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há 13 dias

[Parte 37] Heróis que superaram adversidades: Albert Einstein

Dr. Daisaku Ikeda

01/09/2026

[Parte 37] Heróis que superaram adversidades: Albert Einstein

Einstein aos 72 anos (1879–1955)

“Por favor, sorria.” Diante dessa solicitação do fotógrafo, ele esboçou um sorriso cheio de humor mostrando a língua.

Albert Einstein, conhecido por sua personalidade única, desprovida de adornos, tirou essa famosa foto a caminho de casa, após sua festa de aniversário de 72 anos.

O “pai da física moderna”, Einstein, nasceu em março de 1879 em Ulm, cidade ao sul da Alemanha. Seus pais eram judeus.

O que despertou seu interesse pela ciência foi uma bússola que ganhou na infância. O instrumento continuava a apontar para o norte, não importava em que direção o virasse. Ao perceber a existência de uma “força invisível e misteriosa” que atuava sobre os objetos, ele ficou fascinado pela ciência.

Os olhos do menino, encantados pela agulha magnética, com o tempo, foram direcionados para desvendar os mistérios do universo, o que alimentou o sonho de se tornar cientista. O caminho para alcançá-lo, contudo, não foi nenhum pouco tranquilo. 

Einstein abandonou a escola quando a fábrica do pai enfrentava problemas. Mesmo assim, mais tarde, conseguiu ingressar na faculdade, após fracassar uma vez no vestibular. Depois também enfrentou dificuldades no trabalho.

Atuou como professor temporário enquanto prosseguia em suas pesquisas. Com a ajuda de um amigo, obteve emprego em um escritório de patentes suíço. Embora fosse um trabalho estável, não se podia dizer que era um lugar onde concretizaria seus sonhos.

Ainda assim, a chama da paixão de Einstein pela ciência nunca se apagou. Ele dizia: “Eu não tenho nenhum talento especial. Sou apenas apaixonadamente curioso”.

Em 1905, aos 26 anos, publicou três artigos científicos, entre eles, a teoria especial da relatividade. Tratava-se dos conceitos de tempo e espaço embasado na mecânica newtoniana, que até então prevalecia como senso comum dos fenômenos físicos havia mais de duzentos anos!

Apesar de alguns físicos proeminentes expressarem seu apoio, a tese do jovem anônimo foi alvo de impiedosa calúnia. Ele foi difamado também por ser judeu.

 “Há apenas uma única estrada para a verdadeira grandiosidade humana: pela escola do infortúnio.” A convicção de Einstein se consolidou onze anos depois, com a conclusão da teoria geral da relatividade. Como resultado das suas observações astronômicas precisas, essa teoria foi comprovada, e ele foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 1921 por sua contribuição ao desenvolvimento da ciência.

Einstein escreveu mais tarde: “Somente uma vida vivida para os outros é uma vida que vale a pena”; “A compreensão de outrem somente progredirá com a partilha de alegrias e sofrimentos”.

“Para que serve a ciência?” — continuou a se questionar sobre isso ao longo de sua turbulenta vida. Essa era a verdadeira imagem desse físico considerado “o maior do século 20. 

Einstein odiava a guerra. Ele viveu em uma época em que o rápido avanço da ciência e da tecnologia foi usado como arma nas duas grandes guerras mundiais. Einstein sustentava que a ciência nada mais era que um meio, e que, dependendo de como era utilizada, poderia se tornar esperança ou medo.

Foi após a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, que ele se lançou ao movimento contra a guerra. Além de assinar uma declaração de apoio à cultura europeia e pedir às pessoas solidariedade em vez de divisão, trocou opiniões com o escritor francês Romain Rolland e com outros pelo fim antecipado do conflito.

Ele também foi membro da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. Acreditando que “conversas entre pessoas podem proporcionar o contato das almas”, fez amizade com intelectuais como a física Marie Curie, o poeta Rabindranath Tagore e o psicólogo Sigmund Freud.

Em meio a isso, os nazistas tomaram o poder em sua terra natal, a Alemanha (1933). Todos os judeus foram perseguidos, por isso, Einstein e sua família fugiram para os Estados Unidos.

O clamor dos compatriotas chegava à distante terra estrangeira. Certa vez, quando vivia dias agoniantes, um físico se aproximou dele para pedir um conselho. Ele queria saber se deveria dizer ao presidente norte-americano, Franklin D. Roosevelt, que havia a possibilidade de a Alemanha estar produzindo um novo tipo de bomba que utilizava energia nuclear e que era necessário tomar medidas de precaução.

Mais tarde, soube-se que a Alemanha não estava nem perto de fabricar tal arma, mas isso apressou o Projeto Manhattan dos Estados Unidos para o desenvolvimento da bomba atômica.

Einstein não se envolveu no desenvolvimento do projeto. No entanto, o princípio da nova bomba aplicava a fórmula que expressa a relação entre massa e energia demonstrada em sua teoria da relatividade.

Em 6 de agosto de 1945, a primeira bomba atômica do mundo foi lançada sobre Hiroshima. Três dias depois, Nagasaki foi alvo de outra bomba, e inúmeras preciosas vidas foram dizimadas de uma só vez. Einstein ficou sem palavras quando soube que havia ocorrido a pior e mais terrível tragédia da humanidade. Carregando sobre os ombros um grande arrependimento, ele dedicou o resto da sua vida à promoção da abolição das armas nucleares a partir do diálogo.

“A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”; “Nós conseguimos mudar a mente dos outros somente quando mudamos a nossa própria mente e falamos corajosamente”, afirmou. No ano que a Segunda Guerra Mundial terminou [1945], ele completou 65 anos.

Einstein morreu dez anos depois, em abril de 1955. Ele viveu até o fim buscando a ciência e a construção da paz. Sete dias antes de sua morte, ele assinou uma declaração conjunta apelando a todas as nações que erradicassem as armas nucleares e a guerra. Essa declaração, conhecida como Manifesto Russell-Einstein, foi enviada para o mundo em nome de onze renomados cientistas e intelectuais e passada para as gerações seguintes como uma promessa de paz.

Heróis que superaram adversidades: Parte 37: Albert Einstein

Albert Einstein, à dir., e o poeta indiano Rabindranath Tagore (1930)

Reflexões do presidente Ikeda

No outono de 1922, há exatos cem anos, Einstein visitou o Japão e proferiu palestras em vários lugares.

A primeira delas foi realizada na Universidade Keio, em Tóquio. Entre os ouvintes estavam o fundador e primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, e Josei Toda, com seus 22 anos.

Toda sensei falava frequentemente com seu amado discípulo, Daisaku Ikeda, sobre suas recordações de ter ouvido a palestra de cinco horas de duração a respeito da teoria da relatividade como uma das maiores honras da sua vida.

Aos 21 anos, quando Ikeda sensei era um jovem editor-chefe de uma revista para meninos na empresa do seu mestre, ele apresentou Einstein na primeira edição da publicação Shonen Nippon [O Japão dos Meninos] (outubro de 1949) e falou sobre a fascinante história do cientista.

Heróis que superaram adversidades: Parte 37: Albert Einstein

Revistas Boken Shonen [Aventuras dos Meninos] e Shonen Nippon [O Japão dos Meninos], publicadas por Ikeda sensei enquanto trabalhava e lutava ao lado do seu mestre

Dois anos após o Manifesto Russell-Einstein e dois meses depois das Conferências Pugwash — que formou uma rede de solidariedade de cientistas do mundo todo com base no manifesto —, em 8 de setembro de 1957, o presidente Josei Toda anunciou a Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, na qual afirma que as armas nucleares são um mal absoluto.

“Não devemos permitir que demônios ameacem o direito das pessoas de viver!” Difundir essa ideia é a missão do jovem. O feroz rugido do leão foi gravado no coração das 50 mil pessoas reunidas no estádio Mitsuzawa, em Yokohama.

A declaração do mestre, seu “primeiro testamento para os jovens”, tornou-se o ponto primordial do movimento pela paz da Soka Gakkai, e seu espírito foi herdado por Ikeda sensei. Além de apresentar anualmente propostas de paz em comemoração do Dia da SGI e dialogar com líderes e personalidades de diversas áreas de vários países, o presidente Ikeda propôs a realização de movimentos de base centrado nos jovens e espalhou solidariedade para o mundo pela abolição das armas nucleares.

Dentre os signatários do Manifesto Russell-Einstein, Ikeda sensei estabeleceu uma profunda amizade com o Dr. Linus Pauling (ganhador dos prêmios Nobel de Química e da Paz) e com o Dr. Joseph Rotblat (presidente honorário das Conferências Pugwash e recebedor do Prêmio Nobel da Paz). O diálogo realizado com cada um deles foi publicado em forma de livro.

Além disso, sensei veio citando as preciosas palavras de Einstein em seus ensaios, artigos e discursos, oferecendo diretrizes aos amigos que se empenham na construção de uma sociedade de paz e de prosperidade. 

O grande cientista Dr. Albert Einstein disse: “Minha eternidade é agora, este momento”. O budismo elucida o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”. Em uma única determinação “neste momento” estão contidos a “vitória eterna” e os “benefícios pelas três existências”. Qualquer que seja o momento, se fizermos uma nova determinação, o alvorecer de uma nova manhã despontará de forma resplandecente em nossa vida. [...] A vida é uma batalha. Sendo assim, provoquem agora uma batalha monumental sem arrependimentos. Deem um novo passo rumo ao cume da sua plena realização e alegria.1

Einstein ainda deixou os seguintes dizeres: “O que leva a nobres ideais e ações são exemplos de personalidade grandiosa e pura”. Por existirem exemplos reais a ser seguidos é que novas ondas de criação de valor se expandem. Nossa expansão jovem também começa a partir de um único desbravador.2

O dia 8 de setembro [de 2022] marcou o 65º aniversário da Declaração pela Abolição das Armas Nucleares. Rumo à concretização do grande juramento seigan do kosen-rufu e da paz mundial — o momento do levantar dos discípulos, da luta dos discípulos e da vitória dos discípulos é sempre “agora”.

Heróis que superaram adversidades: Parte 37: Albert Einstein

Ikeda sensei e sua esposa se encontram com o Dr. Linus Pauling, um dos signatários do Manifesto Russell-Einstein. No diálogo, ao relembrarem a vida de Einstein dedicada à paz mundial, discutiram sobre o “caminho da dignidade da vida” que a humanidade deveria seguir (São Francisco, Estados Unidos, mar. 1993)

Notas:
1. RESPLENDOR do Século da Humanidade, publicado no Seikyo Shimbun de 29 de dezembro de 2007.
2. Brasil Seikyo, ed. 2.359, 11 fev. 2017.

Referências:
1. EINSTEIN, Albert; FREUD Sigmund. Hito wa Naze Senso wo Surunoka? [Por que a Guerra?]. Tradução: Asami Shogo. Tóquio: Kafu-sha.
2. EINSTEIN, Albert. Bannen ni Omou [Meus Últimos Anos]. Tradução: Seitaro Nakamura, Yoichiro Nanbu e Saburo Ichii. Tóquio: Kodansha.
3. Idem. Jiden Note [Notas Autobiográficas]. Tradução: Seitaro Nakamura e Masaaki Igarashi. Tóquio: Tokyo Tosho.
4. NATHAN, Otto; NORDEN, Heinz (ed.), Einstein Heiwa Shokan [Cartas pela Paz de Einstein]. Tradução: Toshio Kaneko. Tóquio: Misuzu Shobo.
5. CALAPRICE, Alice (ed.). Einstein wa Kataru [Assim Falou Einstein]. Tradução: Masaru Hayashi e Hajime Hayashi. Tóquio: Ootsuki Shoten.

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