BS
Caderno Soka
há 27 anos
Relacionamento entre pais e filhos no futuro
Considerações do presidente da SGI, Daisaku Ikeda
02/10/1999

A teoria do professor Glueck é concebível. Mesmo nas famílias ricas há mães que negligenciam suas crianças. O aspecto importante para educar corretamente as crianças é a presença do amor dos pais; disciplina que atua ao mesmo tempo como um medicamento efetivo e tolerância ilimitada que alimenta as crianças. A mãe deve, entretanto, demonstrar um amor infatigável para com suas crianças de tal forma que elas possam compreender seu rigor. Dessa forma, um novo relacionamento se desenvolverá de acordo com a própria época. Muito naturalmente, os pais começam a aclamar: “Nós educamos nossos filhos tratando-os como amigos.”
Quando mostramos respeito pela personalidade de uma criança, ela começa a mostrar respeito pelos outros. Se uma criança é criada no lar como um indivíduo da sociedade, ela se tornará uma figura destacada quando amadurecer. As crianças criadas dessa maneira na nossa nova era exigirão inconfundivelmente o lugar que lhes é de direito como indivíduos da nova sociedade.
Os pais têm grandes sonhos para seus filhos. A maioria dos pais expõe naturalmente um desejo secreto em relação às crianças no sentido de que elas se tornem doutores, autoridades do governo ou homens de negócios bem-sucedidos. Sonhos que eles próprios falharam em concretizar em sua própria vida são revividos para ser realizados na vida de seus filhos. Tais sonhos mostram o egoísmo intolerante de muitas mães e pais de visão estreita. Muitos casos extremos desses sonhos conservados pelas mães originam uma nova espécie de mãe, aquela que impõe a educação às crianças de modo doentio.
As crianças de hoje estão experimentando severas provações impostas pelos motivos egoístas de seus pais. Muitos pais insistem para que seus filhos aprendam música e encontrem a glória pessoal empurrando-os ao estudo para que possam entrar em alguma escola famosa ou ostentar talento em uma das artes da noite para o dia. Quando presencio essas coisas, sou compelido a falar abertamente: “De uma vez por todas, por que não tentam compreender a situação de seus filhos?”
“Quero que meus filhos se tornem capazes de fazer seus próprios julgamentos em tudo o que lhes diga respeito”, expressou um pai de um outro país.
Os pais que podem respeitar os filhos como personalidades individuais devem ser admirados como grandes trunfos para a família e para a sociedade. Em antecipação ao futuro desenvolvimento de seus filhos, muitos pais colocam ênfase em criá-los no sentido de serem “homens de justiça”. Assim, a expectativa de boa cidadania tem sido colocada sobre essas crianças.
Deveria ser lembrado que se os pais mostram respeito para com a humanidade, as crianças nada podem fazer senão tornar-se honoráveis.
Desde que nossa vida diária é ditada pela sociedade na qual vivemos, o relacionamento entre família e sociedade não pode ser ignorado. Se um insignificante egoísmo do lar é levado à sociedade, o indivíduo interessado sentir-se-á expatriado e infeliz. Se a sociedade se torna boa ou má depende do esforço dos pais no lar.
O sistema hereditário, que controla muitas das nossas estruturas sociais formando grupos restritos e permitindo que seus filhos consigam posições civis e riqueza industrial, tem barbarizado nossa sociedade civilizada. Os pais devem compreender, para o bem de seus filhos, que este é um mau procedimento encorajado pelo atendimento aos caprichos de seus filhos. A fim de evitar isso, os pais devem confiar seus filhos a líderes adequados.
É responsabilidade dos pais estimular um ambiente que atraia os amigos apropriados a seus filhos.
A devoção filial manifesta-se por meio de muitas formas. É compreendida na morte de um pai, ou quando o filho tem crianças para criar por conta própria. Isso me faz pensar onde tal gratidão e respeito estavam quando o pai estava vivo.
Os pais confrontam-se atualmente com problemas de segurança financeira na velhice. A despeito do fato de que a independência possa parecer impossível com o sistema inadequado de previdência social de hoje, sou da opinião de que os pais devem assumir suas próprias responsabilidades financeiras. Isto é para o futuro desenvolvimento de seus filhos. Não estou tentando negar a devoção de um filho em relação aos seus pais, mas, sob as condições de hoje, é quase impossível para ele sustentar de maneira adequada os pais na velhice. Tornam-se evidentes as disputas que se manifestam agudamente entre esposa e sogra. Assim, os pais idosos tornam-se desprezados pela família. É realmente alarmante compreender o que pode tomar lugar nessas circunstâncias.
Estamos, entretanto, numa nova era em que as éticas e regras familiares devem ser estabelecidas. O mais importante de tudo é que nós respeitemos a posição individual da humanidade. O relacionamento entre pais e filhos deve constituir-se no respeito para com o direito a uma vida individual do membro de cada família.
Como resultado, a família será capaz de desfrutar uma união feliz.
Desse ambiente de família feliz, estou certo de que emergirão novos homens saudáveis, cidadãos fortes e competentes.
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