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Reflexões Sobre a NRH
há 2 anos
[113] Osaka, grande capital do povo japonês (parte final)
Reflexões sobre a Nova Revolução Humana
Dr. Daisaku Ikeda
07/03/2025
![[113] Osaka, grande capital do povo japonês (parte final)](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2025-03-07_12-17-05.jpeg)
O jovem Daisaku Ikeda reconfirma junto dos companheiros de Kansai a determinação de corresponder à confiança de Toda sensei, dedicando-lhes a caligrafia “Batalha decisiva” (jan. 1956)
Certa ocasião, o primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, proferiu a seguinte orientação: “Há um provérbio que diz, mesmo a poeira, quando acumulada, pode formar uma montanha. Mas, na realidade, não existem montanhas nascidas do acúmulo de poeira. [...] As montanhas de verdade se formam pelas alterações súbitas e drásticas na crosta terrestre”.1
Makiguchi sensei nos ensina, de forma rigorosa, que só podemos transformar fundamentalmente nossa vida e edificar uma condição inabalável se nos engajarmos com seriedade na batalha do grande bem contra o grande mal.
Se vamos lutar, então, que seja uma luta grandiosa para obter uma vitória esmagadora!
Eu tinha uma única missão: construir em Kansai uma fortaleza dourada indestrutível. Para tanto, estava determinado a dar minha vida. Porém, a meta que o presidente Josei Toda havia traçado [atingir a concretização de 750 mil famílias praticantes do budismo] era um feito fisicamente impossível para uma única pessoa alcançar sozinha. Assim, resolvi dedicar 100% de esforços no encontro com os membros, encorajando-os, incentivando-os e transformando cada um deles em corajosos defensores do kosen-rufu. Estava convicto de que minha ardente determinação atingiria outros corações e acenderia a chama da paixão do espírito humano capaz de tornar possível o impossível. Foi com esse pensamento que entrei em ação.
Queria vencer. Tinha de vencer. Relatar a vitória ao meu mestre era minha suprema missão como discípulo. Também era a comprovação do conceito da unicidade de mestre e discípulo.
Orava sinceramente todos os dias para ter forças e realizar meu objetivo. Recitava daimoku continuamente com a firme convicção de que cada pessoa com quem me encontrasse se tornaria uma aliada do nosso movimento ou agiria como uma função protetora.
***
Nossos esforços de propagação em Osaka, em 1956, foram acompanhados pelos membros de todo o Japão com grande expectativa. E, assim, dia após dia, mês após mês, a propagação se expandiu com um ímpeto dinâmico.
O avanço da organização é determinado pela energia e tenacidade dos responsáveis.
Com coragem, tomei a iniciativa e lancei-me de corpo e alma à batalha. Jamais hesitei, mantive-me sempre em atividade e bradei sem descanso. Passei cada dia, desde o amanhecer até tarde da noite, encorajando nossos companheiros de cada canto de Osaka. Houve vezes em que participei de 26 reuniões em um único dia, e sempre dizia a mim mesmo: “Tenho tempo para mais uma pessoa” e “Posso incentivar mais companheiros”. Chegava a ficar encharcado de suor, com a voz rouca de tanto falar e as pernas pesadas como se fossem blocos de cimento. Havia tantas pessoas com quem desejava me encontrar, tantas a quem desejava ver e incentivar dentro do limitado tempo de 24 horas. Se deixasse passar aquele momento, aquela oportunidade, talvez jamais voltaria a ver aquelas pessoas. Por essa razão ficava tão aflito e queria aproveitar cada segundo.
Quando me deslocava de um local de atividade a outro, se me apontassem a casa de um membro, tratava de parar, mesmo por um minuto. Sempre que alguém visitava a sede de Kansai, procurava arranjar um tempo para conversar com essa pessoa, ainda que fosse para trocar uma palavra de cumprimento ou de encorajamento. Às vezes, nem sequer podia parar; só acenava com a mão e agradecia com um olhar enquanto recitava daimoku do fundo do coração para a pessoa.
Eu sabia que, se nosso coração se tocasse, mesmo por um instante, estabeleceríamos uma relação com o budismo; porém, se eu apenas passasse, sem ao menos trocar uma palavra, nenhum valor seria criado.
A revolução humana se realiza encontrando-se com as pessoas. Essas ações incorporam a coragem, a sabedoria e a benevolência.
***
O jovem Daisaku Ikeda (ao centro) dialoga com líderes de Kansai sobre o movimento de expansão da Soka Gakkai (Japão, maio 1956)
Aonde quer que eu fosse, desenrolava-se um drama humano em que a comunicação de vida a vida estimulava a expansão e a alegria. Se visitava a casa de algum responsável e não o encontrava, sempre deixava uma mensagem de incentivo com alguém da família. Enquanto percorria os locais em que as reuniões eram realizadas (normalmente, eram feitas na casa dos membros), tomava o pincel e dedicava aos companheiros uma peça de caligrafia na esperança de incentivá-los de alguma forma. Escrevia frases como “Batalha decisiva”, “Luta corajosa” e “Grande triunfo”.
Em um instante, propagaram-se ondas de companheirismo e uma disposição especial para empreender a luta conjunta pela causa do kosen-rufu. Todos compreenderam minhas metas e decisões. Os leais companheiros de Osaka, todos, sem exceção, compreenderam meus objetivos e minha decisão. Eles se levantaram e se empenharam incansavelmente comigo, compartilhando tanto as alegrias como os sofrimentos.
Li incontáveis passagens do Gosho junto com os companheiros de Kansai. Uma delas dizia: “Um dia de vida é mais valioso que todos os tesouros de um grande sistema de mundos”.2
Façamos o máximo que pudermos neste precioso e insubstituível dia de hoje para que não tenhamos nenhum arrependimento. Dediquemos nossa vida ao kosen-rufu e à felicidade da humanidade! Ser “eternamente vitorioso” significa triunfar no presente, triunfar hoje.
Depois de abrirem o caminho entre as árduas dificuldades com o mesmo espírito de Daishonin, os membros de Kansai, por fim, triunfaram! No mês de maio desse turbulento ano de 1956, atingimos um magnífico recorde em um mês: 11.111 novas famílias receberam o Gohonzon. Esse feito assentou firmemente a base da fortaleza dourada do kosen-rufu de Kansai.
Dois meses depois, em julho, na eleição para a Casa dos Conselheiros (a primeira eleição para a Câmara Alta para a qual a Soka Gakkai tinha enviado candidatos), os membros de Kansai, trabalhando como uma equipe unida [pelo candidato na região de Osaka], obtiveram uma vitória extraordinária que arrancou aplausos e vivas dos companheiros de todo o Japão.
Esse triunfo provocaria uma torrente de perseguições por parte das autoridades ardilosas e traiçoeiras em julho do ano seguinte [1957], tal como adverte o Gosho. Refiro-me, obviamente, ao Incidente de Osaka sobre o qual escrevi no ensaio anterior.3
Meus nobres amigos de Kansai vêm reconstituindo continuamente aquela grande luta de 45 anos atrás [ensaio publicado originalmente em 2001], criando uma história brilhante de sucessivas vitórias. Uma vez mais, uma nova página da história de eternas vitórias começou a ser escrita por Kansai. Nosso triunfo no primeiro ano deste novo século será a base para uma sucessão de vitórias.
Grande Kansai, seja tenaz! Persevere até o fim, passo a passo, com coragem e integridade! Kansai de eternas vitórias, triunfe em tudo, junto comigo, sem se esquecer jamais de sua honra e missão!
Neste ensaio, originalmente publicado no jornal Seikyo Shimbun de 1998 a 2004, o presidente Ikeda revela o fundo de cena de fatos relatados no romance Nova Revolução Humana, compartilha momentos de convívio com Josei Toda e expressa seu mais puro sentimento com relação ao seu mestre cultivado em meio à luta pelo kosen-rufu.
Ho Goku é pseudônimo do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, como autor do romance.
[Nota do editor: Nesta edição, a parte referida não corresponde à sequência deste ensaio
publicado originalmente pela Terceira Civilização.]
Notas:
1. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Shinguenshu [Coleção de Ditos de Tsunesaburo Makiguchi]. TSUJI, Takehisa (ed.). Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1979, p. 23.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 221, 2017.
3. Confira o ensaio A Histórica Assembleia de Tóquio de 12 de Julho, publicado na Terceira Civilização, ed. 401, 1º jan. 2002, p. 7.
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