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Crônica
há 13 dias

A beleza das flores

Redação

01/09/2026

A beleza das flores

Aprendi a admirar as flores quando ainda era bem pequena. Na casa da minha vó, havia um jardim muito bonito e, por diversas vezes, ia regar as plantas com ela.

Certa vez, minha vó me mostrou uma bolinha que dava no caule de uma planta. Então, disse que, se a apertássemos, ela estouraria e espalharia suas sementes para todos os lados, aumentando ainda mais a quantidade de flores no jardim.

Minha irmã e eu passávamos os domingos na casa dela procurando essas sementes. Era legal estourá-las. E mais legal era saber que nós mesmas estávamos “ajudando” a fazer com que mais flores surgissem naquele lugar tão especial para nós.

Minha vó sempre dizia como as flores eram lindas. Como podia a natureza produzir tantas espécies, com cores e formatos tão diferentes? Ela vivia encantada com a beleza da natureza e, talvez, sem saber, me ensinou a enxergá-la.

Anos mais tarde, conheci o budismo, encontrei-me com Ikeda sensei, e as sementes da Lei Mística brotaram em meu coração. Compreendi também o significado de shitei funi, o princípio da “unicidade de mestre e discípulo”.

Ao ver as fotografias das flores tiradas por sensei publicadas nos periódicos, sempre pensava na sensibilidade dele. Em meio a diversas tarefas e compromissos, ele parava para contemplar a natureza, registrava aquele instante pelas lentes de sua câmera e o compartilhava com seus discípulos como forma de incentivá-los.

Por meio dessas fotografias, muitas vezes senti a esperança brotar em meu coração e, mesmo em dias “nublados”, consegui enxergar novamente a beleza da vida pelas lentes do meu mestre.

Setembro é o mês das flores, marca o início da primavera. É a estação em que, depois do inverno, novos brotos surgem, as árvores voltam a florescer e a natureza revela novamente a beleza guardada em seu interior.

Setembro é também o mês do hosshaku-kempon, o conceito budista de “abandonar o transitório e revelar o verdadeiro”. Mas qual é nosso verdadeiro eu? Penso que florescer traduz lindamente esse princípio.

Assim como a flor não recebe a beleza de fora, mas revela aquilo que já existia dentro de sua semente, nós também podemos abandonar aquilo que provisoriamente nos limita e manifestar o que existe de mais belo, puro e verdadeiro em nossa vida: o estado de buda.

Nichiren Daishonin nos ensinou esse conceito com a própria vida e, por meio de seus ensinamentos, aprendemos que “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.1

Agora, quando me lembro do jardim da minha vó, penso que aquelas pequenas sementes me ensinaram algo que eu compreenderia somente após muitos anos.

Que neste mês de setembro possamos fazer florescer nosso verdadeiro aspecto e, com nossas próprias mãos, espalhar as sementes da Lei Mística e ver brotar a esperança e felicidade na vida das pessoas!

Esse é o jardim que desejo ajudar a cultivar hoje: um jardim formado por vidas que florescem em sua versão mais bela e verdadeira. Um jardim de felicidade, esperança e coragem. Flor após flor. Semente após semente. Vida após vida.

Lygia Diniz

Colaboração

Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil

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