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Caderno Soka
há 27 anos

Filhos: não tê-los ou sabê-lo?

02/10/1999

Filhos: não tê-los ou sabê-lo?

Prós e/ou contras

É particularmente famoso no comportamento humano e no da maioria dos animais o instinto maternal, um instinto que, alicerçado em fatores genéticos e realçado por fatores psico-sociológicos, gera a ânsia por uma prole. É difícil, portanto, definir em termos concretos as razões que levam as pessoas a desejar ter filhos. Entre elas, poderiam ser citadas:

º O desejo de que a linhagem continue por meio dos filhos.

º O vínculo que os filhos formam entre as famílias do casal.

º A experiência de ter um filho — de originar uma vida — que pode se constituir numa forma de amadurecimento pessoal.

º O surgimento de alguém para amar e cuidar, e manter essa reciprocidade.

º A segurança de ter amparo e solidariedade na velhice.

º A criança se torna um objetivo de vida, um propósito para trabalhar e se desenvolver.

Naturalmente, a decisão de ter, ou não, filhos é estritamente pessoal e os motivos acima podem se constituir justamente em razões para não ter filhos. Como escreveu o mais importante autor brasileiro numa das mais importantes obras nacionais: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” (Citado por Brás Cubas, no romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.)

Estou?

Existem alguns sinais que podem indicar a gravidez, sendo no entanto necessária a confirmação pelos devidos exames. São eles:

1. Amenorréia: Duas semanas antes da fertilização, uma mulher pode ficar sem menstruação. Embora a gravidez seja a causa mais comum da amenorréia, não é a única.

2. Freqüência urinária: Quando os níveis de progesterona se elevam na mulher e o embrião começa a segregar o hCG, o fluxo de sangue na região pélvica aumenta, ocasionando o congestionamento pélvico. A bexiga se irrita e tenta expelir mesmo a menor quantidade de urina.

3. Cansaço: os altos níveis de progesterona levam à fadiga. Por outro lado, o aumento do metabolismo, que se prepara para desenvolver o embrião, também leva à fadiga. É recomendável descansar.

4. Paladar estranho e desejos: a saliva, que é sensível à mudança na química do corpo, faz mudar o sabor dos alimentos. Os “desejos” podem ser a resposta do corpo à carência de alguns minerais.

5. Enjôo: muito comuns, podem ocorrer quando não se come por um longo período e as taxas de açúcar no sangue caem muito.

6. Odores: Na gravidez, o olfato fica apurado e alguns cheiros podem provocar náuseas.

7. Seios: as mudanças são muito perceptíveis, os seios entumecem e ficam doloridos, os mamilos ficam mais sensíveis e escuros.

Normal ou cesariana?

Cada vez mais cresce o número de mães que optam pelo parto normal, mas ainda assim o Brasil é um dos campeões de parto cesariano, ao lado do Chile, México e Argentina.

Em 1997, 40,4% das grávidas brasileiras fizeram cesariana, enquanto que o índice considerado como aceitável pela Organização Mundial de Saúde é de 15%. Algumas entidades governamentais e civis, como o Conselho Federal de Medicina, vem realizando campanhas para incentivar o parto natural.

Os que defendem o parto cesariano louvam sua rapidez e menor incômodo para a gestante e ainda argumentam que os hospitais brasileiros carecem de uma estrutura adequada para um acompanhamento adequado do parto normal. Na verdade, o parto cesariano teve sua fama difundida no Brasil lá pela década de 70, quando um estudo norte-americano associava a diminuição da mortalidade infantil ao crescimento do número de partos cesarianos. Mas esse estudo mostrou-se equivocado e ironicamente, hoje em dia apenas 25% dos partos nos Estados Unidos são cesarianos. Na França, 20% a 30% dos partos são realizados na própria residência da grávida. Na Inglaterra, os casos de cesariana são apenas 10%, e os partos, assim como na Holanda e na Alemanha, são feitos por parteiras, sem a assistência do médico (que é chamado apenas em casos de urgência).

O parto cesariano é recomendado quando:

º A cabeça da criança é maior do que a passagem da bacia materna.

º O bebê está transverso, com o ombro voltado para o canal do parto.

º A mãe é portadora de doença sexualmente transmissível em fase ativa.

º Há descolamento prematuro da placenta ou placenta prévia.

º O bebê está em sofrimento fetal agudo, por falta de oxigenação.

º A mãe sofre uma eclâmpsia, uma doença que leva a convulsões.

º Ocorre prolapso do cordão umbilical e ele sai antes do bebê.

Por outro lado, no parto cesariano aumentam de sete a vinte vezes o risco de infecções e complicações para as mães, em oito vezes o risco de hemorragia, e os casos de problemas respiratórios nos recém-nascidos de partos marcados com antecedência.

(Dados do Centro Latino-Americano de Perinatologia e da Organização Mundial de Saúde.)

O que fazem e quando fazem?

Veja o que normalmente as crianças fazem em determinadas épocas:

Aos quatro meses: Brincam com chocalho, ao perceberem que movimentando objetos pode-se produzir sons.

Aos seis meses: Levam o pé à boca, quando associam a habilidade motora à capacidade de acompanhar com os olhos os movimentos que fazem com as mãos.

Com um ano e um mês: empilham objetos, indicando desenvolvimento motor.

Com um ano e seis meses: folheiam livros, por adquirirem uma habilidade maior com os dedos e as mãos.

Com um ano e nove meses: sobem escadas, apoiada no corrimão, ao apurar seu senso de equilíbrio.

Aos dois anos: chutam bolas.

Aos dois anos e seis meses: andam de triciclo.

Aos três anos: seguram o lápis, à maneira do adulto.

Aos quatro anos: lavam o rosto, pois conseguem controlar a própria força e têm segurança nos movimentos.

Aos cinco anos: vestem a roupa, ao adquirirem eqüilíbrio e coordenação para movimentos mais complexos.

O que muda com os filhos?

Não dá pra negar. A vida de uma casal não é mais a mesma depois do primeiro filho. Pra quem quer arriscar, aqui estão algumas das principais mudanças no estilo de vida de um casal que recebe a chegada do primeiro filho:

1. Tempo.

Crianças, principalmente bebês, requerem dedicação. Como hoje em dia a vida da maioria das pessoas é uma correria, isso pode influenciar drasticamente a vida do casal. Com certeza, terão menos tempo para eles próprios e para as atividades sociais. As antigas “noitadas” aos poucos vão diminuindo e, com o tempo, são substituídas pelas “matinês“ das crianças.

2. Orçamento doméstico.

Estima-se que 15 a 25% da receita familiar será gasta com as crianças, o que implica em abrir mão de alguns gastos, como viagens e outros.

3. Relacionamentos.

Não muda apenas o relacionamento entre os cônjuges, mas também destes com os pais, sogros e amigos. A tendência é buscar casais que também tenham crianças pequenas para compartilhar as experiências.

4. Fumantes.

Para os fumantes inveterados, esse é um dos primeiros problemas. O fumo pode causar aborto, parto natimorto, danos à placenta, bebês com peso abaixo do normal e anomalias fetais. Para as grávidas, não há muitas opções: ou o bebê ou o cigarro.

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