BS
Experiência & Comportamento
há 27 anos
Vencendo cada obstáculo com uma inabalável determinação
ELISÂNGELA APARECIDA CONTÍDI, RESPONSÁVEL PELA DM DE COMUNIDADE
02/10/1999
A primeira pessoa que recitou o Nam-myoho-rengue-kyo em casa foi meu irmão, mas ele não deu prosseguimento, pois minha mãe foi terminantemente contra. Ela argumentava que alguém que nem sequer sabia orar em português não tinha nada que orar em japonês. Com o tempo descobrimos que uma tia nossa também estava praticando esse budismo. Era alguém que nos surpreendia pela sua transformação como pessoa. Nessa mesma época conheci uma praticante no curso que fazia e ela me explicou que essa filosofia possuía uma força capaz de transformar a vida e qualquer problema. Contudo, nada nos convencia a abandonar a religião que seguíamos.
Algum tempo depois senti na pele o que poderia se chamar de inferno. Meu irmão, que outrora havia iniciado a prática, estava agora envolvido com drogas e, conseqüentemente, com o crime, pois tirava nosso dinheiro e tudo o que encontrasse em casa que pudesse converter em dinheiro para sustentar seu vício. O ambiente familiar tornou-se insustentável. As brigas eram diárias, um verdadeiro clima de guerra. Eu, como filha mais velha, não me conformava em ver minha família nessa situação e culpava unicamente o meu irmão e seu vício. Essa situação nos fez passar por muitas dificuldades e sofrimentos. Perdemos amigos, bens, e até a saúde.
Foi no final desse ano que minha tia praticante, que há três anos não falava com minha mãe devido a alguns desentendimentos, nos visitou nos pedindo desculpas. Minha mãe ficou tão impressionada com a sua profunda transformação que lhe disse que gostaria de conhecer o budismo também. Até então, ela havia procurado ajuda e consolo em várias outras religiões sem obter qualquer resultado, e estava determinada a fazer com que essa fosse a última tentativa. Ela participou de uma reunião de palestra e depois disso começou a praticar e não mais parou. Ela se encantou com o calor humano com o qual foi recebida e voltou da reunião já com outro aspecto. Dizia que havia encontrado algo realmente maravilhoso e que, com certeza, transformaria aquele inferno em que vivíamos num lar completamente feliz. Ela passou a convidar a mim e ao meu irmão para acompanhá-la, mas, além de não irmos, debochávamos dela, que ficava horas recitando as mesmas palavras. Eu tive uma formação católica, assim como minha mãe, e não aceitava essa mudança tão repentina. Contudo, passamos a perceber que ela estava mudando. Não ouvíamos mais seus gritos e xingamentos diários pela casa e estava mais tolerante e carinhosa conosco.
Eu namorava um rapaz que acreditava ser o homem da minha vida. Ele era louro, alto, bonito, um verdadeiro príncipe encantado com que toda mulher sonha. No entanto, cega de amor, recusava-me a aceitar o fato de que ele só me fazia sofrer. Ele era muito ciumento e possessivo, além de violento. Foi no dia em que fui agredida por ele só porque iria fazer uma entrevista para um emprego, que participei pela primeira vez de uma reunião do budismo. Humilhada, triste e sem saber exatamente o que fazer, aceitei o convite de minha mãe. Fui acolhida carinhosamente e isso tocou o meu coração. Decidi que seria budista a partir daquele dia e que seria muito feliz. Apesar de não entender muita coisa por ser tudo muito diferente do que conhecia de outras filosofias até então, a orientação de uma dirigente fez me acreditar na certeza de mudar. Ela disse: “O Daimoku é como um remédio receitado para curar uma doença e que tomamos sem conhecer exatamente sua composição. Acredite apenas que ele pode curar a doença e ore o Daimoku com toda convicção. Assim, certamente será vitoriosa.”
Logo depois, membros da Divisão das Moças passaram a me visitar com freqüência. A atenção e a preocupação que tinham comigo fizeram-me conhecer um novo mundo em que existia companheirismo, amizade e benevolência. Eu me sentia útil. Comecei a participar e a me empenhar nas atividades, contrariando meu namorado. Ele e sua família não aceitavam o fato de ter me tornado budista. Sofri perseguições por parte dele diversas vezes. Não suportando mais essa situacão, procurei uma dirigente. Ela me aconselhou a orar com firme determinação para conseguir enxergar por meio dos “olhos do Buda” se meu namorado era ou não alguém que realmente me faria feliz, e para que, caso não fosse, sua verdadeira natureza se revelasse. Orei muito a partir desse dia com a decisão de acabar com esse sofrimento que influenciava todos ao meu redor. As orientações do presidente Ikeda eram o meu suporte. Após um ano desafiando na recitação sincera e intensa de Daimoku, obtivea minha resposta. Meu namorado havia me pedido para escolher: ou ele ou o budismo. Sem qualquer dúvida, escolhi o budismo. Mesmo assim, ele não desistiu e prosseguiu nos planos de casar comigo numa igreja. Quando faltava pouco tempo para decidirmos finalmente a respeito do casamento, pude constatar o que várias pessoas já vinham me alertando. Ele estava com outra pessoa e não tive qualquer receio de terminar definitivamente nosso relacionamento. Tive certeza de que ele não me faria feliz. As perseguições perduraram por muito tempo, mas hoje não sofro mais com isso. Apenas oro para que ele seja muito feliz e que venha a praticar este budismo algum dia.
Profissionalmente também enfrentei vários desafios. Trabalhava numa empresa em que o ambiente deixava-me tão nervosa, o que acarretou-me vários problemas de saúde, como gastrite nervosa e gripe. Determinei ao Gohonzon que iria encontrar um emprego em que meu trabalho pudesse ser reconhecido e no qual pudesse me desenvolver como valor para a sociedade. Criei coragem e saí da empresa em que trabalhava há nove anos. Três meses depois arrumei um emprego, mas também não era o que eu queria. Intensifiquei ainda mais minhas orações, pois sabia que era uma oportunidade para realizar minha revolução humana. Alimentava também o sonho de cursar uma faculdade. Mais uma vez minhas orações foram respondidas. Hoje trabalho numa fundação na qual, por meio de minha conduta, procuro mostrar o que é ser membro da BSGI. É um local em que diariamente tenho me desafiado a fazer o melhor e a transformar o ambiente. No final do ano passado prestei vestibular e passei. Realmente tudo está caminhando conforme almejei.
Atualmente pertenço ao Grupo Cerejeira e sou responsável pela DM de comunidade. Ainda não solucionamos todos os problemas familiares, mas não perco mais a esperança. Sei que tudo se resolverá da melhor forma e sei também da minha responsabilidade de tornar-me um espelho que possa conduzir toda a minha família à prática da fé. Minha maior luta será fazer com que meu irmão torne-se um grande valor para o Kossen-rufu e seja realmente feliz. Ele ainda não abandonou o obscuro mundo das drogas, mas já melhorou muito. Às vezes penso que, se nós não tivéssemos feito a causa negativa de tê-lo afastado do budismo, teríamos poupado tanto sofrimento. Mas decidi que cabe a mim transformar a maior causa negativa de ter um dia caluniado esse maravilhoso budismo.
Com base nas orientações do presidente Ikeda, no estudo das escrituras e na recitação de intenso Daimoku, estou decidida a revolucionar o meu ambiente de trabalho, o ambiente familiar e a sociedade em que vivo, transformando cada obstáculo em um trampolim para a felicidade.
Agradeço a todos os que sempre me incentivaram e, principalmente, ao presidente Ikeda que nos oferece preciosas orientações para continuarmos a luta pela nossa revolução humana.
Obrigada, mestre, por você existir e dedicar inteiramente sua vida para o desbravar do Kossen-rufu mundial no novo século. Obrigada por trazer até nós, brasileiros, a oportunidade de fazer parte desta maravilhosa história. Como sua discípula, hei de lutar com coragem e sinceridade.
Obrigada à querida Divisão das Moças da BSGI, por me acolher quando mais precisei e por me tornar uma pessoa que, apesar dos obstáculos, tem a certeza de que será feliz, infalivelmente. Contem comigo sempre. Muito obrigada a todos!
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