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Caderno Soka
há 21 anos

“Sou totalmente contra a guerra”

06/08/2005

“Sou totalmente contra a guerra”
Em 1937, eu tinha nove anos. Meu pai, finalmente, havia acabado de se recuperar de uma longa e severa crise de reumatismo e meu irmão mais velho havia sido recrutado pelo exército. Ele se chamava Kiiti e era doze anos mais velho do que eu. Estava com 21 anos quando foi convocado para o serviço militar. Meu irmão era muito sério e sincero, e eu tinha por ele um grande respeito. Enquanto nosso pai esteve doente, Kiiti trabalhou arduamente para nos sustentar, passando a ser o pilar de nossa família.(...)

“No início da primavera de 1939, dois anos após ter sido recrutado, Kiiti foi enviado para lutar no exterior. Em 1941, Kiiti obteve licença para voltar para casa. Foi quando me disse com a voz trêmula: ‘Não há palavras para descrever a crueldade do exército japonês.’(...)

“No ano seguinte, Kiiti foi convocado novamente. Do campo de batalha, ele escreveu uma carta: ‘Como um filho de um coletor de algas marinhas [e, portanto, acostumado a trabalhar em baixas temperaturas], esperava ser enviado para um lugar frio, mas quis o destino que fosse enviado para a Birmânia tropical!’ Quando me lembro dessas palavras, sinto novamente uma terrível angústia.

Tempos depois, Kiiti tornou-se uma das vítimas da Campanha Imphal [uma tentativa fracassada do Japão de dominar o Imphal, no noroeste da Índia, através da Birmânia, durante as etapas finais da Segunda Guerra Mundial], famosa por ser uma das piores operações concebidas pelos militares japoneses. Ele morreu na Birmânia (atual Mianmar) em janeiro de 1945 com apenas 29 anos.

Eu abomino a guerra! Sou totalmente contra a guerra! (...) Estou decidido a lutar contra qualquer um que apóie ou defenda a guerra. (Terceira Civilização, edição no 390, fevereiro de 2001, págs. 32-33.)

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