TC
Especial
há 25 anos
A arte da convivência
01/02/2002
A Terceira Civilização ouviu algumas pessoas que possuem experiências consolidadas em determinados campos de atuação. Para todas elas, a boa convivência atualmente é mais que uma simples circunstância agradável, é algo para ser construído a cada dia, num esforço constante e determinado, assim como quem constrói a própria felicidade.
A convivência profissional
Dilza Muramoto é vice-coordenadora do Departamento de
Profissionais e Executivos da Coordenadoria Cultural da BSGI. Para ela, uma headhunter que atua nesse mercado há anos, a boa convivência profissional é um pré-requisito para qualquer candidato a um bom emprego.
“A maioria dos profissionais passa oito horas ou mais no local de trabalho. Portanto, as condições em que deve se desenvolver o trabalho são tão importantes quanto as existentes em seu próprio lar. As condições físicas do ambiente de trabalho, como calor, frio, luz, ruídos, ventilação etc., devem ser adequadas. Mas o mais importante é o relacionamento com as pessoas no ambiente de trabalho, o relacionamento com o chefe, com os subordinados e com os colegas”, afirma.
Dilza ainda ressalta alguns pontos importantes, os quais nem sempre são lembrados por todos. São eles:
a) Empenhe-se no networking: Significa relacionar-se para aumentar suas conexões pessoais, do contrário, se a pessoa “não fica na vitrine”, não evolui na carreira e às vezes nem consegue trabalho.
b) Diga palavras simples como “por favor”, “desculpe” e “obrigado”. Elas podem transformar o mundo do trabalho num lugar muito melhor para se conviver.
c) As pessoas gostam daqueles que gostam delas: torne públicas as semelhanças e faça elogios genuínos.
A convivência na organização
Sempre foi uma importante preocupação criar o melhor clima nas organizações que compõem a SGI, fazendo com que todas elas sejam consideradas como uma verdadeira família, a “Família Soka”. Dessa forma, o bom relacionamento em qualquer organização é fundamental para o seu desenvolvimento. Um outro aspecto interessante nesse caso é que o exercício da boa convivência na organização constitui-se num genuíno treinamento para a boa convivência em outros campos da vida.
Para isso, é preciso ter consciência de que ninguém é igual a ninguém. “Cada pessoa possui uma predisposição para aceitar ou não os outros. O fato de a pessoa ter facilidade ou não em conviver faz parte de seu carma que se manifesta no ambiente. De forma simples, cada um acumula conceitos próprios de valores com base na educação que recebeu, nos costumes, nas censuras ou nas noções adquiridas sobre o perigo, o bem e o mal, o bonito e o feio etc. O pré-julgamento que uma pessoa faz de outrem está muito relacionado a experiências vividas ou gravadas nas profundezas da própria vida, o que no budismo chamamos de carma,” lembra Antônio Nakamura, coordenador da Divisão Sênior da Cidade de São Paulo.
Nakamura também acredita que a questão do relacionamento humano é fundamentalmente o que uma pessoa precisa aprimorar em si própria. “As dificuldades existem e trazem sofrimento exatamente pela não aceitação de um fato ou por um relacionamento mal conduzido. A prática budista da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo revela a nossa capacidade pela busca do próprio equilíbrio e este se manifesta em nosso ambiente, transformando preconceitos em sabedoria”, afirma Nakamura. E ele ainda acrescenta: “É imprescindível compreender que qualquer pessoa possui dificuldades e deseja a sua transformação. Quando iniciamos a prática do budismo, desejamos em primeiro lugar buscar a sabedoria para resolver nossos problemas e, assim, sentirmo-nos felizes. A esse processo chamamos de revolução humana, que consiste em atingir por meio do amadurecimento mais rapidamente aquilo que talvez levaríamos anos ou até existências para conseguir. Devemos buscar os valores e as qualidades que certamente existem na vida de outra pessoa. Sob o ponto de vista do princípio da lei de causalidade e do princípio da inseparabilidade da vida e seu ambiente, a consideração e o exercício do bom relacionamento é a busca da própria iluminação.”
Com base em sua experiência na organização, Nakamura, também aconselha: “Devemos, como budistas, cultivar posturas que sirvam de referência para a sociedade e assim poder conduzi-la a um caminho salutar de harmonia e entendimento. O que chamamos de ‘Cultura Soka’ é o caminho criado pelo bom senso, pela justiça e pelos valores cultivados ao longo da vida e que se resumem na benevolência. Dessa forma, procurar benefícios próprios em detrimento de outros na organização são causas que podem resultar em conflitos, afastamentos e até em tragédias. Portanto, evitar formas corriqueiras de barganhas, negociações, empréstimos e favores entre os membros é a melhor atitude para um bom relacionamento. Devemos, sempre, buscar a resolução de nossos problemas pelos nossos próprios esforços, tanto no desafio da oração quanto nas conquistas pessoais. Os problemas, as pessoas, as circunstâncias são os nossos meios. E ter a sabedoria para conviver com elas é o nosso objetivo. Nossa oração deve conter esse desejo de compreender e considerar cada vida, cada pessoa de nosso convívio, seja na família, no trabalho seja na organização. Quando projetamos em nosso ambiente o nosso melhor sentimento, a natureza se encarrega em nos devolver esse mesmo valor.”
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