TC
Estudo
há 2 anos
[80] Nossa poderosa determinação reverbera por todo o universo
Budismo do Sol — Iluminando o Mundo
Explanação do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda
Dr. Daisaku Ikeda
07/03/2025
![[80] Nossa poderosa determinação reverbera por todo o universo](https://meubs.com.br/assets/images/ebs-2025-03-06_20-04-59.jpeg)
No caminho de Oita para Kumamoto, sensei segue em direção a Okajoshi, cidade de Taketa, em Oita. Ali, ele mergulha no círculo de membros que haviam sofrido com a problemática do clero. Juntos, entoam a canção Kojo no Tsuki [Luar do Castelo] (dez. 1981). Foto: Seikyo Press
“Por que se escala
uma montanha?
Porque aí se encontra
uma montanha” —
assim disse um
famoso alpinista.1
Em dezembro de 1981, visitei a província de Oita, em Kyushu, que havia suportado tempestades de obstáculos durante a primeira problemática do clero. Fui recepcionado pelo sorriso luminoso dos membros, transbordantes de alegria após triunfar sobre os ataques maldosos de clérigos hostis. Acima de tudo, radiantes estavam os jovens bodisatvas da terra que haviam lutado e se desenvolvido de forma esplêndida, sem se deixarem abalar pelas intrigas e tramoias do clero.
A solidez dos jovens assegura a solidez do futuro
Senti-me totalmente exultante.
A solidez dos jovens assegura a solidez do futuro. A partir da região de Kyushu, local pioneiro em que pulsava o espírito Soka de mestre e discípulo, desejava oferecer diretrizes para nossos bravos sucessores de todo o Japão e do mundo. Com isso em mente, compus o poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21.2
Quatro décadas se passaram desde essa ocasião [explanação publicada inicialmente em dezembro de 2021].
Sustentando o Budismo do Sol, aqueles que eram jovens na época escalaram comigo a magnífica montanha do kosen-rufu mundial. Ao ingressarem no novo século, eles estão escrevendo de maneira intrépida uma resplandecente história de vitória em prol do povo.
Jamais permitam que sua fé seja destruída
No decorrer do longo curso da nossa vida, haverá dias de sol e dias de tempestades. Por isso, tenho conclamado aos jovens: “Não percam a esperança, por mais dolorosa que seja a situação! A prática do Budismo Nichiren é fonte de ilimitada esperança; portanto, jamais permitam que sua fé seja destruída! Desse modo, um futuro radiante se abrirá diante de vocês sem falta!”.
Esse também é um ponto que frisei em meu poema:
Se sua fé permanecer inabalável,
uma prova convincente da vitória
o aguarda infalivelmente,
algum dia!
Essa prova será demonstrada
de forma clara
para toda a sociedade,
pois esse é o budismo dos
“três mil mundos num único momento da vida” real!
Tanto o kosen-rufu como a vida são uma luta incessante entre o Buda e as funções da maldade. Triunfando em cada batalha, escalamos até o pico da montanha da vitória eterna.
Dar ou não o primeiro passo concreto na encosta íngreme da montanha diante de seus olhos? A chave para essa vitória decisiva não está fora de nós. O fator determinante é a mudança da grandiosa determinação num único momento da vida (ichinen) em nosso íntimo.
Atualmente, visando nosso centenário (em 2030), estamos empenhados em uma nova escalada.
Nessa oportunidade, estudemos o significado da nossa determinação na fé — nossa determinação num único momento da vida — a fonte de poder para escalar alegremente até as montanhas mais íngremes, vencendo cada obstáculo e criando valor ao longo do caminho.
Coordenadoria Norte-Sul Paulistana (CNSP), CGESP, reúne líderes de RM e acima para confirmar os objetivos de 2025 rumo à vitória nas próximas etapas da Liga Monarca com os jovens na vanguarda (São Paulo, SP, jan. 2025). Foto: Colaboração local
Trecho do escrito 1
Atingir o Estado de Buda nesta Existência
É chamada de Lei Mística (myoho) porque revela o princípio da relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos. Eis por que este sutra [o Sutra do Lótus] constitui a sabedoria de todos os budas.
A vida em cada momento abarca o corpo, a mente, o sujeito e o meio ambiente dos seres sensíveis nos dez mundos.3 Também abrange os seres insensíveis nos três mil mundos, incluindo as plantas, o céu, a terra e até as minúsculas partículas de pó. A vida em cada momento permeia todos os fenômenos e é revelada neles. Despertar para este princípio corresponde à relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos.4 (CEND, v. I, p. 3)
Todas as pessoas possuem a condição de vida do Buda
Um buda não é um ser distante ou sobrenatural.
O Sutra do Lótus, que revela a verdade de que todos os seres vivos possuem inerentemente a condição de vida do Buda, é “a sabedoria de todos os budas” (CEND, v. I, p. 3). Nichiren Daishonin denominou essa verdade de Lei Mística e ensinou que recitando Nam-myoho-renge-kyo, todas as pessoas, exatamente como são, atingirão sem falta o estado de buda nesta existência.
O escrito de Nichiren Daishonin Atingir o Estado de Buda nesta Existência delineia o ensinamento para todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei alcançarem essa suprema condição de vida e elucida a prática da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, que torna isso possível.
Despertar para o fato de que a maravilhosa condição de vida do estado de buda encontra-se inerente a nós é “o caminho direto para a iluminação” (Ibidem, p. 4). Constitui a base do ensinamento sobre atingir o estado de buda nesta existência. Daishonin explica isso da perspectiva do “princípio da relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos”.
Todos os seres vivos, do mundo do inferno ao mundo dos budas, assim como as terras onde habitam, “incluindo as plantas, o céu, a terra e até as minúsculas partículas de pó” (Ibidem, p. 3), estão contidos dentro de um único momento da vida. Em outras palavras, cada um de nós possui os elementos do universo inteiro dentro de um único momento da nossa vida. Ao mesmo tempo, um único momento da nossa vida permeia o universo inteiro.
Esse é o “princípio da relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos”, a doutrina dos “três mil mundos num único momento da vida”5 revelada no Sutra do Lótus.
Líderes de coordenadoria e acima participam de curso de aprimoramento no qual estudam e dialogam sobre o pleno desenvolvimento da organização (São Paulo, SP, jan. 2025). Foto: Colaboração local
Recitar daimoku para vencer nossa ilusão interior
Nossa mente, nossa vida a cada momento, é algo inefável, sem cor ou forma, e transcende a categoria do ser e do não ser, da existência e da não existência. Os sutras budistas ensinam que “uma única pessoa, no decorrer de um único dia, tem oito milhões e quatro mil pensamentos” (CEND, v. II, p. 725). Nossos pensamentos momentâneos, nosso estado de espírito, surgem e desaparecem em constante sucessão, desencadeados por várias causas e condições.
A questão é se elevamos esses momentos de vida que continuam mudando constantemente e os direcionamos para o bem, para a felicidade ou permitimos que fiquem girando na espiral do sofrimento, num ciclo que conduz a um estado de vida de inferno.
Nesse escrito, Daishonin expressa: “O Sutra do Lótus é o rei dos sutras, o caminho direto para a iluminação, pois explica que a entidade de nossa vida — que manifesta tanto o bem como o mal — é, na verdade, a entidade da Lei Mística” (Ibidem, v. I, p. 4).
Na realidade, nosso estado mental em constante mutação é, em si, uma entidade da Lei Mística. Embora nos digam que nossa vida é uma entidade da Lei Mística, é a “escuridão fundamental”6 que nos impede de acreditar nisso. Essa escuridão ou ignorância fundamental é a causa de todo sofrimento, que só a “espada afiada” da fé pode dissipar (cf. OTT, p. 119-120).
Nichiren Daishonin escreve: “Deve ter a profunda fé de que o Myoho-renge-kyo [a Lei Mística] é sua própria vida” (CEND, v. I, p. 3). A condição de vida do estado de buda se revela na mente de profunda fé na Lei Mística.
Recitar Nam-myoho-renge-kyo alinha nossa vida com a Lei Mística. Nossa oração, portanto, consiste em uma intensa luta entre nossa natureza de buda fundamentalmente iluminada — nossa natureza do Darma7 — e a escuridão fundamental dentro de nós. Daishonin declara que o “caminho direito para a iluminação” reside nessa luta e na convicção de que nossa vida é a entidade do Myoho-renge-kyo (Lei Mística).
Em outras palavras, representa um esforço para despertar nosso verdadeiro eu, originalmente uno com a Lei Mística, para o qual não tínhamos consciência, porque nossa mente se encontrava encoberta pela escuridão fundamental. Por essa razão, é importante considerarmos “tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida” (Ibidem, p. 713) e continuarmos recitando Nam-myoho-renge-kyo para vencer nossa ilusão interior.
Cada um de nós é a entidade da Lei Mística
Meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, explicou a doutrina dos “três mil mundos num único momento da vida” de uma maneira facilmente compreensível, relacionando-a com a vida diária.
“Tudo na nossa vida”, disse ele, “ocorre como consequência das mudanças que se desenrolam dentro de nós. Por isso, é importante que nos empenhemos a mudar para melhor e a criar incessantemente nossa própria felicidade. Portanto, você deve ser verdadeiro consigo mesmo e assumir a responsabilidade pela própria vida. De fato, é imprescindível reconhecer que você não tem nenhuma opção a não ser essa.”8
“Ser verdadeiro consigo mesmo e assumir a responsabilidade pela própria vida” — é assim que se vive em unicidade com a Lei Mística eterna.
Toda sensei expressou isso com muita clareza, dizendo: “Decidam que sua vida não é nada além do próprio Nam-myoho-renge-kyo!”.
Ensinamento transformador para criar a felicidade
Mesmo que se depare com as mesmas circunstâncias, nossa mente, nossos pensamentos momentâneos e reações diferirão de um para outro, e essas diferenças se refletem diretamente em nossa condição de vida. Como Daishonin expõe: “Cada um dos três mil mundos [ou domínios] existe [na vida da pessoa]” (OTT, p. 22). Essa é a rigorosa realidade da vida.
Numa passagem posterior de Atingir o Estado de Buda nesta Existência, Daishonin escreve: “Quando uma pessoa é dominada pela ilusão, é chamada de mortal comum; mas quando iluminada, é chamada de buda” (CEND, v. I, p. 4). Embora um buda e um mortal comum possam diferir no que concerne à sua respectiva iluminação ou ilusão, não há diferença essencial entre eles como seres humanos. Em última análise, a única diferença está em sua determinação mental interior.
O mesmo se aplica às terras em que as pessoas habitam. A diferença entre as assim chamadas terras pura e impura, afirma Daishonin “reside apenas no bem e no mal da própria mente” (Ibidem).9
Nossa mente ou pensamento é um campo de batalha, que determina a felicidade ou a infelicidade. Por esse motivo, é tão importante permanecermos firmes e constantes em nossa fé.
O Budismo Nichiren é um ensinamento transformador para criarmos nossa própria sólida felicidade.
Todas as atividades em prol do kosen-rufu “trazem benefícios e fincam raízes do bem”
Nichiren Daishonin transformou adversidades em alegria, e escreveu: “Sinto imensa alegria mesmo estando exilado [na Ilha de Sado]. Tanto a alegria como a tristeza provocam lágrimas” (CEND, v. I., p. 405). Isso exemplifica a elevada condição de vida do Buda dos Últimos Dias da Lei, que considerava as dificuldades um trampolim para a iluminação.
Demonstrando nobreza de espírito similar na época atual, o presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, escreveu na prisão que as adversidades que estava vivenciando por sua fé eram pequenas e irrelevantes em comparação com as enfrentadas por Daishonin.10 Makiguchi sensei morreu no cárcere em defesa de suas convicções, em um estado de espírito de total serenidade, com a consciência de que “As dificuldades surgirão e deverão ser encaradas como paz e tranquilidade (OTT, p. 115).
Também foi no período em que estava suportando as agruras da prisão para defender o ensinamento correto que Toda sensei despertou para sua identidade: “Eu sou o bodisatva da terra”.
O magnífico movimento pelo kosen-rufu mundial de hoje começou com essa luta, diretamente ligada a Daishonin, de mestre e discípulo, de devoção abnegada pela propagação da Lei Mística.
Seguindo os passos de ambos os mestres, levantamo-nos com firme decisão e continuamos escalando as montanhas do kosen-rufu e da vida, cada qual em direção ao seu topo mais alto e junto com os outros. Esse é o resultado dos nossos profundos laços cármicos e a fonte de ilimitada boa sorte.
À luz dos ensinamentos de Nichiren Daishonin, é inegável o fato de que “todos esses atos virtuosos trarão benefícios e fincarão raízes do bem em sua vida” (CEND, v. I, p. 4). Além disso, possuir essa firme convicção na fé imbuirá nossa vida de grande boa sorte.
Daishonin escreve: “Não existe lugar algum nos mundos das dez direções que o som de nossa voz recitando daimoku [Nam-myoho-renge-kyo] não alcance. Nossa voz pode ser baixa, mas quando entoamos o poderoso som do daimoku, não há lugar em todo o grande sistema de mundos que ela não penetre” (GZ, nova ed., p. 1121 [GZ, p. 808]).11 Ele nos garante que todos os budas e bodisatvas das dez direções serão nossos aliados. Por essa razão, nada é páreo para aqueles que recitam firmemente Nam-myoho-renge-kyo.
Trecho do escrito 2
Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente
O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente (Ongi Kuden) afirma: Namu ou nam é uma palavra sânscrita.12 Significa devotar a própria vida (kimyo, em chinês) à Pessoa e à Lei. Em termos de Pessoa, significa devotar a própria vida (kimyo) ao buda Shakyamuni. Em termos de Lei, corresponde a devotar a própria vida (kimyo) ao Sutra do Lótus. “Devotar-se (ki)” quer dizer devotar-se ao princípio da verdade eterna e imutável do ensinamento teórico. “Vida” (myo) significa que uma vida dedicada a esse princípio é baseada na sabedoria da verdade do ensinamento essencial que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis. Em essência, devotar a própria vida (kimyo) é o próprio Nam-myoho-renge-kyo.
Um comentário [de Dengyo] diz: “Tudo o que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis e tudo o que é imutável, são todos tranquilos e esplendorosos num único momento da vida”13 (OTT, p. 3).
Líderes participam do Curso de Verão da Sub. Bahia, CRE Leste. O sorriso de todos reflete a vitória da organização na primeira etapa da Liga Monarca e a troca de incentivos para os próximos passos na competição (Bahia, fev. 2025). Foto: Colaboração local
Nam significa “devotar a própria vida” (kimyo)
Esse trecho de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente esclarece o princípio de “devotar a vida”, pelo qual transformamos nossa mente ou nossa determinação interior e resplandecemos como entidades da Lei Mística.
Daishonin inicia explicando que a palavra sânscrita namas — da qual se origina a transliteração fonética japonesa namu ou nam — foi traduzida para o chinês utilizando os ideogramas para “devoção” ou “devotar a própria vida” (kimyo) no sentido de seguir como diretriz ou base fundamental — ou seja, acreditar de coração, com todo o seu ser.
Prosseguindo, ele afirma que devotamos a vida à Pessoa e à Lei. Para nós, como praticantes do Budismo Nichiren, isso significa dedicar a vida a Nichiren Daishonin, Buda dos Últimos Dias da Lei, e ao Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo.
Em seguida, Daishonin discorre sobre os dois ideogramas chineses que compõem o termo kimyo, isto é, “devotar a vida”, elucidando, de forma clara, a postura da nossa prática da fé.
Alinhar nossa vida com a Lei Mística
Ele começa da seguinte forma: “‘Devotar-se [ki de kimyo)’ quer dizer devotar-se ao princípio da verdade eterna e imutável do ensinamento teórico [primeira metade do Sutra do Lótus]” (OTT, p. 3). Explicando de forma simples, o “princípio da verdade eterna e imutável” refere-se à verdade eternamente imutável que transcende as épocas e as circunstâncias. Portanto, “devotar-se ao princípio da verdade eterna imutável” significa aceitar e se dedicar à verdade suprema — isto é, fundir nossa vida com o Myoho-renge-kyo, a lei fundamental intrínseca a todas as formas de vida e ao universo.
Em termos práticos, significa essencialmente ter fé no Gohonzon e recitar Nam-myoho-renge-kyo. É assim que podemos “devotar” a vida à Lei Mística. Além disso, todos os nossos esforços em prol do kosen-rufu fundamentados no juramento seigan e no espírito de procura constituem a prática budista de devotar a vida à Lei Mística.
Em seguida, Daishonin escreve: “‘Vida’ (myo) significa que uma vida dedicada a esse princípio é baseada na sabedoria da verdade do ensinamento essencial [segunda metade do Sutra do Lótus] que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis” (Ibidem). Essa “sabedoria da verdade do ensinamento essencial que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis” é a sabedoria do buda que emerge em resposta à realidade em constante mutação. Trata-se de uma função da condição de vida do estado de buda.
“[Nossa vida se baseando] na sabedoria da verdade (...) que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis” significa incorporar o modo de vida de um bodisatva da terra alinhado com a Lei Mística. Fazendo isso, podemos gerar ilimitada energia vital e sabedoria do buda, realizar nossa revolução humana e mudar nossa vida para melhor. Podemos ultrapassar cada desafio e obstáculo e transfor-mar toda dor e sofrimento de agora em esperança e vitória.
Essas ações e comportamento de criação de valor caracterizam uma vida baseada na “sabedoria da verdade que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis”, que nos habilita a viver com genuína alegria e satisfação no verdadeiro sentido.
Avançar junto com a Soka Gakkai do desejo e do decreto do Buda
Como vimos, a passagem de Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente citada indica que “devotar a vida” (kimyo) consiste em “devotar” (ki) e “basear a vida” (myo). Devotar-se à Lei significa basear a vida na Lei. Isso implica manifestar a eterna condição de vida do estado de buda e produzir ilimitada força recitando Nam-myoho-renge-kyo da Lei Mística. A condição de vida una com a Lei eterna é indestrutível. É livre e desimpedida, independentemente do que aconteça.
“Em essência, devotar a própria vida (kimyo) é o próprio Nam-myoho-renge-kyo” (OTT, p. 3). O profundo significado do daimoku de Nam-myoho-renge-kyo é que faz o estado de buda aflorar e fluir vibrantemente na vida dos mortais comuns.
Daishonin também menciona um comentário do grande mestre Dengyo, que afirma: “Tudo o que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis e tudo o que é imutável são todos tranquilos e esplendorosos num único momento da vida” (Ibidem). “Tranquilo” significa que todos os fenômenos estão contidos num único momento da vida, ao passo que “esplendoroso” quer dizer que um único momento da vida ilumina todos os fenômenos. “Tudo o que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis” e “tudo o que é imutável” são a “tranquilidade” e o “esplendor” de um único momento de vida, ambos os quais são funções inerentes ao Nam-myoho-renge-kyo.
Quando perseveramos na fé, na prática e no estudo e devotamos a vida ao juramento seigan pelo kosen-rufu junto com a Soka Gakkai — organização do desejo e do decreto do Buda —, evidenciamos nosso vasto e ímpar potencial à plenitude e tudo em nosso ser brilha. Somos capazes de exercer livremente nossas aptidões inerentes e cumprir nossa missão.
Pensamento constante de conduzir outros a atingir o estado de buda
O capítulo 16, “A Extensão da Vida”, do Sutra do Lótus, encerra-se com as frases “Medito constantemente [a todo momento tenho esse pensamento]: ‘Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?’”14 (LSOC, cap. 16, p. 273). O Buda está sempre pensando em como conduzir os seres vivos a ingressar no caminho supremo e a atingir o estado de buda.
Daishonin expressa: “Esse pensamento” de ‘a todo momento tenho esse pensamento’15 consiste no pensamento num único momento da vida que abarca os três mil mundos, originalmente inerente aos budas e a todos os seres vivos” (WND, v. II, p. 909).
Todos os budas e seres vivos compartilham do desejo inato de uma vida feliz para si e para todos os outros. É o “pensamento” que pulsa nas profundezas mais recônditas da vida. Devotar a vida (kimyo) à Lei Mística significa despertar para essa determinação (ichinen) e consagrar a vida a ela.
Ser uno à Lei Mística é um modo de vida imbuído do desejo compassivo do Buda de conduzir todas as pessoas à felicidade.
Uma vida que manifesta ilimitada força e potencial
O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente declara: “Se num único momento da vida esgotarmos as dores e aflições de milhões de kalpa [na prática para si e para os outros], então, instante após instante surgirão em nós os três corpos do buda16 com os quais somos eternamente dotados” (OTT, p. 214). Gravando essa passagem no meu coração, empenhei-me dando o máximo de mim e venci cada batalha como fiel discípulo de Toda sensei desde a época da minha juventude.
“Num único momento da vida esgotarmos as dores e aflições de milhões de kalpa” significa devotar a vida, momento a momento, à concretização do desejo do Buda. Empenhar-se com tal seriedade é “devotar a vida” à Lei Mística.
Quando “baseamos a vida” na Lei Mística, somos capazes de evidenciar nossa sabedoria do buda e personificar o comportamento do buda em nossas ações. Conseguimos manifestar em nossa vida “os três corpos do buda com os quais somos eternamente dotados”. É o que ensina o Budismo Nichiren.
A busca do espírito humano
O próximo ano (2022) assinalará o 50º aniversário do início do meu diálogo com o maior historiador do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (1889–1975).
O fator fundamental para solucionar os diversos problemas mundiais que enfrentamos — tais como guerras, pobreza, discriminação e destruição ambiental — repousa em cada um de nós superarmos nosso egocentrismo e egoísmo. Essa é a conclusão daquele grande erudito, que devotou a vida a examinar a história da civilização humana.
Em nosso diálogo, discutimos a relevância de se vencer o egoísmo e a necessidade, no mundo atual, de uma religião que habilite as pessoas a se fundir com a “realidade espiritual máxima” do universo. E ambos concordamos sobre o fato de que o verdadeiro papel da religião é nos ajudar a controlar nossos desejos egoísticos e expandir o foco do nosso mesquinho eu menor para um abrangente eu maior.
O Dr. Toynbee expressou afinidade com a visão fundamental do budismo como um “sistema de leis da vida” apropriado para representar a “realidade espiritual máxima”.17
A Lei Mística é o princípio fundamental subjacente ao universo e à vida — exatamente aquilo a que o Dr. Toynbee se referia como a “realidade espiritual máxima”.
Ao devotarmos a vida à Lei Mística, rompemos a concha do eu menor governado pelo desejo e oprimido pelo sofrimento. Assumindo como nossos os sofrimentos dos outros, retornamos ao eu maior que almeja à felicidade de si e dos demais igualmente. Esse conceito fundamental, a filosofia da revolução humana, representa uma necessidade urgente no nosso mundo atual.
“Ser eternamente vitorioso!”
No poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do século 21, expressei:
Fé é não ter medo de nada!
É ser eternamente vitorioso!
É agir e assim
tornar-se um indivíduo de notável humanidade
que une as pessoas, o budismo
e a sociedade!
“Ser eternamente vitorioso” consiste em edificar um eu forte, invencível e resiliente uno com a lei eterna, a Lei Mística.
Unimos “as pessoas, o budismo e a sociedade” exercendo livremente a “sabedoria da verdade [do ensinamento essencial] que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis” em conformidade com o “princípio da verdade eterna e imutável”, demonstrando esplêndidas provas reais na sociedade.
“Indivíduo de notável humanidade” é aquele que cumpre a “promessa benevolente do Buda” ao declarar: “Medito constantemente [a todo momento tenho esse pensamento]: ‘Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?’” (CEND, v. I, p. 64), determinado a concretizar a própria felicidade junto com todas as outras pessoas.
As asas da unicidade de mestre e discípulo são as asas dos jovens para alçarem voo rumo ao desenvolvimento ilimitado e dinâmico.
Você e eu estamos sempre ligados por meio do daimoku do rugido do leão e do juramento seigan pelo kosen-rufu.
Um passo após o outro rumo ao topo da nova montanha do kosen-rufu
Tremulando a bandeira da justiça da Lei Mística e visando o futuro eterno dos Últimos Dias da Lei, fixemos o olhar na nova montanha do kosen-rufu, da paz e da felicidade de toda a humanidade. Eu os conclamo a empreender essa escalada passo a passo, com cada vez mais força e ânimo, ao lado dos membros do mundo inteiro e juntos comigo!
Façamos a canção triunfal da nossa determinação mental (ichinen) e o hino da vida Soka ecoarem por todo o universo!
(Daibyakurenge, edição de dezembro de 2021)
Com a colaboração/revisão do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI
Resumo
Estudo — Março 2025
Principais tópicos estudados
Espírito da Soka Gakkai: vencer a ilusão inerente à nossa vida
[Recitar Nam-myoho-renge-kyo] representa um esforço para despertar nosso verdadeiro eu, originalmente uno com a Lei Mística, para o qual não tínhamos consciência, porque nossa mente se encontrava encoberta pela escuridão fundamental. Por essa razão, é importante considerarmos “tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida” (CEND, v. I, p. 3) e continuarmos recitando Nam-myoho-renge-kyo para vencer nossa ilusão interior.
Ações que nos conduzem à iluminação
Quando perseveramos na fé, na prática e no estudo e devotamos a vida ao juramento seigan pelo kosen-rufu junto com a Soka Gakkai — organização do desejo e do decreto do Buda —, evidenciamos nosso vasto e ímpar potencial à plenitude e tudo em nosso ser brilha. Somos capazes de exercer livremente nossas aptidões inerentes e cumprir nossa missão.
Filosofia da revolução humana
Ao devotarmos a vida à Lei Mística, rompemos a concha do eu menor governado pelo desejo e oprimido pelo sofrimento. Assumindo como nossos os sofrimentos dos outros, retornamos ao eu maior que almeja à felicidade de si e dos demais igualmente. Esse conceito fundamental, a filosofia da revolução humana, representa uma necessidade urgente no nosso mundo atual.
Frases marcantes
“A solidez dos jovens assegura a solidez do futuro.”
“Não percam a esperança, por mais dolorosa seja a situação!”
“Um buda não é um ser distante ou sobrenatural.”
“A condição de vida do estado de buda se revela na mente de profunda fé na Lei Mística.”
“Nossa mente ou pensamento é um campo de batalha, que determina a felicidade ou a infelicidade.”
“Nada é páreo para aqueles que recitam firmemente Nam-myoho-renge-kyo.”
Personalidades e personagens budistas citados
- Nichiren Daishonin
- Josei Toda
- Tsunesaburo Makiguchi
- Dengyo
- Arnold J. Toynbee
- Shakyamuni
Perguntas-guia para as atividades de estudo
Nam, de Nam-myoho-renge-kyo, significa “devotar a própria vida”. Como “devotar a vida” em termos práticos?
“Devotar-se ao princípio da verdade eterna imutável” significa aceitar e se dedicar à verdade suprema — isto é, fundir nossa vida com o Myoho-renge-kyo, a lei fundamental intrínseca a todas as formas de vida e ao universo.
Em termos práticos, significa essencialmente ter fé no Gohonzon e recitar Nam-myoho-renge-kyo. É assim que podemos “devotar” a vida à Lei Mística. Além disso, todos os nossos esforços em prol do kosen-rufu fundamentados no juramento seigan e no espírito de procura constituem a prática budista de devotar a vida à Lei Mística. (...).
[As] ações e [o] comportamento de criação de valor caracterizam uma vida baseada na “sabedoria da verdade que se manifesta de acordo com as circunstâncias mutáveis”, que nos habilita a viver com genuína alegria e satisfação no verdadeiro sentido.
Pensamentos produzem causas, mas não consigo controlá-los. Como a prática budista pode me auxiliar?
Nossa mente, nossa vida a cada momento, é algo inefável, sem cor ou forma, e transcende a categoria do ser e não ser, da existência e não existência. Os sutras budistas ensinam que “uma única pessoa, no decorrer de um único dia, tem oito milhões e quatro mil pensamentos” (CEND, v. II, p. 725). Nossos pensamentos momentâneos, nosso estado de espírito, surgem e desaparecem em constante sucessão, desencadea-dos por várias causas e condições.
A questão é se elevamos esses momentos de vida que continuam mudando constantemente e os direcionamos para o bem, para a felicidade ou permitimos que fiquem girando na espiral do sofrimento, num ciclo que conduz a um estado de vida de inferno. (...)
Recitar Nam-myoho-renge-kyo alinha nossa vida com a Lei Mística. Nossa oração, portanto, consiste em uma intensa luta entre nossa natureza de buda fundamentalmente iluminada — nossa natureza do Darma — e a escuridão fundamental dentro de nós. Daishonin declara que o “caminho direito para a iluminação” reside nessa luta e na convicção de que nossa vida é a entidade do Myoho-renge-kyo (Lei Mística).
Notas:
1. Versos do poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21.
2. Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21 é um poema que o presidente Ikeda dedicou aos jovens numa reunião de líderes da Divisão dos Jovens da província de Oita, em Kyushu, em 10 de dezembro de 1981. Aquele ano assinalou o 30º aniversário do Preceito aos Jovens, de Toda sensei, levando o presidente Ikeda a compor esse poema para transmitir nova diretriz aos jovens do Japão e do mundo rumo ao século 21. Posteriormente, ele revisou o poema. A versão atualizada foi publicada no Seikyo Shimbun em março de 1999.
3. “Dez mundos”: Classificação de dez estados de vida distintos que formam a base da visão de vida budista. São eles: mundo do inferno, mundo dos espíritos famintos, mundo dos animais, mundo dos asura, mundo dos seres humanos, mundo dos seres celestiais, mundo dos ouvintes da voz, mundo dos que despertaram para a causa, mundo dos bodisatvas e mundo dos budas.
4. Escrito em 1255, Atingir o Estado de Buda nesta Existência ensina que recitar Nam-myoho-renge-kyo é o caminho direto para atingir o estado de buda nesta existência.
5. “Três mil mundos num único momento da vida” (ichinen-sanzen, em jap.): Sistema filosófico estabelecido por Tiantai. A expressão “três mil mundos” indica os aspectos e as fases variáveis que a vida assume a cada momento. A cada instante, a vida manifesta um dos dez mundos. Cada um desses mundos possui o potencial de todos os dez em si mesmo, totalizando cem possíveis mundos. Cada um desses cem mundos possui os dez fatores e opera em cada um dos três domínios da existência, totalizando três mil mundos. Em outras palavras, todos os fenômenos estão contidos dentro de um único momento da vida, e um único momento da vida permeia os três mil mundos da existência, ou todo o mundo fenomenal.
6. Escuridão fundamental ou ignorância fundamental: A ilusão inerente à vida mais profundamente arraigada, que dá origem a todas as demais ilusões e desejos mundanos. Consiste na incapacidade de ver ou reconhecer a verdade suprema da Lei Mística, bem como os impulsos negativos que surgem dessa ignorância.
7. Natureza do Darma: Também denominada “natureza fundamental da iluminação”. É identificada como a própria Lei fundamental, a essência da iluminação do Buda, ou verdade suprema e a natureza de buda inerente à vida.
8. Cf. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 1. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1981. p. 184.
9. Terra pura: Terra de felicidade e livre de impurezas, terra do buda. O termo é empregado em contraste à “terra impura”, que indica o mundo saha, uma terra contaminada por sofrimentos e desejos. O ensinamento essencial (catorze últimos capítulos) do Sutra do Lótus expõe o princípio de que o mundo saha é a própria a Terra da Luz Eternamente Tranquila onde o Buda reside.
10. Cf. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. v. 10. Tóquio: Daisanbunmei-sha, 1987. p. 278.
11. Oko Kikigaki [Registro das Preleções]; não incluído no The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin], v. I ou II.
12. Namu ou sua variação fonética nam derivam-se do sânscrito namas.
13. Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente: Coletânea de ensinamentos orais de Nichiren Daishonin sobre o Sutra do Lótus proferidos enquanto ele vivia no Monte Minobu. Foram registrados e compilados em dois volumes por seu discípulo e sucessor Nikko Shonin.
14. Refere-se à seguinte passagem do gongyo: Mai ji sa ze nen. I ga ryo shu jo. Toku nyu mu jo do. Soku jo ju bus-shin.
15. A tradução da passagem final do capítulo “A Extensão da Vida” é alterada aqui para expressar o sentido do ensinamento de Nichiren Daishonin a respeito dela. A tradução original diz “Medito constantemente”.
16. Três corpos: Três tipos de corpo que um buda possui. Eles são: (1) corpo do Darma, que significa a verdade fundamental ou Lei para a qual um buda se iluminou; (2) corpo da recompensa, que indica a sabedoria para perceber a Lei, e é assim chamado porque a sabedoria de um buda é considerada a recompensa derivada do incessante esforço e da disciplina; e (3) corpo manifesto, que se refere às ações compassivas de um buda para conduzir as pessoas à felicidade.
17. Cf. TOYNBEE, Arnold J.; IKEDA, Daisaku. Choose Life: A Dialogue [Escolha a Vida]. GAGE, Richard L. (ed.). Londres: I. B. Tauris, 2007. p. 301.
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