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Discurso do Presidente da SGI
há 20 anos

Uma única pessoa corajosa consegue mudar o mundo

Discurso proferido num curso de aprimoramento para representantes da Divisão de Médicos e das Divisões de Enfermagem das Divisões Feminina e Feminina de Jovens, denominados de Shirakaba-kai e Grupo Shirakaba, realizado no dia 6 de agosto de 2005.

28/01/2006

Uma única pessoa corajosa consegue mudar o mundo
Ainda hoje, ressoa em meu coração o apaixonado brado de meu mestre Jossei Toda de triunfar decisivamente em todas as batalhas em prol do Kossen-rufu. Esse foi o legado que ele me transmitiu e gostaria de passá-lo a todos os nossos nobres membros.

Obrigado pela presença no dia de hoje! Estou muito feliz em ver todos vocês com tão bom aspecto. Como membros da Divisão de Médicos, do Shirakaba-kai e do Grupo Shirakaba, todos são pessoas importantes e dedicadas a proteger a saúde e a vida dos outros. Vocês são nobres líderes abrindo o caminho de um novo século da saúde. Sinto profunda consideração por todos os seus vários esforços para dar assistência aos nossos membros.

Os líderes têm uma enorme responsabilidade na propagação do Kossen-rufu. Ao falarmos em uma reunião, por exemplo, precisamos oferecer incentivos interessantes e inspiradores que fiquem gravados no coração dos ouvintes. Nossas palavras devem ter um frescor e originalidade para que os membros percebam a diferença e se sintam revigorados.

Os líderes não devem ser pessoas pouco comunicativas nem arrogantes. Devemos nos empenhar sempre para cumprimentar os membros com uma atitude sincera e humilde e expressar nossa gratidão a todos por terem dedicado um período de tempo, em meio a suas tantas tarefas, para participar das atividades da Soka Gakkai. Mas é claro que, não importando o quanto nossas palavras pareçam ser maravilhosas, se não tivermos entusiasmo nem paixão, não conseguiremos inspirar as pessoas nem fazer com que entrem em ação. Somente quando houver uma brilhante chama ardendo em nosso coração é que conseguiremos acender uma chama no coração dos outros. Devemos incentivar as pessoas com tamanha paixão que se sintam totalmente rejuvenescidas quando chegar a hora de voltar para casa após uma reunião. Qualquer coisa menor que isso seria uma desonestidade para com elas.

O importante é que os dirigentes estudem e se aprimorem. Toda mudança começa a partir daí.

Trabalhando pela paz

Hoje, 6 de agosto, marca o 60o aniversário do dia em que a bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima. A Dra. Chiaki Nishiyama, coordenadora da Divisão de Médicos, que está aqui conosco hoje, sofreu os horrores da bomba e a tragédia da guerra. As recordações dessa experiência foram publicadas num relato na edição de setembro da revista mensal Ushio, da Soka Gakkai. Ao ler o relato, fiquei profundamente comovido e, sentindo um desejo pela paz, gostaria de compartilhar com vocês um pouco da história dela.

Naquele dia de agosto, há 60 anos, a Dra. Nishiyama era uma garota. Ela e a família tiveram de sair de Hiroshima e ficaram na cidade natal de sua mãe, que ficava a aproximadamente 30 quilômetros de distância. Ela estava brincando com sua irmãzinha numa área que ficava embaixo da casa quando, às 8h15 da manhã, o chão tremeu violentamente, como se fosse um terremoto. Logo depois, o céu ficou escuro como breu.

Seu avô, que era o médico da cidade, começou imediatamente a tratar das vítimas da bomba atômica que foram levadas até ele. A avó da Dra. Nishiyama, sua mãe e uma tia também ajudaram, rasgando os yukatas (quimonos leves feitos de algodão) para utilizarem-nos como ataduras para os feridos. A Dra. Nishiyama lembra-se de ter ouvido os adultos dizerem que a pikadon, como a arma foi chamada por causa de sua luz cegante e da enorme explosão, não era uma bomba comum e que a pele das vítimas estava se soltando e caindo do corpo. Eles também conversavam sobre como esta ou aquela pessoa havia morrido no período de uma semana após a explosão.

Foi naquele dia fatídico, seis décadas atrás, que a Dra. Nishiyama, que estava com apenas cinco anos de idade, decidiu tornar-se médica e devotar-se a proteger a vida dos outros. Atualmente, ela se empenha firmemente para concretizar a paz mundial e promover o respeito pela dignidade da vida como líder das médicas da Soka Gakkai. Ela está difundindo a luz da benevolência e da esperança em toda a sociedade. Um único indivíduo corajoso consegue transformar o mundo.

A urgente necessidade de uma verdadeira religião mundial

A exposição Diálogo em prol do Século XXI: Arnold J. Toynbee e Daisaku Ikeda está aberta atualmente em Hiroshima.

Organizada e patrocinada pela Divisão dos Jovens no verão de 2003, a exposição começou em Sendai. Depois, passou por Tóquio, Hokkaido, Kansai, Shikoku e Kanagawa, atraindo entusiástica atenção nos locais por onde passou. Em maio de 2005, foi para Fukuoka, em Kyushu, onde foi vista por aproximadamente 130 mil pessoas, incluindo 250 representantes de vários campos na sociedade. Enquanto esteve aberta em Hiroshima, no período de 22 de julho a 7 de agosto de 2005, foi visitada por mais de cem mil pessoas.

Tenho muitas recordações maravilhosas do Dr. Toynbee (1889–1975). Essa exposição inclui correspondências que o Dr. Toynbee enviou para mim. Tendo passado por duas guerras mundiais, esse famoso historiador britânico estava profundamente ciente dos trágicos custos desses conflitos. Ainda me recordo da sinceridade em sua voz quando ele declarou sua crença de que a única forma de assegurar o futuro da humanidade era a transformação interior de cada indivíduo, afirmando também a necessidade de uma verdadeira religião mundial para que isso fosse concretizado.

Dedicados ao bem-estar dos companheiros

Gostaria de citar agora algumas passagens dos escritos de Daishonin.

Em uma carta escrita para a monja leiga Toki (esposa de Toki Jonin), que estava doente, Daishonin escreveu:

“Quando orei por minha mãe, não apenas a doença dela foi curada como sua vida também foi prolongada por quatro anos. Agora a senhora também ficou doente e, como mulher, chegou o momento exato para a senhora estabelecer uma firme fé no Sutra de Lótus e verificar o que ele fará pela senhora.” (The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág. 955.)

Essa é uma passagem muito significativa que destaca o grande poder benéfico da Lei Mística. Daishonin está nos dizendo nessa passagem que nós conseguimos vencer a doença reunindo nossa fé. O budismo nos apresenta os meios para transformarmos nosso carma e também as circunstâncias em que vivemos.

Na mesma carta, Daishonin fala de seu discípulo Shijo Kingo, que não era apenas samurai mas também versado na arte da medicina. De fato, ele era um excelente médico — tal como todos os nossos membros da Divisão de Médicos. Daishonin escreveu:

“Além do mais, a senhora pode ir até Nakatsukasa Saburo Saemon-no-jo [Shijo Kingo], que não apenas é um excelente médico como também devoto do Sutra de Lótus. (...) Quando ele veio ver-me no décimo mês do ano que passou, falou-me do quanto estava aflito com sua doença. (...) Ele é um homem que nunca se deixa derrotar e que valoriza muito os amigos.” (Ibidem.)

Shijo Kingo acompanhou Daishonin ao local de execução em Tatsunokuti. Ele venceu várias perseguições e dificuldades graças ao poder da forte fé e foi um dos mais admiráveis discípulos leigos de Daishonin. Sem dúvida que ele sempre esteve profundamente preocupado com o bem-estar de seus amigos e companheiros.

É nas épocas de crise que a fé da pessoa se revela. Num momento crucial, nós nos levantamos e lutamos por nosso mestre e nossos companheiros ou pensamos primeiramente em nossa posição e nosso próprio avanço e tentamos nos proteger? A diferença entre essas duas reações é enorme.

Em seu escrito “Quanto mais Distante a Fonte, mais Forte a Correnteza”, Daishonin expressa sua firme convicção na habilidade médica e no caráter de Shijo Kingo, declarando: “Confio minha vida a você e não consultarei nenhum outro médico.” (WND, pág. 942.) Em outras palavras, ele colocou sua vida nas mãos de seu discípulo. Isso demonstra com toda a clareza o grau em que Daishonin confiava e estimava Shijo Kingo.

Aqueles que protegem a vida dos outros são tesouros da humanidade

Daishonin também escreveu em outra carta:

“Houve médicos na China chamados Huang Ti e Pien Ch’üeh e houve médicos na Índia chamados “Detentor da Água” e Jivaka. Eles foram tesouros de sua época e mestres dos médicos de épocas posteriores.” (WND, pág. 937.)

Todos vocês, membros da Divisão de Médicos que se dedicam a preservar a dignidade da vida, são os tesouros da Soka Gakkai e da humanidade. Por favor, sejam grandes médicos radiantes de fé e amor pelos seres humanos — sejam médicos que sirvam de modelo para as futuras gerações.

Uma vida sinceramente dedicada ao grandioso caminho do Kossen-rufu é alegre

Recebo relatórios constantes sobre as maravilhosas atividades de nossos membros de todo o Japão, os quais, apesar do sufocante calor do verão, estão se empenhando com toda seriedade pela Lei e pela felicidade e bem-estar das pessoas que estão ao seu redor. Fico muito comovido com o inabalável comprometimento, a indomável determinação e o espírito de desafio que arde em seu corajoso coração. A cada relatório que recebo, fico com vontade de largar tudo imediatamente e correr para o lado dos membros para aplaudi-los. Honestamente, é assim que me sinto.

O genuíno líder da Soka Gakkai é aquele que sempre busca as pessoas que estão lutando com toda a força e as elogia por seus esforços. Incentivar cada pessoa de forma ilimitada com o desejo de que serão felizes e que conquistarão a vitória — esse é o espírito de um verdadeiro líder do povo.

O presidente Toda sempre me perguntava sobre a situação de cada membro e também sobre os vários acontecimentos da sociedade em geral, e eu sempre me esforçava ao máximo para responder. Recordo-me ternamente de como ele me dizia: “Daisaku, você está realmente bem informado sobre todos os detalhes!”

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