marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Especial
há 25 anos

Convivência harmoniosa para uma vida feliz

01/02/2002

Convivência harmoniosa para uma vida feliz
Saber conviver é uma necessidade, isso todos sabem. Mas por que será que é tão difícil chegar a uma convivência harmoniosa seja na família, no trabalho seja na comunidade?

No budismo há um exemplo famoso de alguém que sempre buscou a convivência harmoniosa — o Bodhisattva Fukyo (Jamais Desprezar).

De acordo com as escrituras, o Bodhisattva Fukyo viveu durante os Médios Dias da Lei do Buda Ionno (Rei do Som Imponente). Essa foi uma época em que a Lei quase se extinguiu, e em que pessoas cheias de poder, presunção e arrogância desprezavam as demais. Nessas circunstâncias, o Bodhisattva Fukyo proclamava sozinho em alta voz a Lei verdadeira (a essência do Sutra de Lótus), demonstrando o máximo respeito pela humanidade. Quando avistava as pessoas ao longe, esforçava-se para estar com elas. Ele respeitava mesmo aquelas pessoas que o caluniavam e o agrediam com pedras e bastões, dizendo: “Ainda assim, não ouso desprezá-las.”

Essa atitude, aplicada aos dias atuais, pode parecer inaceitável e absurda. Observando os valores e o pensamento predominantes na sociedade contemporânea, uma pessoa que é ofendida e se comporta como o Bodhisattva Fukyo seria considerada covarde, conformista e resignada por não revidar. Isto porque a maioria desconhece o grande potencial interior do estado de Buda em sua própria vida e na de outrém. Esse potencial interior em comum é o que unifica e iguala os seres humanos. Por reconhecer a existência do estado de Buda em todas as pessoas, o Bodhisattva Fukyo as respeitava sem fazer distinções.

É raro observarmos esse comportamento benevolente do Bodhisattva Fukyo nos dias de hoje. As pessoas estão cada vez mais preocupadas consigo próprias, fechadas em seu mundo ou em seus problemas. Elas se apegam às diferenças pessoais, ressaltando tanto os pontos negativos que não conseguem enxergar uma única qualidade nas demais.

Em um local em que não há clima ou ambiente adequado para uma convivência saudável pelo fato de as pessoas estarem sempre em conflito, não há progresso. Da mesma forma, quando uma pessoa se prende somente aos aspectos negativos da outra, chegando ao ponto de não suportar ouvir sua voz, de sentir-se incomodada com a sua presença, e de sofrer por causa disso, está na realidade impedindo o seu próprio desenvolvimento, uma vez que a outra pessoa torna-se o único alvo de sua preocupação. Esse sentimento transforma-se em uma barreira para seu avanço como ser humano.

Unidade na diversidade, diversidade na unidade

Todas as pessoas diferem umas das outras, este é um fato inegável.

O Budismo de Nitiren Daishonin prega que são justamente essas diferenças que enriquecem a humanidade. Cada pessoa é uma engrenagem de tamanho, função e características diferentes que no conjunto move a grande “máquina” da humanidade.

Os ensinamentos do budismo valem-se também da analogia da cerejeira, da ameixeira, do pessegueiro e do damasqueiro. Cada uma dessas árvores dão flores e frutos à sua própria maneira, ressaltando a importância da diversidade. De acordo com essa analogia, as pessoas devem desenvolver suas capacidades únicas e, ao mesmo tempo, trabalhar na construção de um mundo de cooperação em que todos reconheçam tanto suas diferenças quanto sua igualdade fundamental: um mundo enriquecido pela diversidade de pessoas e culturas, cada qual desfrutando de respeito e harmonia. Num ambiente como esse, todos podem aprender e se desenvolver com as diferenças uns dos outros.

Compartilhe

Copy to clipboard