Mística que possibilita, a nós e aos outros, manifestar a condição de vida supremamente preciosa que possuímos em nosso interior. Compartilhamos preciosos laços de confiança e de amizade com muitos outros em nossa comunidade e sociedade.
Nossa fé no Budismo Nichiren permite que ultrapassemos com tranquilidade todas as adversidades da vida e as transformemos em energia para voar alto. Avancemos juntos, recitando o rugido de leão do Nam-myoho-renge-kyo dia após dia. Com nossos inestimáveis jovens Soka na vanguarda, vamos compartilhar convictamente a alegria da nossa prática da fé budista com a “voz retumbante” e expandir nossa rede de torres de tesouro dedicadas à felicidade e à paz!
Resumo
Estudo — Setembro 2026
PRINCIPAIS TÓPICOS ESTUDADOS
O surgimento da Torre de Tesouro e a Cerimônia no Ar
No início do capítulo seguinte, “Torre de Tesouro”, uma torre colossal repentinamente emerge da terra.
Essa torre de tesouro é adornada com sete tipos de tesouros: ouro, prata, lápis-lazúli, madrepérola, ágata, pérola e cornalina. Ela sobe a uma altura de 500 yojana — aproximadamente um terço do diâmetro do planeta Terra — e tem 250 yojana de largura. Abundantemente decorada com colares de pedras preciosas e dez bilhões trilhões de sinos cravejados de joias, a torre exala uma fragrância maravilhosa que impregna as quatro direções (consulte LSOC, cap. 11, p. 209).
O buda Muitos Tesouros está sentado dentro da torre. Após Shakyamuni transformar a terra três vezes, a torre se abre e Shakyamuni se senta na torre ao lado do buda Muitos Tesouros. Os seres presentes na assembleia no Pico da Águia então são erguidos ao ar e a Cerimônia no Ar tem início.
A iluminação de Devadatta e da filha do rei dragão
Nesse capítulo, Shakyamuni revela que Devadatta [que cometeu a grave ofensa de tentar matar Shakyamuni e provocar a desunião entre a Ordem budista] era, na realidade, o mestre que o havia conduzido à Lei Maravilhosa numa existência prévia.
Na assembleia, ele prediz a iluminação futura de Devadatta, ratificando, assim, a iluminação das pessoas más.
Em seguida, revela que as mulheres também podem atingir a iluminação. Os sutras anteriores ao Sutra do Lótus consideravam as mulheres incapazes de fazê-lo em sua forma feminina. No entanto, o Sutra do Lótus, por meio do exemplo da filha do rei dragão, confirma claramente que as mulheres podem se tornar budas.
Brilhar de forma única
As cerejeiras, as ameixeiras, os pessegueiros e os damasqueiros são belos porque cada qual expressa sua vida de forma plena e singular, com suas magníficas flores. Como observa Daishonin: “Cada coisa — a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro, o damasqueiro —, em sua própria entidade, sem passar por nenhuma mudança, possui os três corpos eternamente dotados” (OTT, p. 200). Quando abraçamos a Lei Mística e fazemos nosso estado de buda inato brilhar intensamente, nossas qualidades singulares florescem em sua máxima plenitude. A sua vida, a minha vida, é preciosa e digna de respeito. Portanto, ajudemo-nos mutuamente a brilhar ao máximo, ao nosso próprio modo. Essa é a prática da Lei Mística.
FRASES MARCANTES
“Cada uma de vocês é o tesouro mais valioso de todos.”
“Não há nada mais maravilhoso do que vocês.”
“Quando nos empenhamos em nosso gongyo e daimoku diários, tomamos parte na nobre e esplêndida Cerimônia no Ar.”
“A vida é o tesouro mais precioso de todos.”
“O importante é fazermos nossa vida brilhar ao máximo à nossa maneira.”
“Avancemos juntos, recitando o rugido de leão do Nam-myoho-renge-kyo dia após dia.”
PERSONALIDADES E PERSONAGENS BUDISTAS CITADOS
• Nichiren Daishonin
• Shakyamuni
• Josei Toda
• Abutsu-bo
• Devadatta
• Filha do rei dragão(menina-dragão)
• Rei dragão Sagara
• Buda Muitos Tesouros
• Bodisatva Acúmulo de Joias Preciosas
• (Ser celestial) Fulgor Precioso
• Bodisatva Sabedoria Acumulada
• Shariputra
• Tiantai
• Bodisatva Práticas Superiores
• Florence Nightingale
• Hazel Henderson
PERGUNTAS-GUIA PARA AS ATIVIDADES DE ESTUDO
Qual o significado da Torre de Tesouro?
A torre de tesouro, esplendorosa com sete tipos de pedras preciosas, não apenas exalta a nobreza do Sutra do Lótus, mas também nossa nobreza como pessoas que abraçam e praticam a Lei Mística, fazendo o tesouro da nossa vida brilhar por meio da nossa prática budista.
De que forma a prática da fé nos leva a compreender a dignidade da vida?
A Lei Mística habilita as pessoas a enxergar e a revelar sua natureza de buda inata e fazê-la brilhar. Todas, sem distinção ou discriminação, são original e inerentemente uma nobre torre de tesouro.
Trata-se de uma ode ao ser humano realmente magnífica e uma celebração da vida. Transborda de compaixão proveniente da grande sabedoria da igualdade que abraça a família global da humanidade, e de sabedoria e tolerância para respeitar e apoiar a individualidade, permitindo que ela floresça em toda a sua diversidade.
Qual a melhor maneira de encarar as adversidades que enfrentamos?
As adversidades que recaem sobre nós ao lidarmos com as realidades da vida servem como base para nosso crescimento pessoal. Cada problema que enfrentamos — doença, acidente, dificuldade financeira, conflito familiar, preocupação em relação ao futuro — consiste numa oportunidade para transformar nosso carma.
Com a convicção de que tudo tem profundo significado, desafiemos nossos problemas tendo como base nossa prática da fé budista. Nenhum obstáculo é intransponível para aqueles que abraçam a Lei Mística.
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