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Reflexões Sobre a NRH
há 25 anos
Osaka — a grande capital do povo japonês
01/02/2002
Os membros de Kansai possuem o espírito de mestre e discípulo. Ninguém jamais poderá romper os laços espirituais que me unem a eles — nosso compromisso de lutar apaixonadamente para realizar o Kossen-rufu. E jamais permitiremos que as mãos sujas do autoritarismo toquem nesse precioso laço.
Tudo começa e termina com a relação de mestre e discípulo. Esse é o espírito que a vitoriosa organização de Kansai criou.
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Quando o Sr. Jossei Toda tornou-se o segundo presidente da Soka Gakkai, há cinqüenta anos [em 1951], uma das primeiras coisas que disse a ele foi: “Para o desenvolvimento do Kossen-rufu do Japão no futuro, deveríamos dar prioridade à criação de um distrito em Osaka, a capital do povo.” E o Sr. Toda respondeu no mesmo instante: “Está bem. Se é assim que pensa, Daisaku, vá para Osaka e estabeleça esse distrito.”
Nossa organização em Kansai nasceu dessa união espiritual entre mestre e discípulo. Na época, tínhamos membros somente em Osaka e ainda assim um número muito pequeno, e a cúpula de dirigentes da Gakkai jamais havia sonhado em estabelecer um distrito nessa localidade. Porém, o Sr. Toda havia anunciado que concretizaria a meta de 750 mil famílias. Eu era seu discípulo. Assim sendo, pensei muito, com o entusiasmo e idealismo de um jovem, sobre o que era necessário para propagar amplamente o Budismo de Nitiren Daishonin. E foi isso que me impeliu a sugerir-lhe a criação de um distrito em Kansai.
Tóquio é a capital política e administrativa do Japão, e Osaka, ou melhor, toda Kansai, é sua capital econômica. Se conseguíssemos estabelecer uma forte base para o Kossen-rufu nessa localidade, suas ondas se propagariam para outras regiões como Tyugoku, Shikoku, Kyushu e, conseqüentemente, para todo o Japão.
[Nota dos editores: Em 1951, quando o presidente Toda declarou que atingiria a meta de 750 mil famílias, o total de membros da Soka Gakkai chegava a pouco mais de três mil distribuídos em doze distritos. Em agosto de 1952, havia somente quarenta membros em Osaka.]
No ano seguinte, 1952, foi fundado o primeiro distrito em Osaka. Visitei a localidade em 14 de agosto desse ano, e o Sr. Toda chegou no dia seguinte para iniciar a campanha de propagação regional de verão e dar o primeiro passo para o pleno desenvolvimento de nossa organização em Osaka.
Mantinha o presidente Toda informado dia e noite e, ao mesmo tempo, empenhava-me com afinco para atingir a vitória. Os membros de Kansai se uniram com elevado ânimo e se lançaram à campanha. Seus olhos resplandeciam de vida, esperança e convicção.
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O presidente Toda deixou bem claro seu propósito de ir para Osaka: “Vamos livrar Osaka da doença e da pobreza!” Essa foi uma solene declaração para enxugar as lágrimas de infelicidade e sofrimento dos olhos do povo de Osaka. Fiz do juramento do Sr. Toda o meu próprio juramento. Para atingir esse objetivo, teria de dedicar-me diligentemente à propagação da Lei Mística, transmitindo coragem a muitas pessoas para que pudessem conduzir uma vida feliz. O objetivo de uma verdadeira religião é livrar as pessoas das amarras do sofrimento. Uma religião viva ajuda as pessoas a transformar a miséria em felicidade. Uma religião não deve funcionar como uma simples fonte de consolo ou de comiseração, nem como um “ópio” que serve de fuga da realidade.
Em resposta a essa determinação, indivíduos fortes e corajosos que haviam despertado para um novo modo de vida e que havia chegado a uma nova consciência social, levantaram-se para lutar pela reforma e pela melhoria da comunidade a qual pertenciam. Como cidadãos, tinham todo o direito de construir uma sociedade que servisse a suas necessidades.
“Devemos fazer de Osaka — uma cidade de pessoas honestas e batalhadoras — a capital da felicidade de um povo cheio de boa vontade”, essa era minha determinação como um jovem leão de 28 anos que, desde o início de 1956, havia assumido ativamente a liderança na construção da organização de Kansai de eternas vitórias. Junto com os membros dessa localidade, lancei-me à batalha da fé e do Kossen-rufu para atingir o grande objetivo.
[Nota dos editores: Em janeiro de 1956, o jovem Ikeda foi incumbido pelo presidente Toda com a tarefa de liderar as atividades no Distrito Osaka, centradas nas reuniões de palestra. Em maio desse ano, ele e os membros da localidade atingiram em um mês um recorde de propagação sem precedentes na história do movimento pelo Kossen-rufu.]
Além disso, em julho do mesmo ano, seriam realizadas as eleições para a Casa dos Conselheiros (Câmara Alta), e a sede da Soka Gakkai havia decidido lançar seu próprio candidato na região de Osaka.
Lançar ou não um candidato — essa foi uma decisão difícil para a sede. Todos pensavam que seria uma disputa da qual não sairíam vitoriosos. Tanto dentro como fora da Soka Gakkai, muitos diziam que era um passo precipitado e condenado ao fracasso. Porém, assegurei ao meu mestre: “Não importam os obstáculos que iremos enfrentar, eu prometo ao senhor que triunfaremos. Sensei, eu lhe trarei a vitória!”
Naquele ano de 1956, no dia do aniversário do Sr. Toda (11 de fevereiro), compus-lhe um poema expressando minha determinação, e ele respondeu com a rapidez de um raio. Enquanto eu viver, jamais me esquecerei dessa troca poética entre mestre e discípulo.
Gostaria de oferecer o poema que dediquei ao meu mestre, agora com um novo significado, aos nossos companheiros de Kansai:
A fortaleza dourada
Erguida em Kansai
Permanecerá eternamente indestrutível,
Reprimindo sempre as forças do mal.
Permitam-me também compartilhar com vocês os versos que o presidente Toda dedicou-me em resposta.
Com júbilo observo
A magnífica fortaleza
Erguida por meu discípulo
Em sua luta de propagação.
Certa ocasião, o primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti, proferiu a seguinte orientação: “Há um provérbio que diz que mesmo a poeira quando acumulada pode formar uma montanha. Mas na realidade, não existem montanhas nascidas do acúmulo de poeira... As montanhas de verdade formam-se pelas alterações súbitas e drásticas na crosta terrestre.”2 O Sr. Makiguti nos ensina rigorosamente que só podemos transformar fundamentalmente nossa vida e edificar uma condição inabalável nos engajando com seriedade na batalha do grande bem contra o grande mal.
Se vamos lutar, então que seja uma luta grandiosa para obter uma vitória esmagadora!
Eu tinha uma única missão: construir em Kansai uma indestrutível fortaleza dourada. Para tanto, estava determinado a dar minha vida. Porém, a meta que o presidente Toda havia traçado era um feito fisicamente impossível para uma única pessoa atingir sozinha. Assim, decidi dedicar cem por cento de esforços ao encontrar-me com os membros, encorajando-os, incentivando-os e desenvolvendo cada um deles em corajosos defensores do Kossen-rufu. E traduzi isso em ação. Estava convicto de que minha ardente determinação atingiria outros corações e acenderia a chama da paixão do espírito humano, capaz de tornar o impossível, possível.
Eu queria vencer. Tinha de vencer. Relatar a vitória a meu mestre era minha suprema missão como discípulo; era também a comprovação do conceito da unicidade de mestre e discípulo.
Orava sinceramente todos os dias para ter forças e atingir meu objetivo. Recitava Daimoku continuamente com a firme convicção de que cada pessoa que encontrasse se tornaria uma aliada de nosso movimento ou agiria como uma função protetora.
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Nossos esforços de propagação em Osaka em 1956 eram acompanhados pelos membros de todo o Japão com grande expectativa e, dia após dia, mês após mês, expandiam-se com um ímpeto dinâmico. O avanço da organização é determinado pela energia e tenacidade dos responsáveis.
Com coragem, tomei a iniciativa e lancei-me de corpo e alma à batalha. Jamais hesitei, mantive-me sempre em atividade e bradei sem descanso. Passei cada dia, desde o amanhecer até tarde da noite, encorajando nossos companheiros de cada canto de Osaka. Houve vezes em que participei de umas 26 reuniões em um único dia, e sempre dizia a mim mesmo: “Tenho tempo para mais uma pessoa” e “Posso incentivar mais companheiros”. Chegava a ficar encharcado de suor, com a voz rouca de tanto falar e as pernas pesadas como se fossem blocos de cimento. Havia tantas pessoas com quem desejava me encontrar, tantas a quem desejava ver e incentivar dentro do limitado tempo de 24 horas. Se deixasse passar aquele momento, aquela oportunidade, talvez jamais voltaria a ver aquelas pessoas. Por isso ficava tão aflito querendo aproveitar cada segundo.
Quando deslocava-me de um local de atividade para outro, se me apontassem a casa de um membro, tratava de parar, mesmo que por um minuto. Sempre que alguém visitava a sede de Kansai, procurava arranjar um tempo para conversar com essa pessoa, mesmo que fosse para trocar uma palavra de cumprimento ou de encorajamento. Às vezes sequer podia parar e só acenava com a mão e agradecia com um olhar, enquanto orava Daimoku para a pessoa do fundo do coração.
Sabia que se nossos corações se tocassem mesmo que por um instante, poderíamos estabelecer uma relação com o budismo; porém se eu apenas passasse sem ao menos trocar uma palavra, nenhum valor seria criado.
A revolução humana se realiza encontrando-se com as pessoas. Essas ações incorporam a coragem, a sabedoria e a benevolência.
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Aonde quer que eu fosse, desenrolava-se um drama humano em que a comunicação de vida a vida estimulava a expansão e a alegria. Se visitava a casa de algum responsável e não o encontrava, sempre deixava uma mensagem de incentivo com alguém da família. E enquanto percorria os locais onde as reuniões eram realizadas — normalmente as casas dos membros — tomava o pincel e dedicava aos companheiros uma peça de caligrafia, na esperança de incentivá-los de alguma forma. Escrevia frases como “Batalha decisiva”, “Luta corajosa” e “Grande triunfo”.
Num instante, propagaram-se ondas de companheirismo e uma especial disposição para empreender a luta conjunta pela causa do Kossen-rufu. Todos compreenderam minhas metas e decisões. Os leais companheiros de Osaka, todos, sem exceção, compreenderam meus objetivos e minha decisão. Eles se levantaram e se empenharam incansavelmente comigo, compartilhando tanto as alegrias como os sofrimentos.
Li incontáveis passagens do Gosho junto com os companheiros de Kansai. Uma delas dizia: “Um dia de vida é mais valioso do que todos os tesouros do sistema maior de mundos.” (The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág. 955.)
Façamos o máximo que pudermos neste precioso e insubstituível dia de hoje, para que não tenhamos nenhum arrependimento. Dediquemos nossa vida ao Kossen-rufu e à felicidade da humanidade! Ser “eternamente vitorioso” significa triunfar no presente, triunfar hoje.
Depois de abrirem caminho por entre árduas dificuldades com o mesmo espírito de Daishonin, os membros de Kansai por fim triunfaram! No mês de maio desse turbulento ano de 1956, atingimos um magnífico recorde em um mês: 11.111 novas famílias receberam o Gohonzon. Esse feito assentou firmemente a base da fortaleza dourada do Kossen-rufu de Kansai.
Dois meses depois, na eleição para a Casa dos Conselheiros realizada em julho — a primeira eleição para a Câmara Alta para a qual a Soka Gakkai enviara seus candidatos — os membros de Kansai, trabalhando em uma equipe unida, obtiveram uma vitória extraordinária [com seu candidato na região de Osaka] que arrancou aplausos e vivas de seus companheiros de todo o Japão.
Esse triunfo provocaria uma torrente de perseguições por parte das autoridades ardilosas e traiçoeiras, em julho do ano seguinte [1957], tal como adverte o Gosho. Refiro-me obviamente ao Incidente de Osaka sobre o qual escrevi no ensaio anterior.3
Meus nobres amigos de Kansai vêm reconstituindo continuamente aquela grande luta de há 45 anos, criando uma brilhante história de sucessivas vitórias. Uma vez mais, uma nova página da história de eternas vitórias começou a ser escrita por Kansai. Nosso triunfo no primeiro ano deste novo século será a base para uma sucessão de vitórias.
Grande Kansai, seja tenaz! Persevere até o fim, passo a passo, com coragem e integridade! Kansai de eternas vitórias, triunfe em tudo sem se esquecer jamais de sua honra e missão, junto comigo!
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