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Na prática
há 13 dias
Ative sua natureza de buda
Redação
01/09/2026

A principal diferença entre o Budismo de Nichiren Daishonin e outras escolas budistas está na afirmação de que todas as pessoas possuem, inerentemente, o estado de buda. Além disso, os ensinamentos de Nichiren Daishonin demonstram que essa condição iluminada pode ser evidenciada nesta existência, exatamente como somos, em meio aos desafios e às circunstâncias cotidianas.
Por meio de seus incansáveis estudos das doutrinas budistas, Daishonin identificou no Sutra do Lótus um ensinamento completo e verdadeiro, capaz de conduzir as pessoas ao caminho da iluminação. E, ao revelar o Nam-myoho-renge-kyo, ele tornou sua prática acessível a todos.
Nichiren Daishonin também revelou que a vida é o bem mais precioso que existe no universo. Ele declarou que o propósito da nossa existência consiste em alcançar essa condição de felicidade plena e absoluta, bem como ajudar outras pessoas a fazer o mesmo.
Dessa perspectiva, manifestar o estado de buda não significa apenas transformar a própria vida, mas também contribuir para a felicidade daqueles ao redor. Assim, neste mundo repleto de guerras, conflitos e sofrimento, o papel dos praticantes budistas se torna essencial para a construção de uma sociedade mais pacífica e humanística, alicerçada no diálogo e no respeito.
No romance Nova Revolução Humana, de sua autoria, Daisaku Ikeda, terceiro presidente da Soka Gakkai, afirmou que existe apenas uma força capaz de vencer as manifestações malignas: a condição de buda. Ikeda sensei explica que esse estado de vida constitui a força motriz para a construção da paz, capaz de transformar a destruição em construção e a aversão em união.1
Se essa força existe dentro de cada pessoa, como podemos despertá-la em nós e nos outros? E, a partir disso, como iluminar tudo à nossa volta com essa sabedoria? É sobre esse processo de manifestar nossa natureza de buda que refletiremos nesta publicação de Na Prática.
Nota:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 4, p. 270, 2018.
O pássaro engaiolado
Em uma carta intitulada Como Aqueles que Inicialmente Aspiram ao Caminho Podem Atingir o Estado de Buda por meio do Sutra do Lótus, enviada para uma discípula chamada monja leiga Myoho, Nichiren Daishonin revela que a recitação do Nam-myoho-renge-kyo nos possibilita atingir a iluminação. Para facilitar a compreensão, ele utiliza a metáfora do pássaro engaiolado:
Quando reverenciamos o Myoho-renge-kyo inerente em nossa própria vida como objeto de devoção, ativamos nossa natureza de buda e a manifestamos por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Esse é o significado de “buda”. Para ilustrar, quando um pássaro engaiolado canta, os que estão voando livres pelo céu são atraídos pelo chamado dele. Então, rodeado pelos demais, o pássaro engaiolado se esforça para se libertar. Quando recitamos a Lei Mística, nossa natureza de buda é ativada e emerge infalivelmente.2
Nesse trecho, Daishonin expõe que recitar daimoku é o caminho direto para revelarmos nosso estado de buda. Nossa oração com fé no Gohonzon desperta essa condição interior sem que precisemos nos transformar em outra pessoa. Ao evidenciá-la, fortalecemos a sabedoria, a coragem e a esperança necessárias para enfrentar os desafios sem sermos derrotados por eles.
A metáfora também mostra que os efeitos da prática não se restringem à nossa própria vida. Assim como o canto do pássaro engaiolado alcança os demais pássaros, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo também evoca a mais nobre condição de vida daqueles que nos cercam. Sobre esse ponto, Ikeda sensei explica:
Esse [ato de serem] “atraídos pelo chamado dele” se dá mediante a recitação do daimoku ao Gohonzon. Nam-myoho-renge-kyo é o nome da nossa natureza de buda. Chamamos o seu nome quando recitamos daimoku, e nossa natureza de buda emerge em resposta a esse ato, que também evoca a natureza de buda de todos os demais.3
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo, Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 150, 2020.
3. IKEDA, Daisaku. Mude a Si, Mude o Mundo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2025. p. 107
AÇÃO PRÁTICA 1
Lançar um objetivo diário de daimoku junto com os companheiros da sua localidade é uma ótima maneira de manter a constância da oração.
Buda é outro nome para aquele que continua lutando
Hajime Nakamura, estudioso budista, comentou o seguinte sobre a iluminação de Shakyamuni: “Mesmo depois de se tornar um buda (um ‘iluminado’), iluminação, não se transforma num tipo de ser diferente chamado ‘buda’”.4
Sendo assim, atingir o estado de buda não significa nos transformar em seres transcendentais nem deixar de experimentar as dificuldades próprias da existência humana. Ao contrário, é justamente em meio a elas que manifestamos essa elevada condição de vida.
Nosso mestre afirma que, enquanto estivermos vivos, travaremos uma batalha constante contra as adversidades:
De fato, o âmago da prática budista consiste em recitar Nam-myoho-renge-kyo e lutar incessantemente contra as funções da maldade e contra a ignorância ou escuridão inata da vida — que compõem a fonte fundamental de todo sofrimento — para conduzir a pessoa à felicidade. Nossa natureza de buda se manifesta em cada instante dessa luta.5
Portanto, manifestar o estado de buda não significa viver sem problemas, mas desenvolver uma condição interior capaz de enfrentá-los e transformá-los. Quando nossa oração se fundamenta no juramento seigan de contribuir para a concretização do kosen-rufu, ela deixa de se limitar à solução dos nossos problemas. Ao recitarmos daimoku com essa determinação, manifestamos uma condição de vida mais ampla e passamos a enxergar as circunstâncias pela perspectiva da sabedoria de buda, como Shakyamuni continuou sendo um ser humano. […] Quando a pessoa atinge a o presidente Ikeda:
Quando mudamos a maneira de ver as coisas — isto é, mudamos nossa determinação mental —, encaramos os problemas e as adversidades como estímulos para nossa revolução humana. Ao nos tornarmos os atores desse emocionante drama de transformação interna, conseguimos adornar nossa vida com felicidade e vitória.
Por isso, é importante prosseguirmos recitando daimoku, seja nos momentos de alegria, seja nos de tristeza, não permitindo jamais que nossa vida se afaste do Gohonzon. Essa oração sincera e resoluta desperta a sabedoria de buda e converte o mundo de sofrimento num palco para cumprirmos nossa missão de tornar todas as pessoas felizes, numa terra repleta de valiosos tesouros.6
AÇÃO PRÁTICA 2
Qual é o seu maior desafio? Além da recitação do daimoku, procure estudar os ensinamentos budistas e estabelecer ações concretas para alcançar a vitória.
4. Ibidem, p. 108.
5. Ibidem.
6. Ibidem, p. 111
Plantar a semente do Nam-myoho-renge-kyo
Além de nos permitir despertar para nossa própria natureza de buda, a prática budista nos impulsiona a criar condições para que outras pessoas descubram esse mesmo potencial em sua vida. É nesse movimento da transformação individual para a felicidade compartilhada que o diálogo ganha profundo significado.
Dialogar sobre o Budismo de Nichiren Daishonin, contar nossas experiências com a prática da fé e apresentar o Nam-myoho-renge-kyo a outras pessoas pode ser comparado ao ato de plantar a semente do estado de buda no coração delas.
Ao criarmos vínculos de amizade e transmitirmos com sinceridade os ensinamentos budistas e o propósito da Soka Gakkai, colocamos em prática o verdadeiro significado do shakubuku. Ikeda sensei explica:
A única maneira de despertar a natureza de buda inerente às pessoas é plantar a semente do estado de buda na vida delas. Isso porque a natureza de buda é ativada ao se estabelecer uma ligação com o budismo. É por essa razão que nos empenhamos no diálogo budista — porque ele cria as melhores condições possíveis para ativar a natureza de buda na vida das pessoas. E Daishonin nos assegura que, uma vez plantada a semente do estado de buda, ela jamais desaparecerá: “Se uma pessoa conseguir estabelecer uma relação com uma única frase da Lei Mística que seja, essa relação se manterá intacta por um milhão de kalpa”.7
Assim, propagar o budismo não é simplesmente difundir um ensinamento, mas acreditar profundamente no potencial e na dignidade da vida das pessoas. Cada diálogo sincero pode se tornar a chance de estabelecer uma ligação com a Lei Mística e despertar uma força capaz de transformar a própria existência, e mais, a sociedade.
7. IKEDA, Daisaku. Budismo de Harmonia e Esperança: Rumo à Era do Humanismo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 51-52.
AÇÃO PRÁTICA 3
Que tal se desafiar a realizar um shakubuku até o fim deste ano? Além de criar uma oportunidade para compartilhar a grandiosidade do budismo com outra pessoa, esse desafio contribui para os objetivos da Liga Monarca em sua localidade
O que vimos nesta edição de Na Prática:
- A recitação do Nam-myoho-renge-kyo com fé no Gohonzon é o caminho direto para ativar a natureza de buda inerente a todas as pessoas.
- Atingir a iluminação não nos transforma em seres transcendentais.Continuamos sendo nós mesmos, porém, evidenciamos a sabedoria e a coragem para enfrentar e transformar as circunstâncias da vida.
- Ao realizarmos o shakubuku, plantamos a semente da Lei Mística na vida de outras pessoas e ajudamos a criar as condições para que elas possam manifestar seu estado de buda.
Vamos comprovar a grandiosidade do Budismo de Nichiren Daishonin recitando o daimoku do rugido do leão, convertendo cada desafio em impulso para nossa revolução humana e compartilhando com as pessoas ao nosso redor essa filosofia de profundo respeito pela dignidade da vida!
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