BS
Editorial
há 27 anos
Herança, caminho do discípulo
02/10/1999

Em contrapartida, ao lermos esse trecho do diálogo, nossos pensamentos podem voar para os recantos mais sombrios da nossa mente, dado o receio de “herdar” essa missão e a fraqueza de nossa convicção. É nesse mundo de fraquezas que, não raro, nos pegamos pensando apenas em nossos desejos e nossas metas puramente pessoais, e sendo ainda vencidos pelas mais básicas das dificuldades.
A Convenção Cultural dos Jovens é o encontro desses herdeiros. Não se trata de uma simples reunião de pessoas no Centro Cultural Campestre. Seu significado está muito além disso, encontra-se no espírito com que cada um de nós, independentemente da idade e divisão, arcará com a responsabilidade de dar um, dois, três, quatro mil passos de avanço rumo o Kossen-rufu. Por exemplo, se somos experientes, que tal então nos engajarmos com afinco na criação de herdeiros? Se somos aquele que sempre é “levado” para uma atividade, que tal começarmos a andar com nossas próprias pernas? Se somos daquele rol de pessoas que sempre precisam ser cobradas de algo, que tal aguçarmos nossa responsabilidade e tornarmo-nos pessoas que acrescentam algo de bom e enriquecem cada encontro? Se somos aquele que se encaixa no perfil do herdeiro, que tal pararmos de lamentar os problemas de nossa organização e começarmos a construir a BSGI do século XXI, conforme o desejo de nosso mestre expresso nas sábias palavras que iniciam este editorial?
Para que possamos dar passos concretos em nossa vida, é necessário que haja convicção e luta no caminho escolhido, que a atitude corresponda ao pensamento. Muitos dizem constantemente “Quero crescer, quero me desenvolver, quero mudar minha vida”. Em tese, a pessoa realmente deseja mudar, mas em contrapartida fica apenas “dormindo no ponto”, sem coragem para mover o próprio corpo em direção a essas mudanças. Com certeza, muitas dificuldades e problemas que enfrentamos poderiam ser resolvidos se nossa postura em relação à própria vida mudasse a partir deste momento.
Imaginem, por exemplo, a circunstância daquele que vive se lamentando pelo fato de ter muitas dificuldades. Muitas dessas pessoas limitam-se apenas a lamentar. Não tomam atitudes concretas e que surtam efeitos no presente e no futuro. É comum também encontrarmos na organização pessoas que vivem em dificuldades, que têm sérios problemas e raramente apresentam resultados. Mas quando são convidadas a participar de uma ou de outra atividade sempre dão alguma desculpa, ou apenas “levam o corpo” à reunião. E quando são, por exemplo, solicitadas a participar de “algo mais agradável”, como uma churrascada ou uma partida de futebol, apressam-se para o local.
Cabe lembrar que fraqueza de caráter é o maior dos inimigos de nosso desenvolvimento. Sucumbir ao “fácil e agradável” e evitar o “difícil e complicado” é o mesmo que deixar de lado a solução de todos os nossos problemas. Lutar em prol de outras pessoas, mesmo tendo grandes problemas particulares, é, na verdade, a chave secreta apresentada pelo budismo para remover de nós as causas da miséria. Não é de forma alguma exagero afirmar que, se não avançamos, é justamente porque ainda não compreendemos esse fato.
Nesse mesmo diálogo o presidente Ikeda apresenta a seguinte questão: “Há um exemplo que tem a ver com todos vocês: as provas de vestibular. Muitos de vocês talvez acreditem que isso seja a coisa mais importante em sua vida neste momento. No entanto, vocês provavelmente têm amigos que também estão passando por problemas. Se os ignorarem e se preocuparem somente com seu próprio bem-estar, vocês permanecerão presos nos seis maus caminhos. Mas, se tentarem encorajá-los e ajudá-los nesse momento crucial, sentindo que no futuro irão se arrepender se não o fizerem, vocês estarão no caminho de Bodhisattva.”
Nessas poucas palavras encontra-se a nossa grande meta: vencer o egoísmo que nos prende à escuridão de uma vida permeada por incertezas e sofrimentos. E ao expandir esse humanismo budista de si para a família, da família para a sociedade, para a Nação brasileira e para o mundo, uma revolução sem precedentes em prol da paz será realizada.
A nossa história até agora é como um estaleiro e a primavera, um grande porto. Nesse porto está atracado o grande navio denominado “BSGI Modelo do Kossen-rufu Mundial”, pronto para zarpar como a “corredora líder do mundo”. Você embarca nessa histórica viagem, ou ficará vendo o navio partir para a maior de suas missões?
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