BS
Caderno de Estudo
há 20 anos
O Objeto de Devoção para Observação da Mente
(As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. I, pág. 47.)
28/01/2006

Resumo e Fundo de Cena:
Nitiren Daishonin completou esta obra, considerada uma das mais importantes, em abril de 1273, durante o seu exílio em Itinosawa na Ilha de Sado. Foi endereçada especificamente para o seu discípulo Toki Jonin que residia na província de Shimousa, e o seu pós-escrito o instrui a mostrar o presente tratado somente a pessoas com forte fé uma vez que o seu conteúdo revela a própria razão do advento de Daishonin.Em “Abertura dos Olhos”, outra de suas principais obras, escrita cerca de um ano antes na Ilha de Sado, Daishonin explana o objeto de devoção em termos de pessoa, declarando-se o Buda dos Últimos Dias da Lei, possuidor das três virtudes de soberano, mestre e pais, a conduzir todas as pessoas à iluminação. No presente escrito, conhecido normalmente pelo seu título abreviado “O Objeto de Devoção para a Observação da Mente”, Daishonin explana o objeto de devoção em termos de Lei e declara que o Gohonzon que incorpora a Lei do Nam-myoho-rengue-kyo é o objeto de devoção para os Últimos Dias da Lei. Pela fé e prática, embasadas no Gohonzon, todas as pessoas podem perceber a natureza do Buda em sua própria vida e atingir a iluminação.
O título completo deste escrito é “O Objeto de Devoção para a Observação da Mente Estabelecido no Quinto Período de Quinhentos Anos após o Falecimento do Buda”, e pode ser analisado sob o ponto de vista de quatro elementos: o tempo, o ensino do Buda, a capacidade do povo e a Lei. O “tempo” indica o momento do advento do Buda de acordo com o forte desejo do povo, e que corresponde ao “quinto período de quinhentos anos após o falecimento do Buda (Sakyamuni)”, isto é, o início dos Últimos Dias da Lei. O “ensino do Buda” corresponde à palavra “estabelecido”. O Gohonzon foi estabelecido por Nitiren Daishonin, considerando a capacidade do povo (“observação da mente”), e representa a essência do Sutra de Lótus, isto é, a Lei (“o objeto de devoção”).
Nitiren Daishonin incorporou no objeto de devoção o seu estado de vida de um Buda eterno, a fim de que todas as pessoas possam atingir a iluminação. Na descrição do Gohonzon contida no texto desse escrito, é apresentada a representação da cerimônia de transmissão da Lei: “O Myoho-rengue-kyo aparece no centro da torre com os Budas Sakyamuni e Muitos Tesouros (Taho) sentados à direita e à esquerda, e os quatro bodhisattvas seguidores de Sakyamuni, liderados por Práticas Superiores (Jogyo), os flanqueiam.” (END, vol. I, pág. 73.)
Em relação ao significado de “observar a mente” (kanjin), Tient’ai definiu uma complexa prática de meditação como meio para a percepção da verdadeira natureza da vida de uma pessoa pelo princípio teórico dos Três Mil Mundos em um Único Momento da Vida. Nesse escrito, Nitiren Daishonin declara que a prática para a observação da mente nos Últimos Dias da Lei nada mais é que a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo com uma firme fé ao verdadeiro objeto de devoção, afirmando: “Elas significam que tanto as práticas como as virtudes resultantes que o Buda Sakyamuni alcançou estão todas contidas dentro dos cinco caracteres do Myoho-rengue-kyo. Se acreditarmos nisso, naturalmente teremos garantidos os mesmos benefícios que ele teve.” (Ibidem, pág. 70.) Este é o princípio de que abraçar o objeto de devoção é por si só a iluminação (Juji-soku-kanjin).
Kanjin significa observar a própria vida da pessoa
e encontrar os Dez Mundos nela.
Uma pessoa pode ver os órgãos sensoriais dos outros, mas não pode ver os seus próprios.
Ela reconhece seus próprios órgãos sensoriais somente quando se olha num espelho claro.
Aqui, Nitiren Daishonin afirma que o significado de Kanjin (observar a mente) está exatamente no reconhecimento dos Dez Mundos inerentes à própria vida. Enxergar os Dez Mundos equivale a perceber o estado de Buda intrínseco na vida. Portanto, Kanjin (observar a mente) é, em outras palavras, o exercício para se alcançar o estado de Buda. Por outro lado, Daishonin indica nesta frase que a existência dos Dez Mundos na própria vida fica perfeitamente clara quando analisada à luz do Sutra de Lótus e do Maka Shikan que elucida o conceito de Possessão Mútua dos Dez Mundos e o princípio de Três Mil Mundos em um Único Momento da Vida (itinen sanzen). De acordo com o 26o sumo prelado, Nitikan Shonin, quando se lê esta frase sob o ponto de vista da real intenção do Buda Nitiren Daishonin, o espelho corresponde exatamente ao Gohonzon. A percepção de que o estado de Buda está inerente à própria vida só pode ser alcançada pela recitação do Daimoku ao Gohonzon.
Na verdade, “observar a própria vida da pessoa e encontrar os Dez Mundos nela” é a definição de Tient’ai. Sob o ponto de vista do Budismo de Nitiren Daishonin, Kanjin significa crer e recitar Daimoku ao Gohonzon, porque assim a condição de vida do indivíduo torna-se igual à do Gohonzon, ou seja, o próprio estado de Buda.
De uma forma figurativa, poderemos enxergar os Dez Mundos existentes dentro de cada um de nós refletidos no espelho do Gohonzon. Isso não significa que o Gohonzon seja o reflexo da nossa condição de vida. Significa que somente pela fé no Gohonzon podemos desenvolver os potenciais de todos os Dez Mundos, particularmente do estado de Buda. Os Dez Mundos do Gohonzon estão iluminados pela luz do Nam-myoho-rengue-kyo, ou seja, todos eles agem no sentido de criar a felicidade absoluta. Em contraste, os Dez Mundos de nossa vida não estão mantidos em relações adequadas entre si, e a sua desarmonia produz vários obstáculos à nossa felicidade. Se recitarmos Daimoku ao Gohonzon fervorosamente, podemos direcionar os nossos Dez Mundos no mesmo sentido que os do Gohonzon.
Daishonin afirma: “Ela reconhece seus próprios órgãos sensoriais somente quando se olha num espelho claro.” Analogamente, somente com o espelho claro do Gohonzon podemos ver os Dez Mundos, em particular, o estado de Buda, dentro de nós. No budismo, “os órgãos sensoriais” constitui uma idéia muito importante. Traduzida literalmente, essa expressão significa “as seis raízes”, ou “as seis fontes”, indicando que todas as nossas funções sensoriais originam-se de seis lugares: olhos, ouvidos, nariz, língua, pele e mente. Pode parecer estranho à primeira vista incluir a mente como “órgão sensorial”. Entretanto, apesar de não ser fisicamente um órgão sensorial como os outros cinco, ela funciona de maneira similar para captar alguma coisa que, neste caso, são os pensamentos. Esses seis órgãos sensoriais têm seis objetos respectivos; ou seja, elementos como cor e forma, som, odor, paladar, textura e pensamento. No Registro dos Ensinos Orais (Ongui Kuden), Nitiren Daishonin afirma que o benefício de abraçar o Gohonzon é a purificação de todos os seis órgãos sensoriais. A purificação desses órgãos é o resultado da purificação da própria vida da pessoa.
Diálogo
(1) Comente sobre “observar a própria mente e encontrar os Dez Mundos nela”.(2) Qual o significado do “espelho”?
Termos e Frases
(1) Maka Shikan (Grande Concentração e Discernimento) — Ensinos de Tient’ai escritos por Chang-an, seu sucessor. Dez volumes ao todo. Conhecido como uma das três maiores obras de Tien-t’ai, juntamente com Hokke Mongu e Hokke Guengui. Especialmente no Maka Shikan, Tient’ai revelou o caminho para perceber a verdadeira natureza da vida, isto é, itinen sanzen. Enquanto que as obras de Tient’ai são anotações do Sutra de Lótus, no Maka Shikan ele expôs a sua própria iluminação.Compartilhe
